Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008
João Pinto e Castro
Os bancos comerciais não transferem para as PMEs o financiamento que recebem do Banco Central Europeu? António Amaro de Matos, de longe o melhor gestor português que conheci, propõe o seguinte no Público de hoje (link não disponível):
"Talvez, por exemplo, impor que, no final do primeiro e segundo trimestre do próximo ano, o crédito a pequenas e médias empresas atinja, para cada banco, respectivamente, 20 por cento e 40 por cento acima do que figura nos balanços de Dezembro deste ano. Mantendo-se daí em diante. E que, não cumprindo, os bancos tivessem de depositar no BP o montante em falta para atingir aquele objectivo. Remunerado à taxa zero por cento. Podendo ser repassado a outros que o quisessem aplicar em PME."
.
29 comentários:
De Luís Lavoura a 22 de Dezembro de 2008 às 15:00
1) Parece que não há quaisquer certezas de que os bancos não estejam a emprestar às empresas. A AIP encomendou um estudo sobre o assunto, precisamente porque não é claro.

2) Emprestar dinheiro é um negócio arriscado. É um disparate tremendo pretender OBRIGAR os bancos a emprestar dinheiro. Eles só devem emprestar dinheiro se e quando estão certos de que o dinheiro será devolvido e o juro pago. Caso contrário, ariscamo-nos a que quem poupa fique a arder. Eu não estou disposto a pôr o dinheiro que poupo num banco, se souber que ele irá ser OBRIGADO a emprestá-lo, mesmo a empresas de dúbia viabilidade.


De António Parente a 22 de Dezembro de 2008 às 17:45
Muito bem.


De Luís Lavoura a 22 de Dezembro de 2008 às 15:17
Os bancos têm todo a vantagem em emprestar dinheiro, dado que recebem juros pelo dinheiro que emprestam. É portanto deveras ridículo pretender OBRIGÁ-LOS a emprestar dinheiro - eles sem dúvida que o farão se e quando tiverem um grau razoável de segurança de que o empréstimo será devolvido e os juros serão pagos. Um banco que não empreste dinheiro tem prejuízo, uma vez que tem que pagar juros pelo dinheiro a quem o aforrou mas nunca cobra juros por ele.

Em suma, parece-me deveras disparatado pretender OBRIGAR os bancos a emprestar dinheiro, quando eles já de si têm vantagem em fazê-lo.


De António Parente a 22 de Dezembro de 2008 às 17:46
Novamente muito bem. Apoiado.


De Luis Melo a 22 de Dezembro de 2008 às 16:14
Nunca Sócrates tería coragem de tomar uma medida assim drástica para com os bancos.

O papel dele está feito, para todos os efeitos, o seu Governo deu 20 mil milhões de € aos bancos para eles emprestarem aos portugueses.

Passou na TV, os portugueses assimilaram... agora já passou essa questão, já ninguém quer saber...

E Sócrates é o herói...


De João Pinto e Castro a 22 de Dezembro de 2008 às 17:37
É falso que o Estado português tenha "dado dinheiro" seja a que banco for. Faz-me impressão ter que chamar a atenção para isto, mas como a mentira não pára...


De Luis Melo a 22 de Dezembro de 2008 às 18:04
Quem vai meter os milhões de € no BPN e no BPP é o senhor? sou eu? são os outros bancos que também estão á rasca? não me parece...


De GL a 22 de Dezembro de 2008 às 18:07
"Quem vai meter os milhões de € no BPN e no BPP é o senhor?"

Mais um que não percebeu nada.


De Luis Melo a 22 de Dezembro de 2008 às 18:18
Peço desculpa aos senhores Prof. Dr. Catedráticos em finanças pela minha ignorância.

Levem lá a bicicleta, afinal de contas são tão bons a finanças como os "Ladrões de Bicicletas", certo?


De João Pinto e Castro a 22 de Dezembro de 2008 às 18:53
Se - repito: se - os activos dos bancos valerem alguma coisa, o Estado comprá-los-á pelo seu justo valor. Isto não é "dar dinheiro", é nacionalização com indemnização. A sua única fonte de informação deve ser os cartazes do Bloco de Esquerda.


De Luis Moreira a 22 de Dezembro de 2008 às 18:36
E que tal obrigar o governo a pagar as dívidas aos fornecedores ?700 milhões de euros que íriam direitinhos para a economia real? Ai! Ai!


De João Pinto e Castro a 22 de Dezembro de 2008 às 18:54
Este governo tem vindo a reduzir os prazos de pagamento aos fornecedores de acordo com uma plano anterior a esta crise. É o primeiro que o faz, e espero que continue a fazê-lo. Não sei o que na sua cabeça será a "economia real".


De António Parente a 22 de Dezembro de 2008 às 19:47
Economia real: cicadãos que pagam impostos altos sem receberem contrapartidas do Estado; cidadãos que vendem bens e prestam serviços ao Estado que só lhes paga com prazos de pagamento dilatados causando-lhes dificuldades de tesouraria que os impedem de cumprir as obrigações fiscais o que faz com que o Estado lhes penhore os bens sem, contudo, lhes pagar o que deve.

Esta é a economia real, a realidade do país.


De Luis Moreira a 22 de Dezembro de 2008 às 19:04
Não sabe nem nunca saberá.Quanto à redução dos prazos dá em 700 milhões de euros! Você é mesmo ignorante ou é o tipo de sectário que acha que tem um destino?


De uhmmm a 22 de Dezembro de 2008 às 19:06
o post é engraçadíssimo.
Com oreagiriam a isso os banqueiros internacionais que (já não) emprestam dinheiro à CGD?
Só se o primeiro ministro os chamasse a Lisboa e os obrigasse a ajoelhar.
O problema é se eles não vinham.


De Luís Lavoura a 23 de Dezembro de 2008 às 10:01
Exatamente. Este pessoal da esquerda lê "soluções" propostas por economistas americanos e depois pensa que as pode aplicar em Portugal, assim sem mais, como se Portugal fosse os EUA. Esquecem-se de que Portugal é um país totalmente dependente da boa-vontade dos banqueiros estrangeiros em emprestar-nos dinheiro. Se e quando os banqueiros alemães começarem a chatear-se connosco, ou a desconfiar da nossa viabilidade, fecham-nos e torneira do crédito e acabou-se o forrobodó.


De João Pinto e Castro a 23 de Dezembro de 2008 às 13:17
É bom saber da sua boca que, agora, as soluções "americanas" não se aplicam a Portugal. Trata-se de uma novidade muito recente.


De GL a 22 de Dezembro de 2008 às 20:24
Crise – palavra que suscita, em muita gente, regozijo e deleite. A crise é o estado de graça, momento maior do fracassado e do queixinhas profissional. É a confirmação de uma visão de mundo, justificativa de toda uma vida.


De Luis Moreira a 22 de Dezembro de 2008 às 20:51
António P. economia real são aqueles milhares de PMEs que fornecem o Estado e que não recebem a tempo e horas.Essa dívida anda pelos 700 Milhões de euros,o que pouco tem a ver com o encurtamneto de prazos.Deve,ponto.Falta nas tesourarias das empresas!(ponto!) Se não encurtasse devia 1 000 Milhões ou mais.E encurtar não é suficiente, porque os plafonds de dívida muitas vezes contam mais que os prazos.Vamos lá a ver se este comentário, como é para o António,passa.Um anterior a explicar isto mesmo (com mais sumo ) não passou.A Jugular passa por uma crise de identidade!


De Tiago Moreira Ramalho a 22 de Dezembro de 2008 às 22:38
Para isso mais vale nacionalizá-los.

Diga-me uma coisa João Castro, admitiria que o estado viesse à sua casa dizer-lhe para gastar o seu dinheiro, pior!, dizer-lhe para e em que gastar o seu dinheiro? Pessoalmente, eu não admitiria, da mesma maneira que, se tivesse um banco, não admitiria ao estado que se intrometesse nos assuntos internos, como é a concessão de crédito...

Cumprimentos,

TMR


De GL a 23 de Dezembro de 2008 às 10:36
"da mesma maneira que, se tivesse um banco, não admitiria ao estado que se intrometesse nos assuntos internos,"

Se bem percebi, o Estado disponibilizou aos bancos certas garantias, com fins específicos, sendo um deles o de garantir liquidez à economia. Ora, se os bancos utilizam as garantias e não emprestam o dinheiro, faz todo o sentido que o Estado retire as garantias – não o vai fazer, mas devia. Não é questão de dizer o que os bancos devem fazer. É o que devem fazer com o dinheiro que o EStado disponibilizou. Ter um banco não é como ter uma mercearia.


De Tiago Moreira Ramalho a 23 de Dezembro de 2008 às 11:34
Então, por essa ordem de ideias, todo o dinheiro que o Estado disponibiliza a quem quer que seja deve ser gerido segundo aquilo que o Estado pretende. Por exemplo, quando o Estado dá o Rendimento Social de Inserção ou o Subsídio de Desemprego (que para além de medidas sociais são também medidas económicas de estímulo ao consumo), também deve decidir em que é que aquele dinheiro é gasto.

Se o Estado queria que aquele dinheiro tivesse um determinado fim, porque é que não cria linhas de crédito próprias? Não se lembra que existe um banco público? Para além disso, a função era injectar dinheiro na economia e foi isso que foi feito: de uma maneira ou de outra o dinheiro foi colocado a circular.


De João Pinto e Castro a 23 de Dezembro de 2008 às 13:18
Não, o dinheiro não foi posto a circular. É isso que você não compreende. Mas fala, fala, fala...


De Tiago Moreira Ramalho a 23 de Dezembro de 2008 às 13:36
Ó JPC, acredita mesmo no que diz?
Acha que algum banco ia pedir dinheiro para o guardar? É óbvio que foi posto a circular e já agora, tente ir investigar alguns dados sobre o crédito aos privados para deixar de falar, falar, falar...

Cumprimentos

P.S.: não é particularmente elegante falar com tanto com e de quem discorda de nós. Se não está preparado para um debate de ideias minimamente racional, a blogosfera não é o lugar ideal...


De GL a 24 de Dezembro de 2008 às 12:43
"Acha que algum banco ia pedir dinheiro para o guardar? É óbvio que foi posto a circular e já agora, tente ir investigar alguns dados sobre o crédito aos privados para deixar de falar, falar, falar.."

Ó homem, será que não percebe que o Estado não pôs dinheiro a circular e sim, que deu garantias aos bancos para que estes tomem empréstimos, que de outra forma, não tomariam ou sim com juros estartosféricos? E eu nem sou economista, sou director de arte.


De Tiago Moreira Ramalho a 24 de Dezembro de 2008 às 17:57
A finalidade é a mesma: colocar dinheiro a circular na economia. O estado deu garantias para que os bancos pudessem pedir dinheiro emprestado. E, e isto foi muito debatido, não impôs contra-partidas. Este dinheiro emprestado serviria para financiar a actividade económica.

Já agora, pode agradecer à banca caso não esteja a emprestar "à toa" o dinheiro. Veja o que aconteceu na Islândia...


De GL a 25 de Dezembro de 2008 às 15:32
"E, e isto foi muito debatido, não impôs contra-partidas. Este dinheiro emprestado serviria para financiar a actividade económica."

Não impôs? O Estado vai ganhar dinheiro com estas garantias.

"Já agora, pode agradecer à banca caso não esteja a emprestar "à toa" o dinheiro. Veja o que aconteceu na Islândia..."

À toa? Parece que está a torcer para que os bancos retenham o dinheiro. Se a ideia foi dar liquidez e os bancos não emprestam, qual o sentido disto? Será você mais um que quer ver o circo pegar fogo, o "quanto pior melhor"? Abomino esta gente.

Sabe o que os bancos portugueses vão conseguir com isso? SERÃO TODOS COMPRADOS. Num momento de crise, não servem para merda nenhuma. Mas pagarão caro. Serão comprados um a um pelo Barclays, Santander, etc. Daqui a 3 anos conversamos.


De GL a 24 de Dezembro de 2008 às 12:46
"Por exemplo, quando o Estado dá o Rendimento Social de Inserção ou o Subsídio de Desemprego (que para além de medidas sociais são também medidas económicas de estímulo ao consumo)"

Só na sua cabeça que o susídio de desemprego tem como finalidade o estímulo ao consumo. Por amor de Deus, que forma demagógica de argumentar!!!


De Tiago Moreira Ramalho a 24 de Dezembro de 2008 às 18:00
Só na sua cabeça é que não é. Vá aos seus livros de História (caso tenha) investigar o fundamento da criação das prestações sociais como a reforma, o subsídio de desemprego e o rendimento social de inserção (este mais recente) nos tempos da crise de 29. Sim, caro director de arte GL, no seguimento da crise de 1929, que se deu por haver excesso de produção e consequente queda acentuada de preços e falência em dominó, Roosevelt criou uma série de políticas de redistribuição do dinheiro para que os desempregados, os reformados e outros não deixassem de consumir, afim de escoar a produção em excesso. É claro que também tem um carácter social, pois tirou muita gente da pobreza, mas este foi o grande fundamento para a criação das prestações sociais do New Deal.


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