escolher o nome de um blogue é uma coisa divertida mas também extenuante. chegámos a pensar publicar a interminável lista de mails que durante uma noite e um dia trocámos com as mais disparatadas sugestões. a minha, que continuo a achar fantástica, não venceu (mas também não digo qual é, já estou como o miguel, nunca se sabe quando é que precisamos de um sítio onde voltar ou, em alternativa, de um nome para um sítio).
foi a ideia de uma neófita nestas paragens, a joão (guardão, que há muito eu desafiava para me fazer companhia) que levou a palma -- com alguns votos de vencido, é certo. um vocábulo algo bélico, como já houve quem fizesse o favor de verificar num dicionário, e foi também por esse motivo que o escolhemos. a blogosfera é, como ainda no outro dia dizia um ex-co-bloguer, 'um sítio para andar à porrada' (e, acrescentava ele e eu subscrevo, 'se bem que não necessariamente com as pessoas do mesmo blogue'), e quando se anda à porrada gostamos de ganhar, ou seja, apontar à jugular.
jugular substantivo é isso, o lugar fulcral, simultaneamente aquele onde se é mais frágil e exposto e aquele onde corre o fluxo da vida. um blogue é isso: uma exposição pulsada, cada post uma batida cardíaca, uma prova de existência, um risco e um gozo -- o gozo do risco, o risco do gozo.
jugular é também um adjectivo -- relativo ao ponto crítico em que se decide a vida e a morte, ao alvo de todos os ataques. uma certificação de pontaria, assertividade, precisão. uma deliberação de desassombro.
e o verbo, claro: jugular é também debelar, extinguir, decapitar, matar. não é um verbo manso, não é um verbo sonso, não é um verbo com medo do verbo. este não é um blogue manso, nem com medo, sem sonso. faremos as guerras que entendermos, entraremos nas guerras que escolhermos -- mas sempre as nossas, escolhidas por nós. por cada um de nós.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
