Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Foi com a frase que titula o presente post que, no programa que a TVI apresentou hoje a partir das oito da noite, expirou uma espécie de rábula (o fim da coisa assevera-me a justeza da terminologia) de jornalismo de investigação. Era, a dita, sobre um tema que raras vezes ali é abordado: Sócrates, o homem sobre quem, de acordo com o dr. Vasco, recai uma verdadeira capitis diminutio - de acordo com o dr. em causa, Sócrates deverá esperar até deixar de ser PM para processar quem bem entenda.


19 comentários:
De burns a 25 de Abril de 2009 às 19:15
e disse alguma mentira???
se não processou jornalistas mas sim cidadãos então que os processe como cidadão e não como primeiro-ministro


De rui david a 26 de Abril de 2009 às 09:46
Suponhamos que o sócrates ganha as próximas eleições com maioria absoluta e governa mais quatro anos. deverá aturar todas as calúnias durante esse período? e quando os puder processar como "cidadão" (aceitando que como PM deixa de ser "cidadão") não terão os eventuais crimes objecto do processo prescrevido?
O que me deixa perplexo neste caso são os seguintes factores combinados:
1- Causa escândalo que o PM processe por calunia pessoas que têm proferido acusações gravissimas
2- Não causa escândalo que uma estação de TV, inimputável porque protegida pelos direitos à "liberdade de informação" e à "liverdade de expressão" processe o PM por ele ter, precisamente, emitido uma opinião sobre a qualidade da informação prestada pela dita estação.
É uma inversão de perspectiva. E uma inversão perigosa. O PM, pelos vistos, não tem já, sequer, o direito à liberdade de opinião que se julga dado adquirida desde o 25A por qualquer cidadão, quer dizer, o PM está abaixo, no entender de alguns ferozes defensores da liberdade, abaixo de qualquer cidadão.
Uma coisa é qualquer cidadão ou estação de tv ter liberdade para dizer cobras e lagartos do PM (inclusivamente para caluniá-lo, julgam alguns). Isso é, por muito que custe a quem está no poder, positivo. Mas agora o PM ou qualquer um poder ser processado por emitir opinião sobre um órgão de comunicação? Ninguém percebe onde isto poderá levar?


De burns a 26 de Abril de 2009 às 21:33
pois eu tb não percebo onde isto nos vai levar
sabe por acaso quem abriu a caixa de pandora para se fazer de coitadinho???
bastava desmentir inequivocamente e sem margem para duvidas, as noticias para que a popularidade subisse.será que nenhum consultor de imagem se lembrou disso???


De rui david a 27 de Abril de 2009 às 12:16
A linguagem da "caixa de pandora" e do "coitadinho" tem sido frequentemente utilizada com total despropósito neste "debate" .
O "coitadinho" já desmentiu tudo o que havia a desmentir. A isso reagiu parte da opinião pública (comentadores, etc., cada um com as suas agendas próprias) dizendo que ele se estava a "vitimizar".
E porquê? Porque na realidade qualquer pessoa que se veja envolvida num processo destes está encurralado, já que pela sua natureza, apenas uma investigação judicial e um julgamento permitirão esclarecer tudo "inequivocamente" e "sem margem para dúvidas".
Mais ainda, enquanto decorre o processo, há uma série de pessoas que pegam nas "provas" e iniciam, na prática, o julgamento em praça pública, marcando o timing que lhes convém para queimar a pessoa em lume brando enquanto se espera que o alvo do processo se obrigue à total passividade. Já vimos isto com o Ferro Rodrigues. Sendo assim, quem pede que nessas circunstâncias "desminta inequivocamente" e "sem margem para dúvidas" o que quer que seja, ou é um total ingénuo ou hipócrita. O PM tentou dar uma resposta indirecta a esta questão, minimizando a discussão pública e processando quem considera que o caluniou. O facto de não alimentar a peixeirada serviu o argumento de que "tem uma relação difícil" com a imprensa e quanto aos processos, um sector da opinião pública (tristemente parte dela de esquerda, ou pior, há uma parte da esquerda que faz o papel de tropa de choque de idiotas úteis neste caso enquanto a direita se mantém numa relativa - e hipócrita discrição) reage como se o homem ao processar quem considera que o caluniou estivesse a atentar contra algumas liberdades, nomeadamente a de expressão...
Em simultâneo, quando uma estação de TV privada processa um PM por delito de opinião, pouca dessa gente tão afecta às liberdades" e noutras circunstâncias tão aflita com o controle berlusconiano da informação por empresas privadas percebe as implicações graves, essas sim, para a liberdade de expressão. A generalidade prefere espojar-se em metáforas de mau gosto sobre "o Chefe". Que dizer quando a obsessão chega a este limite?


De Inês Meneses a 27 de Abril de 2009 às 18:29
dedo na ferida, David. Parte da esquerda está preguiçosa, inescrupulosa e, aparentemente, sem perceber que está não apenas a usar métodos tradicionalmente de direita, como a "fazer o jeito" a essa mesma direita.
Que interessa a gente de esquerda "a sério" atacar um homem (ainda por cima com histórias que qualquer pessoa de cabeça fria já percebeu que têm muito poucos pés para andar), e deixar de parte toda a discussão política? Que mudaria de relevante para gente de esquerda se Sócrates se demitisse amanhã, continuando a situação política igual? Eu sei, de saber certo, que as minhas lutas estarão todas iguais no fim do próximo ciclo eleitoral, com pequenas mudanças de condições, if any. E será igualzinho estar lá Socrates ou não. Para algumas das questões que me interessam e têm possibilidade de mudar a curto/médio prazo, Sócrates no Governo é até melhor do que outras hipóteses dentro do PS (não falo do PSD, sequer).

Esta promoção do desgosto das pessoas com a política conduz, sobretudo, à abstenção dos descontentes, o que decerto não interessa à tal "esquerda a sério".


De burns a 27 de Abril de 2009 às 22:52
é uma mania dividir tudo entre esquerda e direita , tipo iluminados e idiotas
acho que esse não devia ser o caminho
já agora defina "esquerda a sério" porque me perdi um pouco com essa nuance, e para ficar ainda mais esclarecido,diga-me se se inclui na esquerda a ´serio ou na esquerda a brincar
cumps


De Inês Meneses a 27 de Abril de 2009 às 22:58
não tem a ver com iluminação maior de uns ou outros, só com quadros de valores e opinião diferentes. A cada um o seu. Eu tendo a discutir e esperar/exigir mais da esquerda, porque é o meu campo, apenas, não por achar que são/somos intrinsecamente melhores ou mais iluminados.

A parte da "esquerda a sério" era auto-irónica, e uma forma preguiçosa - e não muito séria - de falar da esquerda à esquerda do PS. Neste sentido, sim, incluo-me nela.


De burns a 27 de Abril de 2009 às 23:06
a parte da auto-ironia não tinha percebido
aceito,na boa,a diferença de opiniões
odeio,do fundo do coração,quando são ridicularizadas as pessoas que tenham uma opinião diferente,tipo,esquerda igual a gente da cultura e direita igual a merceeiros.
não era bem isto mas penso que me entendeu
cumps


De Inês Meneses a 27 de Abril de 2009 às 23:24
entendidos, parece-me.

Podemos voltar a discordar, pf?


De burns a 28 de Abril de 2009 às 22:33
claro
sempre ao dispor
:)


De burns a 27 de Abril de 2009 às 22:54
bom
se for repetir bota-abaixismo ou recadismo ou ainda outros mimos ja vale como sendo verdades inquestionaveis?
se assim for, estamos esclarecidos
cumps


De Anónimo a 27 de Abril de 2009 às 12:57
"Suponhamos que o sócrates ganha as próximas eleições com maioria absoluta e governa mais quatro anos."

é o fim de portugal como país.


De rui david a 27 de Abril de 2009 às 13:15
Aceito como comentário político. É irrelevante para a discussão.


De Anónimo a 27 de Abril de 2009 às 13:25
mas o que há a discutir com alguém que defende o direito do PM processar judicialmente quem quer que seja?

As funções do PM estão definidas pela constituição e não me lembro que "pôr processos" seja uma delas.

se ele se sente ofendido, tem bom remédio: demitir-se. por que razão há-de continuar agarrado ao poder, se o seu bom nome foi tão atacado?

estas visões domésticas da vida política é a nova forma de situacionismo...



De Inês Meneses a 27 de Abril de 2009 às 18:18
Anónimo, o processo é posto pelo cidadão José Sócrates (que é aliás o visado nas discussões em curso), as funções de PM não têm rigorosamente nada que ver com o caso. E que ideia é essa de que um primeiro-ministro se deve demitir quando o seu bom nome é atacado? Tornava-se extremamente fácil eliminar primeiro-ministros eleitos - o que aliás é o que tudo isto faz pensar, que há quem queira ganhar com ataques pessoais o que não tem coragem ou energia de tentar ganhar na discussão política.


De Inês Meneses a 27 de Abril de 2009 às 18:15
Burns, o processo é do cidadão ou é do Estado; no caso, é do cidadão, claro. Que raio quer dizer?


De catarina a 27 de Abril de 2009 às 13:33
Eu que sempre neguei a pés juntos haver hipótese de vir alguma vez a gostar do pm sócrates, estou a começar a simpatizar com o homem. Não sei se é condescendência, se é sentir uma necessidade urgente em que deixem o homem trabalhar, safa, largai o homem.


De DSC a 28 de Abril de 2009 às 08:27
Nesse caso, o pm está a adoptar a estratégia perfeita..


De catarina a 28 de Abril de 2009 às 10:53
Qual estratégia? Está a falar de quê? O homem "realmente" está com ar de estratega. daqui consigo imaginá-lo a planear, delinear com um conselheiro a seu lado a dar-lhe um toque no cotovelo se achar que ele se entusiasmou na sua estratégia, credo
Sabe, hoje estou com preguiça de bocas que nada querem dizer e que não têm consequências nenhumas e que nada nos adiantam à vida.


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