Ao contrário do que diz o Nuno Lobo, o "especialista" citado não diz "quantos mais divórcios, melhor". Diz apenas o seguinte: é melhor que exista a possibilidade de divórcio - que permite que se possa formar uma nova família - do que ser-se obrigado a manter uma família que existe apenas no nome. A "tragédia" não é o divórcio; é tudo aquilo que o torna inevitável.
De
f. a 27 de Maio de 2009 às 15:51
a tragédia, diria eu, é haver gente q continua a confundir família com casamento e q acha q o facto de um casamento ser indissoluvel obriga as pessoas, nem sequer a serem felizes (isso deve estar evidentemente fora da equação para quem assim s exprime) mas a viverem juntas. é o que se chama 'legislar para as estatísticas': se antes de haver inteira liberdade d divórcio (ou seja, recentemente antes de 1975) havia mais pessoas q ficavam casadas toda a vida, daí s infere q essas pessoas viviam com a pessoa com qem estavam casadas e, mais, mesmo vivendo com essa pessoa não tinham 'outras famílias'. será isto 'política de verdade'?
De António Parente a 27 de Maio de 2009 às 16:05
estou curioso sobre o conhecimento que a f. tem sobre a felicidade das pessoas no casamento e até sobre o seu conceito de felicidade. acho muito estranho que a f. considere o divórcio bom.
enfim, até parece que a f. quer descasar os hetero e casar os homo, virar o mundo ao contrário, mas deve ser só confusão minha
De
f. a 27 de Maio de 2009 às 16:09
confusão sua, antónio? é lá possível.
De António Parente a 27 de Maio de 2009 às 16:29
diga-me que não era um cenário que não lhe agradaria. até eu fico indeciso se não seria bom se a f. se dedicasse a essa causa. com o seu poder mediático, se a f. lutasse por tornar a depilação masculina obrigatória, não sei se não provocaria mais sofrimento ao mundo masculino.
De fernando antolin a 27 de Maio de 2009 às 17:43
"...se a f. lutasse por tornar a depilação masculina obrigatória..." por favor, António Parente, não lhe dê ideias !! Já estou a ver o JorgeC e mais alguma vítima a caminho desse cadafalso ...!
De António Parente a 27 de Maio de 2009 às 18:44
Caro Fernando
O JorgeC é o ai jesus! das meninas. Nunca lhe fariam mal, nem voluntária nem involuntariamente. É um protegido, estão sempre a colocar-lhe o dedo no queixo e a fazer aquela carinha ternurenta que fazem para os bebés e a dizerem bixibixibi
De fernando antolin a 27 de Maio de 2009 às 19:23
Pois é, até lhe chamam fofinho e tudo ...caiu em graça !!
Coitadinho, António, no fundo já lhe retirámos quase toda a masculinidade e conservadorismo, chega a um ponto em que há que ter piedade. Mas devo dizer que há uns meses atrás andávamos de dedo em riste mutuamente... amiúde.
De António Parente a 27 de Maio de 2009 às 20:46
Permita-me discordar, Inês. Não me parece que tenha ficado sem a masculinidade ou conservadorismo. Nota-se que tem algum mimo mas não considero defeito.
Pois claro que tem mimo, ó, está sempre toda a gente a perdoar-lhe tudo!
De fernando antolin a 27 de Maio de 2009 às 21:51
E ele nem sabe o que estão aqui a dizer,deve ter estado a ver o futebol...coitadinho. Vocês gostam é de o martirizar , il poverello...
eheheheh, também estava a ler o António e quase me cheirou a enxofre, de tanto que pensei "scenes we'd like to see, a Fernanda a fazer campanha pela depilação obrigatória"
Porque é que um divórcio não pode ser algo bom, pergunto eu? Se existe um casamento mau, disfuncional e indutor de sofrimento...
(virar o mundo ao contrário é, de facto, uma expressão muito curiosa e reveladora)
De António Parente a 27 de Maio de 2009 às 16:27
Maria João Pires
Há situações em que o divórcio é a única solução. Concordo consigo que em situações que provocam sofrimento não se justifica o casamento. No caso de violência conjugal, não me parece justo que a vítima seja obrigada a viver junta com o agressor. Quando ambos os membros do casal estão de comum acordo, penso que ninguém tem nada a objectar quanto ao divórcio. Todavia, há situações de divórcio que são completamente injustas para o conjugue que é abandonado. Imagine um homem da minha idade - 49 anos - que um dia acorda de amanhã, olha para a mulher com quem dorme há 25 anos e pensa "olha o estafermo com que casei, mais vale divorciar e casar com a flausina lá do escritório 25 anos mais nova e com um ar tão fresco que até parecer estar sempre a saír de um banho de espuma". Muda-se assim de mulher como quem troca um carro velho por um carro novo. Parece-me mal.
A minha experiência de divórcios dos outros - tive e tenho só um casamento, por isso não posso falar por experiência própria - diz-me que um divórcio "normal" provoca sempre muito sofrimento e até acontece que o membro originador do divórcio passado um tempo até está arrependido do que fez e diz que se pudesse voltar atrás e se tivesse outra oportunidade tudo seria diferente.
Choca-me a ligeireza com que ouço falar no divórcio.
Meu caro senhor, as razões que levam um casal ao divórcio só a eles lhe dizem respeito. Se queria a minha simpatia empática com a mulher desse exemplo que apresentou não a terá (até porque um homem q olha para a mulher e a considera um estafermo, mm q não lho diga, é um homem q não a respeita e uma relação sem respeito mútuo não é propriamente aquilo q me parece ser o protótipo de uma relação saudável)
De António Parente a 27 de Maio de 2009 às 16:39
Minha cara senhora
Como deve calcular não procurei a sua empatia simpática nem esse era o objectivo da situação que referi como exemplo.
Quanto "às razões que levam um casal ao divórcio só a eles lhe dizem respeito" não é bem assim. Num caso de divórcio litigioso não tem razão. As leis devem proteger a parte mais fraca, seja a mulher ou o homem. Se quer uma sociedade selvagem é que seja legalmente permitido as pessoas maltratarem outras a seu belo prazer e sairem impunemente da situação, posso dizer-lhe, sem qualquer receio, que estaremos sempre do lado contrário. Acrescento e termino: felizmente.
De aorta a 27 de Maio de 2009 às 16:39
"olha o estafermo com que casei, mais vale divorciar e casar com a flausina lá do escritório 25 anos mais nova e com um ar tão fresco que até parecer estar sempre a saír de um banho de espuma".
parecia mal, se eles permanecessem casados. isso, sim, seria horrível.
De António Parente a 27 de Maio de 2009 às 17:01
aorta
eu não disse que era uma situação justa e que deveriam ficar casados. o que defendo é a existência de leis do divórcio que protejam o membro do casal abandonado nestas condições, só e apenas isso.
De aorta a 27 de Maio de 2009 às 17:29
se quer que lhe diga. os casamentos deveriam ser contratos a prazo, renováveis por iguais períodos de tempo.
e a celebre frase "até que a morte os separe" deveria ser substituída por "até que a VIDA os separe".
De António Parente a 27 de Maio de 2009 às 17:35
Um dia o seu sonho será realidade, não se preocupe. Já faltou mais...
De Anónimo a 28 de Maio de 2009 às 14:21
António Parente, uma coisa é a possibilidade do divórcio e aí, como é mais do que óbvio, cada um sabe de si. Outra coisa são as leis que regulam os direitos e deveres de cada um no divórcio. Não confunda.
Você ficou muito condoido com a situação da senhora da história. Aquele casamento está ou não acabado?Era ou não era bom o divórcio? O que acha que eles deviam fazer, afinal? Outra coisa édiferente é a regulação dos termos do divórcio.
Pedro
De António Parente a 28 de Maio de 2009 às 14:55
Pedro
Se cada um sabe de si, então as suas perguntas não fazem sentido. Ao permitir-se o divórcio sem causa (ao aceitar-se o divórcio sem causa abriu-se um pouquinho as mentes populares para a porta do despedimento sem causa, repare...), tal como está na lei actual, dá-se o direito a um dos conjugues e retira-se ao outro todos os direitos de protestar. Ao eliminar-se o conceito de culpa abre-se a porta a que pessoas mal formadas façam as maiores pulhices ao parceiro(a) sem que haja penalização para isso. Não me parece justo. Mas isto sou eu que gosto de alinhar sempre ao lado dos fracos e desprotegidos.
De nuvens de fumo a 27 de Maio de 2009 às 16:39
Não é por estar casado que deixa de olhar e comparar a mulher com as mulheres mais novas. Isso é inevitável, apenas se a amar tem de encontrar novos pontos de interesse. O desejo é antes de mais um exercício, não um dado estático.
E não é o casamento que evita o desejo por outras mulheres.
Olhe variem os dois se é assim tão importante, podem variar juntos que é sempre divertido.
Uma coisa é sexo , outra amor.
Acho que nessas cabeças anda muita confusão.
De António Parente a 27 de Maio de 2009 às 16:58
Caro Nuvens de Fumo
Onde há uma cabeça há sempre muita confusão. É tão natural como a água que corre no rio. Quem não tem cabeça não tem confusões. É uma verdade do Sr. de La Palisse. Não sei em qual das duas categorias - com cabeça ou sem cabeça - o Nuvens de Fumo se inclui.
Se optar por não ter cabeça para evitar confusões, asseguro-lhe que tendo cabeça se resolvem muitas das confusões. Uma das confusões é afirmar que uma coisa é o sexo, outra o amor. O que nos distingue, como seres racionais, dos outros animais é que fomos capazes de ultrapassar essa questão do sexo pelo sexo e construímos um novo paradigma, em que o sexo é uma expressão do amor. Pelo menos alguns ultrapassaram, acho eu.
De Nuvens de Fumo a 27 de Maio de 2009 às 17:58
Caro AP
Quanto à dissertação sobre cabeças e confusão e Sr. de La Palisse não me mercê nenhuma atenção em particular a não ser mencionar que é uma confusão comum achar que Sr. de La Palisse disse alguma verdade auto-evidente, uma vez que o que consta é um frase do seu epitáfio que a popular burrice se encarregou de adulterar : “Ci gît Monsieur de La Palice: Si il' n'était pas mort, il ferait encore envie.” E foi transformado em “que deux jours avant sa mort / il était encore en vie.”. por isso, verdade seja feita ao senhor, nada tem de auto-evidente.
Quanto à substância não sei se percebi, será que quer implicar que não podemos ter sexo como uma diversão ? eu consigo, e tem tudo menos de semelhante aos animais, pelo menos aos animais com cio. Repare, e penso que aqui residirá a sua confusão. A maioria das fêmeas dos mamíferos tem ciclos de fertilidade, quando começam a ficar férteis entram em cio. Este processo desperta o desejo sexual nos machos que copulam, formam ou não casais, e estamos falados. As fêmeas tem pouco prazer ou até dor como no caso dos coalas que tem de violar as fêmeas, e os macho parecem ser mais afoitos. Milhões de anos de selecção natural garantem que mesmo contra vontade só cá estão os que se conseguiram reproduzir. Não é um processo muito elaborado no acto se bem que existem cortes complexas e detalhes que apenas a nossa etnocentricidade nos leva a considerar de menor importância. QDE
Agora, entre os símios , bonomos e seres humanos, existe sexo por prazer. No caso dos nossos primos, fazem-no como relação social, para equilibrar as tenções de poder, e por prazer puro, como nunca foram informados dos desígnios divinos fornicam todos com todos .No entanto é um produto da sua cultura, seja ela muito ou pouco elaborada.
No caso dos humanos, como temos um pouco mais de suposta cultura, esse processo é ainda mais misto, mas sexo por sexo, não pode existir da forma que implica , porque é sempre o resultado de uma interacção social complexa. Sexo por prazer pode existir e existe, daí a existência da prostituição desde o início dos tempos. O sexo por puro prazer é um acto cultural sublime, primeiro porque é um aprimorar de uma técnica que implica o conhecimento do outro, o nosso conhecimento , implica maturidade e sobretudo saber-se o que se quer.
Se quer que lhe diga, acho que no casamento é que poderemos encontrar mais depressa o sexo animal , leia-se reprodutivo. Para se dar e receber mesmo prazer, terá de ser tudo menos animal.
Claro que isso dependerá da experiência de cada…
De António Parente a 27 de Maio de 2009 às 18:22
Caro(a) Nuvens de Fumo
Obrigado pela excelente e completa lição biológica sobre sexo, reprodução e factores culturais, sociais e antropológicos. Foi enriquecedora e penso que todos os comentadores que andam por aqui devem estar-lhe agradecidos por isso.
Sobre o Sr. de La Palisse eu já conhecia essa história e sei outras também: Aposto que o senhor(a) não faz a mínima ideia sobre os motivos porque estão os bombeiros voluntários da ajuda na praça da alegria.
De Nuvens De Fumo a 28 de Maio de 2009 às 10:26
A minha cultura é ecléctica mas não tanto que se dedique a BV , sua localização , D. Afonso, Raínha mãe, cavalos e histórias afins....LOL
De Nuvens de Fumo a 27 de Maio de 2009 às 16:35
O divórcio é mau ? porque ?
As pessoas não tem o direito de serem felizes ? quem quiser que se martirize em relações acabadas. Ai os bons velhos tempos, onde a mulher era a dona de casa, esfregava o chão, cuidava dos filhos, educava-os e tomava conta do marido. Este , casado tipicamente ou por interesse económico ou por necessidade de procriar tinha as suas amantes. Todos sabiam, e aceitavam, quem não queria chatices tinha os prostíbulos, mais baratos e sempre com preços para todas as bolsas. Mantidas as aparências à custa de uma vida sexual inexistente , assim era o casamento para a grande maioria dos casais, eram belos tempos sem sida e com uma dualidade moral deliciosa.
Mas , para esses saudosistas , acabou esse mundo perfeito. Agora é uma chatice, as pessoas procuram ser felizes, escolhem e quando se enganam tentam novamente. Que tolice… e mais, para quem apregoa tanto a treta da família tradicional, nunca foi tão difícil ter uma e manter uma como hoje, com a instabilidade do emprego, as expectativas impingidas a todos, a necessidade das mulheres trabalharem , os magros salários, os custos de educação proibitivos etc, a nossa sociedade é extremamente exigente com os casais, que chegam tardíssimo , acumulam trabalhos e ficam muito reduzidos na sua vida íntima. Admira-me não haver mais divórcios.
Os divórcios não são bons nem maus , são exercícios da nossa liberdade individual, e como sempre podem ser vistos de vários ângulos e diversas formas.
Pessoalmente, o casamento tirando questões legais, serve cada vez para menos, mas para quem seja aficionado pode sempre casar pela igreja.
De Rui a 27 de Maio de 2009 às 17:56
Concordo com a multiplicação das famílias. Quantas mais, melhor!
Mas necessito, para fundamentar a opinião, de conhecer a realidade que quem já teve quatro ou cinco famílias; falar com os filhos, por exemplo. Só para poder comprovar a validade da teoria. É que de palavras estou farto. Veja-se o "choque tecnológico" que obrigou as Finanças a adiar o final da entrega das declarações de IRS... Paleio é fácil. O pior é o resto.
De MegaBesunta a 27 de Maio de 2009 às 22:46
o gajo não deve pagar as pensões de alimentos aos filhos nem as ex-mulheres
Caro João Galamba,
Para além de subscrever o que escrevem, deixe-me dizer que considero que o problema não é o casamento nem o divórcio, mas sim a ânsia de alguns em controlar a vida dos outros.
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