passei hoje, a pé (claro), na avenida da liberdade, às 4 da tarde. a barulheira era indescritível. os restauradores estavam transformados numa feira popular, com um gajo qualquer aos gritos a fazer 'animação' no meio do roncar insuportável dos motores fórmula 1 das marés de gente. tenho dificuldade em expressar a dimensão da minha fúria face à saloiice e à idiotia da ideia de fazer da mais nobre artéria do centro de lisboa uma pista de corridas. mas esta ideia é mais do que saloia e idiota: diz o que pensa do centro da cidade quem a autorizou e promoveu. é gente que pensa que o que o centro precisa é desta 'animação': gente de fora na rua aos magotes para ver carros, barulho e farturas. uma espécie de playground de fim de semana para a malta dos arrabaldes -- como se não houvesse quem cá viva (se eu vivesse naquela zona, acho que tinha comprado uma bazooka e feito pontaria da janela aos fórmula 1, um a um) e como se não fosse hiper ridículo e contraproducente enfeitar a mais poluída artéria de lisboa com bólides poluentes (duplamente, pelo ruído e pela emissão de gases) e fazê-los acelerar naquele alcatrão esburacado que envergonha todos os lisboetas e que a câmara de lisboa ainda não arranjou tempo e vontade para consertar. arranjou, no entanto, tempo e vontade para autorizar estes eventos 'tão giros'. a sério: o que foi isto? vem donde? para onde vai?
parece que anda aí uma petição. um pouco tarde, diria eu. mas no dia 11 de novembro, vai ter lugar mais 'um dia por lisboa' no jardim de inverno do teatro são luis, com a baixa como tema. vai decorrer das 18 às 24 h. há vários painéis e o último inclui quem 'manda'. a entrada é livre. mais perto do dia postarei o programa.
Como já disse antes noutro local, também a mim me parece de bastante mau gosto e piroseira este evento, e mais facilmente me ouviriam a gritar bis a Tony Carreira num qualquer concerto, do que na Av. da Liberdade a ver carros de corrida - e isto apesar de ser adepto e praticante de automobilismo, mas cada coisa em seu sítio.
No entanto, o argumento recorrente da poluição causada só pode ser aduzido por ignorância ou falácia: imagina a senhora, porventura, quantas toneladas de CO2 teriam sido emitidas por carros particulares durante o tempo em que a avenida esteve cortada? E imagina qual terá sido a emissão dos carros de corrida (que, contrariamente ao que alguns parecem pensar, não são reactores nucleares com rodas e - pasme-se! - até trabalham a gasolina) durante esse período? Pois, eu também não sei, mas garanto-lhe que esta foi uma ínfima percentagem do que teria sido aquela.
Se quiser argumentar seriamente, fale (como muito bem fez) da poluição sonora, dos transtornos ao trânsito, da mentalidade festivaleira da presidência da Câmara, e por aí fora, mas deixe esse argumento estafado e falso da suposta poluição dos carros de corrida para meia dúzia de radicais desonestos e manipuladores que o utilizam noutras sedes.
De
f. a 26 de Outubro de 2008 às 23:03
aldino brito, não estava a comparar as poluições, mas a referir-me ao aspecto simbólico.
parabens por este novo blog;)
De
m&m a 29 de Outubro de 2008 às 11:02
QUALIDADE DO AR (Av. Liberdade entre as 17h00 e as 18h00)
19 DE OUTUBRO
Dióxido de Azoto (NO2) 105*
Monóxido de Carbono (CO) 294*
Partículas inaláveis 41*
26 DE OUTUBRO
Dióxido de Azoto (NO2) 53*
Monóxido de Carbono (CO) 288*
Partículas inaláveis 25*
*Microgramas por metro cúbico (µg/m3)
De Paulo Pinto a 26 de Outubro de 2008 às 23:15
Pois eu cá não sei o que é que a coisa tem de saloio. Para os alfacinhas, tudo o que é bera é "saloio". Tomara que a cidade fosse só deles e para eles. Eu, que vivo na zona saloia, também me farto de certas coisas. Uma delas é ver a minha região, ao domingo, saturada de magotes de "gente da cidade" que vem ver o mar e a serra, que estaciona os popós em todo o lado (deve ser dos hábitos da cidade) e acha que isto é tudo deles. Também vêm fazer barulho e largar CO2. Não sei bem como lhes hei-de chamar.
De
f. a 27 de Outubro de 2008 às 00:20
tenta parvalhões, paulo.
O mundo é todos PP, não sejas pexito! ;)
De Ibn Erriq a 26 de Outubro de 2008 às 23:20
Vê-se que não gosta, está no seu direito. Já agora, eu também não gosto, mas o que nos diferença é que eu não adjectivo os que têm gostos diferentes dos meus.
Então e se fosse a marcha do orgulho .... já não seria condenável?
De
f. a 27 de Outubro de 2008 às 00:11
ibn erruq, é tal qual, manifestações -- já agora, porque não se lembrou da manif dos professores? não me viu de certeza protestar contra essa -- e eventos comerciais-pirotécnicos.
De Ibn Erriq a 27 de Outubro de 2008 às 00:22
Mal era, protestar contra quem protesta ;-)
De lampiao a 26 de Outubro de 2008 às 23:38
já não basta a gajada não gostar que nós gostemos de futebol, agora tb não gostam que nós gostemos de F1. Ó menina Fernanda, não vai fazer cenas assim quando passar na catedral da Luz, pois não ?
Lampiao
De
f. a 27 de Outubro de 2008 às 00:19
se passarem a fechar o rossio para jogos de futebol, pode ter a certeza.
De
PDuarte a 26 de Outubro de 2008 às 23:47
o que é um alfacinha de gema?
é um nativo de Lisboa que geralmente defende os valores em teoria da tolerância e da justa e plena integração do outro na sua comunidade.
reacção na prática de um alfacinha de gema perante a presença de um estranho oriundo das redondezas na sua rua ao domingo à tarde:
- SALOIO!!!
De
f. a 27 de Outubro de 2008 às 00:18
p duarte, se calhar era melhor reler o post. o cognome não era exactamente para os componentes da assistência.
De james a 27 de Outubro de 2008 às 00:23
Tem piada que o árbitro da elegância, que já a linkou , ainda foi mais longe, chegando mesmo a vociferar, em tom dramático:
"Para quem aqui trabalha, foi a ruina : os clientes habituais fugiram como o diabo da cruz, e os mirones não vão às compras na Purificación Garcia".
Enfim,a visão contabilística coisa.
Uma pena aquele Petronius ...
De
PDuarte a 27 de Outubro de 2008 às 01:34
«gente de fora na rua aos magotes para ver carros, barulho e farturas. uma espécie de playground de fim de semana para a malta dos arrabaldes -- como se não houvesse quem cá viva...»
reli.
um abraço Fernanda.
De
f. a 27 de Outubro de 2008 às 09:40
certo, p duarte. a baixa está sempre cheia de gente de fora da baixa ao fim de semana -- e quando escrevo gente de fora da baixa -- é gente que não vive nem trabalha ali. vêm porque gostam de passear na baixa. nunca me viu vociferar contra isso, decerto. é contra o 'evento' e a intenção do evento que falo. se não consegue distinguir, paciência.
Y o país está em crise... Fixe! Venha dai mais crises.
De ooo a 27 de Outubro de 2008 às 02:56
A maltosa dos subúrbios... Deviam ser todos exterminados, essa chunga podre e infeliz. É dali que vêm os homossexuais das paradas, os gajos da liberalização da ganza e as tristes criadas de servir.
De qwerty a 27 de Outubro de 2008 às 03:07
A ignorância não tem fronteiras, nem escolhe classes. Os "alfacinhas" são os "saloios" e os "labregos": o pessoal das couves do Bombarral e os estivadores da Beira Litoral que se instalaram em Alfama e nos bairros adjacentes a partir dos anos 40. Quase toda a gente em Lisboa tem esta genealogia - embora já se tenha esquecido.
De
f. a 27 de Outubro de 2008 às 09:49
é verdadeiramente extraordinário como há quem deseje transformar um texto de crítica a uma decisão da autarquia e de defesa dos direitos dos residentes e de uma ideia de cidade numa manifestação de superioridade de uma lisboeta em relação aos suburbanos. não nasci em lisboa, mas exactamente naquilo que hoje é claramente um subúrbio, vila franca, e decerto se ainda lá vivesse acharia igualmente descabida a transformação da rua principal, a alves redol, numa pista de corridas.
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