Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

esta cena das canções de amor começou aqui, como aliás a joão já disse. e não pode acabar sem uns new orderzitos, uma das minhas bandas favoritas de sempre (e, parece, do miguel morgado -- é nestas coisas, parece, que a esquerda e a direita, mesmo a esquerda muito laica e a direita muito católica, se encontram). muito difícil escolher uma canção dos new order. não concordo com o miguel morgado que 1963 seja a melhor, nem de amor nem dos no. há pelo menos 10 tão boas como e ceremony, a primeira da banda, cover da do mesmo nome dos joy division e editada como homenagem a ian curtis pelos restantes jd, é ainda capaz de me comover, 20 e tal anos (muitos, portanto) depois de a ter ouvido pela primeira vez na rádio comercial, no já citado som da frente de antónio sérgio. como temptation (canção de desejo, pronto) e uma série delas de movement (the him, por exemplo), power corruption and lies e por aí fora. ainda assim, thieves like us, até pelo título, é a escolhida para esta série. a versão postada é de 1983, live on tv, e adoravelmente desafinada.


11 comentários:
De o carteiro a 3 de Dezembro de 2008 às 17:10
leave me alone, a que gosto mais dos new order.


De f. a 3 de Dezembro de 2008 às 17:52
eheheh


De Ana Matos Pires a 3 de Dezembro de 2008 às 17:19
Estou mesmo impressionada, amiguinha, juro.


De f. a 3 de Dezembro de 2008 às 17:52
também eu. tadito do vasco, mandou-me um mail a explicar como se faz e eu até percebi e tudo,eheh.


De Vasco M. Barreto a 3 de Dezembro de 2008 às 17:59
Pondero incluir isto na secção "experiência pedagógica" do meu CV.


De jorge c. a 3 de Dezembro de 2008 às 18:17
Falou o génio informático!


De Paula Telo Alves a 3 de Dezembro de 2008 às 22:43
Com o devido respeito pelos Joy Division , que venero, gosto mais da versão do Ceremony dos Radiohead, os únicos que lhe fizeram justiça, in my maybe not so humble opinion (declaração de interesses: New Order nunca foi realmente a minha onda). E por falar em Radiohead, ainda ninguém propôs nada deles, nem sequer o "I've been thinking about you". Shocking!

Sugiro que se organizem e façam um referendo para resolver a coisa de forma democrática. Mas antes convinha esclarecer as categorias ontológicas das songs of love and hate. Se é para incluir "break up songs" (uma das categorias mais ricas), então também aqui ainda não vi por aqui o "Five Years", do Bowie, ou o "Five Years" da Bjork (ou o maravilhoso "Unravel", ou qualquer uma do álbum Homogenic, um verdadeiro break up album if ever there was one). Nem o "Rid of Me", da PJ Harvey, ou, nos amores impossíveis, "This mess we're in" (com o Thom Yorke , a provar que isto anda tudo ligado).

Alias, é uma falha grave deixar de fora o catalogo da Pe Jota, especialmente do período "pre songs of the city ". é aqui que melhor se aplica a definição, cunhada por um jornalista da Time magazine, da música da PJ Harvey: "Imprópria para consumo durante um jantar a dois, a menos que se queira levar o convidado para a cama, ou matá-lo – ou ambos" (no original: It is not dinner-party music – unless you're dining with someone you would like to kill. Or sleep with. Or both". Atente-se no "Oh my Lover", "To bring you my love", "Send his love to me", "The Dancer", "I can hardly wait"... para não esquecer o belíssimo "That Was My Veil", com John Parish .

Do produto nacional, aplaudo o jorge c. por ter mencionado os grandes Ornatos Violeta (embora eu prefira o "Chaga" ou o "Ouvi Dizer"). E acho que nenhuma lista de love songs estaria completa sem o Saudade dos Heróis do Mar.

Desculpem a falta ocasional de acentos e cedilhas (o teclado é pouco cooperante e o corrector não apanha tudo), e as lonjuras do comentário - entusiasmei-me... :-P

P.S. So mais algumas: "The Good and the Bad Guy", My Brightest Diamond; "Tom the Model", Beth Gibbons and Rusty Man; "Leif Erikson", Interpol; e oh, como deixar de fora Cake ("Friend is a four-letter word" e a versao do "I will survive")? E o "Everybody knows", do Leonard Cohen. Ok, e tambem o "Say it isn't so", cantado pela Stacey Kent. Alguem falou no Tatuagem, do Chico Buarque, aqui ou no blogue do jorge c.? Aprovo, cantada pelo Caetano Veloso. E Tom Waits, Tom Waits e Tom Waits...


De f. a 4 de Dezembro de 2008 às 00:56
ena, paula. confesso eu que os radiohead, decerto por falha minha, nunca me entraram muito. como a pj harvey, de resto. mas mais por desconhecimento q por outra coisa. não embiquei para ali e pronto. mas gostei da definição, até porque tenho para mim que as pessoas com quem se quer dormir (bom, ir para a cama, vá) são geralmente as que se quer matar também.

também gosto de ornatos violeta. mas canções de amor, como aliás creio já ter dito, não passam sem amália. falei do com q voz, mas podia ter falado do gaivota, ou de um fado que creio se chama as mãos que trago.

é, é isso:

Foram montanhas, foram mares,
Foram os números, não sei
Por muitas coisas singulares
Não te encontrei, não te encontrei
E te esperava, te chamava
Entre os caminhos me perdi
Foi nuvem negra, maré brava
E era por ti, era por ti!

As mãos que trago, as mãos são estas
Elas sozinhas te dirão
Se vem de mortes ou de festas
Meu coração, meu coração
Tal como sou, não te convido
A ir esperar onde eu for
Tudo o que eu tenho é haver sofrido
Pelo meu sonho alto e perdido
E o encantamento arrependido
Do meu amor, do meu amor!


De jorge c. a 4 de Dezembro de 2008 às 10:55
Eu falei na Valsinha e não na Tatuagem. Não mencionei Radiohead, embora seja das minhas bandas preferidas, mas propositadamente.
E da Amália, ó minha gente, o Barco Negro, claro!

De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.[Bis]

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

(o jugular, por momentos, tornou-se um blog interessante)


De Paula Telo Alves a 4 de Dezembro de 2008 às 03:53
Fernanda, concordo que a Amália não pode falhar nesta lista, e ainda proponho o "Tive um coração, perdi-o" (da autoria da pp), de que gosto ainda mais depois de a Cristina Branco o ter reinterpretado (http:/www.youtube.com/watch?v=W9X8_gycTUY).

Isto, claro, se nas love songs pudermos incluir poemas mais abstractos em que se ignora olimpicamente o amor ou o amante e se salta directamente para a angústia existencial sem passar pela casa de partida. Se calhar é abusar da elástica definição de canções de amor, mas arrisco. :-P

Por falar em Cristina Branco, ainda proponho, não uma música (se fosse só uma teria de ser a versão dela do "Porque me olhas assim" do Fausto), mas um CD inteiro, o Sensus - que inclui "O meu Amor", o mais erótico poema do catálogo da MPB (acho que o jorge c. já inscreveu o original, do Chico Buarque, como candidato ao título); "Assim que te despes", de David Mourão-Ferreira; "Atentado", do Pedro Homem de Mello; ou o "Soneto Destruído", de Vasco Graça Moura, que não resisto a deixar aqui (repetindo o "caveat" lá de cima de estar a entrar em territórios poéticos que a pop dificilmente reconhece como "love song" pronta a ouvir):

Talvez logo na berma de uma estrada
Um par se beije transtornadamente
E o destino os separe de repente
Entre as duas e as três da madrugada

Talvez a lua fria os desinvente
E só lhes traga sombras e mais nada
E por saída só lhes dê a entrada
Para o túnel da noite à sua frente

Talvez então as faces se desolem
Talvez depois em cinza e solidão
A aurora ponha um luto, talvez colem
As nuvens o seu dorso rente ao chão

Talvez por não ousar ninguém mereça
O que viveu. Talvez não amanheça.


De Paula Telo Alves a 4 de Dezembro de 2008 às 11:48
IIIIIIIIUUUUUUUUUUMMM.... DIA ele chegou tão diferente do que era seu jeito de sempre chegar!

Queira desculpar, jorge c., era a Valsinha sim senhor e não a Tatuagem. Mas é difícil uma pessoa lembrar-se de tudo quando o Chico tem uma porrada de candidatas ao "títalo" (dumping musical, é o que é): o "Pois é" que já referiu, cantada pela Elis (e que devia ser finalista na categoria latino-americana, concordo), é, salvo erro, uma composição dele; o "João e Maria", que o jorge tb já tinha assinalado; a proposta do Vasco, que eu não conhecia mas que é uma beleza; e eu ainda juntava o "Trocando em Miúdos", a "break up song" quintessencial, e o quase intoleravelmente fúnebre e lacrimoso "Pedaço de mim", porque nas love songs, já se sabe, a excepção confirma a regra e "less is not more".

Nem referi o Barco Negro porque já tinha visto que era candidato, aqui ou no seu blogue. E está muito bem que seja.


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