Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

 

 

Este mapa, reproduzido no Arrastão, assinala a branco as zonas da cidade de Lisboa com inclinação entre 0 e 5%, no intuito de demonstrar que circular nela de bicicleta é perfeitamente possível.

Parece que, segundo o Instituto Superior de Agronomia (Agronomia?), uma inclinação de 5% é perfeitamente aceitável. Já quem tiver que subir efectivamente 5 metros em cada 100 de percurso - que é o que uma inclinação de 5% quer dizer - poderá não achar isso tão fácil. Sendo que a coisa ainda se tornará menos atraente quando se repetir em sucessivas doses de centenas de metros.

Notem que, segundo o mapa, o melhor sítio para dar ao pedal é, sem margem para dúvidas, o aeroporto de Lisboa - definitivamente, a melhor zona para se viver e trabalhar na capital. Só é pena que não se façam mais terraplanagens similares.


39 comentários:
De Luis Moreira a 24 de Novembro de 2008 às 00:42
O meu filho anda de bicicleta entre a Av. de Roma e a Defensores de Chaves.Nem todos têm que subir as sete colinas.


De João Pinto e Castro a 24 de Novembro de 2008 às 10:56
E já tirou as rodinhas?


De Pedro Sales a 24 de Novembro de 2008 às 01:24
Primeiro ponto. Entre 0 e 4%. É isso que quer dizer inferior a 5%. Depois, a piada do aeroporto é isso mesmo. Uma piada. Aparece exactamente no mesmo grupo que Alvalade, Telheiras, Lumiar e as zonas onde vivem para aí 70% dos lisboetas.

Posto isto. nem é preciso citar o ISA - que tem um gabinete de arquitectura paisagista e planeamento urbano. É só perceber que as avenidas novas são cicláveis por qualquer pessoa. Da mesma forma, é perfeitamente possível, sem esforço, ir de bicicleta de Telheiras até ao Restauradores, ou de Benfica até as avenidas novas. A parte que não é recomendável para a maioria dos cidadãos é a zona histórica. Curiosamente, a parte da cidade com menor densidade populacional. Mas o João Pinto e Castro tem razão. Os parisienses devem ser estúpidos. Quem é que se lembraria de andar de bicicleta Montmartre ?


De João Pinto e Castro a 24 de Novembro de 2008 às 10:55
Primeiro ponto: inferior a 5% é, por exemplo, 4,99%. Saltei por cima dessa imprecisão do seu post, mas, pelos vistos fiz mal.

Segundo ponto: da Praça de Londres ao cruzamento da Av. Roma com a Av. EUA é sempre a subir. Rumo ao Técnico, também.

Terceiro ponto: Telheiras só é plano ao longo da antiga estrada de Telheiras. Do Metro ao Alto da Faia é sempre a subir, e bem.

Quarto ponto: o Lumiar só é plano ao longo da Alameda das Linhas de Torres. Da Alameda à Rainha Dona Amélia é sempre a subir. Para a Alta de Lisboa também.

Quinto ponto: do Rossio ao Saldanha é sempre a subir.

Sexto ponto: "para aí 70% dos lisboetas" não é um número muito rigoroso, pois não? Com o mesmo grau de rigor, posso garantir-lhe que essa proporção está "para aí" muito errada.

Sétimo ponto: Montmartre é a única colina de Paris. Este é o argumento menos sério de todo.

Oitavo ponto: nenhuma falácia patrocinada pelo Instituto de Agronomia pode desmentir o conhecimento directo e vivido da cidade.

Até fico a pensar, caro Pedro, que não estamos a falar da mesma cidade.


De MP-S a 24 de Novembro de 2008 às 11:14
de facto, se as pessoas acharem que custa muito ir da praca de Londres ate' 'a av. EUA (!), ou do Rossio ao Saldanha, entao ... nao ha' nada a fazer.

quanto aos lisboetas serem ou nao destituidos de senso ...
eu nao sei .. apenas observo o seguinte: pela Europa fora vejo senhoras e senhores de idade a pedalar calmamente pela rua fora; em Portugal, sei de muitas senhoras que nunca aprenderam a andar de bicicleta ... a culpa nao e' delas, a falta de senso nao foi delas, mas talvez os seus pais tivessem um pouco de senso a menos e um pouco de preconceitos a mais ...


De Pedro Sales a 24 de Novembro de 2008 às 16:20
João Pinto e Casto

Olhe, eu até fico é a pensar nas suas capacidades físicas. Claro que da Praça de Londres até À Avenida de Roma é sempre a subir. O meu puto, com quatro anos, faz isso sem ajuda. Do Rossio até ao Saldanha é sempre a subir e tenho visto pessoas com mais de 50 anos a fazerem-no sem dificuldade. Se partimos do conceito de que só é possível andar de bicicleta em terrenos terraplanados, então sim, Lisboa não é ciclável . 0

para aí 70% não é muito científico, mas desculpe lá não ter ido consultar os censos para comentar um post no jugular. Acho que percebeu a ideia, a não ser que me venha dizer que moram mais lisboetas na zona histórica da cidade que nas avenidas novas e em benfica ?


De Helena Romão a 25 de Novembro de 2008 às 23:18
Bem, se a Av. de Roma é sempre a subir, há que ser consistente: Montmartre não é a única colina de Paris. Não é sequer a única que vem nos postais, nem a única conhecida dos turistas.

Fora isso há a Montagne Sainte-Geneviève (Rue Monge) e as buttes ou morros: as Buttes Chaumont e as Buttes aux Cailles. Muito mais inclinado que a Av. de Roma é a Av. des Champs Élysées. De longe!

Não estará a confundir Av. de Roma em Lisboa com a Rue de Rome em Paris?

E no entanto, lá andam as bicicletas...


De jorge c. a 24 de Novembro de 2008 às 11:39
Nono ponto: o Pedro Sales não sabe andar de bicicleta, mas tem muito jeito para interpretar mapas. E daí...


De Pedro Sales a 24 de Novembro de 2008 às 01:33
Já agora. Não sei por que razão os lisboetas não andam de bicicleta. Quem sabe tem alguma coisa a ver com o facto de não haver pistas dedicadas para a sua utilização nas estradas, ao contrário de grande parte das cidades europeias.

O que sei é que os parisienses também não andavam de bicicleta como andam desde que têm uma rede pública de bicicletas partilhadas. O mesmo em Barcelona, Bruxelas, Copenhaga, Estocolmo, Berlim, Frankfurt, Colónia, Munique, Sevilha, Viena...
Será que os lisboetas são diferentes, ou será que a estupidez é uma característica congénita nas maiores cidades da Europa?


De Luís Lavoura a 24 de Novembro de 2008 às 09:59
As razões pelas quais eu não ando de bicicleta são:

1) Tenho que levar os meus dois filhos às suas escolas, e de bicicleta não o poderia fazer.

2) Não tenho local onde guardar a bicicleta durante a noite. Deixá-la na rua é candidatar-me a que de manhã lhe faltem diversas peças.

Penso que são boas razões, partilhadas por muitos outros citadinos portugueses.


De Dorean Paxorales a 24 de Novembro de 2008 às 18:46
Sugestões:

Para bebés,
http://www.cycle-heaven.co.uk/family.html

Até aos dez anos,
http://www.bikecare.co.uk/mission_piggyback_mk2.html

Eu tenho espaço mas conheço muitos que a penduram no tecto. Ou usam desdobráveis (dá para o metro).



De João Pinto e Castro a 24 de Novembro de 2008 às 11:04
Sabe, Pedro, eu acho que deveria raciocinar ao contrário. se acaso a sua cabeça não estivesse cheia de planos para salvar as pessoas de si próprias. Se os lisboetas andassem de bicicleta, decerto haveria pistas para ciclistas, como acontece em várias localidades da Beira Litoral, onde isso faz todo o sentido.

Há sempre uma razão para as coisas serem como são. Convém, antes de começarmos a tentar virar o mundo de pernas para o ar, tentar perceber quais serão essas razões para verificarmos se farão ou não sentido.

Por muito estranho que pareça, nem a bicicleta foi inventada ontem, nem os nossos antepassados eram inteiramente destituídos de bom senso.

As referências que faz a várias cidades europeias sugere que nunca lá esteve. Se o Instituto de Agronomia não tiver um mapa, o Pedro pode dar uma espreitadela ao Google Earth para ficar inteirado do relevo dessas urbes.

História e geografia são disciplinas muito sub-valorizadas no nosso mundo de hoje, sempre pronto a fazer do passado tábua rasa.


De nuno castro a 24 de Novembro de 2008 às 08:59
O Pedro Sales está a brincar com as palavras. Nas cidades elencadas, em todas sem excepção, já se andava de bicicleta muito antes de haver sistema de bicicletas partilhadas, que serve fundamentalmente para turistas.

demonstra grande desconhecimento quer do Daniel quer do Pedro sobre o que exactamente é um sistema de bicicletas partilhadas. experimente lá fazer Restauradores-Telheiras num desses trambolhos e depois, quando sair da baixa por lesões musculares diversas, venha conversar connosco.

é que a bicicleta partilhada é isso mesmo: um trambolho que anda nas mãos de toda a gente e que não vale um chaveco. ou seja, uma máquina de tortura. como qualquer pessoa que já as utilizou facilmente pode constatar.


De Pedro Sales a 24 de Novembro de 2008 às 17:30
Claro que já se andava de bicicleta. A questão é que, depois da rede de bicicletas, anda-se muito mais. Já reparou na profusão de artigos na imprensa mundial sobre o sucesso do velib em Paris?http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&client=firefox-a&rls=org.mozilla:en-GB:official&hs=B8z&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=bike+sharing+paris&spell=1

Talvez queira dizer que há mais gente a andar de bicicleta em Paris, não?



De MP-S a 24 de Novembro de 2008 às 09:58
ahahahah .... O problema dos lisboetas com as bicicletas e' o mesmo problema que teem com a matematica, com o portugues, com o desporto, ... nao sabem pedalar. E quem nao sabe pedalar, diz que a cidade esta' torta.


De Luis Moreira a 24 de Novembro de 2008 às 11:31
Aliás, como diz o João, é tudo um problema de rodinhas.Os sócios do meu filho que vivem no mesmo espaço, têm uma bicicleta adaptada para levarem as duas filhas á escolinha. E para quem tem olhinhos vê que há cada vez mais pessoas a andar de bicicleta.Quanto,por exemplo, ás cidades Holandesas onde já pedalei como um louco atrás do meu rapaz, deve ser tudo obra de ficção!


De Filipe Moura a 24 de Novembro de 2008 às 11:51
João, se você não tem pernas o problema é seu. Já não vale dizer que não é perfeitamente possível circular de bicicleta em Lisboa, o que contradiz a experiência de cada vez mais habitantes da cidade. Se você acha que é difícil ir da Praça de Londres ao cruzamento com a Avenida dos EUA, por exemplo, como refere, sugiro-lhe mesmo a sério que consulte um médico. Mesmo do Rossio ao Saldanha não custa por aí além. Rumo ao Técnico? Fartei-me de fazer. Experimente entrar no Técnico e vai ver as bicicletas que lá encontra. O Conselho Directivo acrescentou novos estacionamentos para bicicletas aos que já haviam, tal é a procura.
Acho que ninguém acredita que a bicicleta se venha a tornar alguma vez o principal meio de locomoção em Lisboa. Ninguém quer obrigar ninguém a andar de bicicleta (da minha parte só quero que os lisboetas não andem de carro). Mas não vejo por que não se hão-de dar condições a quem queira fazer deste o seu meio de transporte. Que cada vez são mais. Ou o João acha que esta ideia cai do céu?
O João assinala (e bem) que "inferior a 5% é, por exemplo, 4,99%". Para no fim afirmar que nada "pode desmentir o conhecimento directo e vivido da cidade." Um argumento muito científico. Faz lembrar aqueles que dizem que não é preciso um novo aeroporto porque não há aviões a darem voltas a Lisboa à espera de aterrar. O João usa argumentos desses em economia?


De renegade a 24 de Novembro de 2008 às 12:14
Nem mais.

Podia acrescentar que o panorama não é apenas lisboeta mas português.

Dezenas de vilas e cidades absolutamnete planas não têm condições de segurança para os ciclistas - do Alentejo ao Algarve, do Minho à Beira, das cidades aos suburbios, o panorama é igual. Não houve, não há e, pelos vistos, não vai haver condições para quem anda ou pudesse vir a andar de bicicleta porque não há políticas públicas (governo e autarquias) para a bicicleta.

Pensemos no espaço da EXPo 98. Urbanismo de qualidade, blá, blá, blá. Tudo plano, nem uma pista de bicicletas nas vias principais ou secundárias (meteram-na no jardim e à beira-rio, o que diz tudo sobre a visão que se tem da bicicleta). Pensemos na Margem Sul do Tejo - tudo plano ou quase, nem uma pista de bicicletas nas vias de circulação. ETc, etc, etc.

O problema não é inclinações ou falta delas. O problema está na falta de políticas, falta de visão e de prioridade para a mobilidade sustentável. O resto são atavismos e pessoas que falam do que não sabem ou acham que o seu umbigo é critério para os outros, como parece ser o caso do João.


De jorge c. a 24 de Novembro de 2008 às 12:46
A lucidez e visão de Filipe Moura!
Comprou uns óculos de Penafiel, não foi? Pois foi, pois foi!


De Jonas a 24 de Novembro de 2008 às 12:04
Nada como a experiência para depois se falar, o Paulo Santos (www.100diasdebicicletaemlisboa.blogspot.com) chegou a conclusões bastante interessantes.

Parece-me é que estando actividades como o BTT em franca ascensão, a maralha não está para andar de 'pasteleira'. Isto da bicicleta é coisa séria, como desporto, muito bem! Lycras, luvinhas, sapatinhos, óculos, camel baks com bebidas isotónicas... se for tudo de marca, melhor. Ah! e bicicletas de 2500€ em diante. Um gajo deslocar-se de bicicleta para o trabalho é coisa de pobretanas, o esforço todo para nos remediarmos e depois aparentar não ter dinheiro para um carro, uma mota ou mesmo para o Lisboa Viva? Há que mostar que quem pedala fá-lo por desporto, nunca por necessidade.



De nuno castro a 24 de Novembro de 2008 às 12:33
Este JPC, ganda espertalhão. Intercalou os comentários dos outros com os dele mas ex post!


De o carteiro a 24 de Novembro de 2008 às 13:08
Se se juntar à instituição de uma rede alargada de ciclovia a possibilidade de transportar a bicicleta no metro e no autocarro a questão das inclinações perde um bocado o seu sentido, ou não?


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