"Há muito tempo que não concordava a 100% com Mário Soares", diz o Luís Rocha. Não vou discutir a substância do post, que pouco me interessa saber das regularidades com que cada um concorda ou deixa de concordar com Mário Soares e sobre que assuntos incide essa concordância. Também não é do casamento entre pessoas do mesmo sexo que será feito este post. A verdade é que passo bem sem ele e também, estou certo, passarei bem com ele - o mesmo que dizer que é questão que me é indiferente. E não se trata e de falta de percepção da realidade - reconheço a necessidade de conceder aos casais homossexuais os mesmos direitos dos restantes casais (adopção à parte, que ainda preciso de reflectir mais um pouco), trata-se pura e simplesmente de ser assunto que não me diz respeito, não me aquece nem me arrefece e agora estou a passar uma fase de demasiado egoísmo para ajudar velhinhas a atravessar a rua. Já agora, e só para meter um bocado de ferro, não concordo que lhe chamem casamento - proponho cazamento. Fulano e Sicrano anunciam o seu ca-zzz-amento. Amanhã não posso que tenho um cazamento. Casamento ou cazamento? 'tás surdo?, ca-zzz-amento.
E porra, que não há maneira de avançar para a vaca fria. O que me faz escrever este post, tento dizer, é a simples constatação da minha ignorância sobre o critério de atribuição de percentagens de concordância, de exactidão, de pontualidade, do que que quer que seja, a acontecimentos mundanos. Vejamos o caso Luís Rocha, que há muito tempo que não concordava a 100% com Mário Soares. Depreendo que no muito tempo em que Mário Soares não logrou alcançar o pleno junto do Luís Rocha, e nas muitas vezes que terá intervindo publicamente, o Luís Rocha lhe foi atribuindo percentagens de concordância - 33,4%, 78,7%, 99,9 (faltou-te um bocadinho assim) e assim por diante. E isto é que me faz confusão. Como aqueles jogadores da bola que dizem que estão a 80% das suas capacidades, os casais, em que cada membro que o compõe, em apreciação externa, tem 50% de razão. As culpas distribuídas num atropelamento - 60% (atravessou a correr e sem olhar) - 40% (ia em excesso de velocidade). Na verdade não tenho mais nada para dizer, o céu está 98% nublado, eu estou 79% aborrecido (só isso justifica este post), o meu filho ontem à noite estava 77% rabugento e a palmada que lhe dei na mão doeu-me mais a mim do que a ele em, digamos, 100%. Agora vou trabalhar a 66%, que me dói a cabeça a 25%.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
