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Darwin: manusear com cuidado

O entusiasmo com a celebração de Darwin parece ter a ver sobretudo com qualquer coisa que começou no contexto americano: o debate entre evolução e criacionismo. Mesmo que se ache este debate um pouco parolo (não há diálogo racional possível entre ciência e fé; pode-se, sim, fazer ciência e ter fé simultaneamente e em separado), a verdade é que ele é importante porque há criacionistas que estão literalmente a endoutrinar crianças em muitas escolas - dizendo que a fé substitui a ciência. Mas deste lado do Atlântico a atenção a Darwin não pode ficar limitada a isso. Sobretudo não podemos embarcar num louvor tão acrítico que possa levar a uma transposição da teoria darwiniana para todos os campos do real. Tal já aconteceu. O evolucionismo, na Antropologia do século XIX, transpôs a teoria da evolução das espécies para as sociedades - para a História humana e para a diversidade cultural. Um salto ilógico que serviu para justificar, por um lado, racismos e etnocentrismos e, por outro, teleologias da História. Hoje os perigos espreitam mais no que resta do darwinismo social e, sobretudo, na nova coqueluche que é a evolutionary psychology. Já para não falar da forma como um certo darwinismo popularizado inspirou e inspira a racionalização do capitalismo. Vamos, pois, com cuidado. Darwin serve brilhantemente para certas coisas. Darwin (e sobretudo abusos thereof) não serve de todo para outras.

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