Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
Rogério da Costa Pereira

"Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.

Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte (...)". [Mário Crespo, JN]

 

Na crónica desta semana, Mário Crespo não foge ao estilo que vem apurando. Apelidar a crónica de ensaio conseguido de reducionismo ambicioso, a raiar o absurdo, é dizer pouco. Começar por reduzir o casamento entre homossexuais a um caso de "esterilidade biológica" e a discussão da eutanásia a uma "proposta de morte" diz tudo, ou praticamente tudo, sobre quem tal escreve e consegue assinar por baixo.

 

Mas se restarem dúvidas sobre o caminho que, semana a semana, Crespo vai trilhando com as suas crónicas, atirem-lhes com este acrescento: "Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal".


26 comentários:
De Luís Lavoura a 16 de Fevereiro de 2009 às 16:39
É o contra-ataque da Igreja, poderoso e devastador.


De António P. a 16 de Fevereiro de 2009 às 16:42
Assustador este Sr. Mário Crespo.


De Luís Lavoura a 16 de Fevereiro de 2009 às 16:44
Estou espantado como é que este artigo do Mário Crespo ainda não apareceu, a esta hora, transcrito com todas as letras no Insurgente. É que essa malta deve ir ficar eufórica com isto!!!


De Guilherme Pereira a 16 de Fevereiro de 2009 às 16:49
O mundo do Crespo é um disparate pegado. O texto dele é só mais um nojo. Sempre pensei e disse que, um dia, um dia que seria breve, cairia a máscara daquela voz melada que anestesia as 21h da Sic-Notícias. Bom exercício: que tal pesquisarem o que esse cavalheiro - que me recuso a classificar como meu colega - andou a escrever em Moçambique e até na África do Sul sobre estes e outros temas? Como tenho e conheço esses arquivos, nada me admira agora. Só me surpreende que se admirem ou, sequer, se indignem.


De lili a 16 de Fevereiro de 2009 às 16:51
Que maniqueísta, este senhor Crespo!


De lili a 16 de Fevereiro de 2009 às 16:52
Não creio que a proposta do Dr. Almeida Santos venha na melhor altura, 'mais'...


De lampiao a 16 de Fevereiro de 2009 às 17:33
"ca nojo" como diz a tua nora margarida


De Dias a 16 de Fevereiro de 2009 às 17:40
Partilho o último e-mail que enviei ao senhor Mário Crespo, a propósito da entrevista ao Ministro PSPereira:
Caro senhor,

Não quero ser mais acintoso que o necessário porque ninguém me obriga
a ver os programas em que participa.

Aliás, por isso deixei de ver não só o Jornal das Nove, como o canal
a que pertence. Enfim, não só por sua causa mas pela escola em que a
SIC Noticias se tornou - as perguntas-editorias sem direito a
resposta tornaram-se demasiado patéticas.

Deixei de ver os programas e noticiários onde não haja entrevistas! A
deturpação feita por 'comentadores' e jornalistas dos temas são
aflitivas e, por isso, prefiro os programas em que os próprios falem.
Não me interessam bitaites sobre as palavras e acções de fulano-tal,
interessa-me o que ele diz e isso só o posso saber directamente da
sua boca. Não confio em 'interpretações' jornalisticas.

Apesar dos anticorpos que lhe ganhei, vi a entrevista de ontem ao
Ministro Silva Pereira. Como acontece sempre que o PM, este Ministro
e o dos Assuntos Parlamentares vão às televisões, os 'jornalistas'
que passam a vida a dizer mal do Governo, levam um baile!

Ontem, o Ministro Silva Pereira não lhe deu um baile! Ele foi um
cavalheiro - gabo-lhe a pachorra! Ontem, o que se viu foi um
deplorável momento de televisão. Uma coisa triste! Depois da histeria
do Ricardo Costa na entrevista ao PM, julgava que não voltaria tão
cedo a presenciar outro espectáculo pornográfico na SIC Noticias. Mas
eis que fui surpreendido por alguns dos mais sórdidos momentos de
televisão a que me lembro de assistir.

O fel que o senhor destila, e que transparece no seu olhar e na sua
expressão corporal, retira-lhe lucidez e faz com que tenha prestações
como a de ontem.

Não sou ninguém para lhe dar lições mas permito-me dizer-lhe isto.
Acredite ou não, é triste.
A RTPN faz, hoje, um trabalho vários furos acima do vosso mas é com
tristeza que vejo um canal que significou muito quando apareceu,
entrar numa decadência alucinada como aquela em que vocês,
visivelmente, se encontram.

É o meu bitaite. Cada um dá os seus!



De aires bustorff a 17 de Fevereiro de 2009 às 08:13
é bom ler este seu comentario, amigo Dias,

que subscrevo na integra, pois ele mostra que mais pessoas sentem o que eu tambem senti...

Idem podia ser dito dos noticiarios de sexta feira da TVI, do actual Publico, outros vomitos de tudo...

Vai mal o país quando se atinge estes pontos de insanidade mental e moral

abraço


De Dias a 18 de Fevereiro de 2009 às 12:05
Meu caro, eu, que sou um homem de fé nos homens, acho que o país vai bem. Vai bem porque há coisas que nunca ninguém se atreveu a pôr em causa e que agora o são, finalmente! O que vai mal é o jornalismo e as corporações. Este Governo chocalhou um conjunto de interesses que nunca tinham sido abanados e, por isso, eles defendem-se. É natural. Mas repare que, no blogosfera, houve uma resposta muito clara, da maioria das pessoas, a esta atitude canalha da imprensa no caso Freeport. O que se vê nas televisões não espelha o país!
Cumprimentos.
Paulo


De Sem Anestesia a 16 de Fevereiro de 2009 às 17:59
A vida neste planeta é tão curta ... e há quem dedique tempo dessa curta vida a importunar outras pessoas apenas pelas suas opções de vida.
É verdadeiramente idiota juntar as duas coisas no mesmo plano.
Faz tanto sentido como falar de nazismo e vegetarianismo a propósito de Adolf Hitler.

Repugnante.


De Rui Herbon a 16 de Fevereiro de 2009 às 18:37
Prólogo:

1 - Julgava que hoje Mário Crespo se dedicasse ao referendo na Venezuela, com a sua posição mais que previsível.

2 - A cada nova crónica de MC, a pergunta é: How low can you go ?

Corpo de texto:

Confesso que me começa a parecer uma estupidez minha o simples facto de perder tempo a ler os textos do dito MC. E comentá-los, além de lhe atribuir uma importância que não tem, começa a ter para mim o seguinte problema: gosto de atacar a mensagem e não o mensageiro, mas perante semelhante diatribe, é difícil evitar a palavra "imbecil" a torto e a direito.

Por isso, apenas quatro apontamentos:

1 - "biologicamente estéril"
Seguindo este raciocínio de MC, concluímos que um casamento heterossexual que não resulte em procriação (termo que MS usa mais adiante) deve ser dissolvido. Ou estarei a pensar mal?

2 - Ao ler o texto, e à medida que o primarismo se acumulava, esperei ver o Inquisidor MC (já hoje neste mesmo blogue, alguém usou o labéu de ateístas ") sacar do chavão "contranatura".

3 - Pelo texto perpassa a ideia, vinculada em muitos outros apontamentos, de que o país tem coisas mais graves com as quais se ocupar. Estranha teoria organizacional que confere ao Estado (centenas de milhares de funcionários) a capacidade de fazer apenas uma coisa de cada vez. (Este comentário é a quarta actividade distinta que realizo esta tarde.)

4 - Diz MC, que Sócrates e Almeida Santos "querem pôr à consideração de Portugal". Depreende-se que Crespo preferia que nem sequer se pusesse à consideração. Não só está contra o tema, como contra a sua discussão. Para quem gosta de chamar ditador a Chavéz , dá aqui uma bela prova da democracia que preconiza.

Conclusão:

Todo o texto é percorrido por um raciocínio e um ideário que, talvez não por coincidência, abundaram num período histórico com muitas semelhanças com o actual. E não tão distante assim.

Como não consigo reproduzir aqui a saudação fascista, resta-me despedir-me: Heil , Mário. Mário Torquemada Crespo.


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