Pegando nas irritações da Fernanda faz(-me) muito sentido perguntar porque raio o/a consorte do/a Presidente da República deverá ter, por exemplo, espaço próprio na página oficial da Presidência da República. Eu não elejo um casal presidencial, elejo um Presidente.
Confesso que não fui a esse site, mas arrisco uma explicação: este PR precisa de toda e qualquer ênfase... Se a consegue através da 'consorte', já é outra história.
De
Shyznogud a 10 de Novembro de 2008 às 12:03
Não me parece q seja um problema exclusivo deste PR. Todas as primeiras-damas (bleurg, a expressão horrível) portuguesas desde Eanes tiveram um reconhecimento institucional que para mim não faz qqr sentido.
De Chico da Tasca a 10 de Novembro de 2008 às 12:48
Vá lá, não seja assim... Sabe perfeitamente que Portugal é um imenso Matriarcado. O pessoal gosta essencialmente é de mama, e de se sentir protegido, e portanto, olham lá para cima, vêem uma primeira dama e revêm-se logo na mãezinha. Ainda por cima isto é um país de chorões... Tem de haver uma mulher que olhe por esta gente...
Pior ainda é o facto de a lei de organização dos serviços da Presidência prever a existência de um gabinete de apoio ao cônjuge do Presidente da República. Essa é uma verdadeira espinha monárquica cravada na garganta da República...
A mim, irrita-me muito mais que o Estado esteja a pagar ao senhor Jorge Sampaio automóvel, com motorista e combustível; gabinete com telefone, secretária e assesor; ajudas de custo; segurança 24 horas por dia; e uma subvenção vitalícia.
Tudo isto porque o dito senhor foi Presidente da República. ´
O mesmo poderia dizer de Mário Soares e da sua Fundação, escandalosamente paga pelo Estado e cujo espólio devia pertencer ao próprio Estado e não a uma instituição de direito privado.
Ou do Gabinete de Ramalho Eanes, instalado num andar comprado propositadamente para o efeito pelo Estado (embora, no caso de Eanes, se deva realçar a extrema dignidade de alguém que acaba de recusar receber 200 mil contos que eram seus por direito)
Tudo isto custa dinheiro a todos nós, contribuintes. Muito dinheiro! O facto de a mulher do Presidente ter página própria na internet é uma parvoice, mas pelo menos não nos custa dinheiro. É inofensivo.
De
f. a 10 de Novembro de 2008 às 13:33
ricardo, mas acha que uma página na net é de geração espontânea? o cônjuge do pr tem, desde 1996 (governo de guterres) direito a um gabinete específico, como frisa o pedro delgado alves. um gabinete com dois funcionários, cujo custo é naturalmente inscrito no orçamento da presidência e que será decerto responsável pela página que refere.
De
Shyznogud a 10 de Novembro de 2008 às 13:49
Ricardo, podemos discutir se se justificam privilégios concedidos a ex-presidentes da república, é verdade. Mas comparar tais privilégios (atribuídos a pessoas q ocuparam - mal ou bem, não interessa -, porque foram eleitos,a mais alta função da república) com aqueles atribuídos a umas senhoras cuja única relevância "política" lhes advém do facto de serem casadas com presidentes é não só desproporcionado como, digo eu, ridículo.
F. e Maria João Pires,
Claro que também não concordo com essas mordomias da mulher do Presidente da República. É igualmente vergonhoso.
Só me referi à página em si, que seria uma questão menor não fossem os outros privilégios, que desconhecia.
O que não retira razão a tudo o que escrevi sobre os ex-Presidentes da República.
De
Shyznogud a 10 de Novembro de 2008 às 14:15
A nossa diferença, Ricardo, é que para mim não é "igualmente" vergonhoso. As senhoras (ou eventuais senhores, caso venha a ser eleita uma mulher para a PR) a q nos referimos não foram eleitas, não foram nomeadas, etc. Porque é que ninguém contesta a institucionalização do seu "cargo" que é completamente descabida.
De António Parente a 10 de Novembro de 2008 às 15:22
Maria João Pires
A jornalista Fernanda Câncio (por acaso o nome coincide com o nome da bloguer do jugular) publicou em 2006 um excelente artigo sobre as mulheres do presidente da república. Está lá tudo explicado.
http://dn.sapo.pt/2006/03/06/nacional/de_mulher_presidente_a_rainha_republ.html
De
Shyznogud a 10 de Novembro de 2008 às 15:25
Parece-me, aliás, que esse é o texto que ela anunciou há um bocadinho ir repescar aqui no jugular.
De António Parente a 10 de Novembro de 2008 às 15:30
Ela jornalista ou ela bloguer?
De
f. a 10 de Novembro de 2008 às 16:27
antónio, então? que lhe deu? sabe que uma pessoa acumula várias qualidades (e falta delas, também), não sabe? e que quem escreve num blogue o faz na qualidade de bloguer, certo? qual é exactamente a sua questão?
De António Parente a 10 de Novembro de 2008 às 16:32
F.
A minha questão é que não tinha associdado a jornalista à bloguer. Tive uma paragem cerebral. Agora percebi que são a mesma pessoa. Peço desculpa pelo lapso. Não houve segundas intenções na minha pergunta. Estou envergonhado. Há muito tempo que não me acontecia uma coisa destas.
O regime republicano acabou por evoluir, em quase tudo, para uma cópia da situação anterior a 1910. Este é apenas um pormenor de decoração.
O modelo é idêntico nos Estados Unidos, onde até a mulher do vice-presidente tem uma página própria:
http://www.whitehouse.gov/index.html
Duvido muito que se possa acusar os EUA de reminiscências monárquicas, dado que foram fundados como república e em oposição a uma monarquia.
A primeira-dama não foi eleita. é certo, mas também não é ela que promulga decretos-lei, reúne o Conselho de Estado, recebe os líderes partidários, discursa no parlamento ou dá uso ao poder de veto. O papel dela é simbólico, protocolar e ausente das altas esferas do Estado, à imagem das rainhas europeias, é certo, mas apropriado à situação de quem não foi eleito. Utiliza a influência da sua posição para chamar a atenção para o que achar importante e desde que não interfira nos deveres do chefe de Estado.
Pessoalmente, não vejo problema na coisa, mas também eu não sofro de sentimentos anti-monárquicos que me levem a achar que a parecença de realeza é suficiente para condenar uma prática da república.
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