Terça-feira, 11 de Novembro de 2008
Rogério da Costa Pereira

Por ser totalmente esclarecedor e porque resume exactamente o que penso sobre a questão, dou o devido destaque a um comentário do m&m ao último post do João Pinto e Castro:

 

«os professores não querem ser avaliados, ponto.»

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6 comentários:
De Jaime Roriz a 11 de Novembro de 2008 às 09:42
Concordo que a Ministra da Educação tem, na forma, o horror de todos os portugueses. Porém, no conteúdo, estou plenamente de acordo que os professores devam ser avaliados.

Eu não sou exemplo de coisa nenhuma mas apenas um testemunho, devo ter tido mais de uma centena de professores e, se me fosse permitido avaliá-los, nem dez passavam no exame. Creio que a maioria dos alunos pensa assim.

Desinteressados, baldas, incapazes, ignorantes, corporativistas, preguiçosos, distantes, sobranceiros e arrogantes são alguns dos epítetos que, assim de repente, me lembram.

Chegou a hora de alguém lhes explicar que ser professor não é um direito mas um privilégio.

Pena ser a actual Ministra da Educação, ela própria digna dos epítetos que referi supra. Eis como se perde uma excelente oportunidade de mudar alguma coisa apenas porque se escolheu a pessoa errada.


De Luís Lavoura a 11 de Novembro de 2008 às 09:57
Concordo com o post.

Ou então, podem ser avaliados desde que a avaliação seja "a feijões", ou seja, desde que ela seja inconsequente em termos de progressão na carreira.


De M. Abrantes a 11 de Novembro de 2008 às 13:13
Está claro para quem quiser ver, e não goste de meias tintas, que este braço de ferro se vai manter e que este ministério é incapaz de o resolver. Ora bem, os incapazes devem afastar-se e dar lugar aos capazes.

O resto são conversas da treta e o ensino precisa de acções concretas e não de tretas.


De Joao Cardoso a 11 de Novembro de 2008 às 13:23
Poucas coisas são tão irritantes como disparar plurais sem olhar para o alvo: o que é isso de “os professores”? Falamos de 140 / 150 mil humanos que têm a mesma profissão. Se quer generalizar começamos pela treta mor: os professores são avaliados desde a década de 90. A legislação nunca foi regulamentada para que se pudessem candidatar a “Muito Bom”, é verdade, mas a responsabilidade é dos responsáveis ministeriais. Os relatórios por vezes nem lidos eram, mas a culpa não é dos avaliados. Curiosamente os parâmetros da avaliação eram muito mais extensos e complexos do que os desta lei.
Sem consequências? Conheço casos de quem parou na carreira, por não feito as formaçõezinhas obrigatórias, leccionadas em eduquês. Não conheço casos em que alguém tenha obtido avaliação negativa pela sua incompetência. Pois não. Nem alguma vez o iria conhecer com esta lei de avaliação pelo simples facto de que ela se destina não a detectar os incompetentes mas sim a evitar a progressão na carreira, a mesma razão pela qual a regulamentação da anterior nunca foi feita...
As generalizações são tramadas. O Rogério na mesma caixa de comentários diz que é avaliado pelos seus alunos, na universidade. Eis um argumento de uma honestidade a toda a prova. Omite que essa avaliação em nada lhe mexe na carteira. Omite que nas universidades a reprovação de um professor, por exemplo em provas de agregação, é notícia de jornal. Mas devo-lhe dizer que por princípio até estou de acordo. Só os alunos podem efectivamente aferir da qualidade do trabalho dos seus professores, já que são os únicos que assistem às suas aulas, as verdadeiras, e não as preparadas para serem assistidas por terceiros.
Claro que descortino algumas dificuldades se esta lei contemplasse esse princípio, em particular no que toca aos educadores de infância. E acarretaria sempre o problema de os professores avaliarem os alunos o que se presta a alguns negócios e chantagens. Mas na prática como um professor vai ser avaliado também pelos resultados dos seus alunos, a perversão já lá está.
E esse é o segundo objectivo desta lei: acabar com o insucesso estatístico. Ou está a ver alguém que tendo definido nos seus “objectivos individuais” uma taxa de aprovação de 90% não a vá depois cumprir? Eu estou: o profissional honesto e competente. O que sai tramado.
Em matéria de paralelismos anedóticos, continuo à espera que os médicos sejam avaliados pelos doentes, os juízes por queixosos e acusados (presumíveis, deixa cá ver se tenho de condenar este ou se estrago as minhas estatísticas para este ano) e já agora os defensores oficiosos que sem lerem o processo se limitam a pedir justiça...
Mas claro: médicos, juízes, advogados, os professores universitários, esses sim: querem ser avaliados. Os outros professores é que não.


De j a 11 de Novembro de 2008 às 16:08
Transcrevo para aqui um comentário feito por mim no blogue dos "renegados" do 5dias.net:

Sempre fui avaliado e fiz provas e cursos para progredir na carreira.
Portanto, defendo a avaliação.

Mas o que se passa com as alterações legislativas aos processos de avaliação dos professores e de outras classes profissionais (incluindo na minha, onde a avaliação passou a ser suportada sobretudo em “informações” dos superiores hierárquicos, em vez de provas e de cursos…) apenas visa tornar ainda mais subservientes os subordinados com métodos que me parecem, de facto, “kafkianos”.

Uma merda de avaliação…
Que só serve para os “colegas” se foderem uns aos outros e premiar os que obedecem e em que “pensar” passou a ser um factor negativo de avaliação.


De Ricardo Santos Pinto a 13 de Novembro de 2008 às 12:43
Pois é, os professores não querem ser avaliados.
E os advogados são todos uns aldrabões.
É fodido, não é, generalizar assim acerca de um grupo profissional? Fodido, mas fácil e muito eficaz!


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