De Joca a 28 de Maio de 2009 às 22:43
Pelo menos não criou outra trapalhada como aquela do Baltazar e do sargento.
A propósito, que é feito do sargento?
não faço ideia. Quanto a não criar trapalhada: pois não, é aflitivamente claro.
De MegaBesunta a 28 de Maio de 2009 às 22:45
só me admira é que num estado cada vez mais controleiro esta especie de juiz não tenha cassada a licença para julgar,se é que isso existe.
ps-se o alberto costa quiser substituir os juizes por um programa informatico de atribuiçao de decisões judiciais ,uma vez que não precisam de bom-senso,que me procure porque sou licenciado em programaçao e estou desempregado.
obrigado
indeed. Assim é que não havia cá mariquices de pensar em aspectos emocionais.
De aorta a 29 de Maio de 2009 às 11:25
esta mãe, que a determinada altura se viu sem condições para criar a filha, e a entregou para que outros a fizessem, vai ter de pagar o seu "crime" para o resto da vida.
para a inês e outras que tais, ela deveria ter abortado.
e aí esta mãe não seria uma não-prostituta e uma não alcoólica, mas uma vítima.
A dona artéria fará como entender, mas tenho para mim que tinha mais interesse comentar aquilo sobre que escrevi, e não tentar pôr nas minhas letras o que lá não está. Não acho que a senhora devia ter feito ou deixado de fazer nada: as escolhas são de cada um. Têm é consequências, sobretudo quando afectam outros, e por maioria de razão quando afectam menores.
Quanto aos direitos maternais, tenho novidades fresquinhas: um filho não pode ser posto no congelador à espera durante quatro anos. É chato, mas é assim. Uma criança não pode andar de um lado para o outro, física e emocionalmente, enquanto os adultos se organizam. Como os anos cruciais da infância são curtos, os prazos para alguém decidir se está ou não no centro da vida de um filho também têm de ser curtos. Pode parecer duro, mas mais duro é andar a brincar com a base de formação psicológica e social duma criança. Entre lesar os adultos ou os filhos, a decisão parece-me relativamente fácil.
Já agora, vale a pena espreitar também isto:
http://noticias.sapo.pt/info/artigo/997080.html
De aorta a 29 de Maio de 2009 às 13:53
"Entre lesar os adultos ou os filhos, a decisão parece-me relativamente fácil."
ai sim? e qual é a decisão que deve ser tomada? e já agora com base em que argumentos?
De Cat a 29 de Maio de 2009 às 14:25
Estou a ver q é daquelas pessoas que, como alguém já disse noutro post, "importante é antes de nascermos depois de nascermos não valemos nada"
De aorta a 29 de Maio de 2009 às 15:56
sim, sim... se a senhora tivesse abortado, era uma vítima da sociedade e das más condições económicas.
como teve a CORAGEM e a DIGNIDADE para entregar a filha ao cuidado de outros, é uma ordinária que põe a filha em "armazéns", e que merece ser castigada até ao fim dos seus dias.
se até um assassino tem direito a uma segunda hipótese, porquê que uma mãe que entregou a filha para outros cuidarem, numa má altura da sua vida, não pode ter direito a voltar a ficar com ela?
TENHAM VERGONHA!
indeed, por esta conversa, parece que a única coisa que conta é parir, a partir daí é carta branca para trazer crianças em maus-tratos (nos vários sentidos do termo, a julgar pelos relatórios do caso).
No mínimo, algo como o previsto pela sentença de Barcelos (está linkada no post).
De ana a 29 de Maio de 2009 às 01:11
Será que estes juízes se consideram pessoas de bem? limitam-se a aplicar o que está no livro, sem uma ponta de humanidade e sem uma ponta de remorso. Têm formação para julgar estes casos? Percebem alguma coisa de crianças? Imaginemos que quando tínhamos 6 anos nos tinham tirado o nosso quarto, a nossa casa, a segurança dos afectos que conhecíamos. Seríamos hoje as mesmas pessoas? Eu penso que não.
Mas esta absurda primazia da abstracção biológica sobre a experiência não está apenas na cabeça dos juizes, é validada por vários aspectos da lei, parece-me. Mesmo quanto aos juizes, não é individual, é toda uma jurisprudência assim orientada. Como há um enorme lastro de decisões em que se encara a criança como um bem sobre o qual há conflito, e não como um sujeito cujos direitos e bem-estar deviam sobrepor-se ao resto.
Mesmo considerando que, nesta história como na do "caso Esmeralda", parte do problema vem da irresponsável gestão de tempos (e das regras que a permitem), as decisões tomadas passam por estes aspectos e seria preciso revê-los também.
De aorta a 29 de Maio de 2009 às 12:40
"abstracção biológica"????????
AHAHAHAHAHAHAH!!!!
esta só pode ser para rir.
Eu também fico pateta de bem-disposta com o sol, compreendo.
...mas estou pedagógica e vou explicar devagarinho: um laço biológico, para todos os efeitos que não umas poucas instâncias médicas, é uma abstração. Os laços de que as nossas vidas são feitas não têm nada que ver com a biologia, stricto sensu
De aorta a 29 de Maio de 2009 às 15:50
não sei se o antónio damásio concorda consigo. mas o seu discurso está quase a roçar o da igreja universal do reino de deus.
claro que não não somos nem biologia nem matéria, mas sim energia e espírito.
um gajo tem que ler cada merda...
As relações que temos é que não são biologia, caro, está a tresler
De Zé Carioca a 29 de Maio de 2009 às 09:15
Inês: dito em poucas palavras, mas muito bem dito.

olha, tenho um village people baiano a concordar comigo... ;p
baiano nada, discurpe, seu Zé, carioca!
De Jose Basilio a 29 de Maio de 2009 às 09:33
Talvez haja absurdos na lei de família em Portugal, mas este caso demonstra que à luz dos mesmos factos provados dois tribunais decidiram de forma quase distinta. Isto leva-me a pensar que talvez, mais do que mudar a lei, seria bom que os juízes que julgam estes casos tenham formação específica na matéria.
e que se reduza o espaço legal e normativo para que decisões como esta última possam ser tomadas
De Luís Lavoura a 29 de Maio de 2009 às 09:36
Discordo da Inês.
Se as coisas fossem como a Inês as descreve, seria bem fácil roubar um filho aos pais: bastaria raptar a criança e educá-la "dos dois aos seis anos". A criança ficaria afetivamente ligada a quem a educou, e prontos.
Estes casos vão-se tornar, infelizmente, cada vez mais recorrentes, à medida que há mais e mais casais portugueses que não conseguem ter filhos e que anseiam por uma adoção. Como os mecanismos normais da adoção não funcionam, recorre-se a expedientes.
A minha opinião é que aqui quem erra é o Estado, ao ter criado esta categoria ambígua e perigosa das "famílias de acolhimento". Se o Estado deseja retirar uma criança aos cuidados dos seus pais, deve colocá-la numa instituição - se ela fôr para devolver aos pais mais tarde - ou então dá-la para adoção - se não fôr. Colocá-la numa "família de acolhimento" é propício a levar a este problema - a criança cria laços afetivos à família de acolhimento e depois, quando se trata de a devolver aos pais, é um "ai Jesus!".
Claro que é o Estado quem erra, estamos de acordo. E sim, uma parte do problema é que as tais famílias de acolhimento (ou figuras similares) deviam ser soluções transitórias. Mas por cá o provisório tende a arrastar-se, como sabemos. E uma vez feito este erro, não me parece legítimo ignorar quatro anos numa vida de seis. É, outra vez, considerar apenas os supostos direitos dos adultos.
De Luís Lavoura a 29 de Maio de 2009 às 11:11
A Inês tem razão, mas o facto é que os direitos dos adultos existem, pelo menos enquanto não lhes forem formalmente retirados. E a mãe tem o direito à filha, esse direito não lhe tinha sido retirado. E o facto, muito mais grave e que a Inês se recusa a enfrentar, é que, se formos pela lógica da escolha da criança que a Inês defende, o roubo de crianças passa a ser aflitivamente fácil. Se vamos pela lógica de que a criança é quem escolhe com quem lhe apetece viver, passa a bastar, por exemplo, a uma mãe roubar o filho ao seu pai e ficar com ela durante um ano impedindo que o pai a veja (como muitas fazem) (e azucrinando-lhe a cabeça que o pai é um filho-da-puta e um pedófilo, se necessário fôr), para que o pai de facto nunca mais possa ter acesso à filha, porque a criança diz que não o quer. E isto, Inês, é totalmente inaceitável.
Ninguém falou em fazer o que a criança diz - ter direitos não é o mesmo que ser ela a decidir, Luís, não foi isso que eu disse e seria idiota se tivesse dito.
Mas uma coisa é verdade: estes problemas não se poriam, pelo menos tanto e tão dramaticamente, se não se deixasse arrastar situações de afastamento ilegítimo, como no seu exemplo e no "caso Esmeralda", ou se houvesse prazos mais curtos para definir uma situação de abandono, como parece ser o caso aqui.
Acresce a tudo isto a invocação de uma coisa espantosa para justificar uma "pressa pouco atenta", a da existência de uma ordem de expulsão dada à mãe da criança. Ora bolas e essa ordem de expulsão não poderia ser protelada até q tudo fosse devidamente avaliado?
a ordem de expulsão foi revogada logo que entrou o processo relativamente à menor, esclareceu hoje o SEF - esse argumento é mentiroso ou incompetente.
Ufaa, afinal há mais bom senso legal do q eu estava a pensar (ainda não li jornais hoje).
De aorta a 29 de Maio de 2009 às 13:26
ela devia era ter abortado. hoje a vítima seria ela.
De aorta a 29 de Maio de 2009 às 13:30
isso foi o que o sargento fez, por exemplo. com os resultados que todos conhecem.
a mãe tem direito à filha, sim. e o juíz fez muito bem a devolver.
portanto, insiste que filhos possam ser postos em armazém até darem jeito?
De aorta a 29 de Maio de 2009 às 13:42
se aquela família é um armazém, mais uma razão para a criança ser devolvida à mãe.
e antes serem colocadas em armazéns, como você lhes chama, do que serem mortas aos pedaços e colocadas num caixote do lixo à porta de uma clínica qualquer.
aquela mãe teve a honestidade e a dignidade de "dar" uma filha que não tinha condições para criar. deveria ser respeitada e ajudada por isso.
nomeadamente deve ter direito à filha quando tiver condições para a criar.
Lamento, mas ela não deu graciosamente a criança, havia situação de risco e maus tratos atestada pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens . Esta conversa era mais fácil se antes de virem de dedo em riste considerassem o caso concreto. Mas, mesmo que fosse de livre vontade, se se dá uma criança, não é para vir buscá-la a qualquer altura.
Não percebeu mesmo a referência a armazém, ou está a desconversar? Não disse que a família era um armazém, disse que quem acha que um filho pode ser largado e repescado conforme dá jeito o está a tratar com um artigo de armazém. É pena não se poder fazer desenhos, às vezes...
mais info:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1383724&idCanal=62
(detalhe: quando falei em roubo referia-me a roubar a família à criança e não o inverso)
De aorta a 29 de Maio de 2009 às 13:48
a mesquinhez e a crueldade estão nas chamadas "família de acolhimento", que não têm noção que são apenas isso: "família de acolhimento".
famílias que acolhem crianças até os país terem condições de cuidar delas.
De Praia a 29 de Maio de 2009 às 14:48
Ainda bem. Atenção ao detalhe :)
De Luís Lavoura a 29 de Maio de 2009 às 09:44
Quanto ao "falantes doutra língua e habitantes de um país distante", isso só mostra, da parte da Inês, um total desconhecimento da vida e, em particular, das crianças.
O meu filho está num infantário onde há uma criança que entrou este ano a só saber falar sueco. (Os pais são de origem búlgara mas viviam na Suécia e falam sueco em casa.) Estamos agora em Maio e a criança fala português perfeito. Os pais, que vivem cá há um ano, não falam uma palavra de português, e continuam a falar sueco com o miúdo em casa.
Antes disso já tive a experiência de uma casal de indianos. A filha de dois anos, que nem numa jardim de infância estava - passava os dias com a mãe em casa - aprendeu português facilmente e fluentemente a brincar com outras crianças no jardim. Quando chegou aos cinco anos de idade ensinava português aos pais. E fartou-se de berrar quando estes a levaram de volta para a Índia. Naturalmente.
No jardim de infância do meu filho também há crianças polacas, com o mesmo efeito. Estão perfeitamente adaptadas e falam português perfeitamente - os seus pais só lhes falam em polaco. Naturalmente fartar-se-ão de chorar quando tiverem que ir para outro país.
Hoje em dia, Inês, há milhões de crianças que são transplantadas, com as suas famílias, para países diferentes. E adaptam-se perfeitissimamente e rapidissimamente - ao contrário dos pais. Para as crianças, mudr de país e de língua é chocante, mas fácil.
Luís, o que diz não tem que ver com o problema que levantei. O Luís fala de miúdos que mudaram de contexto linguístico com as suas famílias; eu falava de uma criança a quem foi atribuída pelo tribunal uma família com quem não consegue comunicar; e isto sendo, além disso, desconhecidos totais. Falava de um laço biológico e apenas biológico ser mais importante que toda a curta vida da tal criança, que tudo o que a define. A questão não era a mudança linguística por si.
De Luís Lavoura a 29 de Maio de 2009 às 11:05
Inês, eu citei (entre aspas e tudo!) uma frase do seu post em que se referia a problemática da "outra língua" e do "país distante". E o que eu disse é que isso não é problema nenhum grave para uma criança. Não digo que não haja outros problemas, esses sim graves!
acontece que essas aspas isolam um factor que eu não referi isolado, mas como parte de uma situação geral de "estranhamento". Na minha família e geração há demasiados exemplos de crianças bilingues e migrantes para eu ter qualquer hipótese de ver isso, por si, como um problema.
De Carlos Marques a 29 de Maio de 2009 às 10:20
Luís Lavoura, você está a defender aquelas decisões jurídicas, muy formais e sisudas, de quem toma decisões de vida e de morte por papéis e preconceitos pessoais, sem ouvir as pessoas envolvidas? Quanto a colocar as crianças em instituições, está a pensar na Casa Pia? Ainda consegue ver-se em criança e imaginar-se "transplantado" na pele daquela menina, condenada a que parte dela morra? Nojo, é a palavra que me ocorre para dizer o que sinto por estes senhores intocáveis, a que nada acontecerá e que continuarão a viver confortavelmente, nem que seja à base de mais uns uísquies. Portugal é o mais nobre dos países na defesa dos direitos das pessoas, crianças incluídas, mais até do que os países ricos (parece que fomos o primeiro Estado a abolir a pena de morte), porque isso é muito bom para a consciência dos senhores que fazem as leis - depois na prática depende da sorte de cada um, é mais ou menos cada um por si, dependendo do dinheiro que se tiver.
Por razões óbvias "gostei" particularmente da referência ao relatório psiquiátrico para justificar "não ter ficado provado que a mãe da menina fosse alcoólica ou prostituta". Pois tá claro, uma mãe alcoólica ou uma mãe prostituta têm, à partida, as mesmas limitações no exercício da capacidade parental. Esta merda até dói.
De Francisco Gonçalves a 29 de Maio de 2009 às 10:56
Que merda é que lhe dói, Ana?
De
Mazinha a 29 de Maio de 2009 às 10:59
Uma prostituta pode ser uma excelente mãe, já uma alcoólica, por muito casta que seja, n merece ter sequer um cão à sua guarda. Mas metem sempre tudo no mesmo saco, dass....
deve fazer parte da "exposição a estilos de vida desviantes", que continuam a configurar uma percentagem elevada* entre os casos de intervenção da protecção a menores. É uma definição maravilhosa e que me deixa muito confiante.
*16%? não me lembro ao certo e não tenho aqui os dados
De Praia a 29 de Maio de 2009 às 13:13
Concordo inteiramente com a Ana Matos Pires.
"Esta merda" dói mesmo.
Se fosse Pai, curiosidade tinha de ler o relatório psiquiátrico.
O Mishima (lamento mas só me lembrei deste) tem um conto passado no Verão. Tudo começa numa praia em que a mãe deixa os dois filhos entregues à cunhada para ir fazer qualquer coisa obrigatória.
Um dos filhos morre afogado. No funeral todos abraçam o Pai da criança morta, todos olham de lado para a Mãe que a deixou com a cunhada.
O mishima é o tipo do arakiri mas, ou E, nunca me consegui esquecer deste conto começado numa Praia japonesa.
A maternidade é sempre presa por ter e não ter Cão.
Isso Dói.
De aorta a 29 de Maio de 2009 às 15:59
e o pior é que há sempre umas gajas dispostas a apedrejá-las.
De Praia a 29 de Maio de 2009 às 17:56
Claro. Isso dói ainda mais
A maternidade, que eu partilho, não é uma carta em branco para dispôr de crianças à vontadinha.
De Praia a 31 de Maio de 2009 às 01:37
pior do que isso só mesmo a carta em branco ao camané no CCB, safa já não posso ouvir falar nos maus-tratos às criancinhas. olhai para o o sol de soslaio e reparai no mar que é muito mais importante que a treta das notícias sobre criancinhas e pais.
Maternidade partilhada? Ca sorte. Nem todas têm essa sorte, sejamos claros e justos quando falamos de maternidade. Credo que inferno noticioso.
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