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A terrível revelação

por João Pinto e Castro, em 10.11.08

Questiona-me o Daniel Oliveira:

"Tenho apenas uma pergunta a fazer a João Pinto e Castro: se alguma vez, na sua vida profissional, foi avaliado pelos seus colegas?"

Passando por cima do tom cerimonioso, incompreensível tendo em vista que, sempre que conversámos, nos tratámos por tu, aqui vai a terrível revelação:

Sim, já fui, na minha vida profissional, por diversas vezes avaliado por essa espécie tenebrosa de colegas a que, no mundo real, se chama chefes. Mutatis mutandis, também avaliei muitos deles.

Mais grave ainda, fui continuamente avaliado por clientes ao longo da minha vida, tanto de modo formal como informal.

Além disso, sou avaliado regularmente por alunos na minha qualidade de docente universitário.

A finalizar, um desabafo: acho um tanto desagradável a insinuação de má-fé implícita numa questão destas: "Criticas a recusa a ser avaliado por colegas, mas tu próprio não a aceitas ou nunca foste a ela sujeito".

O que será que no nosso relacionamento anterior permite ao Daniel ter tão má ideia a meu respeito?

 

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40 comentários

De GL a 10.11.2008 às 20:36

Perguntar isso a um marketeer. O Daniel com certeza não deve fazer qualquer ideia da coisa.

De Rogério da Costa Pereira a 10.11.2008 às 20:39

Também eu, na universidade, sou avaliado pelos meus alunos. Duas vezes por ano. Ainda na semana passada recebi a do semestre passado. E, por acaso, acho a coisa bastante útil.
Mas tocas no ponto chave, João, a avaliação a que somos, e devemos ser, constantemente sujeitos.
Pode ser que ajude a deixarmos de ser um país a brincar.

De De Puta Madre a 10.11.2008 às 21:53

Pena é que não aprendas ...

De Carlos Vidal a 10.11.2008 às 22:11

E o que é que a nossa avaliação de docentes universitários tem a ver com a humilhação a que são sujeitos os outros professores, seus hipócritas ?
Eu sei como sou avaliado e estou de acordo, seja no que respeita à auto-avaliação seja na constituição da comissão externa. Todos estamos de acordo com isso lá pelas minhas bandas. Mas nenhum de nós é humilhado, com reletório acéfalos e infinitos. Eu seu como sou avaliado e posso explicar. Se forem pessoas sérias digam como o são (como somos) e pensem na diferença e na violência a que são sujeitos os outros professores. Um assistente não é avaliado por um auxiliar, a minha colega de Anatomia não me avalia, caramba !!!!!!!!!!!!!!!! E eu gosto muito dela.

De Rogério da Costa Pereira a 10.11.2008 às 23:31

Vidal, embora o seu comentário seja revelador do tipo de pessoa que é, e nem mereça resposta, que em rigor não terá, deixo-lhe um pedido: não entre por aqui novamente a disparatar dessa forma. Deixe os arremedos de insulto e, mais que tudo, os pontos de exclamação em série, lá para as suas bandas, que aqui preza-se o bom gosto.


Quanto ao post, esqueci-me de dizer que como advogado também sou avaliado diariamente pelos juízes, pelos meus colegas, pelos meus clientes. Puta de vida esta, hein?

De Carlos Vidal a 11.11.2008 às 00:00

Essa arma "como advogado !" deixa-me seriamente intimidado e, temendo aquilo que de mais evidente pode daí subjazer, fico-me por aqui. De qualquer modo, também tenho os meus, e muito bons.
De qualquer forma, reconheço-o de muito bom gosto, gosto um pouco esganiçado e enarmónico, pois estou certo que sobre "gosto", aquela parte do "gosto" que requer trabalho e estudo, nada sabe. Sabe apenas pedir aplausos aos colegas de página, o que não é mau. Teatro viril, teatro viril e que teatro !! Também se usam ainda duelos à porta da Brasileira. Fica sempre bem a quem não é humilhado na avaliação rejeitar a existência de quem o é (e este último, no ensino, até nem é o meu caso). Quanto ao duelo no Chiado estou à espera. Marque dia e hora. Evite a chuva. Ai meu Deus, com chuva não !!

De Rogério da Costa Pereira a 11.11.2008 às 00:17

Ó homem, a segunda parte não era para si. Mas ainda bem que assim a entendeu - salvou-se um belo momento de humor. Gostei dessa dos advogados, gostei da análise que faz da minha pessoa, gostei do duelo, gostei do estudo sobre o meu gosto. Gostei de tudo, em suma. Não faz sentido nenhum, mas fez-me rir e o que me faz rir é bom. Venha mais vezes, sim?, mas assim para fazer rir a malta. E traga os seus advogados também.

Mas por hoje já chega, ok? O resto fica para amanhã. Quando me quiser divertir volto aqui, combinado? Entretanto vá brincar com pontos de exclamação.

De Carlos Vidal a 11.11.2008 às 00:52

O empertigamento histérico também me faz rir, oh se faz, conheço-o bem.
Muito em bicos de pés, está a fazer com que eu perca tempo. Não analisei a sua pessoa, não se analisa o inenarrável indiscernível, e não sabia que a si mesmo se chamava malta. É um grave distúrbio psíquico. Cumpra os seus deveres profissionais, mas sem gritinhos. Mas, guinchinho por guinchinho, apesar de tudo, prefiro o do ventilador da caixa do PC quando ulula e não me deixa trabalhar, que é o que eu vou fazer (agora que estou em silêncio). Um soldadinho pequenino deve deitar-se cedo. O trabalho espera-o, a mim não. Não trabalho, claro. Quanto aos gritinhos, cuidado com as cordas. O resto não fica para amanhã.

De Jaime Roriz a 11.11.2008 às 10:07

Caro Rogério,

A sua eficácia mede-se em face da diminuição do número de pontos de exclamação do comentador Vidal. Reparou que o último comentário já não tem nenhum?

De Rogério da Costa Pereira a 11.11.2008 às 10:22

Isso é verdade,a Jaime, mas o tipo continua a não dizer coisa nenhuma. Mas isso será problema mais profundo, penso que não posso fazer nada.

De sem-se-ver a 12.11.2008 às 00:17

e eu também sou, e sempre fui, avaliada pelos meus alunos :-)

do seu argumento decorre o quê? sinceramente fiquei sem perceber.

De De Puta Madre a 11.11.2008 às 00:36

xame Nacia Assoà Carreira Docente. Isso era a única coisa Boa y sensata a fazer. O resto é bizarria... y tempo perdido y propício à vilania.

De De Puta Madre a 11.11.2008 às 23:27

Exame Nacianal de Acesso à Carreira Docente.

De Carlos Vidal a 11.11.2008 às 12:59

Enganei-me em cima: queria dizer um Auxiliar não é avaliado por um Assistente, claro. Agradeço a correcção.

De JRA a 11.11.2008 às 04:53

Devo ainda acrescentar que não só sou avaliado pelos meus alunos mas também pelos meus pares na universidade. Essa avaliação, como é evidente, conta para a 'progressão na carreira. Mais, também há uma hierarquia na universidade e - felizmente - nem todos chegam ao topo da carreira.

De jonasnuts a 10.11.2008 às 21:29

Eu sou avaliada pelas minhas chefias e pelos meus..... pela minha equipa, em última análise, através dos resultados, sou avaliada pelos utilizadores do serviço.

As minhas chefias não são os meus pares, verdade seja dita, porque a especificidade da minha função faz com que tenha poucos pares, mas preferiria ser avaliada pelos meus pares, do que ser avaliada pelas minhas chefias. Os meus pares sabem o que eu faço, e quais as dificuldades e meios. As minhas chefias, nem sempre.

De De Puta Madre a 10.11.2008 às 21:52

Bem. Há que não coloca o espírito de "cuscar" y tecer "curiosidades" imginárias sobre a vida das vizinhas... este parece ser o molde da avaliação proposta para o profs. Y Claro, está errado.
Se não entras na casa ( aula) do vizinho como é que sabes que há bom ambiente na alcova??? Pois. Pelo resultado da dimensão do ventre da esposa?. Pois. Pois. A esterilidade-cerebral não é fenómeno raro em pré-adultos ... não são sos 18 anos que anulam fecundidade-cerebral ...

De m&m a 10.11.2008 às 22:33

os professores não querem ser avaliados, ponto.

De sem-se-ver a 12.11.2008 às 00:19

está tão enganado. ponto.

:-)

De oscar a 10.11.2008 às 23:09

As organizações que querem progredir usam sistemas de avaliação a 360º, ou seja todos avaliam todos.
Há 15 anos implementei o sistema na empresa onde trabalhava e quiz ser o primeiro quadro a ser avaliado pelos subordinados.
Quem honestamente quer progredir precisa constantemente de questionar os outros onde pode melhorar: clientes, colegas, subordinados, chefias.
Obviamente os professores estão noutro universo.

De Joana Dias a 11.11.2008 às 00:17

Carlos Vidal:

É bom ver que há professores universitários que não vivem alheados do resto do ensino e que ainda por cima são honestos.
Não ligue aos despautérios do Sr. Advogado.

Rogério da Costa Pereira:

Além de desonesto é extremamente mal educado. Mas cada qual é como é.
A si nem lhe vou dar mais conversa.

Já agora gostaria de colocar a seguinte questão: os resultados académicos dos estudantes universitários constituem elemento de avaliação dos docentes? Se sim, que efeitos produzem?

De Rogério da Costa Pereira a 11.11.2008 às 00:27

Desonesto? Isso é que é pior, Joana, isso é que é pior.

Entretanto, fiquei baralhado, não quer mais conversa, mas faz-me uma pergunta? Estamos algo confusos, não? É suposto eu conversar com alguém que não quer mais conversa? Que avaliação devo fazer da forma como coloca questão, Joana?

Mas, reitero, isso de eu ser desonesto é que me aborrece.

De Carlos Vidal a 11.11.2008 às 01:07

Um bocadinho histérico, no sentido em que a histeria não é nada problemático, apenas um quadro clínico tendencialmente nevrótico e teatral. Mais para o lado da histeria da angústia que se revela em fobias, julgo eu de RCP. Há remédio para isso. Também há a histeria de defesa; tirando isso reconheço o requinte do blogueiro. Rebelde demais para a sua profissão tão parda que ela é.

De Jaime Roriz a 11.11.2008 às 10:12

Caro Vidal, já reparou que na sua fúria "tarzânica" de ofender o RCP, ofende mais 26000 profissionais entre os quais certamente se encontrará gente de bem?

De Rogério da Costa Pereira a 11.11.2008 às 10:25

fúria "tarzânica" parece-me bem. A ideia de o ver aos gritos de liana em liana é muito apropriada aos gongorismos gritados do indivíduo. Alguém deve andar a formar novos quadros.

De Carlos Vidal a 11.11.2008 às 11:37

Um último comentário, prometo-o a mim mesmo.
Último, de facto. Um advogado tem uma óptima relação com clichés. É pena: para o advogado e para o cliché.
"Gongorismo" é, para mim, elogio. A obra de Don Luis y Argote, de quem o meu mui querido Velazquez fez um exemplar retrato (mais do que magnífico!), a obra de Don Luis, dizia, sempre foi para mim coisa de cabeceira. Coisa antiga.
Só um advogado para clichés desses: "gongorismo", sinceramente, que incultura !

De Rogério da Costa Pereira a 11.11.2008 às 11:43

Homem, eu imaginei que sim, que fosse um elogio, agora faça um favor ao Vidal: compre um dicionário.

Para a semana à mesma hora?

De Carlos Vidal a 11.11.2008 às 12:17

"Gongorismo", "barroquismo", etc, são termos que eu não uso segundo o dicionário, porque conheço-os por "dentro", e, de certo modo, muito bem. São anos de trabalho.
Não preciso do dicionário, nem nada "para a semana à mesma hora".

O Ponto de partida foi: é hipócrita comparar a avaliação do universitário à humilhação a que está sujeito o professor do secundário. A resposta foi: "a pessoa que você é", etc. Eu não o conheço e o sr não me conhece. Não creio que a situação se deva alterar.

De Rogério da Costa Pereira a 11.11.2008 às 12:24

"Gongorismo", "barroquismo", etc, são termos que eu não uso segundo o dicionário"

Ah bom, já podia ter dito - afinal estamos a falar línguas diferentes.

De Jaime Roriz a 11.11.2008 às 21:59

De Carlos Vidal a 11 de Novembro de 2008 às 11:37
Um último comentário, prometo-o a mim mesmo.

De Joana Dias a 11.11.2008 às 01:11

Até admito que tenha ficado baralhado! Só tinha um parágrafo a separar a pergunta, mas a verdade é que esta não se dirigia a si. Precisava de mais espaço e dizer claramente que não era para si, não é?!
Era uma pergunta de retórica, uma vez que os inquéritos pedagógicos de Bolonha dirigidos aos alunos são mencionados como prova de aferição e garantia da qualidade do ensino sem penalizações monetárias para os docentes universitários.
Todavia, se pretender, esteja à vontade para responder a quem quiser...

De Daniel Oliveira a 11.11.2008 às 02:45

João, o tratamento não era cerimonioso: a pergunta era para ti mas a frase dirigia-se aos leitores. A língua portuguesa não ajuda. Ficam as minhas desculpas .

De resto, colegas e chefias são coisa diferente. Os professores são avaliados por colegas que na taluda passaram a ser titulares. São colegas da sala ao lado. São têm com eles nenhuma relação hierárquica

Imensa gente fala aqui nos comentários de "avaliação" como uma coisa genérica (pelos clientes, etc. ). Estamos a falar de avaliação quantificada que define progressão na carreira e salário.

Já agora: a esmagadora maioria das empresas privadas portuguesas não faz avaliação de espécie nenhuma. É que estou a ficar um pouco farto deste retrato delirante das nossas empresas. Nem sequer recrutamento a sério se faz em grande parte delas. Trabalhei a vida quase toda em empresas privadas (16 anos em 20) e farto-me de rir com as comparações que se fazem entre o privado e o público neste país. Para os ordenados, as promoções e o recrutamento funciona mais ou menos o mesmo critério: o tipo porreiro, o amigo do primo e o tipo que menos assusta o gajo que está a cima dele. Depois há as excepções. Muito poucas, infelizmente.

Só conheço uma forma séria de avaliar: por objectivos. E se uma escola não define objectivos não pode avaliar os seus professores. E só conheço uma forma das escolas definirem objectivos e avaliarem tendo em conta as suas especificidades: com autonomia. Por isso não acredito em nenhuma forma de avaliação justa num sistema ultra-centralizado . E prefiro avaliação nenhuma a uma avaliação que prejudique os melhores.

De Daniel Oliveira a 11.11.2008 às 02:48

De resto, peguei no teu exemplo como poderia pegar no meu. Não, não aceitaria ser avaliado pelo Miguel Sousa Tavares e a Inês Pedrosa, só para pegar, por graça, no exemplo do "Expresso".

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