Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Lying at the centre of this issue is the status we accord to human experience. Say I have an aesthetic, religious or emotional experience of great, life-changing importance. Science has three primary accounts of this. Freud - not now regarded as a scientist, but his account was intended to be and, for some time, accepted as scientific - would describe the feeling as 'oceanic' and attribute it to the experience of the primitive ego. Neo-Darwinians would seek its roots in our evolved natures. Neuroscientists would locate the feeling in neuronal patterns of excitation. Freud we can discard. The evolutionary explanation remains speculative, though Neo-Darwinians will argue that it must be true. And neuroscience is in its early infancy. There is currently not even the shadow of an explanation of my feeling through the workings of my brain, we don't even have a coherent explanation of how matter becomes mind. All such arguments are, therefore, circular. It must be true, therefore it will be true. But what does true mean here? Even if I was offered final and complete Neo-Darwinian and neuroscientific accounts of my experience, what would that tell me? In effect, nothing. These would be accounts of the experience, not the experience itself. They would be based on the dubious conviction that there was something - scientific knowledge - that lay above the human experience. To accept these accounts as final would be to bow down before a disguised metaphysic, a concealed god. Of course, I could choose to do so. But why? What would I gain? Again nothing. (aqui)
(Para o Vasco Barreto, que ficou muito perturbado quando Dawkins lhe explicou que não existia altruismo puro —o que, curiosamente, é muito semelhante ao que dizem aqueles crentes que acham que a existência de Deus é algo necessário para o comportamento moral. No fundo, aqueles que acham que a verdade é algo que se descobre, e que existe objectivamente, andam todos ao mesmo. Podem chamar-lhe Deus ou Realidade Objectiva, que a coisa não muda. Nietzsche, com todos os seus exageros, viu isso há uns anitos)
Tinha 18 anos, pá. Mas obrigado. Até porque não te posso garantir que tivesse entretanto deixado de ficar perturbado com o problema, fui foi acumulando outras perturbações, o que sempre distrai.
Ah, não estou manifestamente em condições de começar a discutir este assunto e apetece-me enviar-te para o blogue do Filipe Moura, que é o que tu mereces, mas pesquei uma imagem boa nos comentários a este post que citas. Diz alguém que há o quadro e o fulano que explica o quadro. O quadro não precisa do fulano que o explica para existir nem nós precisamos do fulano para integrar o quadro como experiência. Fair enough. Porém, interessa-me ouvir o fulano mais competente de todos os que na exposição podem falar sobre o quadro. Esta escolha parece-me importante e temos critérios objectivos para fazer um ranking destes gajos.
Concordo que temos critérios, mas suspeito que eles não serão objectivos nem passíveis de formalização numa ciência. Corecção: eu não suspeito; eu tenho a certeza —e isto decorre daquilo que tu próprio escreves.
De viana a 19 de Janeiro de 2009 às 11:34
A citação tem graves contradições, várias de natureza linguística.
"Even if I was offered final and complete Neo-Darwinian and neuroscientific accounts of my experience, what would that tell me? In effect, nothing. These would be accounts of the experience, not the experience itself."
Se nada diz ("nothing"), porque é que a seguir diz que afinal aquilo que lhe é "oferecido" é (apenas) uma descrição ("accounts") da experiência. Isso já é algo. Se é útil (no sentido prático) ou não, não é relevante. O objectivo da Ciência não é a utilidade. Nem sequer é necessariamente a explicação ou previsão, pois hoje sabemos que nem sempre é possível (ex. sistemas complexos). Basta por vezes a descrição. Pode ser que seja relevante para alguns, para outros não. É um grave erro pensar que a Ciência pretende, tem como objectivo, substituir o que quer que seja, em particular a experiência sensorial da realidade. Há muita gente que gosta de criar espantalhos... suponho que é uma maneira de demarcar a sua originalidade (estou-me a referir ao autor da citação)...
"apetece-me enviar-te para o blogue do Filipe Moura, que é o que tu mereces"
Não sei se isto é um elogio ou não... Não sei se o Vasco está a mandar o João para o meu blogue como quem manda um puto para o castigo, ou se para aprender alguma coisa. No meu blogue aprende-se muito pouco ultimamente (falta de tempo e paciência), mas tem-se sempre aqui a Palmira. De qualquer maneira será sempre um prazer receber o João (um tipo inteligente e civilizado) por lá.
(Agora desculpa lá, João, mas estavas há muito a precisar de uma coça como a que tens aqui levado do Vasco e da Palmira.)
Abraços.
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