Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
OK, esta vai parecer um bocado reacionarota (já abandonei os dois c), mas lembram-se quando a Cais começou? Como aquilo tinha todo um código de ética, uns uniformes, e os vendedores não podiam pedir esmola? Era dignificante (a sério). Mas de há uns tempos para cá, sempre que recuso comprar a revista @ vendedor/a pede-me esmola. O que é que aconteceu pelas bandas da Cais?
De
Zé Bonito a 29 de Outubro de 2008 às 18:59
"É a crise, estúpido"- fim de citação.
O que é que poderá haver de dignificante num uniforme? Y no não PEDIR ESMOLA?
Qual é o problema de pedir ESMOLA?? Incomoda a Etiqueta Burguesa Sonsa&Pirosa! Só isso!
Põe de lado a via da Etiqueta y abraça a da Ética.
Vender a Cais era como que um treino para um Emprego que poderia vir, uma espécie de adestrar a norma, agir em conformidade a uma disciplina laboral.
Mas, n te esqueças que a FOME é coisa que Aperta! Quando tens fome pedes mesmo Esmola! Y qual é o Problema? O problema é mesmo essa afectação-mto-brithis ( repugnante, alias de proibir a mendicidade) ... Ou seja, estruturam um sistema que privilegie e fomente a vida-folgazona para um nicho que se entretém a reparar na fatiota do outro, nas maneiras de andar, falar y comer do outro Y transforma essas narrativas em pensamento cânone.
Vale.
Se não percebes ... olha muda os olhos! O que te dizer??
PS.: Por certo estão a treina para o desemprego, agora.
De GL a 30 de Outubro de 2008 às 00:15
Hehehe mais um que pensa que vive no primeiro mundo.
De
Isabel a 30 de Outubro de 2008 às 09:52
Só a preguiça faz com que ainda não tenha contactado a Cais sobre este assunto. Conheço alguns vendedores "legítimos" mas já me deparei com o que tenho quase a certeza ser "negócio paralelo". E, para responder ao primeiro comentário, faz toda a diferença porque a Cais não se esgota na venda da revista é todo um projecto de re(integração) social.
De
Isabel a 30 de Outubro de 2008 às 09:53
a resposta não é ao 1º comentário mas ao de puta madre, as minhas desculpas
Fui um bocado ( é favor ...) bruta.
Mas as pessoas (o ser pessoa) tb não se esgota no conter as tensões. Ainda para mais quem está a recomeçar a reconstruir-se ... nem sempre a perspectiva de ter os próximos tempos com uma base material assegurada é jangada para equilibrar as emoções que vão oscilando durante as 24horas.
Por vezes, a ânsia de garantir essa base material mínima, a qual permite o ajudar ao equilibrar o resto, precipita o mecanismo do Pedir-Esmola. Ou seja, é com certeza mais difícil vender a Cais nestes tempos. Como em todas as modalidades de vendas Há os truques. Quem vende a Cais também deve estar a fazer o seu atalho para contornar o obstáculo. Pede Esmola. Sim. Há muita dignidade em Pedir esmola. Não sejamos Ingleses. É um valor que - estupidamente - se vai perdendo. Esse de reconhece o Outro como capaz de dádiva, de poder ajudar. Esse tb é um dos símbolos do pedir Esmola. Um dos maiores elogios que podemos fazer a alguém quando pedimos. Dar-lhes esse benefício humano de poder ajudar, fazer a diferença.
De Luís Lavoura a 30 de Outubro de 2008 às 14:59
Fico satisfeito por ver que o Miguel já abandonou o cc na palavra reacionário. Isso mostra da parte do Miguel uma surpreendente (para mim) capacidade de se adaptar e de evoluir.
Agora pergunto: será que o Miguel também já voltou a passar os dias a trabalhar na sua faculdade, apesar dessa modernice que é a proibição de fumar nos locais de trabalho? Ou permanece solitariamente agarrado à tradição e aos velhos costumes? É que lembro-me de ter lido o Miguel escrever que passaria a trabalhar em casa porque se recusava a estar num sítio onde era proibido fumar...
Isto sim, é um excelente post.
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