Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008
A história que hoje surge em todos os jornais (por exemplo no Público, "A Inspecção-geral de Finanças (IGF) analisou milhares de mensagens de e-mail de centenas de funcionários dos impostos e leu o conteúdo de muitas dessas mensagens, designadamente as enviadas para órgãos de comunicação social com o objectivo de identificar fugas de informação.") põe-nos perante uma questão interessante: a quem "pertencem" os nossos endereços institucionais? Aliás o mesmo tema, mas noutra perspectiva, já tinha surgido há não muito tempo aquando da história da conta email da yahoo de Sarah Palin.
Maria João,
Os endereços institucionais são uma ferramenta de trabalho, não merecendo da protecção constitucional relativa à correspondência privada.
Nesse sentido, o correio electrónico institucional pode ser monitorado; importa notar que há limites a esta monitorização; assim, a protecção dos direitos de personalidade da instituição (que também existem) não podem por em causa direitos de personalidade dos funcionários, de valor superior.
Vejamos dois casos distintos: na monitorização do mail, a instituição apercebe-se que um determinado funcionário está a desviar fundos da instituição; pode fazer uso desta informação? A resposta é: obviamente, sim.
Imagine-se, por outro lado, que na mesma monitorização, a instituição apercebe-se que esse funcionário tem uma relação extraconjugal com uma colega de departamento, que os leva inclusivamente a ausentarem-se do local de trabalho em horário laboral. Neste último caso, a reserva da intimidade das pessoas envolvidas impõe que a informação permaneça confidencial, apesar de haver uma violação clara dos deveres laborais.
Em qualquer circunstância, as instituições devem ter uma política clara e transparente do uso do correio electrónico, com regras conhecidas e partilhadas por todos. Devem ter ainda, a um nível elevado na organização, uma pessoa capaz de monitorar, caso a caso, os conflitos de interesse e de valor que, necessariamente, este tipo de assunto - como se vê nos exemplos - gera. Idealmente, o responsável deve ser alguém transversalmente respeitado na instituição pela sua ponderação.
De
Shyznogud a 27 de Outubro de 2008 às 12:36
Rodrigo, a minha pergunta tinha o seu quê de retórico mas felizmente que a fiz porque a sua resposta é um belo exercício de bom senso.
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