Com o mesmo ímpeto com que os de outrora acorriam aos autos de fé, lá vai o portuguesinho de hoje correr comprar a Visão, comentar aqui, comentar ali, dizer que aquele nunca me enganou. E depois são as montanhas que parem ratos, queixam-se - pois se a acusação, julgamento e condenação populares se fazem à leitura da primeira parangona sangrenta. E a antecipação destemperada de cenários, senhores, essa ejaculação precoce de que o povo luso padece. E o temor reverencial pelos ingleses, aquele dobrar de espinha, aquele para inglês ver que nos está no sangue. Enfim, nada que me espante. Apenas gostava que, por uma vez, a coisa fosse diferente. Esperarei sentado, claro.
De cristã a 29 de Janeiro de 2009 às 13:02
por favor, assim é que não. Não se começe agora a dizer que a culpa é dos portugueses porque somos um povo de merda. É um erro subestimar a capacidade do 'portuguesinho' para avaliar o que se está a passar. tenha calma, e tente não voltar a ejacular antes de tempo.
De António Parente a 29 de Janeiro de 2009 às 13:34
Muito bem.
Pelo respeito que você me merece evitarei comentar a última frase do seu comentário. Quanto ao resto, a avaliação do que se está a passar cabe aos tribunais. Apenas.
Esta treta de comentários é assim - a minha resposta era para a cristã.
De cristã a 29 de Janeiro de 2009 às 15:35
agradeço-lhe o respeito. o mesmo lhe deviam merecer os portugueses. E generalizar, é sempre uma enorme falta de respeito. E uma arrogância. O que neste caso, em particular, só prejudica a defesa da sua dama.
E qual entende que seja a minha dama, cristã? Já agora, cristã, e não lhe soará estranho, até parece que nomeei os portugueses um a um. Leia lá o texto com outra disposição.
De cristã a 29 de Janeiro de 2009 às 15:46
dama? a justiça aos tribunais, ou há outra?
Quanto aos portugueses, antes nomeasse. É que assim, com generalizações, o labéu cai sobre todos. ora assim, corre-se o risco da calúnia infame ou não?
Cristã:
Nem vale a pena continuar, eu pintei um quadro verde, você insiste que lá pus vermelho. Quanto à calúnia infame, nem sei que lhe diga - ler o meu texto dessa forma é como acreditar que um confronto entre leões e águias tem lugar no zoo.
De cristã a 29 de Janeiro de 2009 às 16:58
estava só a dar um exemplo de como é recorrente cair no julgamento fácil. ah, claro, o problema é sempre do receptor. Sou daltónica. Ok.
De cristã a 29 de Janeiro de 2009 às 17:17
se bem que tem razão num ponto. o respeito merece-se. Sendo assim, não se agradece.
para um de blog de profissionais da indignação nãoi está nada mal.
j
De
jorge c. a 29 de Janeiro de 2009 às 13:26
Rogério,
"a antecipação destemperada de cenários" é feita nos jornais, revistas e aqui, na blogosfera. E é por todos os lados. Mesmo assim acho que há muita contenção.
Eu compreendo o que quer dizer e até posso concordar consigo, mas será sempre num campo quase filosófico. Ou seja, eu não posso obrigar as pessoas a serem pacientes e esperarem que as instituições funcionem e que os processos avancem em conformidade com os princípios de justiça sem debitarem uma opinião. As pessoas são livres de ter uma opinião sobre este assunto e de a manifestarem. Se a opinião é a da acusação, é porque não têm confiança nos seus governantes ou a frustração de uma crise torna mais fácil a imputação de condutas menos próprias.
O Rogério não é mais nem menos que estas pessoas, porque também tem a liberdade de ter uma opinião e de a demonstrar aqui como acabou de fazer. Faz parte de nós. Todos "padecemos dessa ejaculação precoce".
Chateia-o que não haja qualquer respeito pela honra das pessoas e pela estabilidade num período tão difícil? Também a mim. Mas isso não pode fazer com que adoptemos uma postura de censura da opinião alheia.
"Chateia-o que não haja qualquer respeito pela honra das pessoas e pela estabilidade num período tão difícil?"
Exacto, Jorge, é mesmo isso. Quanto a não podermos adoptar uma posição de censura, não concordo. Da mesma forma como se cagam sentenças nos cafés, eu posso censurar essa forma de fazer justiça. Ejacule-se precocemente, pois sim, mas que isso não afecte a Justiça na qual eu ainda acredito.
De
jorge c. a 29 de Janeiro de 2009 às 15:13
Sim, mas essa censura é em si mesmo um "cagar de sentença" (eu adoro a expressão caga-verdades). Como tal acaba por se estar a criticar a si próprio e a todo o conceito de liberdade de expressão. Não sei se me faço entender.
É por isso que a função dos jornais e das pessoas com responsabilidade na opinião pública deve ser contida e sensata, e não emotiva e embriagada. Porque a dos políticos parece-me que está a ser muito positiva e respeitadora.
Faz-se entender, sim, mas não acho que tenha razão. Se o desmando é tal que se pede contenção, esse pedido não é um desmando.
Quanto ao segundo parágrafo: assino por baixo, embora pelo andar da carruagem, à excepção do PS, todos ganham em estar calados. Vamos ver os próximos capítulos.
De
Hernas a 29 de Janeiro de 2009 às 16:07
Quem reclama do "pão que o Diabo amassou?" Não é primeira que se faz estes (neo) autos-de-fé e, desde à muito tempo, que vejo muita boa e má gente a ser "queimada" e "santificada" no "pelourinho" ou no "altar" da comunicação social e espaços de discussão. Agora, não acho que José Sócrates seja diferente dos outros mortais. Quer gostemos ou não! Nada é diferente. Simplesmente, notícias. Aquilo que o povo gosta e dá de comer a muita gente!
De antónio borges a 29 de Janeiro de 2009 às 17:24
exactamente. para quê antecipar cenários? para quê ter pressa? calma. muita calma.
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