"Em primeiro lugar, vejo o casamento entre pessoas do mesmo sexo como algo importante em si. Porque iria acabar com uma discriminação de importantes repercussões legais na vivência da conjugalidade, e porque iria dignificar, social e simbolicamente, as relações entre pessoas do mesmo sexo, contribuindo, por isso, para o fim a discriminação vivida pelos gays em Portugal (gays que se suicidam pela incompreensão da família, gays que jamais se atrevem a sair do armário, gays que na vida social e profissional estão sujeitos às mais variadas formas de depreciação e marginalização)."
Bruno Sena Martins, Avatares de um Desejo
(comentário resposta do Bruno ao Vasco Campilho: faz algum sentido que se defenda o direito ao casamento incestuoso sem afirmar o valor do mesmo, sem tentar dignificá-lo, sem reconhecer o seu valor? A posição do Bruno parece-me, pois, contraditória: se por um lado ele reconhece um direito(que implica que se reconheça um valor), por outro, ele parece admitir a inevitabilidade de que tal seja acompanhado de condenação social. Para um liberal, que julga poder separar, de forma estrita, questões legais de questões morais (i.e. Henrique Raposo), essa contradição não existe. Mas a partir do momento em que abandonamos o legalismo liberal redutor, com as suas dicotomias espaço público-privado, e entramos na dimensão identitária e simbólica, a coisa muda radicalmente de figura: o direito não é um verdadeiro direito se não for acompanhado por formas de reconhecimento social)
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
