Será que anda por aí alguém que me possa esclarecer sobre quais são os mecanismos de controlo do voto por correspondência nas eleições portuguesas?
As nossas experiências pessoais tendem a influenciar a forma como olhamos para as coisas e, nesta questão, confesso-me profundamente preconceituosa. O meu único contacto pessoal com votos por correspondência tem na base o sistema eleitoral francês porque em minha casa viveu um cidadão dessa nacionalidade. Como qualquer pessoa "normal" (eu sei que há gente muito certinha mas, convenhamos, são uma minoria) não informou de imediato a Embaixada de França quando deixou de cá viver... e eu continuei, durante anos, a receber o boletim de voto e só não votei por ele porque não quis (confesso que quase me arrependi de levar a sério estas coisas da cidadania e tal numas célebres eleições presidenciais em que Le Pen passou à segunda volta).
P.S. - Se bem entendi - pelo que li nos media - um dos fundamentos para o veto presidencial é o abstencionismo que a lei potenciava. Singelamente pergunto se essa evidente consequência não poderia ser ultrapassada pensando-se a sério na alternativa voto electrónico.
De fernando antolin a 4 de Fevereiro de 2009 às 09:02
Ele não juntaria,num outro envelope,qualquer elemento(fotocópia) de identidade,cartão de eleitor ou assim? Confesso que também não sei,mas a Embaixada de França deve poder dizer. Já agora,porque raio só ao fim destes anos todos e sem que ,aparentemente, tenhamos conhecimento de fraudes generalizadas no processo de voto por correspondência,deram em marrar com a coisa ??
De
Shyznogud a 4 de Fevereiro de 2009 às 09:09
Nope, mas mm se fosse esse o caso eu poderia ter cópias dos documentos dele, certo?
Q eu saiba o voto por correspondência nunca foi um assunto pacífico, não é de agora o "marrar com a coisa". De toda a maneira o que eu queria mesmo era arranjar alguém q me tirasse os preconceitos.
De fernando antolin a 4 de Fevereiro de 2009 às 09:16
Bom algum mecanismo haverá.J'espére...sinceramente não tenho muito presente grande contestação ao nosso voto por correspondência,mas pode ser que sim.
Arranjar alguém que lhe tire preconceitos,bom se os tiver em relação a sujeitos arraçados de espanhol,com a mania que cozinham bem,mais ou menos conservadores,que comentam em blogs "á trois" em parelha com o Jorge C. ,pois talvez me candidate ao lugar...:-)
Ps - sou lavadinho e bom rapaz,com as melhores das intenções,um aeroporto inteiro abona por mim.:-))
De
Shyznogud a 4 de Fevereiro de 2009 às 09:21
Se estivesse lá do outro lado dizia-lhe já: q raio, e ter más intenções é assim tão mau? ;-)
De fernando antolin a 4 de Fevereiro de 2009 às 09:30
Beijo,ao de leve,as suas mãos !! ;-)
De pacóvio a 4 de Fevereiro de 2009 às 09:15
voto electrónico, a sério? trocar voto por correspondência pelo buraco negro de fraudes que tem sido o voto electrónico?
seriously? (e não sei tambem que mecanismos de controlo tem o voto por correspondencia mas nada deve ter um historial tão mau como o voto electrónico)
De
Shyznogud a 4 de Fevereiro de 2009 às 09:19
Se calhar tem razão e o meu não preconceito com o voto electrónico é porque, ao contrário do outro, nunca tive contacto com ele.
Neste post estou em regime de "pensar alto", como é capaz de ter reparado.
De Luís Lavoura a 4 de Fevereiro de 2009 às 10:11
Pergunto-me como é que o voto eletrónico pode ser tão sujeito a fraudes, se até os bancos hoje em dia dão aos seus clientes meios eletrónicos para fazer coisas importantes como pagamentos e transferências.
Luís Lavoura,
As fraudes bancárias online são imensas. Imensas. Falo com conhecimento de causa. Se as pessoas tivessem noção dos perigos que correm há muito que tinham posto de lado o home banking.
De pacóvio a 4 de Fevereiro de 2009 às 16:00
a segurança dessas operações depende da identificação de ambas as partes e se manter um registo de quem fez o quê para detectar e corrigir eventuais abusos.
Isso não é compativel com o voto secreto em democracia.
(ps: um bom documentário sobre o tema (infelizmente so do cenário americano, mas para dar um exemplo das maravilhas da tecnologia ainda no outro dia foi rectificada uma eleiçao na finlandia (municipal se bem me lembro) onde uma falha do sisteam de voto electronico apagou 2% dos votos sem serem contados)
http://video.google.com/videoplay?docid=-4762159260759486531
De Luís Lavoura a 4 de Fevereiro de 2009 às 10:11
Pergunto-me como é que o voto eletrónico pode ser tão sujeito a fraudes, se até os bancos hoje em dia dão aos seus clientes meios eletrónicos para fazer coisas importantes como pagamentos e transferências.
De Anónimo a 4 de Fevereiro de 2009 às 11:19
é controlo, não é controle... bom dia!
De
Shyznogud a 4 de Fevereiro de 2009 às 11:23
Tem toda a razão, obrigada
De fernando antolin a 4 de Fevereiro de 2009 às 12:11
Caramba,que Zé-perfeitinhos...
De Miguel Ângelo Pinto a 4 de Fevereiro de 2009 às 12:29
Desculpe a história do «controle/controlo» ter saído anónima. Calhou mal ao submeter... Melhores cumprimentos.
De B. Tavares a 4 de Fevereiro de 2009 às 14:49
Disse bem o Presidente da República que nunca houve qualquer queixa de fraude. Há fraude? Pode sempre, em qualquer sistema, em qualquer coisa, haver fraude. O que quer fazer? Acabar com as eleições? Afastar o voto dos inconformados - da gente que saiu daqui para ter uma vida melhor e que envia para aqui milhões (pouco falados, mas que se comparam aos fundos da UE) - que teriam de andar muitas centenas de kilometros para irem votar? Em todas as democracias há voto por correspondência.
De Andre C a 4 de Fevereiro de 2009 às 16:24
Estão muito preocupados com quem vota, mas 65 dias antes de qualquer eleição é proibido um cidadão recensear-se.
Sendo que claramente este seria o periodo em que mais gente estaria interessada em se recensear pergunto me se isto não é uma regra contrária á lógica democrática??
E dado que vivemos num país de gente preguiçosa e que se abstem de votar porque está a chover ou a fazer sol, pergunta a MJ muito bem: porque raio não se pode votar online?
De Paula Telo Alves a 4 de Fevereiro de 2009 às 21:05
Maria João, o que me parece mais extraordinário neste diploma que o PR vetou (a meu ver, muitíssimo bem) é que, em paralelo com o encerramento de Consulados em França, não ocorra melhor ao deputado socialista autor do projecto que acabar com o voto por correspondência, SEM, note, propor qq alternativa - como por exemplo o voto electrónico, a que declaradamente se opôs quando o projecto foi discutido na AR. É fabuloso: os imbecis dos emigrantes que se amanhem e que façam centenas ou mesmo milhares de km para votar (porque quem sai do país há-de ter de provar o seu amor à pátria em repetidos actos de contrição, como deslocar-se 700 km para exercer o dto de voto). E é se querem, porque o que é preciso e realmente necessário, perante tanta e tão reiterada fraude eleitoral (zero casos registados, diz o PR), é preservar a sagrada "dignidade do voto presencial"; entretanto, os 5 milhões de portugueses que andam cá fora a lutar pela vida que continuem a mandar o dinheirito e não levantem cabelo. A manobra é tributária da mais completa esquizofrenia: cá fora, os governantes portugueses desdobram-se em contactos com as comunidades para prosseguir a doutrina da diplomacia económica e captar as divisas dos emigrantes; aí dentro, fecham-se portas sem sequer abrir janelas. Não há realmente paciência.
Essa causa n se defende, MJP. ´
Era um Ultraje ao Português-emigrado.
Balelas, filha-da-putice do costume! Não passa de descarada chapelada eleitoral, na melhor tradição do Costinha da 1ªe e miserável república da Formiga Branca e dos cortes nos cadernos eleitorais. Pouca vergonha.
Os emigrantes foram durante anos, o móbil para todas as manifestações de sentimentalismo, por vezes roçando a mera pieguiçe de uma ou outra canção "pimba" a apelar à lágrima fácil. No alvorecer do regime de Abril, eram facilmente conotados com um muito improvável antifascismo de oportunidade, exaltando-se lutas, saltos além-fronteira, casas de lata arduamente transformadas em HLM do subúrbio parisiense. Tiveram o estatuto de heróis anti- salazaristas, servindo até como cortinas de fumo ou biombos políticos que ocultaram ou justificavam casos de deserção ou de refractários burgueses que fugiam ao serviço militar. No entanto, mais importante que tudo isto, os emigrantes significavam dinheiro, numa economia devastada por loucuras nacionalizantes, saneamentos de competências, liquidação da iniciativa privada e total descrédito no exterior. Milhões escorriam para os cofres do Estado, trazendo preciosas divisas depositadas numa banca ainda em grande parte nacionalizada durante o PREC. Os emigrantes parcialmente substituíam o perdido Império e ao enviarem dinheiro para Portugal, contribuiam também de forma bastante visível, na solvência de pequenas empresas pertencentes a seus familiares que por cá ficaram: construção civil, hotelaria, transportes, eis alguns exemplos de como o seu dinheiro serviu para criar empregos, alimentar famílias e fixar populações em desalvorada fuga das localidades do interior.
Aburguesando-se, conhecendo outras realidades democráticas muito mais consistentes que aquela vivida no luso torrão, tornam-se incómodos. As donas Deolindas e os senhores Zés, vão sendo sucedidos pelos filhos e netos, muitos deles formados e com conhecimentos muito acima da média dos seus compatriotas portugueses. Não é fácil enganá-los e participam activamente na política francesa ou do país onde se fixaram. Concorrem às Câmaras e juntas de freguesia locais, participando também nas agremiações de comércio e de indústria e no precioso tecido de pequenas e médias empresas que dinamizam a economia. Para o regime de Lisboa, tornaram-se incómodos, pois fazem orelhas moucas às velhas cantilenas e aos kiri-ki-kis de outrora. exigindo garantias e testemunhos de competência. Impacientam-se e reclamam contra a inactividade da burocracia, dos ICEP's e das embaixadas que entre um croquete e um sarau, vão desperdiçando os dias num doce fare niente. Estes emigrantes enriquecidos, mais vivos e interessados, visíveis na ciência, academias, no cinema ou no empresariado, deixaram de interessar. A esquerda no seu sentido mais lato, tem medo deles, rejeita-os por neles já não reconhecer as pobres mulheres semi-veladas e de negro cobertas dos pés à cabeça e os homens de boné, invariavelmente taxistas ou pedreiros. As caras patibulares e olhar medroso, deram lugar a gente cheia de iniciativa e confiante nas suas próprias capacidades. Aos paridores de leis, não lhe agrada nada a visão destas Simone e Gwenola ou os Patrick que substituiram as Sãozinhas ou as Amparo dos anos 60. Bem maquilhadas, bem vestidas e penteadas, assustam. Os antigos meninos ranhosos que deram origem a pequenos empresários de sucesso, já não servem para os promotores deste neo-realismo tardio que ainda vinga a ocidente. Esta é a VERDADE e não vale a pena tentarem convencer do contrário.
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