Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Pegando nas irritações da Fernanda faz(-me) muito sentido perguntar porque raio o/a consorte do/a Presidente da República deverá ter, por exemplo, espaço próprio na página oficial da Presidência da República. Eu não elejo um casal presidencial, elejo um Presidente.

 

Adenda (retirada da caixa de comentários): muita razão tem o Pedro Delgado Alves quando escreve "Pior ainda é o facto de a lei de organização dos serviços da Presidência prever a existência de um gabinete de apoio ao cônjuge do Presidente da República. Essa é uma verdadeira espinha monárquica cravada na garganta da República..."


16 comentários:
De escrevinhadora a 10 de Novembro de 2008 às 12:01
Confesso que não fui a esse site, mas arrisco uma explicação: este PR precisa de toda e qualquer ênfase... Se a consegue através da 'consorte', já é outra história.


De Shyznogud a 10 de Novembro de 2008 às 12:03
Não me parece q seja um problema exclusivo deste PR. Todas as primeiras-damas (bleurg, a expressão horrível) portuguesas desde Eanes tiveram um reconhecimento institucional que para mim não faz qqr sentido.


De Chico da Tasca a 10 de Novembro de 2008 às 12:48
Vá lá, não seja assim... Sabe perfeitamente que Portugal é um imenso Matriarcado. O pessoal gosta essencialmente é de mama, e de se sentir protegido, e portanto, olham lá para cima, vêem uma primeira dama e revêm-se logo na mãezinha. Ainda por cima isto é um país de chorões... Tem de haver uma mulher que olhe por esta gente...


De Pedro Delgado Alves a 10 de Novembro de 2008 às 12:14
Pior ainda é o facto de a lei de organização dos serviços da Presidência prever a existência de um gabinete de apoio ao cônjuge do Presidente da República. Essa é uma verdadeira espinha monárquica cravada na garganta da República...


De Ricardo Santos Pinto a 10 de Novembro de 2008 às 13:05
A mim, irrita-me muito mais que o Estado esteja a pagar ao senhor Jorge Sampaio automóvel, com motorista e combustível; gabinete com telefone, secretária e assesor; ajudas de custo; segurança 24 horas por dia; e uma subvenção vitalícia.
Tudo isto porque o dito senhor foi Presidente da República. ´
O mesmo poderia dizer de Mário Soares e da sua Fundação, escandalosamente paga pelo Estado e cujo espólio devia pertencer ao próprio Estado e não a uma instituição de direito privado.
Ou do Gabinete de Ramalho Eanes, instalado num andar comprado propositadamente para o efeito pelo Estado (embora, no caso de Eanes, se deva realçar a extrema dignidade de alguém que acaba de recusar receber 200 mil contos que eram seus por direito)
Tudo isto custa dinheiro a todos nós, contribuintes. Muito dinheiro! O facto de a mulher do Presidente ter página própria na internet é uma parvoice, mas pelo menos não nos custa dinheiro. É inofensivo.


De f. a 10 de Novembro de 2008 às 13:33
ricardo, mas acha que uma página na net é de geração espontânea? o cônjuge do pr tem, desde 1996 (governo de guterres) direito a um gabinete específico, como frisa o pedro delgado alves. um gabinete com dois funcionários, cujo custo é naturalmente inscrito no orçamento da presidência e que será decerto responsável pela página que refere.


De Shyznogud a 10 de Novembro de 2008 às 13:49
Ricardo, podemos discutir se se justificam privilégios concedidos a ex-presidentes da república, é verdade. Mas comparar tais privilégios (atribuídos a pessoas q ocuparam - mal ou bem, não interessa -, porque foram eleitos,a mais alta função da república) com aqueles atribuídos a umas senhoras cuja única relevância "política" lhes advém do facto de serem casadas com presidentes é não só desproporcionado como, digo eu, ridículo.


De Ricardo Santos Pinto a 10 de Novembro de 2008 às 14:10
F. e Maria João Pires,

Claro que também não concordo com essas mordomias da mulher do Presidente da República. É igualmente vergonhoso.
Só me referi à página em si, que seria uma questão menor não fossem os outros privilégios, que desconhecia.
O que não retira razão a tudo o que escrevi sobre os ex-Presidentes da República.


De Shyznogud a 10 de Novembro de 2008 às 14:15
A nossa diferença, Ricardo, é que para mim não é "igualmente" vergonhoso. As senhoras (ou eventuais senhores, caso venha a ser eleita uma mulher para a PR) a q nos referimos não foram eleitas, não foram nomeadas, etc. Porque é que ninguém contesta a institucionalização do seu "cargo" que é completamente descabida.


De António Parente a 10 de Novembro de 2008 às 15:22
Maria João Pires

A jornalista Fernanda Câncio (por acaso o nome coincide com o nome da bloguer do jugular) publicou em 2006 um excelente artigo sobre as mulheres do presidente da república. Está lá tudo explicado.

http://dn.sapo.pt/2006/03/06/nacional/de_mulher_presidente_a_rainha_republ.html


De Shyznogud a 10 de Novembro de 2008 às 15:25
Parece-me, aliás, que esse é o texto que ela anunciou há um bocadinho ir repescar aqui no jugular.


De António Parente a 10 de Novembro de 2008 às 15:30
Ela jornalista ou ela bloguer?


De f. a 10 de Novembro de 2008 às 16:27
antónio, então? que lhe deu? sabe que uma pessoa acumula várias qualidades (e falta delas, também), não sabe? e que quem escreve num blogue o faz na qualidade de bloguer, certo? qual é exactamente a sua questão?


De António Parente a 10 de Novembro de 2008 às 16:32
F.

A minha questão é que não tinha associdado a jornalista à bloguer. Tive uma paragem cerebral. Agora percebi que são a mesma pessoa. Peço desculpa pelo lapso. Não houve segundas intenções na minha pergunta. Estou envergonhado. Há muito tempo que não me acontecia uma coisa destas.



De Dorean Paxorales a 10 de Novembro de 2008 às 17:40
O regime republicano acabou por evoluir, em quase tudo, para uma cópia da situação anterior a 1910. Este é apenas um pormenor de decoração.


De Héliocoptero a 10 de Novembro de 2008 às 21:09
O modelo é idêntico nos Estados Unidos, onde até a mulher do vice-presidente tem uma página própria:

http://www.whitehouse.gov/index.html

Duvido muito que se possa acusar os EUA de reminiscências monárquicas, dado que foram fundados como república e em oposição a uma monarquia.

A primeira-dama não foi eleita. é certo, mas também não é ela que promulga decretos-lei, reúne o Conselho de Estado, recebe os líderes partidários, discursa no parlamento ou dá uso ao poder de veto. O papel dela é simbólico, protocolar e ausente das altas esferas do Estado, à imagem das rainhas europeias, é certo, mas apropriado à situação de quem não foi eleito. Utiliza a influência da sua posição para chamar a atenção para o que achar importante e desde que não interfira nos deveres do chefe de Estado.

Pessoalmente, não vejo problema na coisa, mas também eu não sofro de sentimentos anti-monárquicos que me levem a achar que a parecença de realeza é suficiente para condenar uma prática da república.


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