A pose arrogante e as tiradas indignadas de Sócrates no parlamento são do pior que este governo nos tem dado. Desta vez, a desculpa foi o estudo da pseudo-OCDE, que levou Sócrates a responder à intervenção de Paulo Rangel com um 'tão previsível' e 'os senhores não suportam o sucesso do país'. Esta sobranceria e o desrespeito por toda e qualquer crítica já cansam e têm de ser corrigidos. E deviam ser os seus apoiantes os primeiros a dizê-lo: Sócrates tem de deixar de desconversar —é isso que faz até à exaustão: desconversar — e tem de mostrar o mínimo de respeito para com as intervenções dos seus adversários. Neste caso da diz-que-é-uma-espécie-de-OCDE, a patranha é por demais evidente. Só não vê quem não quer (ou não pode). Que ao primeiro-ministro lhe custe admitir o óbvio, até se percebe — para mal dos portugueses, ele faz aquilo a que se convencionou chamar 'luta política. Mas, acho eu, ainda existe uma diferença entre retórica parlamentar e pura desonestidade. E, sem meias palavras, o que se viu ontem foi claramente do segundo tipo. Sócrates tem de perceber que, quando age daquele modo, não está apenas a atacar os seus adversários; ele está a tratar todos os portugueses como se estes fossem idiotas.
De HélderEga a 29 de Janeiro de 2009 às 13:57
Desconversar é não falar do conteúdo do relatório (por não ser conveniente), mas sim da forma (correcta ou não, para mim foi mais inabilidade que outra coisa) como foi apresentado.
Helderega,
O estudo foi encomendado, pago, editado e impresso pelo Governo. Para esse estudo, foram consultados quatro peritos, todos eles militantes do PS ou muito ligados ao Partido. E foram consultados sete municípios, sendo que seis são do PS e um, Gondomar, do elogioso-para-o-Governo Valentim Loureiro. Acha que um estudo feito desta forma merece alguma credibilidade?
De
Lourenço a 29 de Janeiro de 2009 às 14:14
É isso mesmo.
De Raquel a 29 de Janeiro de 2009 às 14:19
O fim está perto.
Agora é so ver os ratos a saltar borda fora á procura de outras caves.
Vês, João? Em política o timing é tudo.
De
GL a 29 de Janeiro de 2009 às 14:29
A todos não, só alguns... aqueles que merecem.
Permita-me discordar. O melhor de Sócrates é a sua postura no Parlamento.
A não ser que se queira novamente o estilo Guterres.
De
jorge c. a 29 de Janeiro de 2009 às 14:33
João Galamba, durante 3 anos Sócrates fez isto constantemente, mas provavelmente o João, com algumas das coisas, até concordava e não ligou. É normal, acontece-nos a todos.
Mas, de facto, é de estranhar que toda a oposição, à excepção do insistente PCP, tenha optado pela pergunta rápida e directa há já bastante tempo. Essa situação levou que não restasse a Sócrates outra solução que não o ataque grosseiro e sem nexo.
Hoje, apertado por uma série de trapalhadas, a coisa é ainda mais evidente e o povo começa a sentir aquilo que os deputados que nos representam (bem ou mal, não interessa) sentiram - o insulto à sua inteligência.
De Luís Lavoura a 29 de Janeiro de 2009 às 14:33
Concordo. O primeiro-ministro é de uma arrogância insuportável e no parlamento passa o tempo todo a desconversar, desprestigiando aquela casa.
Mais arrogantes do que José Sócrates, só conheço mesmo a Fernanda Câncio e o João Pinto e Castro.
Agradeço pela parte que me toca.
De helena pacheco a 29 de Janeiro de 2009 às 14:55
Mas a ida ao parlamento nâo era para DEBATER a situação económica ?
De Aquasky a 29 de Janeiro de 2009 às 15:00
João Galamba,
Este post vem tarde. Acaso, Sócrates seguisse doravante o teu conselho, toda a gente diria que ele só estaria a ser menos arrogante porque o caso freeport o fragilizou. Agora, o conselho que se impõe é: continue a ser arrogante.
A mim não cansa, e espero que Sócrates tb não se canse.
Quando me canso, tento descansar. E o descanso até é bom conselheiro.
Vou descansar e, se tivesse o relatório à mão, até aproveitaria para o conhecer. Para poder falar dele, fosse ele a cores ou a preto e branco. A questão da cor deixaria para gente mais competente.
De
Valupi a 29 de Janeiro de 2009 às 15:42
Galamba, não há memória de nenhum primeiro-ministro que tenha respeitado mais o Parlamento do que Sócrates. Mesmo a um ritmo quinzenal, que nunca antes tinha acontecido, a consistência da qualidade argumentativa do Primeiro-Ministro foi tanta que deixou de ser surpresa ver todos os opositores não só vencidos como espancados. Confundes o estilo com a substância, e ignoras a justeza de se sovar a hipocrisia cívica, a manipulação da informação e a cegueira ideológica.
A tua opinião é, política e etimologicamente, idiota.
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