Ao contrário de outros não posso deixar de considerar muito útil aquilo que se vai passar nos próximos três dias na área Metropolitana de Lisboa (faz-me impressão a postura do Daniel até porque ainda anteontem se tinha mostrado agastado com o chumbo, provocado pelo PSD, da criação de uma rede de bicletas partilhadas em Lisboa, argumentando que, e cito-o, "nem nas coisas mais simples, nada pode mudar nesta cidade". Parece-me que a mesma lógica se pode usar para o que está hoje em causa.). Exercícios de simulacros de sismo são indispensaveis, não só para testar a capacidade de resposta da Protecção Civil, mas também como instrumentos de pedagogia básica junto de populações que, ainda por cima, vivem em regiões objectivamente em risco. É pouco e muito há a fazer noutros domínios? De facto assim é, mas menosprezar estes exercícios é ser-se insensato.
Mas alguém falou consigo? Vá lá meter-se com a sua amiga Palmira Silva que lhe roubou a temática. Deve estar toda roidinha! Ela também é tramada, postou logo por antecipação!
Mas o Daniel tem uma certa razão. Isto é mais para o show -- e não é «pouco», antes fosse. Provavelmente, era muito mais importante fazer rotineiramente, em sítios normais, em circunstâncias normais, sem vir nas notícias, etc., simulacrozinhos.
Se calhar tb. se fazem, não com esta dimensão daí que não sejam alvo de cobertura noticiosa. Silencio nos media com um simulacro destes é que me pareceria irresponsável, até pelo risco Orson Welliano ;-)
Ah, era giro... (Mas a sério: por exemplo, em Inglaterra, onde não há terramotos mas têm um pânico dos incêndios urbanos, estão sempre a fazer simulacros; pelo menos nalguns casos simulacros mesmo, que até simulam o lado inesperado da coisa. E de repente, no meio de uma aulas, lá se tem que bazar -- ordeira e fleumaticamente, claro; mas não será só porque já têm treino?)
Existem - mas não são notíciados porque não têm de ser - simulacros de incêndios em várias escolas nacionais. Esses exercícios estão longe de ser generalizados e precisam ser mais regulares? Sem dúvida mas isso não é razão para que um exercício deste estilo não seja de utilidade indesmentível. Ou seja, as duas coisas não se excluem, completam-se.
Concordo plenamente, mas acho que foram um pouquiiiiinho longe demais ao cortar a energia da maioria das bombas de gasolina da margem sul no sábado à tarde... quando me apercebi que era geral, era tarde demais e estava na bomba da ponte vasco da gama, sentido montijo-lisboa... sem possibilidade de voltar para trás vi-me obrigada a atravessar a ponte na reserva e ter muita, muita esperança de conseguir chegar a uma bomba funcionante em Lisboa... quer dizer... não é como se tivessem dispensado as pessoas de ir trabalhar por causa do "sismo", e não vejo como é que isto ajuda em alguma forma capacidade de resposta da Protecção Civil... talvez o objectivo seja ensinar as populações que devem andar de depósito cheio, não vá o diabo tecê-las??
Totalmente em desacordo. Só um país como o nosso (em que o INEM demora 2 horas para socorrer uma pessoa e em que todos os anos a política de combate aos incêndios falha redondamente) é que se poderia dar ao luxo de gastar imensos recursos para realizar um mega simulacro de combate a uma tragédia, cujo probabilidade de acontecer na realidade é miserável. Enfim, é o país dos 10 novos estádios para o EURO, do CCB, do TGV e da Ota (perdão, Alcochete).