Sexta-feira, 6 de Março de 2009
João Galamba

O Pedro Lomba até pode ter razão nos perigos do despesismo e do excesso de estado mas, enquanto não avançar com uma alternativa construtiva, a sua posição limita-se a uma negação abstracta: critica mas não constrói. Mais: ele esquece-se de referir uma coisa fundamental: a tal dívida que ele considera ter sido a causadora da crise também foi aquilo que sustentou o modelo económico que dominou o mundo desde o final dos anos 70. É que sem a ilusão de riqueza para todos, o projecto liberalizador não teria qualquer legitimidade política. Uma vez mais a direita mostra que, na situação actual, a sua narrativa não tem grande utilidade. Não satisfaz como interpretação da nossa condição actual, nem apresenta soluções para sair dela.


3 comentários:
De Ana Matos Pires a 6 de Março de 2009 às 01:35
Desgraçado, odeio-te. 'Tás em London? Vê se os acentos estão bem postos. Beijos.


De Guilherme Pereira a 6 de Março de 2009 às 02:12
Subscrevo o texto, embora pudesse resvalar na tentação de aconchegar o comentário com outras considerações, as quais deixo para quem é suposto produzi-las com conhecimento de causa.
Com alguma ironia, enquanto lia esta prosa, estava a vir-me à ponta da língua a frase hiper-repetida por José Sócrates quando se dirige sobretudo à oposição de direita - que não basta descrever a crise...
Claro que, para os criadores, os do olimpo a que não pertenço por ilegitimidade natural, descrever é muitas vezes o momento do rasgo, o relâmpago dos génios. Quem melhor escreveu sobre o crash de 29 em Wall Street que o poeta Garcia Lorca, naquele livro pequenino que escreveu, "Um poeta em Nova Yorque"?
Ninguém. Muito menos os economistas. Ou politólogos.
Ou cronistas, com reino ou sem ele...


De viana a 6 de Março de 2009 às 17:15
"E, assim que os bancos forem recapitalizados , deve abandonar um palco para o qual não é competente. "

Ah, ah, ah! Que grande piadão! Suponho que o Pedro Lomba deve saber que: o sistema financeiro esteve à beira do colapso total após a falência da Lehman Brothers , e foi salvo pela intervenção do Estado; há inúmeros bancos P-R-I-V-A-D-O-S falidos, que ainda andam por aí qual zombies apoiados pelos Estados, porque estes sabem que se os zombies forem enterrados (ie falirem), o sistema económico vai junto. Mas, mesmo assim, tem a lata de afirmar que o sistema financeiro deve estar nas mãos de privados! Suponho que é a isto que se chama cegueira ideológica, não é?... A ideologia do Pedro Lomba falhou em toda a linha, portanto quer mais do mesmo!

E será que alguém lhe pode explicar que os tais 1800 milhões de euros que menciona é o valor das imparidades e perdas detectadas no BPN, e não o dinheiro que o Estado vai ter que pagar para cobrir as dívidas do BPN (que será de qualquer maneira muito elevado, provavelmente acima de 1000 milhões de euros)?... Convém que alguém que faça comentários sobre questões económicas (como a propriedade dos bancos), saiba distinguir imparidades e perdas de dívidas...

Para finalizar, neste momento, há nos EUA uma grande discussão há volta de algumas afirmações de republicanos, através das quais desejaram o falhanço do plano de recuperação económica de Obama. Acham que se o barco se afundar ainda mais, quem os passageiros vão culpar é o actual capitão. A curto prazo há alguma verdade. No entanto, a longo prazo, os sobreviventes do naufrágio vão-se lembrar é de quem abriu os rombos no casco. Se estivermos no início duma outra Grande Depressão, a ideologia neo-liberal vai ficar enterrada por uma ou duas gerações, enquanto quem hoje fôr vivo não estiver bem dentro da terra. Menciono este episódio para exemplicar a cegueira e desnorteamento da Direita, resultado das sua incapacidade de assumir (ironia, das ironias!...) a responsabilidade da sua ideologia na presente crise.


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