Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

O primeiro-ministro anunciou, enquanto secretário-geral do PS, que na sua moção para o próximo congresso do partido propõe a legalização do casamento civil das pessoas do mesmo sexo. O anúncio teve lugar domingo passado. O assunto foi objecto de destaque nas notícias, nomeadamente quanto à hipótese de essa legalização incluir ou não a possibilidade de adopção. Esse destaque não resultou, no entanto, naquilo que normalmente se segue ao anúncio de uma medida considerada polémica: não houve declarações inflamadas da oposição (nem à esquerda nem à direita), nem debates na TV com gente contra e a favor. Os representantes das associações LGBT, que deviam ser disputados em noticiários televisivos, não deram sinal de vida na pantalha - à excepção da TVI, ninguém os chamou. Nem a sempre instantaneamente excitada blogosfera deu sinal de indignação. Será que afinal a medida é pacífica?

Claro que lá apareceu, ao segundo dia, a reacção da Igreja Católica: o patriarca terá dado indicações no sentido de se falar do assunto nas homilias e o porta-voz da Conferência Episcopal (CEP) insurgiu-se contra o anúncio "numa altura em que o País atravessa uma crise económica e tem outras prioridades". Estas reacções, como se de um picar de ponto se tratasse (afinal, o presidente da CEP, o bispo Jorge Ortiga, já admitira em 2008, numa entrevista a Constança Cunha e Sá, na TVI, encarar a legalização do casamento civil entre as pessoas do mesmo sexo como uma inevitabilidade), surgem desfasadas da prioridade que ainda o mês passado, já em plena crise económica do Ocidente, o Papa deu ao tema, considerando-o uma ameaça à "ecologia do homem".

Como interpretar tanta serenidade? Trata-se da aceitação tácita de algo que não se pode evitar (no caso daqueles que se lhe opõem) e a que se deseja, como a todas as derrotas, retirar importância, ou uma quietude táctica, a de quem procura guardar o assunto para quando puder ser usado como arma de arremesso eleitoral, até porque sabe que quanto mais este for discutido menos hipóteses tem de justificar a sua oposição? Certo é que esta quietude, esta aparente bonança, só pode ser ilusória: há muita gente a quem, como candidamente admitiu esta semana num debate no Rádio Clube Português um médico-bloguer, o casamento entre pessoas do mesmo sexo "faz confusão". Justificá-lo é que é pior. Melhor, pois, transformar a coisa numa espécie de tabu.

Só um tabu permite silenciar o facto de o casamento entre pessoas do mesmo sexo ser legal em vários países há anos, e de essa legalização ter sido, na maioria dos casos, aprovada por partidos do centro. Só um tabu sustenta o argumento do desespero, o de ser preciso impedir o casamento porque "a adopção vem a seguir", "e não se pode fazer experiências com crianças": na Europa, o Reino Unido, a Islândia, a Noruega e a Suécia legalizaram a adopção sem casamento, e França, Dinamarca e Alemanha permitem, em uniões de facto do mesmo sexo, que um parceiro adopte os filhos biológicos do outro. Só um tabu protege um tabu - e adia a conclusão óbvia: o povo é sereno.

 

(publicado hoje no dn)


66 comentários:
De Vasco M. Barreto a 23 de Janeiro de 2009 às 11:38
É notável que não fales do caso espanhol.


De f. a 23 de Janeiro de 2009 às 12:09
bebes logo de manhã?


De lili a 23 de Janeiro de 2009 às 14:19
É notável a sua boa educação, ao não responder a tanta má educação da F.


De f. a 23 de Janeiro de 2009 às 14:43
eu acho mais notável ainda que o vasco não tenha percebido que no texto eu só falo de países que aprovaram a adopção sem aprovarem o casamento. logo, não menciono a espanha, nem a holanda, nem a bélgica, que aprovaram o casamento E A adopção (e, mais uma vez, para ficar só pela europa, já que á outros países onde o casamento foi aprovado e onde há adopção, como há vários estados dos eua onde há adopção sem casamento).


De f. a 23 de Janeiro de 2009 às 14:43
á sem agá, ai.


De Maria a 23 de Janeiro de 2009 às 11:59
São notáveis as maiúsculas no início das frases!

Muitos parabéns!!


De f. a 23 de Janeiro de 2009 às 12:13
agradeço penhorada, cara maria. mas na verdade o mérito não é meu: no jornal onde escrevo, e de cuja página copiei o texto, não me deixam abrir frases com minúsculas.


De Valupi a 23 de Janeiro de 2009 às 12:28
É notável continuar-se a confundir o Papa com os crentes, a doutrina com a fé.


De f. a 23 de Janeiro de 2009 às 12:31
meu deus, quem fez uma coisa dessas?


De Valupi a 23 de Janeiro de 2009 às 12:45
«Estas reacções, como se de um picar de ponto se tratasse (afinal, o presidente da CEP, o bispo Jorge Ortiga, já admitira em 2008, numa entrevista a Constança Cunha e Sá, na TVI, encarar a legalização do casamento civil entre as pessoas do mesmo sexo como uma inevitabilidade), surgem desfasadas da prioridade que ainda o mês passado, já em plena crise económica do Ocidente, o Papa deu ao tema, considerando-o uma ameaça à "ecologia do homem".»

A autora desta longa frase.


De f. a 23 de Janeiro de 2009 às 12:52
hum, em que parte dessa quilométrica frase a autora confundiu a doutrina com a fé? quanto à outra questão, será que falar das posições da conferência episcopal, portanto dos bispos, e da posição do papa, considerando-as desfasadas em termos da argumentação, é confundir os crentes com o papa? não creio.


De Valupi a 23 de Janeiro de 2009 às 13:12
Esse é o busílis; considerar-se desfasado o que é complementar. E isso assinala uma incapacidade de discernimento, comprometendo a qualidade da análise ou reflexão.

É isso que explica o tão corrente erro de ver desfasamento entre o que o Papa diga sobre os preservativos (para ir buscar um tema de fácil referência) e o que um crente face numa situação concreta onde se convoque a sua consciência como critério supremo. E, já agora, antecipo: a consciência do crente é a substância da sua fé.


De f. a 23 de Janeiro de 2009 às 13:45
parecem-me, caro valupi, que equiparar a consciência o crente à tomada de posição pública de bispos não faz muito sentido. quanto à sua interpretação, de que no caso exposto se trata de complementaridade, é uma interpretação, evidentemente, que vai perdoar-me não encare como dogma irrefutável. até porque é para mim difícil ver complementaridade -- a não ser irónica, precisamente -- entre uma posição que prioriza um assunto e uma que diz que ele não é prioritário.


De Valupi a 23 de Janeiro de 2009 às 15:49
Hélasse, tanto faz sentido que é disso exactamente que falamos: de uma suposta discrepância entre certo discurso do Papa (afinal, apenas um bispo num dado serviço à Igreja) e certo bispo ou bispos (afinal, apenas crentes num dado serviço à Igreja).

O que está a causar o equívoco, cara f., é a tua leitura preconceituosa (cognitivamente falando) da posição papal. A defesa doutrinal da "ecologia do homem" não contradiz os considerandos políticos do bispo Jorge Ortiga.

Vou dizer de outra forma: a Igreja tem 2000 anos de aprendizagem do que possa significar o preceito para "Dar a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César".

__

[errata no outro comentário: face=faça]


De patricio a 23 de Janeiro de 2009 às 12:28
É impressão minha ou apesar de toda a serenidade, isso aí em Portugal anda tudo em brasa?
Mas o que sei eu? As coisas chegam-me filtradas por um ecran de portátil, filtro esse que por vezes me parece ainda mais embaçado do que o televisivo.


De Luis Melo a 23 de Janeiro de 2009 às 13:02
Á pergunta Será que afinal a medida é pacífica?:

as pessoas infelizmente têm mais em que pensar neste momento, e por isso estão a borrifar-se para os assuntos que preocupam uma elite de esquerda que não tem dificuldades na vida nem trabalho para fazer.


De f. a 23 de Janeiro de 2009 às 13:46
luis melo, que análise fulgurante.


De Luis Melo a 23 de Janeiro de 2009 às 13:51
Não... boas são sempre as suas análises. Acertadas são sempre as suas opiniões. Importantes são sempre as questões que levanta. Algum egocentrismo não?

Imagino donde virá esse estilo ditatorial/egocêntrico


De carla a 23 de Janeiro de 2009 às 13:58
tadinho.


De pedro sardão a 23 de Janeiro de 2009 às 13:50
O que seria de nós se não fossem estes seres iluminados de uma certa elite de direita...
Apesar das dificuldades na vida e do trabalho que têm para fazer, ainda lhes sobra tempo para criticar os que sonham e lutam por um mundo melhor.
Vá lá trabalhar, formiguinha, e deixe as cigarras lutarem em paz pelos direitos das minorias.
PS: O lema inscrito no seu blog diz tudo: "eu é que nunca mudo". Se nos fiarmos no que diz o povo, não está só...


De Luis Melo a 23 de Janeiro de 2009 às 13:57
Caro pedro sardão,

Eu não sou de direita, e muito menos iluminado (tal como parece julgar-se a F.) Mas o senhor admite ser da elite de esquerda.

Pois, sonhar por um mundo melhor não chega. Mas já agora, quem lhe disse que o mundo que você imagina é o melhor? Mais uma vez, egocentrismo.

O mal é esse, uns trabalham e os outros andam a lutar por questões menores. Que em nada ajudam Portugal e o mundo a sairem desta crise. É assim que luta pelo tal "mundo melhor"?

Eu não mudo porque serei sempre o mesmo Luis Melo. Coerente e defendendo as mesmas ideias. Não sou calculista, não ando ao sabor das opiniões de outros, não ando atrás das audiências, não sigo pelo caminho que dá mais jeito no momento.


De pedro sardão a 23 de Janeiro de 2009 às 14:45
Caro Luis Melo,
Nem eu lhe disse se era de direita ou esquerda nem isso tem qualquer interesse para esta discussão.
Achei graça à posição manifestada no seu comentário e limitei-me a ironizar.
E não era para menos: aqueles que pretendem que o assunto em causa não tem dignidade para ser discutido - porque Portugal e o mundo andam em crise - não merecem ser levados a sério.
Não tenho a mínima vontade de discutir a falácia do "argumento" - o blefe preguiçoso", de acordo com a enumeração dos sete blefes mortais da homofobia, que o Paulo Pinto referia num post recente.
«O mal é esse, uns trabalham e os outros andam a lutar por questões menores».
Um: a igualdade não é, nem nunca será, uma "questão menor" (foi o Luis Melo quem decidiu que este assunto era uma "questão menor"? quem o iluminou ?).
Dois: custa-lhe assim tanto aceitar que os que defendem a consagração legal do casamento entre pessoas do mesmo sexo também trabalhem? Os que defendem ideais e princípios diferentes dos seus são todos uns mandriões, não é? Grandes malandros...
Por mim, Luis Melo, não mude: deixe-se estar assim, que o país e o mundo precisam de pessoas da sua cepa para sair desta crise.
Aliás, pela minha parte bem pode deixar de perder tempo com estas questões menores (e com os iluminados e egocêntricos que as debatem), para dedicar-se às suas causas: as maiores.
Antecipadamente grato,
Pedro Sardão


De Pedro a 23 de Janeiro de 2009 às 15:27
"O mal é esse, uns trabalham e os outros andam a lutar por questões menores. Que em nada ajudam Portugal e o mundo a sairem desta crise. É assim que luta pelo tal "mundo melhor"?"

Que bom saber que questões como a igualdade de acesso a determinados direitos, minha e de 10% do portugueses, é uma questão menor, e que tudo o que não ajude o mundo e Portugal a sair da crise não interessa e é automaticamente prejudicial.

Que bom saber que por se lutar por direitos iguais para todos é equiparado a não trabalhar. Já fiz voluntariado com o banco alimentar, com instituições que apoiam jovens com deficientes e com associações de apoio a jovens lgbt. Experimente também você, e vai ver todo o preconceito e atitude de borrifanço que esta sociedade tem com todos aqueles que pode e quer ignorar. E depois venha-me dizer quem é que não trabalha e se preocupa com questões menores...


De António Parente a 23 de Janeiro de 2009 às 15:38
1 milhão de homossexuais em Portugal?!


De Pedro a 23 de Janeiro de 2009 às 16:13
Pois, 10% de 10 milhões é 1 milhão, e 1 milhão de portugueses é o que se estima que seja a população homo e bissexual. Acha estranho? Lá por você não os ver não quer dizer que não estejam lá.

Mas e se forem menos? Lá por isso perdem dignidade ou devem ser esquecidos? Se fossemos por esse raciocínio, bem podíamos deixar de lado todas as minorias religiosas, nacionais e étnicas (que até são menos do que os homo e bissexuais, veja lá).

É que, ao contrário do que muita gente pensa, o que os homo e bissexuais mais querem é sossego, e por isso não andam aí a apregoar a sua orientação sexual, bem pelo contrário, vivem a sua discretamente como as outras pessoas, e por isso é que você se esquece deles, mesmo quando se senta ao lado de uma lésbica num autocarro ou no metro, quando passa o natal com o seu primo que é homossexual, ou quando está a ver TV com o seu filho ou filha, que é bissexual mas não lhe diz nada com receio do que lhe poderá acontecer... Esses estão aí por todo o lado, e não têm os mesmo direitos que você, mas as pessoas só reparam neles quando se fala em engatanços nas casas-de-banho, em parques de estacionamento ou em bares e discotecas, ou quando vêm umas "bichas" histéricas na TV...

E isto é preconceito do mais puro que há. Dizer que uma fatia da população portuguesa não merece os mesmos direitos que a restante população e chamarem-lhes de "questão menor" só porque não se vêm, é para mim uma clara desconsideração pelo próximo e um abuso de poder social, que ao mesmo tempo que lhe dá poder de tratar mal, por várias formas, a população homo e bissexual, ainda lhe dá legitimidade para depois os desconsiderar por não se mostrarem nem se revelarem suficientemente "importantes".


De António Parente a 23 de Janeiro de 2009 às 20:29
Caro Pedro

Não sei como chegou a esses números mas continuo a achar muito estranho.

Quanto ao resto não me vou pronunciar.


De Pedro a 23 de Janeiro de 2009 às 22:56
Os números têm bases em estatísticas nacionais e internacionais (e não são nada de novo):

http://diario.iol.pt/noticia.html?id=628484&div_id=4071

Mas sinceramente, não me preocupa em nada que estes número sejam falsos ou exagerados, que os homo e bissexuais sejam muitos ou poucos, pois a desigualdade é a mesma. Ninguém tem de ser discriminado colectivamente para que depois lhe reconheçam direito à não-discriminação.

Quanto ao resto faça como entender, pronuncie-se ou não, mas no dia em que for você a minoria e não vir reconhecidos os seus direitos, a sua igualdade e dignidade, não se admire que também ninguém se pronuncie.

Afinal, "the only thing necessary for the triumph of evil, is for good men to do nothing".



De lili a 24 de Janeiro de 2009 às 23:17
Ah, V., se não leu, deveria ler Camões, se leu é relê-lo e lembrar-se que, como ele escreveu, ''todo o mundo é composto de mudança''.


De lili a 24 de Janeiro de 2009 às 23:12
Sabe? O Paulo Pinto expressou na perfeição como seria o mundo se toda a gente pensasse como V.

''O terceiro blefe é preguiçoso. Assenta no apuradíssimo argumento de que não vale a pena mexer nisso agora porque temos todos mais o que fazer, há uma crise à porta, o desemprego espreita, a deflacção ameaça, o Benfica está à rasca e ainda falta muito para chegar Agosto. O tempo escasseia. Não é oportuno. Pois, pois, esperemos a ver quando é que o será. Mas sentados, é melhor. Ainda estaríamos com o Código de Justiniano em vigor, com argumentos destes, porque haveria sempre problemas mais prementes a resolver do que tratar das liberdades civis e dos direitos humanos.''.



De joaquim a 23 de Janeiro de 2009 às 13:45
as afirmações do dr. soares mostram bem a mentalidade da grande maioria dos políticos portugueses pós 74: andam sempre a tentar resolver os problemas mais graves que todos os dias são diferentes, pondo de lados aqueles que teriam fácil resolução.

é por isso que portugal é e continuará a ser um país por resolver.

e só me apetece dizer ao dr soares, aquilo que ele, no alto da sua arrogância socialista (?) e amiga dos trabalhadores, disse ao polícia: "Ó homem, desapareça"


De Vitor Pereira a 23 de Janeiro de 2009 às 15:56
Em qualquer relação o que importa é o amor e não tenhamos dúvidas que o casamento é porventura a instituição mais conservadora desta sociedade burguesa e conservadora que tem asco e desdem pela homosexualidade porque não encontra nesta amor mas simplesmente deboche. Assim eu se fosse homosexual estava-me a marimbar para o casamento que não passa de uma instituição caduca e ultrapassada. Não percebo nem compreendo tanto desejo pelo casamento entre homosexuais. Porventura são mais conservadores que os homens da igreja. Sinceramente é o amor o resto é treta, não percebo ? Será que gostam do carnaval católico que tanto criticam ? Arranjem juízo e coerencia...


De PGFV a 23 de Janeiro de 2009 às 17:09
Olhe vitor,

Aqui fala um gajo que tem amor por outro gajo e que mesmo já tendo feito testamento a favor dele, se lhe acontecer alguma coisa, terá 50% dos seus bens a irem direitinhos para os pais biológicos, que lhe têm tanto amor, que nem um telefonema lhe fazem porque ele é panilas!!!

Quer mais mais argumentos? É que há uma enorme quantidade deles.


De gajo do código a 23 de Janeiro de 2009 às 17:39
É o mesmo problema de alguém heterossexual que não veja no casamento burguês um céu e viva com alguém em união de facto.
Aliás, mesmo que goste da respeitabilidade burguesinha e se tenha casado se não tiver filhos os pais são sempre herdeiros com o cônjuge (artº 2142º do Códigoc Civil). Mesmo que se recusem a receber a nora ou o genro.
Por isso, a resolução para isso não é o direito de família ou o casamento homossexual, mas a modificação do direito sucessório.


De PGFV a 24 de Janeiro de 2009 às 02:13
Está enganado, vá estudar direito sucessório e depois diga-me fundamentado que eu não tenho razão.


De cristã a 23 de Janeiro de 2009 às 21:36
ache lá o que quiser, Vítor, mas não se esqueça que o que pensa sobre o casamento só lhe diz respeito a si. era só o que faltava andarmos por aí perguntar uns aos outros a razão pela qual nos queremos casar ou não. A homossexualidade não é crime; a Constituição obriga à não discriminação em função da orientação sexual; os homossexuais têm os mesmos deveres que os restantes cidadãos. Não chega?


De Romeu a 23 de Janeiro de 2009 às 22:59
Vitor, não interessa o que você pensa, ou o que cada um pensa, sobre o casamento. Interessa que todos tenham a mesma hipótese de serem livre de optar, ou não, pelo casamento.


De Nuno Petinga a 23 de Janeiro de 2009 às 16:04
E então começam todos a discutir os direitos de uns e de outros. Falam das opções do outros como se discutissem o que vão fazer para jantar.

Na minha opinião esse é um assunto que deveria ser liberalizado porque até acredito que existam homossexuais que não achem muita piada ao casamento...

A pluralidade de opinião é realmente uma coisa muito gira...


De Cam a 23 de Janeiro de 2009 às 16:06
Os estudos existentes apontam para a existência de 50 a 100 mil homossexuais em Portugal, dos quais uns 5 a 10% estarão interessados em casar (é o que se passa nos países aonde o casamento homo foi aprovado)
Como diria um politico emigrado, é só fazer as contas.

Agora falta legalizar o casamento incestuoso. Não há razão para instituir o casamento homossexual e proibir o casamento incestuoso.
É outro tabu.


De gil a 23 de Janeiro de 2009 às 19:13
Menos razão ainda para não permitir a poligamia (homo e hetero). Não se percebe a falta de solidariedade para com os polígamos.


De lili a 24 de Janeiro de 2009 às 23:21
Não é isso é uma falsa questão, não esteja a ser cínica.


De Paula Silva a 25 de Janeiro de 2009 às 20:55
Epá ó Cam, mas que grande tara com o casamento incestuoso...


De Fernando Penim Redondo a 23 de Janeiro de 2009 às 16:39
A reacçao da Fernanda é como a das crianças que têm a mania de fazer birras rojando-se pelo chão e que, um dia, os adultos resolvem ignorar e deixar fazer o que lhes passar pela cabeça.

Acabou-se a graça da birra ou, no caso vertente, a romântica luta na defesa dos perseguidos (neste caso os perseguidos têm força suficiente para torcer Sócrates, o que nem os professores ainda conseguiram).

Do alto da sua autoridade democrática, numa fase da vida em que pode bem com as chantagens, Mário Soares veio, no Público, reduzir a questão à sua modesta dimensão.

Algumas pistas para a Fernanda perceber porque razão o anúncio de Sócrates não causou alarido:

1. o pessoal acha que este é um "não problema"
2. o pessoal está farto de aturar birras
3. o pessoal já sabe que Sócrates, como em geral os políticos em vésperas de eleições, quer jogar pelo seguro e portanto não há nada a fazer.

A Fernanda devia tentar perceber que a generalidade das pessoas que se opõem ao tal casamento (parece que são a maioria) não querem perseguir ninguém. Quem é contra qualquer casamento hetero, não está numa de perseguir os heteros. Apenas acha que o casamento é uma instituição desnecessário ou prejudicial.

Num momento em que devíamos estar todos a gritar "acabem com todos os casamentos" aparecem uns maduros, cujo charme era precisamente ir contra as convenções. a dizer que querem ser como os mais convencionais dos casais.

Mais uma vez lhe digo: sou contra o casamento, e em especial o casamento gay, por razões estéticas.
Agora se os gays querem fazer figuras ridículas e casr-se por mim tudo bem, não haverá nenhum cataclismo.
Tenho mais em que pensar; que tenham muitos meninos (adoptados, bem entendido)



De Modaji a 23 de Janeiro de 2009 às 17:33
Por razões estéticas?

Quem é que não gosta de ver duas mulheres a beijarem-se?


De Fernando Penim Redondo a 23 de Janeiro de 2009 às 18:25
A beijar-se ainda vá agora a casar...


De Paula Silva a 25 de Janeiro de 2009 às 21:15
Fernando Penim Redondo, mas que belo macho latino me saiu... Razões estéticas????? Essa ainda não tinha ouvido, é um argumento tipo: "...não gosto porque olhe... sei lá...faz-me confusão..."


De clarim do futuro a 23 de Janeiro de 2009 às 19:09
Ah e acha que é preciso estar casado para dar um beijo? Tenho grandes novidades para si: não é! Eles e elas, eles e eles e elas e elas, todos se podem beijar sem estarem casados.


De cristã a 23 de Janeiro de 2009 às 22:50
"o casamento é uma instituição prejudicial" a quem, Fernando P. Redondo, já que não é obrigatório?

E mais. "Num momento em que devíamos estar todos a gritar "acabem com todos os casamentos" diz. Devíamos estar todos a gritar"? Devíamos, porquê? e 'todos' porquê?


De Fernando Penim Redondo a 24 de Janeiro de 2009 às 12:33
Porque é uma invenção/convenção burguesa.
Porque pretende subsumir as relações afectivas a relações patrimoniais e de domínio.
Porque é velho e datado na história.


De cristã a 24 de Janeiro de 2009 às 15:42
o meu (casamento) não é nada disso nem me casei por nada disso. Que devo fazer? Ponho-me a gritar, também?


De Romeu a 24 de Janeiro de 2009 às 17:30
"Porque é uma invenção/convenção burguesa.
Porque pretende subsumir as relações afectivas a relações patrimoniais e de domínio.
Porque é velho e datado na história."

Mas se você não gosta não come, ou melhor, não casa. Quem quer casar que se case, não é você que tem de decidir se os obriga ou proibe de casar.


De Romeu a 23 de Janeiro de 2009 às 23:08
Bem, isso é como dizer que, numa altura em que se devia estar a gritar "abaixo o tabaco!" se deveria proibir qualquer pessoa de fumar, e claro, isso não seria perseguir os fumadores.

Quem bom que você acha o casamento uma coisa desnecessário. O que você não vê, ou que não quer ver, é que há por aí muita gente que não pode sequer dizer se quer ou não casar, se acha o casamento necessário ou desnecessário, porque nem sequer duas hipótese dessas tem.

Você pode acha desnecessário, mas isso não lhe dá legitimidade para impôr a sua posição de "desnecessariedade" nos outros.

No fim do seu comentário diz que se os gays querem casar-se por si tudo bem, mas quando se trata de dar essa oportunidade você diz que não. Incoerência e desconsideração pela liberdade dos outros. 2 em 1.


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