O primeiro grande serviço público de 2009 não é o índice de situacionismo de Pacheco Pereira, mas sim o relato do estudo da OCDE sobre a educação, por Carlos Nunes Lopes. Ainda não li o estudo (conto fazê-lo depois de 6 de Fevereiro), mas se o Carlos tem razão estamos perante um case study de propaganda do Governo. Se bem me lembro, em tempos os professores queriam uma "auto-avaliação". O governo não esteve de acordo (e bem) mas não se coíbe agora de se auto-avaliar. Enfim, se a educação se tem lixado é algo que só saberemos daqui a uns anos, quando as crianças lusitanas forem avaliadas juntamente com as de outros países e os resultados comparados com os de anos anteriores. No entretanto, era escusado lixar a reputação da OCDE.
A ser verdade é uma grande trapaça. Venha a análise!
De
Joao a 28 de Janeiro de 2009 às 14:01
"a ser verdade ", LOL!
http://209.85.129.132/search?q=cache:hdOvnWJAaFgJ:www.ps.pt/index.php%3Foption%3Dcom_content%26task%3Dview%26id%3D1109%26Itemid%3D1+OCDE+elogia+ps
De jpt a 28 de Janeiro de 2009 às 11:17
Ainda bem que alguém, neste blog, mantém um mínimo de independência. O silêncio sobre o caso "freeport" e o par de posts laudatórios a Sócrates que se seguiram foram um momento triste.
De J a 28 de Janeiro de 2009 às 11:28
Vale mesmo a pena fazer uma pesquisa no google:
Relatório da OCDE elogia politica de Educação do Governo PS
ver-se-á a versão actual da moticia no site do PS e clickando em cache o que ficou no google da outra versão
De Anónimo a 28 de Janeiro de 2009 às 13:20
este post é inacreditável. com que então o governo contratou quadros da ocde para dizerem bem - e só nessa condição - da reforma do básico? tenha pelo menos respeito pelos quadros.
De HélderEga a 28 de Janeiro de 2009 às 14:18
Um relatório a dizer bem de alguma coisa? Em Portugal? Impossível! Tem que haver marosca!
E que tal ler o relatório (quais as medidas, o que correu bem e mal...) e depois criticá-lo com fundamentação e conhecimento de causa? Nááá .. isso é muito aborrecido. As teorias da conspiração são muito mais divertidas!
De Souquemsabes a 28 de Janeiro de 2009 às 14:34
Proponho que leiam em Causa Nossa:
«Um pouco mais de decência, por Vital Moreira
O deliberado silêncio com que a generalidade da comunicação social -- incluindo a imprensa de referência -- recebeu o relatório da OCDE com uma apreciação muito positiva sobre a reforma do ensino básico entre nós revela uma obscena parcialidade política.
Na altura do lançamento das reformas (encerramento de escolas sem condições, escola a tempo inteiro, aulas de substituição, enriquecimento curricular, formação especial para os docentes de disciplinas críticas, etc.), a generalidade dos media deu todo o espaço do mundo à demagógica contestação política e sindical. Depois, exigiram resultados. Agora, que os resultados foram verificados por observadores independentes, e são positivos, contra as suas expectativas, o que fazem? Em vez de reconhecerem o erro, fazem de conta que nada aconteceu. Se, porém, os resultados fossem negativos, ninguém duvida que fariam manchete! Uma vergonha!
Decididamente, neste País é proibido fazer coisas bem feitas.»
De
f. a 28 de Janeiro de 2009 às 14:36
seria conveniente, vasco, não festejares tanto as confusões que fazes. uma coisa é ter-se apelidado de 'relatório da ocde' um relatório que claramente não é da ocde. convém perceber quem assim o apelidou e retirar daí conclusões e censurar quem merece censura. outra, muito diferente, é dizer que um relatório encomendado a especialistas externos só diz o que quem o pagou quer que diga. é um bocado insultuoso para os autores do relatório e coloca qualquer investigador, seja qual for a sua área, sob suspeita de torcer resultados a favor de quem lhe paga. não deve ter sido isso que quiseste dizer, pois não?
Desde que cheguei a este blogue, sinto que o fluxo que informação que normalmente ia do meu cérebro ao cérebro do leitor e que era veiculado por sinais eléctricos, fotões, palavras escritas, mais fotões e mais sinais eléctricos deixou simlpesmente de funcionar.
1. O que eu escrevo é "a ser verdade". Para o "João", esta ressalva dá vontade de rir, para a fernanda não é sequer tida em consideração. Prefiro fazer a média das duas reacções, o que dá uma reacção sensata.
2. Diz ainda a fernanda: " é um bocado insultuoso para os autores do relatório e coloca qualquer investigador, seja qual for a sua área, sob suspeita de torcer resultados a favor de quem lhe paga. não deve ter sido isso que quiseste dizer, pois não?"
Não, não foi isso que quis dizer. A SER VERDADE que estes investigadores apenas reuniram com estas pessoas
http://31daarmada.blogs.sapo.pt/2136783.html
todas as conclusões qualitativas (que decorrem de impressões fornecidas pelos interlocutores) valem zero e a credibilidade destes investigadores fica prejudicada, obviamente. Seria assim em qualquer circunstância e sobretudo sendo o assunto uma matéria que gerou tanta polémica. Mas daí não generalizo para todos os investigadores, para os juristas ou para qualquer prestador de serviço, como sugeres. Acho de resto absurdo que tires tal conclusão (mas talvez fosse uma pergunta retórica). O que me parece, se me permites, é que, havendo "matéria de facto" , como parece que há (o estudo não foi planeado de forma isenta), devemos concluir que os investigadores fizeram um mau trabalho. Acontece a todos.
3. A referência à OCDE é só uma brincadeira e se a levares à letra concluis que eu acho que o governo lixou a reputação de tal organização, o que me parece uma leitura algo literal do post. Mas é evidente que o Governo não é inocente nesta história e não me refiro a uma colagem ao rótulo OCDE (embora o site do PS tivesse difundido essa ideia). O problema é este: se o estudo está mesmo mal feito e se as falhas no seu design eram tão óbvias, era obrigação do Governo corrigi-lo, fazer de novo antes de o divulgar. No interesse dos cidadãos e do próprio Governo, que assim passa por vendedor de banha da cobra. O viés parece ser tão óbvio, que ou eles foram estúpidos ou estavam a fazer os outros de estúpidos. Isto a ser verdade, que eu (como escrevi) só li o 31 da Armada. Não tenho razões para duvidar do Carlos Nunes Lopes, como à partida não duvido dos investigadores, apenas coloco uma ressalva por a questão ser tão polémica.
Há um princípio geral nas avaliações: mostrar por todos os meios que somos maus e chegar à conclusão que, afinal, somos bons. É isto que faz avançar a ciência. Quando temos uma boa ideia, o primeiro impulso é atacá-la e ver se resiste. Os Governos (e este é particulamente brilhante nisso) fazem o contrário. Isto tem um nome: propaganda. Mas nada disto te soa a novidade, pois não?
De
f. a 28 de Janeiro de 2009 às 15:47
acho interessante que me perguntes retoricamente se o modo de fazer propaganda me é desconhecido quando acabaste de escrever um post em que te baseias nas asserções de outro para declarar que um relatório é mal feito, distorcido, e que o governo o quis fazer passar por um relatório da ocde. e, apesar de não teres lido o estuo, já sabes que não foi planeado de maneira isenta. uau, vasco, que seriedade. e ainda acrescentas: 'não tenho razões para duvidar destes e daqueles'. e eu é que sei como se faz propaganda?
Raios, não me lixes. Digo que não li o relatório e digo "a ser verdade". Quem leia os posts no 31 da Armada percebe que o relatório é suspeito. Eu escrevo num blogue e tenho todo o direito de fazer um post que comenta outro post, bastando para isso que acompanhe o post de todas as ressalvas necessárias. Não faço jornalismo, faço posts. E tu aqui não fazes de Augusto Santos Silva, acho eu.
De
f. a 28 de Janeiro de 2009 às 16:15
não percebo, vasco. estás-me a perguntar se tens o direito de fazer um post? interessante: parece então que tu tens o direito de fazer o post mas eu não tenho o direito de discordar do post e questionar-lhe as premissas, a não ser que queira ser apelidada de augusto santos silva. agora, sim, estou extremamente elucidada.
Tens o direito de fazer o que bem entenderes, não desconverses nem te vitimizes. Tu criticas o post como se o post fosse um artigo de jornal e eu não pudesse escrever sobre aquilo que não conheço. Sucede que o post não é um artigo de jornal e eu tive o cuidado de dizer a informação de que dispunha. Se o link que entretanto destaquei no decorrer desta discussão (e que provavelmente nem te deste ao trabalho de seguir) estiver correcto, assino por baixo tudo o que escrevi: que o estudo é mau e o Governo presta um mau serviço em divulgá-lo (e deixemos a OCDE de lado, que era floreado e não a substância do post). Um contributo substancial seria mostrares que aquela lista está correcta ou está errada. Andares aqui com acusações de comportamentos miméticos é que não leva a lado nenhum (que eu falo de propaganda quando faço propaganda, que eu dou mostras de me sentir censurado e depois tento censurar-te... por favor). Se quiseres continuamos neste ping-pong. É tão fácil como aborrecido. Por exemplo: tu leste o estudo? (é pergunta retórica). E agora, se me permites, volto aos meus afazeres, que isto também explica não ter lido o raio do estudo.
De Souquemsabes a 28 de Janeiro de 2009 às 18:30
O relatório de peritos da OCDE refere as Câmaras de Guimarães, Gondomar, Santo Tirso, Amadora, Ourique, Lisboa e Portimão. O 31Armada diz que são todas do PS. Mas o relatório identifica pelo nome as pessoas que foram ouvidas nessas Câmaras (serão todos militantes do PS?), assim como refere as pessoas de muitas outras entidades (Fenprof e FNE, incluídas). Será que a referência do 31Armada é tendenciosa?
Fernanda,
consta que era assim que aparecia no site do PS. Esta aqui não tem muito que se lhe diga: o governo fez propaganda descarada e tomou-nos todos por parvos. Infelizmente, começa a ser demasiado frequente.
De
f. a 28 de Janeiro de 2009 às 15:10
joão, não 'consta'. era assim que estava no site do ps, segundo a cache. vi isso antes de escrever o comentário. não faço ideia de quem faz o site do ps e com base em quê -- aquilo que lá estava era uma 'notícia' sobre a apresentação, igual a todas as que apareceram nos jornais e tvs, e até nos sites de professores. se leres o meu comentário com atenção, o que está lá escrito é que é preciso perceber como surgiu o apodo. se se chegar à conclusão de que foi o governo, através do pm ou de outro representante, a chamar 'relatório da ocde' a um relatório que não é da ocde, temos todos os motivos para nos indignarmos com o governo ou com do governo o fez. achar que o que aparece no site do ps foi escrito pelo pm ou pela ministra da educação é q é um bocadinho tonto e propagandístico. desculpa lá a mania do rigor -- vê-a como uma deformação profissional, se quiseres.
De
Joao a 28 de Janeiro de 2009 às 16:01
Vasco, não foste tu a dizer "a ser verdade", foi o MVA.
Assim sendo, o LOL não era para ti, era uma resposta ao Miguel Vale de Almeida.
O Governo do PS encomendou um relatório cujas conclusões lhe são favoráveis. O PS anunciou que o relatório é da OCDE. Não há cá "a ser verdade"'s para isto a não ser que se queira levar a "suspensão do descrédito" a extremos estratosféricos.
Lendo aqui os comentários, acho também interessante esta tática de terra queimada: Para salvar a face no caso, os arautos do PS descredibilizam o site oficial do partido como fonte fidedigna de comunicações deste.
A mensagem que passa é : "Senhores jornalistas e público em geral: não acreditem no que está escrito no site do PS." Uma excelente tática, sim senhor.
De ds a 28 de Janeiro de 2009 às 16:57
O que é um «bocadinho» tonto é pensar, ou dizer, que seria preciso o pm ter escrito o que apareceu no site, para se declarar que há intenções propagandisitcas e manipulação descarada, por parte do mesmo. Porque o que foi escrito é o que é suposto o pm poder dizer para construir e anunciar a sua imagem de grande «reformista»que só pensa em melhorar a qualidade dos serviços públicos...
De ds a 28 de Janeiro de 2009 às 16:28
«o governo fez propaganda descarada e tomou-nos todos por parvos»
Mas qual é a novidade, afinal?! Que este governo se apoia, desde que iniciou funções, na propaganda barata, na manipulação, e anda a fazer-nos a todos de parvos é uma evidência. Mas, felizmente, está a tornar-se tão frequente que a máscara já não engana ninguém, ou quase ninguém.
A este propósito refira-se aquilo que ontem disse Freitas do Amaral na SIC e a propósito da estratégia do governo. Disse ele que o plano deste governo consistiu em por as contas do Estado em ordem, sendo que para isso iria atacar os «privilegiados» da nação (ou seja, os funcionários públicos). Mas o que a tal propaganda andou a vender, ao longo destes anos, foi a ideia de que era preciso «modernizar» e melhorar a qualidade dos serviços públicos (como a educação e a saúde). Como sempre esteve à vista o único objectivo era o de diminuir as despesas desses mesmos serviços públicos.
Vasco M. Barreto, não foste tu a escrever " a ser verdade", foi o Miguel Vale de Almeida. Foi a ele que respondi e era para ele o "LOL".
O PS encomendou um relatório, esse relatório foi-lhe favorável, e anunciou-o através dos seus meios como sendo um relatório da OCDE. Não há cá "a ser verdade"'s para isto, a não ser que já estejamos a esse nível de "suspenção do descrédito".
Foi o Miguel que usou a expressão, João, mas o Vasco também escreveu "mas se o Carlos tem razão".
(não foi o PS quem encomendou o dito estudo que, sem quaisquer dúvidas, não é da OCDE)
De
João a 28 de Janeiro de 2009 às 18:40
Peço desculpas pelo comentário duplicado. Pensei que este não tinha passado. No outro digo "O Governo do PS encomendou ..."
De
João a 28 de Janeiro de 2009 às 16:24
A credibilidade dos comunicados de imprensa do gabinete de comunicação do ministério da educação, que emite os press-releases, também é para queimar ? (http://arrastao.org/ficheiros/agenda.pdf)
Já faltou mais para se dizer "se não for o PM a dizê-lo pessoalmente, não é fidedigno " ...
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