Por impossibilidades pessoais não acompanhei com atenção a Convenção do Bloco de Esquerda, pelo que decidi "ir passear por aí". Ainda não acabei o périplo mas, desde já, realço este texto do Bruno Maia, em particular as duas frases que para aqui transcrevo, uma sobre cuidados paliativos - "Esta é uma batalha à qual a esquerda não pode fugir: o reforço dos cuidados continuados e paliativos que assegurem a qualidade de vida e o conforto dos nossos doentes terminais" - e outra sobre eutanásia - "O direito à morte assistida é um direito que nos restitui a autonomia e a capacidade de decidirmos sobre nós mesmos, sobre a nossa vida, sobre o nosso corpo. O direito à morte assistida garante-nos mais respeito pela nossa história individual.".
Mais uma vez relembro que, ao contrário do que muitos querem fazer crer, a eutanásia e os cuidados paliativos não são mutuamente exclusivos. Em meu entender, aliás, são duas maneiras de pugnar pela dignidade da vida.
De fernando rosa a 8 de Fevereiro de 2009 às 20:17
a dignidade da vida acima de tudo. tive a oportunidade de passar no areiro por alguns instantes, e de ser na hora exacta do discurso do Bruno Maia. O bloco continua a apostar nos direitos humanos e liberdades individuais, como uma prioridade,
mas enquanto o direito á dignidade e a vida fizer parte de progrmas políticos significa que as coisas não estão bem, que ha quem tenha de trabalhar para conseguir valores tao simples como os da liberdade
De Luís Lavoura a 9 de Fevereiro de 2009 às 09:57
"O bloco continua a apostar nos direitos humanos e liberdades individuais, como uma prioridade"
Em matéria de liberdade económica o Bloco é uma desgraça.
Como se percebe, Luís Lavoura, esse não é o meu ponto neste post.
PS: Não tenho qualquer conflito de interesses porque não tenho filiação partidária.
De Cam a 9 de Fevereiro de 2009 às 08:42
Os cuidados paliativos são caros, a eutanasia permite poupar dinheiro. No mundo aonde o dinheiro é senhor e rei não admira pois que exista muito mais pressão para promover a eutanasia que os cuidados paliativos.
A maioria de nós virá a estar em situação de precisar de cuidados paliativos. Claro que se não os tivermos é muito mais provavel pedirmos para morrer, o que é muito mais barato.
Legalizar a eutanasia sem termos niveis minimos de cuidados paliativos implementados é colocar o carro à frente dos bois, nunca mais iremos ter os cuidados paliativos. Estes ficarão reservados para quem os puder pagar. Os outros que peçam para morrer.
Sem cuidados paliativos e com eutanasia legal, teremos muitas situações em que os doentes serão pressionados, explicita ou implicitamente, a pedirem a eutanasia. Principalmente para pouparem dinheiro ao estado e aos familiares.
Deixe-me só recordar-lhe que nunca, como agora, os cuidados continuados e paliativos mereceram tanta atenção no nosso país, o que não implica que haja, ainda, muito por fazer. Usar argumentos económicos nesta discussão é desconversar.
De
Shyznogud a 9 de Fevereiro de 2009 às 10:08
"que não haja" queres tu dizer.
Sim, claro, faltou-me o "não". Obrigada.
De
m&m a 9 de Fevereiro de 2009 às 10:36
os cuidados paliativos e a eutanásia deviam ser complementares. Os primeiros, embora imprescindíveis, não resolvem alguns sofrimentos, convicções e visões do mundo; nem resolvem casos como os da Eluana. E argumentar com a componente económica é ignorar que a eutanásia, onde foi legalizada, tem procedimentos rigorosamente supervisionados por comissões de médicos independentes.
De Cam a 9 de Fevereiro de 2009 às 10:56
Só se a lei Holandesa mudou. A não ser que 2 médicos cheguem para formar uma comissão.
Claro que a economia tem um papel preponderante deste debate. Por alguma razão cerca de metade das pessoas que morrem precisam de cuidados paliativos e apenas 5 % têm acesso a eles. É por diversão que isto acontece ou por razões economicas?
De
Shyznogud a 9 de Fevereiro de 2009 às 11:05
Não se estará a esquecer de equacionar outra coisa, Cam? Até há muito pouco tempo entendia-se que o objectivo da Medicina era, quase exclusivamente, CURAR. Um bom exemplo disso mesmo foi a pouca atenção dada, até há pouco, à dor (a dor per se). Só com uma alteração de, hum, paradigma, chamesmos-lhe assim, os cuidados paliativos ganharam relevância.
De
m&m a 9 de Fevereiro de 2009 às 11:23
Ninguém está contra os cuidados paliativos, que deviam ser o mais possível generalizados. O que se pede é que haja possibilidade de escolha. O cam é contra a eutanásia, está no seu direito de «escolher» como quer morrer, não pode é querer impor a sua visão do mundo/filosofia/religião à forma como eu, m&m, se tiver necessidade, escolher acabar.
De
m&m a 9 de Fevereiro de 2009 às 11:07
acompanhei pelo seu blog (link abaixo) o caso de Jorge León Escudero, pentaplégico . Foi encontrado morto 2 dias após o seu último post. O galego Rámon Sampedro e sobretudo Jorge Léon (Lucas S.) fizeram com que hoje seja a favor da legalização da eutanásia.
http://destiladospentaplejicos.blogspot.com/
De Cam a 9 de Fevereiro de 2009 às 12:01
O problema maior não é eu ser contra ou a favor da eutanasia. O problema é que num mundo governado por criterios economicistas legalizar a eutanasia antes de termos implementado cuidados paliativos num nivel minimamente satisfatorio é o melhor caminho para nunca virmos a ter esses cuidados paliativos.
O debate sobre a eutanasia, activa, passiva, suicidio assistido e encarniçamento terapeutico é complexo e raramente feito com pés e cabeça.
O que me parece claro é que é uma má estrategia dar mais importancia à legalização da eutanasia que à implementação dos cuidados paliativos. Parece-me evidente que legalizar a eutasia sem termos cuidados paliativos resultará muitas vezes numa pressão sobre doentes muito fragilizados para que estes peçam a morte. Doentes que se tivessem acesso a cuidados paliativos nunca pediriam para serem mortos.
De
m&m a 9 de Fevereiro de 2009 às 15:07
seguindo o seu raciocínio não pode haver cuidados paliativos sem, a montante, reduzir os tempos de espera para mínimos aceitáveis dos doentes oncológicos com viabilidade de cura que, como se ouviu na semana passada, esperam demasiado tempo (talvez por critérios economicistas, talvez por má gestão) por tratamento. «Doentes que se tivessem acesso a cuidados...» de saúde em tempo útil «...nunca pediriam cuidados paliativos».
São discussões diferentes, apesar de complementares
Comentar post