Vi ontem Vasco Pulido Valente na televisão. O historiador esteve 4 minutos - uma eternidade no horário nobre - a meter os pés pelas mãos, quando teria sido mais rentável admitir que não havia percebido para que serve um testamento vital, mas pode ter sido só uma impressão minha. Gosto de ver Pulido Valente como comentador. Ao pé dos martelos pneumáticos falantes que são Vitorino e Marcelo, ver naqueles palanques um senhor que gagueja como nós, repisa argumentos como nós e, por lapso, diz coisas impróprias para cardíacos como "a partir de 5 milhões [judeus], mais milhão menos milhão não faz diferença" (cito de memória), justamente quando estava a destrunfar os negacionistas, é um sinal da vitória do conteúdo sobre a forma. Ou da vitória de uma certa autoridade construída com base no conteúdo, para ser mais rigoroso. Estamos todos de parabéns.
Ao contrário de ti não gosto mesmo nada de ver VPV como comentador. Há vezes em que chega a ser constrangedor, como ontem, quando ele e a sua interlocutora fizeram a figura triste q referiste a propósito do testamento vital. Como já escrevi algures tal manifestação de ignorância ainda se admitia se o tema tivesse surgido por acaso na conversa. Ora tal não foi o caso, era um tema pré- estabelecido e um mínimo de preparação era exigível nos comentários... aquilo não é propriamente um fórum da tsf. Ou é?
De Paula Telo Alves a 7 de Fevereiro de 2009 às 16:05
Não vi o VPV mas gostei muito deste post: ultrapassado o constrangimento habitual de o ver meter os pés pelas mãos (suponho que o oposto da "Schadenfreude"), é reconfortante constatar que mesmo nos cérebros mais desenvolvidos, a distância que vai das ideias à sua expressão pública não é uma linha recta entre dois pontos, nem os dotes oratórios para todos.
De Cecília a 7 de Fevereiro de 2009 às 16:36
E a Paula também acaba de meter os pés pelas mãos ao meter-se com a matemática. O que a Paula queria dizer era "o comprimento do segmento de recta que une dois pontos" ou, melhor, "a distância entre dois pontos" porque uma recta não está entre dois pontos uma vez que não tem princípio nem fim.
De Paula Telo Alves a 7 de Fevereiro de 2009 às 17:55
Eu queria dizer isso? I amaze myself. (E já estou habituada a meter os pés pelas mãos.)
De Pi-Erre a 7 de Fevereiro de 2009 às 16:22
"a partir de 5 milhões [judeus], mais milhão menos milhão não faz diferença"
Esta frase de VPV não pode ser interpretada fora do contexto em que ele a proferiu. Seria injusto.
A ideia que ele transmitiu, cito de cor, é que PARA SE CONSIDERAR HOLOCAUSTO, mais milhão, menos milhão, não diminui a carga criminosa que foi o HOLOCAUSTO.
De
Catarina a 7 de Fevereiro de 2009 às 16:22
Confesso que me causa uma certa angústia ouvi-lo. Dá-me sempre a sensação de que tem alguma coisa entalada na traqueia ou de que lhe estão a falhar as pilhas - sem qualquer desprimor pelo que diz, mind you, é mesmo a voz que me faz confusão...
De Cecília a 7 de Fevereiro de 2009 às 21:30
Pois é Paula, afinal quem trocou os pés pelas mãos fui eu! Também começo a habituar-me a que isso aconteça. As minhas desculpas.
De Paula Telo Alves a 7 de Fevereiro de 2009 às 22:07
No harm done (eu não percebo nada de Matemática e estava preparada para tomar a sua recta infinita por boa).
De Joaquim Fernandes a 7 de Fevereiro de 2009 às 23:06
Muito bom post! O senhor de facto fala para dentro e gagueja. No entanto, a TVI, que como todos sabemos é líder de audiências e não brinca em serviço, decidiu contratá-lo. Vasco Pulido Valente ainda é das poucas pessoas que não temem dizer o que REALMENTE pensam.
Já agora, recebi este link hoje e julgo que devo partilhá-lo uma vez que diz respeito a todos quantos gostam de jornais e os consideram importantes para democracia. http://www.petitiononline.com/defesadn/petition.html
Então tu dizes noutro dia que nunca vês televisão, e agora queres um plasma? Para que é que um tipo que nunca vê televisão quer um plasma? Compra um televisor normal, de raios catódicos, no LiDL ou no Rádio Popular, que para veres o VPV chega perfeitamente! Não me digas que também és freguês do Corte Inglês! Lá de facto só deve haver plasmas.
(Uma vez o Re21 chamou-me "esquerda ecrã de plasma". Eu não fazia a menor ideia do que era um ecrã de plasma. Tive de ir investigar para perceber o qualificativo.)
Comprei mesmo um, Filipe. Nem te digo o tamanho da diagonal, é absurdamente pornográfico.
Caro Filipe,
Para ver tv os plasmas não prestam pois acaba tudo esticadinho (a emissão ainda é 4:3...); mas para cinema em casa não há melhor (a resolução dos beamers é baixinha).
No comentário atrás esqueci-me de explicitar que o Re21 é o autor do blogue "Navego Logo Existo" - o preferido do Luís Rainha.
Vasco, pois faz-lhe bom uso!
Dorean, é possível. A mim basta-me algo que dê para ver ficheiros DivX...
De Cecília a 8 de Fevereiro de 2009 às 20:08
Paula,
tome por boa a minha recta infinita. Não foi aí que me baralhei. Quando li o seu comentárip é que troquei tudo. O que a Paula queria dizer era que "o percurso não é linear" mas "sinuoso", né? E a mim deu-me para ir falar de distâncias...
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