Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

 

Parece mal falar de desemprego no dia do trabalhador. Mas tendo descoberto, por via de amigos desempregados, uma ou duas coisas sobre as regras da Segurança Social em geral e do subsídio de desemprego em particular , tenho urgência em partilhá-las (sobretudo depois de ter passado um dia e meio a tentar que responsáveis da SS mas explicassem, já que, aparentemente, têm tanta dificuldade em perceber o que diz a lei como eu).

 

Uma das coisas que descobri é que a Segurança Social continua a funcionar de acordo com um mundo que já não existe (no que se parece muito com os sindicatos). É o mundo do emprego para toda a vida e do desemprego como situação inusitada, um mundo em que só existem empregados e desempregados. Daí que não só continue a negar o subsídio de desemprego aos cada vez mais numerosos trabalhadores em regime de trabalho independente/recibo verde, como até aos que, sendo trabalhadores por conta de outrem, tenham tido a ideia de contribuir com denodo para a produtividade nacional, desenvolvendo simultaneamente uma actividade de trabalho independente cujo provento total tenha ultrapassado, no ano anterior, o extravagante montante de 2400 euros .

 

Sim, leram bem: um trabalhador que, tendo emprego, se esforce a trabalhar mais, pagando portanto mais impostos, pode ver-se sem subsídio de desemprego. A regra é absurda, mas a forma de a contornar consegue sê-lo ainda mais: o desempregado só tem de dar baixa dos recibos verdes, encerrando a actividade nas finanças, antes de requerer o subsídio. Aí já ninguém lhe perguntará quanto ganhou "por fora" no ano anterior. O absurdo prolonga-se no facto de a actividade de recibos verdes ser permitida a um desempregado desde que não ultrapasse os tais 2400 euros/ano, podendo este, no entanto, efectuar nas finanças um acto único cujo valor não tem limite, suspendendo temporariamente (e reactivando a seguir) a recepção do subsídio.

 

Alguém percebe a lógica disto? Alguém percebe por que raio um sistema que deveria estar direccionado para premiar a iniciativa e actividade continuada, recompensando quem mais trabalha e produz, incentiva a inércia e as manigâncias (a mais comum sendo a de transferir para outrem o passar dos recibos verdes) e puras ilegalidades, como a do trabalho clandestino? Uma crise brutal como a que vivemos faz ainda mais espúrias as regras descritas. Os beneficiários do subsídio de desemprego devem poder acumulá-lo com trabalho, qualquer tipo de trabalho, sem "tectos" remuneratórios, descontando o valor auferido (ou parte dele) no subsídio a receber. Ganhará assim o sistema - porque poupa - e o trabalhador, porque trabalha e ganha pelo seu trabalho. Não é essa a ideia?

 

(publicado hoje no dn)

40 comentários:
De catarina a 1 de Maio de 2009 às 11:54
só refiro a primeira frase do texto porque estou mesmo a trabalhar. Não me é possível lê-lo todo... para já...apenas por enquanto.

"É Obrigatório Falar de Desemprego no Dia do Trabalhador"


De G_L a 1 de Maio de 2009 às 12:25
É a lógica da estúpida lei trabalhista que temos, herança de um tempo não só do emprego para a vida toda ou de empregados e desempregados, mas também de um tempo em que havia patrões e empregados, conceitos que, cada vez mais, esbatem-se.

O emprego, tal como o conhecíamos, acabou ou tem os dias contados. Já era tempo da legislação ser alterada, de modo a deixar de servir para infernizar ainda mais a vida das pessoas.

A ânsia de impedir as falcatruas e fugas ao fisco e à SS desembocou em legislação que, como evidenciou neste texto, não faz sentido.

Recentemente tomei conhecimento das agruras de um funcionário que tive de dispensar em 2004 que, ao recorrer ao centro de desemprego, viu-se obrigado a tomar aulas de qualificação ministradas no Centro. Até aí tudo bem, salvo seja, se a pessoa está desempregada, tem tempo para estudar, enquanto aufere o subsídio de desemprego. Entrevistaram o indivíduo, perguntaram acerca da sua experiência, aptidões e interesses. Apesar de se tratar de um designer que tinha interesse em aprender programação html, curso que havia no Centro de Desemprego e que o qualificaria ainda mais para retonar ao mercado de trabalho, os funcionários o encaminharam para fazer cursos de Word e Excell, apesar de se tratar de um profissional capacitado para trabalhar com programas gráficos, sendo que aquele tipo de software de escritório não tinha qualquer interesse para ele. Mas lá teve de estar 1 ano a estudar coisas que já sabia, ou que não lhe interessava aprofundar. De volta ao mercado de trabalho, continuou com a lacuna profissional que podia ter sido eliminada com a ajuda do Centro de Emprego. Até hoje diz não perceber o que é que disse na entrevista para o mandarem para cursos de Excell, pois as turmas de html não estavam cheias, como pôde verificar na altura. Situações kafkianas, sem explicação.


De Anónimo a 1 de Maio de 2009 às 12:34
"estudar o Word e Excell"

que coisa patética.


De G_L a 1 de Maio de 2009 às 15:08
Hu? Patético pq? Patético é ensinar isso a uma pessoa que podia dar aulas daquilo, mas não acho mau que os Centros de Emprego obriguem as pessoas a aprender a operar software.


De Anónimo a 1 de Maio de 2009 às 12:30
"Os beneficiários do subsídio de desemprego devem poder acumulá-lo com trabalho, qualquer tipo de trabalho, sem "tectos" remuneratórios, descontando o valor auferido (ou parte dele) no subsídio a receber."

não percebi.


De f. a 1 de Maio de 2009 às 12:50
os beneficiários do subsídio de desemprego podem neste momento, de acordo com a lei, trabalhar a tempo parcial, com contrato, desde que o valor q lhes é pago por esse trabalho não ultrapasse um determinado montante (creio que é o do valor do subsídio q auferem) e o número de horas seja reduzido (suponho q para durante o resto do tempo poderem procurar um emprego). também podem ter actividade indeendente passando recibos verdes desde que o valor não ultrapasse 2400 euros/ano. o que me parece fazer sentido é que o beneficiário possa aceitar qualquer trabalho, independentemente do que lhe pagam -- por hipótese, poderia receber num mês mais de 2400 euros -- desde que haja um ajuste no subsídio. exemplo: eu estou desempregada e a receber 1000 euros/mês. arranjo um trabalho em que me pagam 800 euros por mês durante, por exemplo, 3 meses. declaro isso à segurança social e esta ajusta o subsídio a esse facto. creio que o ideal seria que não fosse descontado o total do valor da remuneração -- ou seja, o subsídio passaria, durante 3 meses, a ser de 200 euros (1000-800=200) -- mas uma percentagem que incentive o trabalho, por exemplo metade ou 60%. assim o estado paga menos mas o beneficiário recebe mais do que estivesse sem fazer nada.


De Anónimo a 1 de Maio de 2009 às 14:11
a fernanda já teve desempregada?
já alguma vez na vida teve de ir a um centro de emprego "pôr" os papeis para o fundo de desemprego?
sabe quanto tempo demora em média a chegar a primeira mensalidade do fundo de desemprego?

isso que você propõe seria incomportável com a actual organização dos serviços e centros de emprego (repare que nem estou a discutir a justeza da coisa)

chega a parecer que está a gozar, desculpe que lhe diga.


De f. a 1 de Maio de 2009 às 14:16
não, nunca estive desempregada. mas tenho pessoas muito próximas no desemprego e tenho acompanhado o processo. parece-me que o facto de os serviços funcionarem mal não pode servir como justificação para deixar as regras como estão. além de que a actual lei permite já descontar uma parte do subsídio de desemprego nos casos em que o beneficiário consiga um contrato de trabalho a tempo parcial. não vejo em que é q a situação seria assim tão diferente. é uma questão de paradigma, não de prática.


De Anónimo a 1 de Maio de 2009 às 14:51
pois. como paradigma, parece-me bem. como prática insustentável.

alguém que fique desempregado em oeiras, por exemplo, tem de deslocar-se ao centro de emprego de cascais que fica a mais de 50 km. passa aí pelo menos um dia, isso se chegar de manhã. caso contrário, volta no dia seguiste.

depois disso tem de ir à segurança social e passar uns bons dias à porta, para se candidatar ao subsídio.

depois disto, e se a candidatura for aceite, espera mais de meio ano para receber o suicídio (entretanto andou a roubar, a mendigar ou a viver da generosidade alheia).

se arranja um emprego temporário têm de repetir todo o processo, mais duas vezes. um para comunicar o novo emprego, outro para o retomar o subsidio quando o trabalho terminar.

a fernanda acha isto sustentável? não acredito.

e só mais uma pergunta para terminar: sabe quantas beneficiários utilizaram essa possibilidade de "descontar uma parte do subsídio de desemprego nos casos em que o beneficiário consiga um contrato de trabalho"?

eu gostava de saber. porque eu acredito que foram muito poucos ou nenhum.




De G_L a 1 de Maio de 2009 às 15:02
Ahahahah, Fernanda, onde foste mexer. Essa tua caixa de comentários vai se transformar no chorrilho da desgraça (eu já enviei o meu ha minutos), o assunto clama. Agora esse reclama de que quem mora em Oeiras tem de ir a Cascais.

Mas acerca deste comentário , deixo mais um. Como é que num país que tem quase 1 milhão de funcionários públicos, as pessoas tem de esperar tanto por respostas.

Eu tenho quase a certeza de que, se despedissem 500.000 funcionários públicos, a coisa continuaria a demorar o mesmo tempo ou se calhar até ficava mais rápida.


De Inês Meneses a 1 de Maio de 2009 às 15:18
?!? Cascais fica a mais de 50 km de Oeiras?! São 15 minutos de comboio, 16 km de carro


De catarina a 1 de Maio de 2009 às 15:23
féstinha distante e imperceptível no cabelo da Inês para ela não perder a paciência e continuar persistente nos esclarecimentos, mesmo que uma dúvida ou afirmação pareça óbvia e má demais para ser trabalhadora :)


De G_L a 1 de Maio de 2009 às 16:22
São erros desses de matemática que costumam dar em desemprego.


De FuckItAll a 1 de Maio de 2009 às 16:27
ou melhor, é o emprego de quem faz estes erros que dá em desemprego para todos ;/


De Paulo Ribeiro a 1 de Maio de 2009 às 15:33
caro anónimo,
aconselho-o, vivamente, a ir indagar a realidade antes de escrever sobre o que houve, ok? pelo menos desde 2007, que, inscrição e requerimento de sd, se fazem em simultâneo no centro de emprego, não existe pois, qualquer necessidade do desempregado se deslocar à respectiva ss, isso foi noutros tempos. quanto ao tempo que medeia a percepção do sd , que raio, onde foi vexa buscar esse meio ano? nem, repita muito isso que parece mal! meu caro, isto també é cultura, o tempo médio é, actualmente, de 30 dias!

já agora, cara f., saiba que, o sistema de compensações da ss , é complexo e não inteiramente justo para todas as situações ( e haverão muitas), contudo, importa sempre salientar que, o sd não é uma remuneração (entendida como tal) mas uma compensação pela perda de trabalho. isso mesmo, perda de trabalho. por outro lado, a dois anos atrás, nem sequer era possível alguém com rendimentos independentes, ter sd . e esta hem ! a dois anos atrás, também não era possível o sd para: funcionários públicos e professores contratados. ora, com boa vontade e espírito reformador qb , penso que a nossa jovem democracia pode ir resolvendo estas lacunas, ou não lhe parece?


De G_L a 1 de Maio de 2009 às 15:17
Acho uma grande piada a estes tipo que pensam que só um meteorologista pode opinar sobre o tempo. Aliás, a cada 10 comentários na net, um é de alguém a tentar dar lições ao outro.

Ou ele está a gozar ou é um desempregado contumaz, que sabe a fundo do que fala.


De f. a 1 de Maio de 2009 às 15:23
as novas regras do subsídio, em vigor desde 2006, obrigam os beneficiários a apresentarem-se presencialmente no centro de emprego de 15 em 15 dias e a informar o mesmo do seu paradeiro -- não se podem ausentar do país sem autorização, por exemplo. são discutíveis, claro -- mas implicam que o beneficiário está em contacto frequente com o centro e portanto deitam por terra uma parte das objecções do anónimo. também devo dizer-lhe que nos casos que conheço o subsídio chegou ao fim de um mês. talvez tenha sido sorte.


De Anónimo a 1 de Maio de 2009 às 15:47
a fernanda confunde o centro de emprego com a segurança social. mas são duas coisas diferentes.

além disso, não percebo de que modo o facto do beneficiário ser obrigado a apresentar-se de 15 em 15 dias, qual criminoso, no centro de emprego, ponha em causa aquilo que eu disse. antes pelo contrário. reforça, porque aumenta a burocracia.

além disso, essa obrigatoriedade não é para todos e fica ao critério do centro de emprego.

mais: a proibição de se ausentar do país é anterior à legislação de 2006.

quanto ao tempo de espera pelo primeiro subsídio, desculpe, mas duvido daquilo que diz. até porque a ser verdade seria caso único ou consegui-o de forma ilícita.

eu, ao contrário, de si, já estive no fundo de desemprego. por isso sei do que falo. falo de experiência, não falo de ouvi dizer nem com base na experiência de amigos próximos.



De f. a 1 de Maio de 2009 às 15:53
duvida daquilo que eu digo porquê, posso saber? e ainda tem a lata de aventar que a pessoa de quem eu falo conseguiu o subsídio de forma ilícita? não há paciência, palavra de honra.


De António P. a 1 de Maio de 2009 às 12:50
Bom dia,
e ainda há o caso das chamadas micro empresas. Muitas ( a maioria ? ) constituidas por casais ou irmãos e que sendo sócios gerentes com salários e descontos para a Segurança Social não têm direito a subsídio de desemprego se a micro empresa for à falência.
São vistos como capitalistas.
Pelo que já ouvi alguns deputados estão abertos a analisar esta situação...mas os sindicatos não estão para ai virados. Cada vez mais conservadores estes sindicalistas.
Cumprimentos


De Guilherme Pereira a 1 de Maio de 2009 às 14:47
Caro António P.:

O problema da micro-empresas, como foi divulgado, já foi objecto de medidas de financiamento - o problema é que entre uma decisão política e a sua expressão no terreno passa uma eternidade.
A impiedosa máquina do Estado - apesar dos emagrecimentos e agilizações ou restruturações - é nisto que dá.
Finalmente: concordo consigo quando se refere aos movimentos sindicais, muito mais interessados em cavalgar a onda dos vários descontentamentos do que em saudável cooperação e na sede própria - Concertação Social - darem o exemplo que dão os trabalhadores da Auto-Europa, e contribuírem de facto para resolver os problemas pontuais e estruturantes.
Acorrentados às máquinas partidárias, os movimentos sindicais ( a minha Frenprof é exemplo flagrante)fazem o contrário das suas congéneres europeias - esbracejam, berram, atrapalham e de permeio fazem reivindicações, algumas delas, patéticas.
São as eleições, meu caro, são as eleições...


De G_L a 1 de Maio de 2009 às 14:55
Esse é um absurdo António, ao qual estou sujeito. Sou micro empresário e sou obrigado a pagar SS todos os meses. Enquanto tive empregados, paguei a SS dos mesmos todos os meses, mas, se a minha empresa falir, não tenho qualquer tipo de apoio, não posso meter baixa, ficar doente nada. Não estou a reclamar e acho bem que assim seja. Desprezo a cultura das "baixas" do "ficar doente" (o que não quer dizer rigorosamente nada, só é comparável ao "despiste") que já vi constatei estar entranhada no DNa da nossa sociedade. A mesma coisa para as infernais pontes, feriados de Dia de Portugal, 25 de Abril e Independência (os 3 podiam ser no mesmo dia, é um escândalo um país como Portugal ter um feriado de Independência, aliás não é um escândalo, é uma piada de mau gosto). Mas voltando ao assunto, a mentalidade dos "capitalistas", dos "patrões" como inimigos, tem de acabar. Cá é tudo ao contrário, é o único país do Ocidente onde é melhor ser empregado do que ser patrão. A sociedade ainda se está a procurar vingar dos tempos da ditadura, ou seja, há ainda toda essa demagogia do 25 de Abril que me desculpem mas é uma grande treta. É pura demagogia, pq esta é uma tão apregoada "economia mais aberta da União Europeia". O país é "capitalista" mas a legislação é "comunista". Isso tem um nome: absurdo, miséria, atraso. É essa demagogia que nos mantém enterrados no atraso, sem horizonte de escape.


De António P. a 1 de Maio de 2009 às 18:59
Caro G_L,,
Estou também na sua situação.
Também desprezo a cultura das "baixas", "do ficar doente", etc
Espero ´eque o absurdo seja resolvido.
Caso uma empresa em que os dois sócios gerentes são mariod e mulher vá à falência, não há direito a subsídio de desemprego apesar de terem descontado. Qual a lógica ?
E não tenho números mas arrisco a afirmar que a poercentagem de micro-empresas nesta situação deverá ser elevada.
Cumprimentos


De António Parente a 1 de Maio de 2009 às 13:45
O espaço desta caixa de comentários é demasiado pequeno para criticar os clichés deste post.


De catarina a 1 de Maio de 2009 às 13:56
...mas não é demasiado pequeno para o António lançar essa cena dos clichés e virar costas sem dizer água vai.

quais clichés afinal António Parente?

Parece que podia ser um contributo importante para todos não acha?


De Guilherme Pereira a 1 de Maio de 2009 às 14:30
Concordo, em abstracto, com as perplexidades da Fernanda relativamente a este caso concreto que, na aparência, é absurdo e um convite objectivo ao pequeno golpe, à preguiça e à ausência de ambições dos que, desempregados e beneficiando do respectivo subsídio, lutam para regressar ao mercado de trabalho.
Não sendo especialista em direito do trabalho, há porém dois factos a reter:

1.

Num momento de crise como o que vivemos e quase meio milhão de desempregados, terá de ser cuidadosa a aplicação dos impostos que pagamos para dividir de forma sensata o mal pelas aldeias, porque, e socorro-me de um lugar comum, o dinheiro do erário público não chega para tantas encomendas;

2.

O Código do Trabalho, como é fácil de perceber, foi concebido e depois publicado numa altura em que não havia a crise internacional, pelo que a correcção destas e outras distorções ou situações aparentemente sem sentido e até injustas, tem sido feita através de medidas legais e administrativas avulsas, tipo intervenção dos bombeiros, o que também se compreende porque, com efeito, este ou qualquer outro executivo tem de navegar à vista e em função dos desenvolvimentos da crise e sua expressão no tecido laboral ou social. É assim em Portugal e na maioria dos países da EU.
Cá para mim, a procissão ainda não saíu do adro...


De Francisco Gonçalves a 1 de Maio de 2009 às 16:35
Senhor Guilherme Pereira,

Desculpe lá, eu sei que não é da minha conta, mas se o senhor, em 1975, ainda se entretinha a derrubar estátuas à lei da bomba, em que fase da sua vida é que comandou a companhia de caçadores de Milange?


De Guilherme Pereira a 1 de Maio de 2009 às 19:17
"mas se o senhor, em 1975, ainda se entretinha a derrubar estátuas à lei da bomba, em que fase da sua vida é que comandou a companhia de caçadores de Milange?"

Foi assim, "Senhor" Francisco Gonçalves, que me interpelou.

Fê-lo usando inonia rasca com coisas sérias, pelo que a minha resposta é que não lhe respondo a coisa nenhuma.
Aprenda a ser bem educado.

P.S.

A cabeça da estátua do fascista Salazar, que foi por mim também alvo de uma acção revolucionária, está no lugar certo - em estilhaços, no lixo da História.
A Companhia que comandei em Moçambique é motivo TAMBÉM de orgulho para mim, embora de amargura pelos homens que perdemos em combate ou nele ficaram inutilizados.
Destas guerras deve o "Senhor" saber tanto como sei de lagares de azeite e poderia contar-lhas.
Mas só o farei quando estiver confrontado com um cavalheiro, de preferência bem educado e ainda mais de preferência se - PELO MENOS COMIGO - não brincar de forma irresponsável e reaccionária com coisas sérias.
Passe bem e vá dar banho ao cão.



De Francisco Gonçalves a 2 de Maio de 2009 às 14:48
Pois, pois, senhor Guilherme, eu já percebi o seu comando… Deixe-me dizer-lhe uma coisa: quando reclamamos boa educação, devemos dar o exemplo e eu, no que respeita ao senhor Guilherme, tenho inúmeras provas – aqui mesmo, neste blogue – da miserável educação que o senhor manifesta nas respostas que dá às interpelações que lhe fazem!

Quanto ao resto, não precisa de dizer nada. Eu sei que um indivíduo como o senhor não saberia, nunca, comandar coisa nenhuma, quanto mais um conjunto de homens onde a hierarquia e a cadeia de comando são primordiais para o êxito da missão.

Nunca um anárquico se iria sentir confortável num meio militar. Muito menos, alguém de bom senso confiaria uma vida que fosse a tão abstrusa pessoa.

Vou dar banho ao cão, sim, mas com a garantia de que até ele – o cão – será chamado à razão sobre a ignomínia da mentira!


De Guilherme Pereira a 3 de Maio de 2009 às 17:36
“Senhora” ou “Senhor” Francisco Gonçalves:

( desculpará o mixed: mas efectivamente a senhora ou senhor são PARA MIM anónimos)

O desespero de não ter corno para fazer dá no que escreveu. Imbecilidades ou provocações gratuitas.
Já lhe disse e repito que não respondo a anónimos.
Felizmente ou infelizmente COMANDEI homens, em teatro de operações de guerra.
Talvez por isso as Forças Armadas Portuguesas me condecoraram – estavam distraídas, quem sabe?
Boa educação, a minha terão sempre aquelas ou aqueles que se me dirigirem com decoro.
Isso está amplamente demonstrado neste blogue, onde sou um modestíssimo comentador IDENTIFICADÍSSIMO.
Basta clicar no meu nome.As mais de 60 mil palavras que aqui escrevi demonstram-nos abundantemente: urbanidade, humildade, capacidade de assumir erros, é ferramenta que uso para gente bem educada. Porventura, a Fernanda sabe quem a senhora ou o senhor são.
Eu não sei.
Por isso lhe respondo assim.
Arruaceiros e provocadores, desses como ao pequeno almoço e geralmente nem os como porque o trabalho em regra me impede de ter o dito pequeno almoço, ou almoço sequer.
Passe bem.
E dê mesmo banho ao cão.
Ou lave-se.
Também ajuda.


De Francisco Gonçalves a 4 de Maio de 2009 às 13:47
Senhor Guilherme Pereira,

Utilize os “mixed’s” que julgar necessários. Por mim, não vejo qualquer inconveniente, nem prejuízo pessoal.

Vamos ao que interessa, caro senhor.

Desde logo, um indivíduo que passeia neste blogue o número do seu Bilhete de Identidade, não me parece que seja atreito a grandes pormenores, na defesa das situações que são “da esfera da minha [vida] privada”, como o senhor referiu a um comentador deste blogue.

O modestíssimo comentador – fica-lhe muito bem e é ajustado o superlativo! – referiu que, aquando do 25 de Abril de 1974, era um garoto e estava preso, com data de saída, se se portasse bem, lá para 1981. Em seguida, disse que em 1975, presumo que em Julho, atentou contra uma estátua de Oliveira Salazar.

Logo depois, afirma ter comandado uma companhia de Caçadores de Milange.

Por razões de ordem temporal e porque não sei onde hei-de acomodar – cronologicamente –essa sua faceta de comandante, fiquei curioso e pedi que me esclarecesse.

Naturalmente, sabia que tal dúvida não iria gerar grande acolhimento na atitude truculenta que o senhor vai manifestando, por aqui. Naturalmente, também, não deixo de almoçar por causa dessa falta de esclarecimento.

Quanto ao que o senhor come ao pequeno-almoço, cumpre-me dizer-lhe o seguinte: não tenho qualquer dúvida que, em matéria de educação, afabilidade, tolerância e postura social, poderá o senhor viver mais trinta vezes e, após essa imensidão de tempo, ainda vai ter muito que aprender!

É que essas coisas não se conquistam com medalhas, nem que sejam mdalhas de cruz da sua guerra!


De fernando antolin a 3 de Maio de 2009 às 00:05
Já agora que idade tinha e qual a sua patente nessa data,que ainda não revelou ??


De catarina a 3 de Maio de 2009 às 00:51
"Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo"

Tem razão Antolin, vou diminuir o número de ventis para estar mais atenta, mas continuo no Ventil com orgulho.

Já percebi o Que o senhor é assim como percebi a sua "patente".
É daqueles que ainda pergunta a patente.

Passe bem e fume menos que o sr. está a precisar de um novo 25 de Abril.

Agradecia-lhe que me deixasse em paz e que não voltasse a ofender o meu Ventil.

Se a sua patente fôr das altas meu senhor, não voltarei a ouvir falar de si.

Foi-se logo meter com a "Bisneta do Coronel" em tempo de "segunda grande guerra."

Adeus Antolin



De Guilherme Pereira a 3 de Maio de 2009 às 02:59
As perguntas que me fez são da esfera da minha privada, pelo que não são para aqui chamadas senão aquelas que entendo, em função do tipo de debate e dos meus interlucutores.
Responder-lhe-ei com todo o gosto.
Basta que me envie um mail para o endereço que consta do meu blogue e se identifique.


De j a 1 de Maio de 2009 às 14:46
Por ser Dia do Trabalhador, permitam o abuso de tanscrever para aqui o que acabei de escrever. Indignado.

«Tarrafal

Estava a ver, ainda estava a passar na RTP1 ao começar a escrever, uma reportagem sobre o Tarrafal. Ouvi Edmundo Pedro e Sérgio Vilarigues. Senti um nó no estômago. Não quis ouvir. Nem ver mais.

Dei comigo a pensar num episódio, hoje, ao fim da manhã, quando na minha volta de rotina de moto, hábito que me dá prazer logo que o sol começa a aquecer a alma.

E passei ali junto ao rio. E cruzei as sensações do que seria a vida daqueles homens e a vida que temos hoje. Um deles quis saber por que não tenho aparecido para pescar.

Tinha começado a pescar ás seis e trinta da manhã e apanhou quatro robalos, todos com mais de um quilo. E deu-os ao engenheiro. Disse ele.

Ao engenheiro, a que propósito. O gajo é porreiro e costuma arranjar trabalho nas paragens da fábrica. Então, percebi que os robalos, com mais de um quilo, são óptimos para arranjar trabalho.

E o meu barco continua ali na garagem. Talvez amanhã vai dar uma volta. Por puro prazer. Um prazer egoísta. Porque não preciso de apanhar robalos para arranjar trabalho.»


De Mariadosazores a 1 de Maio de 2009 às 18:29
"Cá é tudo ao contrário, é o único país do Ocidente onde é melhor ser empregado do que ser patrão."
Diz-me onde trabalhas que também quero trabalhar aí!!! Ser patrão nesse país é como ser rei. Fazem o que querem e bem entendem, mandam e desmandam, e ainda dizem que quem está mal que se mude!!! Conheço muitos que põem baixa e depois recebem o salário por inteiro, junto com a baixa; que estão sempre a viajar e sempre de férias e nas compras mas que depois não pagam os salários na data certa porque não têm dinheiro e porque estamos em crise!!! Quantas destas falências que tem havido, são realmente verdadeiras?!? E quantas são fraudulentas?!?! Quantas vezes vemos nas notícias empregados a dizerem que a empresa estava bem e recomendava-se, e que da noite para o dia abriu falência, e retiraram as máquinas de madrugada!!!
Que há crise ninguém duvida, mas que muitos estão a aproveitar-se dela para fechar e deixar os funcionários no desemprego, isso não tenho qualquer dúvida!!! Patrão que é patrão que se preze, faz de tudo para manter o seu negócio aberto e defende os seus trabalhadores.
Basta ver a capa da revista sábado desta semana para se ter pena daqueles patrões!!! Eu nem trabalhando 50 anos consigo auferir o que muitos deles auferem num ano r apenas em prémios!!! E há quem esteja pior do que eu!!!


De G_L a 1 de Maio de 2009 às 21:50
Cara Mariadosprazeres,

"Conheço muitos que põem baixa e depois recebem o salário por inteiro, junto com a baixa;"

Isso é contra a lei, se se tratar do sócio-gerente, não pode meter baixa. Você pode, ele não. Esse patrão que descreve deve ser na verdade um chefe, não um patrão. Se calhar está a misturar as duas coisas.

Vejo que está revoltada contra a injustiça dos patrões. Pq não abre vc uma empresa? Quem sabe poderia gozar dessa vida dourada dos patrões que descreve?

Deixe de invejar o seu patrão. Não sabe o drama que ele passa para poder pagar o seu salário em dia. Os patrões se dividem entre os que, quando tem de despedir pessoal, passam o cadeado na porta e somem e os que sacrificam tudo para cumprir o combinado e os direitos dos trabalhadores. Pode estar certa que há mais dos segundos do que dos primeiros. A legislação, entretanto, não ajuda nenhum dos dois.





De Mariadosazores a 2 de Maio de 2009 às 12:56
Eu não invejo o meu patrão por esse é DEUS, visto eu trabalhar numa IPSS que pertence a uma igreja.
Mas tenho amigas a quem isso acontece mês sim, mês sim senhor. Também sei que não são todos iguais e que muitos se pautam por valores como a honestidade, transparência e solidariedade com os seus funcionários. Mas há cada vez mais destes como diz: "quando tem de despedir pessoal, passam o cadeado na porta e somem", e é contra estes que "temos" de combater. Bom fim de semana


De Isabel Prata a 1 de Maio de 2009 às 22:31
e já agora junte também os bolseiros de doutoramento e de pos-doutoramento , gente altamente especializada, que deu duro 4 ou 7 anos (no caso dos pos-doc ) e que se não arranjar emprego não tem direito a absolutamente nada.


De Anonima a 8 de Dezembro de 2009 às 19:21
Para a informaçao d km diz k e sd e so no centro de emprego esta errado, primeiro inscreve se no centro de emprego o qual lhe entrega uma declaraçao para a ss e ai e k se trata do sd. e para informaçao tb eu estive
6 meses a espera. 


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