Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Afinal os ateobuses já não vão percorrer as ruas de Génova. A pressão censória do cardeal Angelo Bagnasco, o arcebispo de Génova que preside à conferência episcopal italiana, sobre a companhia municipal foi frutuosa: a campanha foi concelada.
De igual forma, foi rejeitada a possibilidade de a campanha chegar a terras australianas. As três alternativas sugeridas foram liminarmente recusadas, embora não consiga perceber como é que pode ser considerado ofensivo o slogan: «Ateísmo: celebra a razão».
O presidente da Fundação Ateísta da Austrália, David Nicholls, numa entrevista radiofónica ao The Religion Report exprimiu o que pensa sobre as razões da recusa:
David Rutledge: Can you speculate as to why they might be refusing to run this?
David Nicholls: Well it could be just cultural censorship. As [Richard] Dawkins said, we’re brought up to believe that religion has some sort of privileged status. To offer even a mild criticism of it is seen as something very strident, and that’s out of bounds to do that. The Atheist Foundation is not a religion, we are not criticising religion, we are saying celebrate reason. So I think that there is a rejection of atheists having their name out there.
David Rutledge: Are you surprised by that? In a country like Australia, one of the most secular societies in the world, that this would happen?
David Nicholls: I’m disappointed, but not overly surprised. Religion has a very great hold on societies, even democratic societies and in fact it has too great a hold in democratic societies.

Vale a pena ler o que PZ Myers tem a dizer sobre o assunto no Pharyngula, nomeadamente em relação aos que se sentem perseguidos pelos autocarros ateístas mas acham completamente normais e desejáveis anúncios como este.
Não posso deixar de mencionar o meu espanto que a avalanche de comentários que inundou o post em que esta camapnha foi anunciada não extravase para este :)
Ou que aqueles que tanto ulularam em defesa da liberdade de expressão para Policarpo (ou Ratazinger) dizerem as tolices que lhes desse na telha não tenham nada a dizer em relação a este ...
De
Shyznogud a 21 de Janeiro de 2009 às 12:37
espanto retórico, presumo.
Quanto a esta sua afirmação: "embora não consiga perceber como é que pode ser considerado ofensivo o slogan: «Ateísmo: celebra a razão»", eu até lhe poderia fazer um desenho. Mas parece-me que a sua santa cabecinha está demasiado formatada, ao ponto de lhe parecer que apenas os ateus utilizam a dita, pelo que me parece desnecessário. Adjectiva de "tolices" as opiniões dos outros, o que me liberta para adjectivar da mesma forma: continue com as suas tolices, se a fazem feliz!
De João André a 21 de Janeiro de 2009 às 13:33
Sim, especialmente depois de se proibir a expressão "Ateísmo: celebra a razão" quando o actual Papa anda farto de dizer que não existe razão fora da Fé (ou algo do género, agora não me lembro e não acho que valha o esforço procurar aquilo).
João:
Foi, entre outras, na célebre palestra de Regensburg (ou Ratisbona). mais concretamente, disse que sem fé não pode ocorrer o exercício da razão. Isto é, sem fé católica, porque no decorrer do discurso Ratzinger explana porque razão apenas esta fé é racional :)
De João André a 22 de Janeiro de 2009 às 08:10
Obrigado Palmira. Eu lembrava-me da história, mas sinceramente não fixei os detalhes. O assunto não me interessa particularmente.
Aliás, isso até pode ser explicado (o meu desinteresse) de forma simples. Se ele está certo, a minha falta de fé torna-me irracional, pelo que não o posso compreender e ele não me interessará. Por outro lado, se ele está errado, é ele o irracional e como tal o assunto não me interessa.
De Fortuna a 21 de Janeiro de 2009 às 14:17
buahh, buahh, snif snif
Temos que nos queixar à Helena Matos, como diz o outro. ;)
De
m&m a 21 de Janeiro de 2009 às 16:27
http://arrastao.org/sem-categoria/lamentavel/
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