Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Vasco M. Barreto

Visitei ontem a exposição sobre Darwin organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian. Por ser empregado desta instituição, por ser amigo ou colega de alguns dos organizadores do evento e por ter dado um contributo tangencial sou muito suspeito, mas tenho duas certezas. A primeira: esta exposição é superior à que vi no Museu de História Natural de Nova Iorque, em 2006. De resto, era essa a obrigação, visto que muito do material foi gerado por essa exposição pioneira e era preciso acrescentar. Foi o que aconteceu. A segunda: a exposição trata do que realmente interessa, que é a biografia de Darwin e a génese da sua teoria. Trata ainda do que aconteceu à teoria de Darwin, na Biologia, depois da morte do naturalista. Centra-se muito pouco ou mesmo nada naquilo que geralmente é o chamariz do dito darwinismo. Quem se interessa pelo darwinismo, deve, antes de mais, tentar perceber o que Darwin disse. A teoria é muito simples mas tem subtilezas. Por exemplo, a resistência de muitos ao papel do acaso é um problema de ignorância.

 

Não nego a importância do darwinismo nos seus múltiplos aspectos. Não podemos exigir que a história natural desperte mais interesse que as questões  (eco fantasmagórico) Quem somos? Para onde vamos? É inevitável que os Jónatas Machado deste mundo recebam tempo de antena, mas é tabloidismo intelectual fazer artigos apenas com Jónatas. Jónatas existe nos media por causa de Darwin. Tal como as estrelas da psicologia evolutiva. Por isso, embora o perceba, aborrece-me um pouco o timing do comentário  do Miguel Vale de Almeida, Darwin: manusear com cuidado.  Há aqui um tom anticlimático e até algo pachequista.

 

Não estamos propriamente a celebrar o feito dos cientistas de Los Alamos, nem estamos a tentar que as pessoas entendam a física quântica. Tudo deveria ser um pouco mais simples. Quando o frenesim criacionista e corporativista acabar, ainda haverá uns dias para na Gulbenkian se tentar perceber o que Darwin pensou e com alguma sorte alguém sairá de lá um pouco mais esclarecido sobre o que é a teoria da ascedência comum e o mecanismo da selecção natural. 


3 comentários:
De z a 13 de Fevereiro de 2009 às 13:04
«Por exemplo, a resistência de muitos ao papel do acaso é um problema de ignorância.»,

bom, chamar ignorantes aos outros tem que se lhe diga,

Mas ficaria curioso de o ver discorrer sobre a epistemologia do acaso, caso consiga.


De roza a 13 de Fevereiro de 2009 às 14:21
é curioso, como semi-ignorante, penso que a resistencia ao acaso, se deve ao habito de pensar em termos de merito.
Alguém me explicou que o antepassado dos cordados era um enfezado de microbicho, não particularmente apto. No entanto, lá deu no que deu...

como a dança dos mosquitos (cada um leva com o vento do outro, como os patos migrantes, mas em novelos, cada orbita depende da adjacente)_la na gulbenkian, no patio, por causa dos charcos.



De Fernando a 13 de Fevereiro de 2009 às 17:00
Esta é a melhor posta sobre os 200 anos do Darwin: http://outrosdireitos.blogspot.com/2009/02/darwin-200-anos.html


Comentar post

Autores
Alexandra Tavares-Teles
Ana Matos Pires
Ana Vidigal
Diogo Serras
Domingos Farinho
Fátima Rolo Duarte
Fernanda Câncio / f.
Filipe Nunes
Gonçalo Pires
Hugo Mendes
Inês de Medeiros
Inês Meneses
Irene Pimentel
João Cóias
João Galamba
João Pinto e Castro
Maria João Guardão
Mariana Vieira da Silva
Palmira F. Silva
Paulo Côrte-Real
Paulo Pinto
Shyznogud
Tiago Julião Neves

Arquivo

Isabel Moreira

Miguel Vale de Almeida

Rogério da Costa Pereira

Rui Herbon

correio | twitter | facebook

Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29


artigos recentes

o piegas coelho

"Sit Ubo Sit!.Good dog!!!...

joão duque,

Populus in res publica su...

Os Cinco Pecados Mortais ...

Os Cinco Pecados Mortais ...

AT/DT

Todos os dias há uma nova

Hum, como falar do assunt...

Leituras: History Will Te...

João Fernandes no Reina S...

O tempora! O mores!

...

Antoni Tàpies (1923- 2012...

A bem da minha úlcera vou...

últimos comentários
De acordo quanto à pieguice, porque é dela que der...
Eu não sou contra ESTE acordo ortográfico. Sou con...
Merdia - contracção entre a palavra merda e media,...
Carlos.Portanto, você já leu uma "montanha de espe...
Dona Fernanda,pode explicar-me, por favor, o que s...
Dois extensos lençóis desfiando argumentos puramen...
Que tema apaixonante! Nunca tinha visto tamanhos "...
Muito bem ! Argumentar contra o conformismo é sem...
Bom, falta acrescentar que, do ponto de vista dos ...
f. <-> 31 - amor de perdição!
arquivo
tags

todas as tags

outros lugares
Subscrever feeds