Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

José Gil, no Público


13 comentários:
De Valupi a 1 de Junho de 2009 às 16:30
É pena. O Gil está a errar com a melhor das intenções.


De Francisco Gonçalves a 1 de Junho de 2009 às 16:37
Excelente visão dos principais problemas que afectam a Educação, em Portugal.

Há, inequivocamente, um tendência para o facilitismo e para o "chico-espertismo" e, nesse particular, não tenho a menor dúvida de que o Governo, com o PM à cabeça, tem dado um inestimável patrocínio.

Aliás, diga-se, nunca antes, que eu me lembre, fora do combate político, vi um comentador apelidar de chico-esperto o primeiro-ministro de Portugal.

O pior de tudo é que, ao que parece, tinha toda a razão!


De Paulo Ribeiro a 1 de Junho de 2009 às 17:27
em principio sim, também eu tendo a concordar com o vago, etéreo e bem intencionado. mas e depois? como ficamos? já dizia o dramaturgo brasileiro nelson rodrigues que todo o "unanimismo" é pateta. e é precisamente de "unanimismo" que se vai moldando a história dos professores e da respectiva avaliação do desempenho. avaliação que supostamente querem, exceptuando esta, ou qualquer outra, inventada ou por inventar. ora, tenho as mais sustentadas dúvidas que se possa gerir o que quer que seja sem avaliação. que se possam gerir 150000 funcionários sem qualquer avaliação, apenas deixando-os entregues aos seus pequenos jogos criativos. ora, à resposta corriqueiramente veiculada por sindicatos e por quem se vai sentindo próximo da sua argumentação, de que "já existia uma avaliação", eu, simplesmente, depois de exuberar, replico: - "estão a brincar?"


De anónimo a 1 de Junho de 2009 às 18:57
Excelente visão da realidade do ensino em Portugal.

Com tanto facilitismo, novas oportunidades que só um burro não aproveita (burro mesmo verdadeiro), caminhamos a passos largos a estar no top dos países com mais doutores e inginheiros.


De Paulo Ribeiro a 2 de Junho de 2009 às 12:48
repito o inacreditável: - "Com tanto facilitismo, novas oportunidades que só um burro não aproveita (burro mesmo verdadeiro)". na minha terra, chamar-se-ia sound bits" a mais na tola, mas, ainda, pode dar-se o curioso caso, de ser alguém a precisar de uma nova oportunidade. será?


De Zé Bonito a 1 de Junho de 2009 às 19:10
Penso que José Gil não critica, apenas, a avaliação que querem aplicar (exemplo máximo da asneira, mas não único). José Gil critica a panaceia de uma "avaliação" que mais não é do que uma contagem da concretização de objectivos pré-fabricados. E isso não se limita aos professores.


De Paulo Ribeiro a 2 de Junho de 2009 às 13:04
vamos lá ver. quando vexa estabelece um objectivo na vida, de certa maneira está a fabrica-lo, não? se for com base em métricas ou indicadores de medida, está a pré-formata-los, não? para verificar se os objectivos a que se propôs foram concretizados tem que os medir, não? se misturar isso à avaliação das suas competências de acordo com uma igual métrica, está a avaliar a sua performance, não? agora se misturar isso tudo, fica com uma ideia do vale, ou não? imagine que não faz nada disso. e imagine que se anda sempre a queixar, que, na sua porca de vida, nunca consegue alcançar nada, de quem é a culpa? só sua, não?

mas aí vexa que é um exigente, refere, oh mas é muito complexo, tira-me muito tempo, ooh , insuportável! tem que ser uma coisa mais simples! para mim avaliação do desempenho é ao sabor da criatividade, afinal, sou diferente. sim. competências? quê isso? objectivos? quê isso? auto-avaliação? quê isso? os meus resultados? quais?


De ds a 1 de Junho de 2009 às 20:11
Mas, e com quais críticas à avaliação dos profs (mas não só) é que o Galamba tende a não concordar? É que depois de lida a entrevista verifica-se que o que José Gil diz é, no geral, o mesmo que dizem os milhares de profs que se têm manifestado contra este ME.
De facto, ele fala-nos na deturpação e na manipulação de uma avaliação que tem como objectivo a falsificação de resultados escolares; fala-nos no autoritarismo do Pinto de Sousa e da sua indiferença e surdez em relação aos protestos dos profs; fala-nos da estratégia de domesticação e dominação dos poucos trabalhadores e profissionais que ainda resistem contra a implementação do neoliberalismo em todos os domínios da sociedade (contra a tal sociedade de mercado); fala-nos da subordinação da escola ao funcionamento do sistema neoliberal; fala-nos dos objectivos meramente economicistas a que obedecem as ditas reformas (no ensino, mas não só) deste governo; fala-nos da farsa que são as novas oportunidades; fala-nos da tranformação do ensino num processo burocrático em que o que menos importa é ensinar; fala-nos, enfim, do chico-espertismo de um impostor cuja propaganda promete e anuncia o contrário do que faz.
Em síntese, tudo o que o José Gil nos diz revela que, em última instância, o objectivo deste governo é degradar a escola pública, por forma a que quem tiver capacidade económica para isso matricule os filhos em escolas privadas, e liberte assim o Estado de grande parte das despesas com a educação. Quem não tiver verá os seus filhos condenados a um ensino da treta, mas terá a garantia de que terão o diploma do «12º ano», e de que eles estarão guardados o dia todo enquanto tiver que trabalhar as 12 por dia que o «progressista» código do trabalho do Pinto de Sousa tornou possivel.
Portanto, por uma vez o Pinto de Sousa não mente: a reforma educativa é essencial para o seu governo, pois disso dependem as suas políticas de redução das funções do Estado, assim como as suas politicas de precarização do mundo laboral (na função pública e no privado). Mas Pinto de Sousa já mente quando diz que é de esquerda ou que não é um alinhado com o sistema neoliberal.


De Sofia Loureiro dos Santos a 1 de Junho de 2009 às 22:40
Gostava de saber em que é que tende a concordar e porquê.


De ds a 1 de Junho de 2009 às 23:20
Fiz uma pergunta semelhante: perguntei com que é que o Galamba tende a não concordar, já que aquilo que o José Gil diz é basicamente o que os profs estão fartos de dizer, mas parece que fui censurado. Talvez por ter tirado uma consequência lógica a respeito do Pinto de Sousa e das suas ditas reformas...
Daí que tenha a «impressão» de que o Galamba tende a concordar com o filósofo, mas já não tende a concordar com os profs, o que provavelmente quer dizer que tende a não concordar com aquele que se disfarça de filósofo grego, mas também tende a concordar com ele...


De João Pinto e Castro a 2 de Junho de 2009 às 00:50
Pois a mim, João, pareceu-me pretensiosa conversa de merda.


De luis eme a 2 de Junho de 2009 às 11:09
já tinha lido.

não há um "tiro" de Gil que não acerte no alvo.

é mesmo o "chico-espertismo" no seu apogeu (não se pode esperar grandes exigências de quem tira diplomas ao domingo e criou essa coisa absurda chamada "novas oportunidades", que não é mais que a distribuição de diplomas a "iletrados", que sorriem todos satisfeitos por em meia dúzia de meses terem conseguido completar o 9º ou o 12º ano...




De David Fernandes a 4 de Setembro de 2009 às 12:15
O José Gil é apenas mais um louco, a juntar à lista: Medina Carreira, António Barreto, ...

Quem usa a voz para dizer algo contra o "grande_líder" e o seu governo, é automaticamente enxovalhado.


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