Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

"A linguagem da "caixa de pandora" e do "coitadinho" tem sido frequentemente utilizada com total despropósito neste "debate" . O "coitadinho" já desmentiu tudo o que havia a desmentir. A isso reagiu parte da opinião pública (comentadores, etc., cada um com as suas agendas próprias) dizendo que ele se estava a "vitimizar". E porquê? Porque na realidade qualquer pessoa que se veja envolvida num processo destes está encurralado, já que pela sua natureza, apenas uma investigação judicial e um julgamento permitirão esclarecer tudo "inequivocamente" e "sem margem para dúvidas". Mais ainda, enquanto decorre o processo, há uma série de pessoas que pegam nas "provas" e iniciam, na prática, o julgamento em praça pública, marcando o timing que lhes convém para queimar a pessoa em lume brando enquanto se espera que o alvo do processo se obrigue à total passividade. Já vimos isto com o Ferro Rodrigues. Sendo assim, quem pede que nessas circunstâncias "desminta inequivocamente" e "sem margem para dúvidas" o que quer que seja, ou é um total ingénuo ou hipócrita. O PM tentou dar uma resposta indirecta a esta questão, minimizando a discussão pública e processando quem considera que o caluniou. O facto de não alimentar a peixeirada serviu o argumento de que "tem uma relação difícil" com a imprensa e quanto aos processos, um sector da opinião pública (tristemente parte dela de esquerda, ou pior, há uma parte da esquerda que faz o papel de tropa de choque de idiotas úteis neste caso enquanto a direita se mantém numa relativa - e hipócrita discrição) reage como se o homem ao processar quem considera que o caluniou estivesse a atentar contra algumas liberdades, nomeadamente a de expressão... Em simultâneo, quando uma estação de TV privada processa um PM por delito de opinião, pouca dessa gente tão afecta às liberdades" e noutras circunstâncias tão aflita com o controle berlusconiano da informação por empresas privadas percebe as implicações graves, essas sim, para a liberdade de expressão. A generalidade prefere espojar-se em metáforas de mau gosto sobre "o Chefe". Que dizer quando a obsessão chega a este limite?"

 

Rui David (sacado desta caixa de comentários).

(e um abraço, Rui. Há quanto tempo...!)


20 comentários:
De Anónimo a 27 de Abril de 2009 às 12:53
"O PM tentou dar uma resposta indirecta a esta questão, minimizando a discussão pública e processando quem considera que o caluniou."

mas o PM processou o Charles Smith? desconhecia...

"O facto de não alimentar a peixeirada"

deve-lhe estar a falhar as várias intervenções públicas que o PM
fez sobre o caso. e os gritos, senhor, os gritos...

"(...) serviu o argumento de que "tem uma relação difícil" com a imprensa"

está a esquecer-se dos telefonemas para as redacções dos jornais e televisões...

"e quanto aos processos, um sector da opinião pública (...) reage como se o homem ao processar quem considera que o caluniou estivesse a atentar contra algumas liberdades, nomeadamente a de expressão..."

não me lembro em que parte da constituição "pôr processos" está definido como função do primeiro ministro.

se o cidadão josé sócrastes se sentiu ofendido, tem uma solução: demitir-se e ir lutar pelo seu bom nome em tribunal.

"quando uma estação de TV privada processa um PM por delito de opinião"

é o ridículo total e portugal transforma-se num país da américa do sul, mas sem petróleo...



De rui david a 27 de Abril de 2009 às 13:47
anónimo,
- Não sei se o PM processou o Charles Smith. Aliás não sei os nomes de quem ele processou. Ele processa quem bem entender e eu não estou a ver o que isso tem a ver com o caso. Ou melhor, estou... estou a ver que tu já tens uma opinião concreta sobre o julgamento e o seu desenlace. Deixemo-nos então de hipocrisias sobre a "presunção de inocência" e outras tretas.
Voltando à vaca fria: CS disse X e isso é amplamente divulgado. O que adianta o PM dizer que não? E se o CS nunca tivesse dito nada? Teria isso alguma repercussão naquilo que tu já pensavas sobre o tema?
As intervenções do PM sobre a questão não têm qualquer paralelo com a frequência, insistência e repetividade como este assunto tem sido tratado nos meios de comunicação.
- Telefonemas para rádios e televisões são para o mal ou para o bem um factor comum no relacionamento de qualquer político com a imprensa. É alguma novidade?
- Na Constituição não diz que o PM deve "fazer a barba" ou "pôr a mão à frente se um gajo lhe quiser dar um pontapé nos tomates". E o facto de não fazer parte dos direitos (ou deveres) constitucionais expressos do cidadão avançar com argumentos imbecis do tipo "não diz na constituição que a função do primeiro ministro é "por processos"", não impede qualquer um de reproduzi-los na boa paz do Senhor.
- Não percebo a última frase. o processo da TVI é ridículo? sem dúvida, mas também estabelece um precedente perigoso. O que cria o risco de portugal se tornar numa república das bananas sem petróleo é o facto de as pessoas, cegas pela animosidade política ao PM, preferirem ignorar o precedente.


De Guilherme Pereira a 27 de Abril de 2009 às 14:11
Na mouche, Caro Rui David.


De Anónimo a 27 de Abril de 2009 às 14:55
a sua resposta é muito confusa, o que prova que está um pouco baralhado das ideias...

"Ele processa quem bem entender e eu não estou a ver o que isso tem a ver com o caso"

chega a ser cómigo. primeiro você diz que "O PM tentou dar uma resposta indirecta a esta questão, minimizando a discussão pública e processando quem considera que o caluniou" e agora diz que não percebe o que é que isso tem a ver com o caso.

no mínimo, incoerente.


"Telefonemas para rádios e televisões são para o mal ou para o bem um factor comum no relacionamento de qualquer político com a imprensa. É alguma novidade?"

a novidade é haver quem ache isso normal... estranha concepção de relacionamento entre o responsável pelo governo e os media.

"Na Constituição não diz que o PM deve "fazer a barba" "

pois não, por isso ele faz a barba se quiser...

"não impede qualquer um de reproduzi-los na boa paz do Senhor."

a isto chama-se liberdade de expressão. mas já deu para perceber que isso o incomoda.


"Não percebo a última frase. o processo da TVI é ridículo? sem dúvida, mas também estabelece um precedente perigoso."

portanto, você não acha perigoso o PM processar 7 (???) jornalistas. mas acha perigoso que os jornalistas processem o PM. que raio de perspectiva!!!


"O que cria o risco de portugal se tornar numa república das bananas sem petróleo é o facto de as pessoas, cegas pela animosidade política ao PM, preferirem ignorar o precedente."

qual precedente? refere-se ao facto do PM ter anteriormente colocado um processo ao director da estação.

quanto à animosidade ao PM, faz parte da vida política. e se não percebe isso, não percebe nada. e aliás, nota-se pelo seu comentário.


para terminar, deixo-lhe um conselho: leia o Príncipe de Maquiavel. você tem uma visão muito walt disney da política...


De Sousa Martins a 27 de Abril de 2009 às 17:54
Olhe Anónimo,deveria de começar era por ter coragem de assinar o nome por baixo, isso já lhe tira toda a ética e dignidade...

relativanmente ao primeiro ministro demitir-se, você está mesmos nas " tintas " para o País. Verdade? quer lá saber se mergulhamos numa crise descontrolada...

O que você não suporta mesmo é alguém que olhe as pessoas nos olhos, verdade? mete-lhe medo, aposto, são mesmo um cagunfas com medo do primeiro ministro, coitadinhos, têm medo do Lobo mau, uma traumazito de infância, verdade?

Ora francamente!



De burns a 27 de Abril de 2009 às 22:57
não vá por aì
se ele assinasse sousa martins ainda o confundiam consigo
não vale a pena


De DSC a 28 de Abril de 2009 às 08:31
Mas não mergulhámos já?


De Francisco Gonçalves a 27 de Abril de 2009 às 13:18
É o costume! Quando a opinião não coincide com o pensamento destes “democratas”, estamos perante uma opinião manipulada e manipuladora, hipocritamente discreta, seja ela de esquerda ou direita.
Esta gente não consegue apresentar o seu fio condutor de pensamento sem desdenhar naquilo que os outros dizem. É inevitável, está-lhes no sangue e alimenta-lhes a alma.
O primeiro-ministro processa quem bem entender, ponto final. E quem bem entender processa o primeiro-ministro, ponto final! Ou será que neste último caso teremos que colocar ponto e vírgula?
Se bem entendi do discurso democrata deste nosso companheiro – ou camarada, ou amigo, ou o que quiserem! – grave mesmo é “quando uma estação de TV privada processa um PM por delito de opinião”. Ou seja, chegamos ao plano das afirmações inequivocamente indiscutíveis do “Chefe”, não susceptíveis de contraditório, muito menos de qualquer indignação.
Independentemente do que for o resultado final do tão malcheiroso caso Freeport ” que, diga-se, não me suscita qualquer tipo de interesse, há uma coisa que nunca ouvi, desde Abril de 74: um comentador de televisão, fora do âmbito de qualquer “combate” político, chamar chico-esperto ao primeiro-ministro de Portugal.
Espanta-me que o visado não tenha manifestado, sob qualquer forma, a sua indignação, como fez com outras pessoas.
O resto é retórica cujo conteúdo e mais ou menos favorável a José Sócrates, consoante a fonte emissora


De fernando f a 27 de Abril de 2009 às 13:54
Pois é.., de vez em quando e a propósito de outros vómitos, lá nos lembramos do de Ferro Rodrigues, é que este caso acabou por ficar no limbo o que para o homem deve ser qualquer coisa de hediondo .


De Francisco Gonçalves a 27 de Abril de 2009 às 14:12
Senhor Rui David,

Ele há coisas do arco-da-velha! Então, o senhor, na sua cândida análise, conclui que não é importante saber se o primeiro-ministro de Portugal processou o tal Charles Smith! Quer dizer, parece irrelevante que José Sócrates processe o indivíduo que afirma, no gastíssimo DVD, de forma clara, a sua natureza corrupta!

Olhe, senhor, para bem da nossa sanidade mental e da imagem de José Sócrates, julgo fundamental que esse senhor escocês seja processado pelo primeiro-ministro, julgado e, se for caso disso, engavetado.

Não se pode proclamar a inocência de José Sócrates e, ao mesmo tempo, dizer que é irrelevante “chamar à pedra” o difamador.

Qualquer um de nós – eu, pelo menos – agiria, nos Tribunais, se um qualquer difamador pusesse em causa a nossa idoneidade. Era o que mais faltava!

O resto é blá, blá, blá…


De fernando f a 27 de Abril de 2009 às 14:17
E já agora, não dá que pensar aos comentadores da nossa praça, a corrupção e a pedofilia só terem guarida nos primeiros responsáveis do PS, não pensarão que à coincidências que vêm mesmo a propósito. Isto é para os comentadores e não só.


De fernando f a 27 de Abril de 2009 às 15:40
É pá , vocês não viram a entrevista ó quê!? O homem disse que um dos processados era o C. Smith.


De Frederica a 27 de Abril de 2009 às 15:47
Não há volta a dar-lhe: as pessoas são incapazes de separar o trigo do joio por mto que tentem. Deram maioria ao PS nas últimas eleições não por mérito deste mas por desmérito do PSD (va-se lá entender o pq de acharem q só há 2 partidos em Portugal) sem se preocuparem minimamente em lerem as propostas dos partidos.
Pronto! O Primeiro Ministro pelos vistos mentiu, pelos vistos incomodou quem estava sossegado nas suas vidinhas das 9 às 18h e pensou que a malta o ia deixar escapar!
Ainda por cima as telenovelas da TVI já estavam a tornar-se uma seca, sempre com as mesmas estórias, não há reality shows para entreter e o Porto vai ganhar outra vez o Campeonato! Era preciso criar entretenimento. Vai daí, há que criar esta fábula de fazer corar muitos autores de reconhecimento mundial. Qual Bush e o Iraque! Isto sim, é que é!
E o povo diz que sim, que sim senhora, o telejornal da TVI é que é bom porque eles é que têm a coragem em dizer a verdade! E o Primeiro Ministro que pelos vistos é corrupto e ainda por cima anda a pôr processos a jornalistas? É do piorio!

Num raio de um país onde as pessoas só se lembram de patriotismo quando a Selecção Nacional joga, onde toda a gente atira papéis para o chão, onde toda a gente insiste em votar em Presidentes de Câmara corruptos, onde todos acham que brilhante é uma m** de telejornal que actua de forma corrupta para denunciar supostas corrupções, toda a gente é lesta em acusar.

Eu, se fosse ao PM, já tinha era há muito retirado os direitos de transmissão a esse canal de televisão e acabava com a pouca vergonha de uma vez por toda. É que aquilo não dá um único programa de jeito, de manhã à noite, passam o dia a explorar a desgraça alheia.


De Francisco Gonçalves a 27 de Abril de 2009 às 16:25
Ou isso - como fez, também, o rapaz de Caracas! -, ou, então, interromper a democracia durante seis meses!


De Nuno Amaro a 27 de Abril de 2009 às 18:45
Assisto a este folhetim já enjoado e enojado. Pensar que uma situação destas pode acontecer a qq um de nós é tenebroso numa democracia! Mais tenebroso ainda é haver pessoas comuns e algumas mesmo inteligentes que alinham pela turba ululante e não conseguem vislumbrar o quão grave isto é! Espero q PS ganhe com maioria senão temo que o país torna-se ingovernável!


De j a 27 de Abril de 2009 às 22:01
Tenho a convicção de que o PM não está envolvido em qualquer caso de corrupção ou, a ter existido corrupção, que não terá disso beneficiado directamente, e não ficaria espantado que outros, porventura, se tenham valido do seu nome.
Também não tenho dúvidas de que este assunto tem um calendário eleitoral, situação que me repugna, pois reflecte o que de mais nojento existe em política.

Sobretudo, não faço conjecturas, achando que tudo o que se diz apenas serve para vender jornais.
E para um dos autores do Jugular ter alguma coisa que escrever, já que o que tem escrito nos últimos tempos não interessa a ninguém e só retira qualidade ao blog, já começando a dar sono só de ler o nome do dito. Tirando escrever sobre lampreias e outras mixórdias gastronómicas, que nisto é especialista.

O que para mim é relevante, e que me intriga é por que não se discute isto: - "um caso que decorre fundamentalmente do facto de se ter percebido que havia uma aprovação em vésperas de eleições". "Em vésperas de eleições tomam-se decisões rápidas, sem grandes estudos, sem grandes fundamentos e daí nascem suspeitas. E o primeiro-ministro, que se sente vítima dessa acusação, está a querer cair rigorosamente no mesmo erro quando, a meia dúzia de meses das eleições, quer tomar decisões poderosíssimas em relação ao país, nomeadamente o TGV e o aeroporto".
Isto foi dito pela actual presidente do PSD, em quem não vou votar, esclareço, o que não significa que, aqui, não lhe dê razão. Com a ressalva de não ter acrescentado que ex-ministros do seu partido, e confinantes, já fizeram o mesmo.

Por isso, mais que a questão criminal, sobre a qual não se vai chegar a conclusão nenhuma, e ainda que se chegue, os culpados já estão, infelizmente, condenados na praça pública, tudo isto, bem vistas as coisas, não passa de folclore, com vítimas para um lado e vítimas para o outro, numa estratégia que é, sobretudo suportada numa lógica de tacticismo político, por um lado, e de captação de audiências e de protagonismo jornalístico, por outro, mas, dizia, por isso, é a transparência, a falta dela, em política que me incomoda.
E aprovar grandes projectos, cujos custos se vão reflectir para as gerações futuras, no fim dos mandatos, para não dizer no último dia de governos de gestão, como parece já ter acontecido, não me parece bem. Embora, pelos vistos, também não seja ilegal. Mas devia ser.
Não me parece bem nem antes, nem agora.
Nem com este governo nem com outro qualquer.

Era da transparência em política que eu gostava que se escrevesse aqui. Não de roupa suja.


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