Por sorte, a importância que este país dá às palavras de Marcelo Rebelo de Sousa é dificilmente convertível num daqueles parâmetros que a TheEconomist gosta de usar para classificar as nações. Foi já o eco radiofónico da voz televisionada de Marcelo que me chegou ao ouvido, primeiro às oito da manhã e depois ao meio-dia (estou acamado). Dizia Marcelo, não sei se por candura ou se por cinismo, que Manuela Ferreira Leite deve mudar de conselheiros. Isto é um pouco como alguém, nos idos de 70, sugerir a Lennon que Yoko Ono mude de professor de técnica vocal. Pior: é ignorar que algumas das sound bites mais recentes de Ferreira Leite ("o coveiro da pátria...") eram já a reorientação possível para quem, na verdade, não tem sede de poder. Ora, não se chega ao poder com simples desejo de servir a causa pública. Se Sócrates resiste a duas semanas de Freeport, parece óbvio que o PSD só pode vencer (ou aproximar-se) com alguém que jogue com os mesmos trunfos do socialista. Pedro Passos Coelho, obviamente. Não sei se isto é bom para os portugueses e para Portugal, mas é assim que o mundo funciona.
O ponto, meu caro, é este, salvo melhor opinião: as marceladas são pagas pelos impostos que pago (via RTP/canal público), e só não vê quem não quiser perceber que o cavalheiro usa o canal referido para perorar e alfinetar, premonizar e falabaratar, esbracejar e graçarolar - objectivo óbvio: ele quer regressar à política. Contra ponto, dir-se-à, o António Vitorino. Não cola. É do PS mas não ocupa cargos públicos, não tem ambições políticas, costuma ser enxuto e isento, não se eximindo, mesmo assim, de criticar o Governo. Marcelo, não obrigado, para mais com os meus IRSs.
Será que Manuela Ferreira Leite não tem sede de poder? Não o creio, apesar de preferir que o poder fosse entregue a quem não o quer mas usa o cargo como um serviço publico.
Marcelo não quer avançar mas quer ser ele a dizer quem avança.Passos Coelho,claro! Outra hipótese é ser a própria a abrir caminho para Rio ou Borges, assim evitando Marcelo. Uma coisa parece certa.Vem aí o pântano, o que pode abrir o caminho a Cavaco,para ser ele a dar as cartas. Uma coisa, para mim é certa.Este PS está exaurido,já não tem ideias, está agarrado a compromissos que não lhe dão espaço de manobra.Veja-se a falta de discussão dentro do partido.Uns agarram-se ao tacho do poder, outros a Alegre! O futuro não é brilhante e o PS está agarrado a isso como uma lapa.