Ontem ouvi Maria José Nogueira Pinto dizer que a crise económica e social, nomeadamente o desemprego, é a maior preocupação dos portugueses. O seu oponente no programa televisivo, um socialista cujo nome esqueci, concordava com ela. Como concorda grande parte da esquerda e da classe política em geral.E como concordo eu. Se há causa fracturante e sempre prioritária neste país é essa - a fractura de classe, a fractura da desigualdade. Agora agravada. Bem diferente é saltar dessa constatação para a conclusão de que as outras questões (you know what I mean…) não são prioritárias e vêm introduzir uma fractura no supostamente desejável consenso para ultrapassar a crise. Desde logo porque esse “consenso” escamoteia as verdadeiras contradições na base da crise e da desigualdade (antes e para lá da crise). E porque todos os dias são tomadas dezenas de medidas legislativas, nunca acusadas de fracturantes ou de pouco prioritárias. O problema está, é óbvio, no horror que causa a certas mentes a questão do casamento. Para o exorcizar, tudo vale. Até a obscenidade de manipular a desigualdade económica e social a que nunca ligaram peva e da qual os seus privilégios dependem.
PS: quando eu estava no Bloco, havia na Mesa Nacional dois sindicalistas, António Chora (Auto Europa) e Manuel Graça (da indústria dos calçados), que faziam sempre questão de apoiar as minhas posições sobre questões LGBT, nomeadamente o casamento. Eles sabiam do que falavam, enquanto operários, e não deliravam sobre prioridades e fracturas. Pessoas decentes, em suma.
De Luís Lavoura a 25 de Fevereiro de 2009 às 10:20
Sim, o António Chora e o Manuel Graça são pessoas extremamente decentes e que dá gosto ver. São das melhores pessoas que o Bloco tem.
Miguel: o "socialista" cujo nome não recordas chama-se VITOR RAMALHO, deputado do PS eleito por Setúbal. Também vi o pseudo frente-a-frente no tempo de antena do Crespo/Sic-Notícias mas, ao contrário de ti nada me surpreendeu aquele clima quase unanimista entre a Nogueira e o Ramalho. Ela, a CDS ex-portista que já foi mas já não é, esteve igual a ela. Ao menos coerente. O Ramalho, se segues com atenção o caminho desta gente, anda há pelo menos 3 anos a aproximar-se com pezinhos de lã e paleio melífluo das posições mais retrógrodas, especialmente nas chamadas matérias "fracturantes", que nem sequer é o caso dos casamentos de pessoas do mesmo sexo, a menos que estejamos já no território da ortopedia.
De
PGFV a 25 de Fevereiro de 2009 às 11:21
Foi extremamente interessante, para não dizer nojenta, a mudança de argumentação da Maria José Nogueira Pinto, do artigo publicado no DN para o argumento de ontem.
A subtileza da dita senhora ter referido que os homossexuais era quem mais iam perder perante a opinião pública, pelo facto de no momento estarem a reinvindicar o acesso ao casamento, quando o país está a atravessar graves problemas de pobreza, foi surreal e intelectualmente desonesto.
De J a 25 de Fevereiro de 2009 às 11:39
O seu post é compreensível. Sem concordar com a causa, não posso deixar de lhe dar razão na conclusão que tira. O problema é quando se refere a decência: isto não tem nada a ver com decência e era só o que faltava que alguém que só por acaso tem interesse directo no assunto tivesse o desplante de começar a apelidar de indecentes aqueles que não concordam consigo. Fica-lhe muito mal, e contrasta com a posição moderada, educada e razoável que tem vindo a apresentar. Se calhar fazia "fita".
De cristã a 25 de Fevereiro de 2009 às 14:20
j, e não são decentes as pessoas que se recusam a " manipular a desiguladade económica e social" a favor do 'não' ao casamento entre pessoas do mesmo sexo? O vale tudo não é sempre indecente?
Tungas, carapuça enfiada, J. O Miguel só disse que o António Chora e o Manuel Graça eram pessoas decentes, não chamou indecente a ninguém. Ah, e gostei dessa do "alguém que só por acaso tem interesse directo no assunto", é que eu julguei que o tal do interesse directo no assunto - sim, no assunto da igualdade de direitos - era independente da orientação sexual do próprio... as coisas que eu julgo, imagine só.
Eu nunca fui partidário da falácia da prioridade: se estamos à espera que algum problema, considerado prioritário, tenha uma solução cabal e definitiva - o que é intrinsecamente impossível - então nunca chegaremos a abordar o segundo da lista, muito menos o trigésimo ou o quadragésimo.
Consequentemente, acho muito bem que se abordem as chamadas «questões fracturantes» em simultâneo com as outras, alegadamente prioritárias. E lembro que todas as questões são prioritárias para alguém.
O que já não me parece tão bem, é que o P.S. Faça essa abordagem da forma mais cínica e oportunista imaginável. Informado pelos seus técnicos de marketing que a sua imagem de esquerda se estava a desgastar, resolveu apostar nas questões fracturantes para parecer de esquerda sem deixar de governar à direita.
De JC a 25 de Fevereiro de 2009 às 18:27
Esta adjectivação tremenda e moralista que a malta da esquerda gosta de usar para rotular as posições de quem não está de acordo com os dogmas que eles têm por evidentes é detestável.
Revela uma arrogância sem limites, fanatismo absolutista, e total incapacidade para argumentar de forma racional.
Meu caro, se chama indecente a quem não tem a sua opinião, e decente a quem a partilha, o seu mundo está perigosamente polarizado.
E deduz-se o que vem a seguir: se o fulano tem opinião diferente da minha ( e a minha é, por definição, decantada nas virtudes teologais), ou é maquiavélico ou, pior ainda, burro.
Creia que ganharia maturidade na sua escrita se evitasse adjectivações moralistas.
Com este discurso... e, depois, moralistas são os outros. Entendi.
De
PGFV a 26 de Fevereiro de 2009 às 15:43
dê uma leitura (poder ser na diagonal) a mais um amontoado de arrazoamentos, preconceitos, e total falta de informação, da directora dos Destak.
http://www.destak.pt/artigos.php?art=21546
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