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Luís Filipe Menezes, um animal político em vias de extinção

Verdadeiramente, o que é que separa Luís Filipe Menezes de Rui Moreira? Na entrevista deste domingo à TSF e ao DN, Menezes dá-nos a sua versão da história: “uma grande diferença é que eu não mudo de opinião com muita facilidade em relação ao mundo, à vida e às pessoas”. Menezes considera-se “um pouco como um animal político em vias de extinção”, que continua a ser “quer do ponto de vista ideológico quer do ponto de vista idiossincrático, um social-democrata nórdico dos anos 60.” Claro que estamos a falar de Menezes candidato ao Porto, porque Menezes líder do PSD via-se certamente como um neoliberal anglo-saxónico dos anos 80, já que queria “desmantelar o Estado em seis meses”. A “facilidade” com que Rui Moreira “muda de opinião em relação ao mundo, à vida e às pessoas” deve ser mesmo muito impressionante.   

Mas o que é, para Menezes, “um social-democrata nórdico dos anos 60?” Do ponto de vista ideológico, trata-se de alguém que “acredita que a economia serve para criar condições para haver um Estado igualitário.” Do ponto de vista “idiossincrático”, Menezes refere-se àqueles políticos que “arriscam até a ser mortos, como Olof Palme, no meio da rua.” Deste ponto de vista, o próprio rei D. Carlos, recentemente recordado por Mário Soares, para além de nórdico - que de facto era -, pode ser entendido como um social-democrata dos anos 60 “avant la lettre”. De resto, como bom social-democrata nórdico que agora diz ser, Menezes “acredita no Estado de direito democrático”. Então e se não puder ser, por deliberação do Tribunal Constitucional, candidato à Câmara do Porto? Aí as coisas mudam de figura: “Vou ser candidato ao Porto. Aconteça o que acontecer com a lei, nunca deixarei de ser.” Ou seja: nesse caso, o social-democrata dos anos 60 dá lugar ao fascista dos anos 30. 

A entrevista é também uma oportunidade para Menezes falar do seu modelo de governação local.  Menezes vai seguir “o modelo francês parisiense e agora londrino: o mayor está lá em cima para as grandes questões, para os grandes problemas, para ir buscar investimento ao estrangeiro, para promover o turismo da cidade...” Depois, há os presidentes de junta que “fazem a gestão do território por proximidade.” Vamos ter um “upgrade” a esse nível, assegura Menezes. Gente com conhecimento da administração local para as freguesias? Melhor: “Vamos ter novidades, jornalistas de primeira linha, de televisão...” 

Para terminar, resta saber como é que Menezes viu a última remodelação governamental (a entrevista reporta-se à de 12-04-13). Para ser sincero, Menezes “veria com melhores olhos, mas é uma opinião meramente pessoal, o dr. Marques Guedes manter-se no lugar em que estava, de coordenador da parte mais administrativa, mais burocrática, mais jurídica do Conselho de Ministros”. No fundo, Marques Guedes dava um bom Diretor-Geral da Presidência do Conselho de Ministros. Ora, do que o Governo precisava era de ter “um ministro de Estado com perfil mais político, com mais experiência de coordenação política”. Fernando Nogueira ou Marques Mendes, nomes já sugeridos pelo Prof. Marcelo? Melhor ainda: “Por exemplo, o dr. Marco António Costa.” O que leva Menezes a desejar tal sorte a Marco António? A resposta vem logo a seguir, na reação dos jornalistas:  “De Marco António Costa fala-se mas é para o substituir a si, no Porto, se não puder avançar com a sua candidatura...”

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