Mas que utilidade têm os votos em branco?
Para que servem afinal?
Se os eleitores estão descontentes devem votar noutros partidos que nunca estiveram no governo.
O voto em branco não penaliza absolutamente nenhum partido.
Se não fosse tratado como abstenção, sim
No dia em que o voto em branco valer como os outros, isto é ,contribuir para a distribuição de mandatos, aí votarei sempre. Quando o parlamento começar a ficar vazio para vergonha dos políticos, e os tachos e pilim começarem a desaparecer, aí sim, o voto em branco servirá para alguma coisa. Agora é apenas mais um a sufragar um sistema apodrecido. Tal como fizeram todos os que votaram nalguma coisa.
e distinguia-se entre quem está a castigar o sistema e quem se está nas tintas (convenhamos, não creio que existam 60 e tal % de convictos oponentes ao estado das coisas)
Mas disso não há a menor dúvida. Se assim fosse até eu me assustava e ia já comprar conservas para a despensa.
O que não posso admitir é os julgamentos que muita gente andou por aí a fazer sobre os abstencionistas como um todo. Alguns serão dos que mais pensam estas questões e que o fazem totalmente a contragosto.
Que partidos? Os da lei de financiamento?
De fernando f a 8 de Junho de 2009 às 13:38
Pode ser que elejam Saramago! O tempo é que já lhe escasseia, pois com este até poderia fazer escola.
Os votos em branco servem para mostrar que a pessoa não tem nenhuma cor politica naquela eleição e que sentem a obrigação de votar. Já me aconteceu estar nesta situação.
A Abstenção sendo elevada , tem um significado. Nestas eleições teve um papel especial. Porque nao foi só em Portugal mas um pouco por toda a Europa.
Acho que o Voto em Branco é apenas uma demonstração, enquanto que a abstenção é proposta.
O voto em branco pode tb ser uma escolha ou opção politica
Também penso que a abstenção tem muito pouco significado político. Excepto quando é superior a 50%, como foi ontem o caso.
Na abstenção misturam-se uma miríade de atitudes que heterogéneas que, conjuntamente, não permitem qualquer leitura política consistente. Mas quando ultrapassa os 50%, deve concluir-se estar-se perante uma eleição a que a generalidade do eleitorado é, aparentemente, indiferente. E isso já deve ter uma leitura política, ou pelo menos sociológica.
Quanto ao voto em branco, é apenas uma forma elevada e responsável de se dizer que, embora respeitando o dever moral de votar, não nos decidimos por nenhuma das propostas (também já foi o meu caso). É uma expressão altamente meritória e louvável, se bem que obviamente exprima o oposto do que aqui se disse (oposição ao sistema político).
Essa opção é demonstrada através do voto nulo, que é a forma privilegiada de manifestação para quem não só está consciente do seu dever de ir votar, é indiferente ao resultado da eleição e, mais ainda, é CONTRA todas as propostas que lhe apresentaram (e gostaria, eventualmente, de ter outras onde votar).
Não se aproveitem abusivamente dos votos brancos, nem da abstenção, porque assim não vão a lado algum...
Quem é que se está a aproveitar do quê, Marcelo? O que eu disse é que quem se dá ao trabalho de ir até à mesa de voto exprimir a sua opinião através de um voto em branco não devia ser equiparado a quem não põe lá os pés. O voto nulo aplica-se a quem preenche mal (de propósito ou não) o boletim, impossibilitando por algum motivo a identificação do sentido de voto.
também não acho que a abstenção não tenha significado. Mas representa uma atitude perante o voto diferente.
De
tgf a 8 de Junho de 2009 às 15:47
Há vinte anos que não temos mais de 50% de participação nas europeias.
Leitura sociológica talvez, política nem por isso.
Como, não política? Claro que é política. O que quer dizer é que não tem tanto a ver com os curtos ciclos eleitorais e partidários, mas a política de que falo é mais do que isso.
De
tgf a 8 de Junho de 2009 às 19:14
Era por aí que queria entrar.
Tirando a euforia inicial de 87 o país nunca se interessou muito pelas europeias. Há aqui um distanciamento auto-imposto do poder que parece ter qualquer coisa de crónico.
De
tgf a 8 de Junho de 2009 às 19:25
E também me esqueci de referir a falta de feedback para o voto nas europeias. Isso de facto é político (e há culpa nos media).
Nem mais.
Já agora, com 4,63 por cento dos votos, os brancos não deveriam eleger um eurodeputado?
(Ok, piadinha sem graça)
De joão gaspar a 8 de Junho de 2009 às 17:50
infelizmente é piadinha. com muita pena minha, não tem graça nenhuma. o sistema democrático tem a obrigação (pelo menos moral) de contar com os votos brancos. o desprezo com que os partidos os tratam, o esquecimento a que são votados (votados, hein) pela comunicação social, deveria envergonhar-nos a todos.
este é apenas mais um sintoma de que aos partidos interessa mais a abstenção do que o voto útil em branco.
além de que há algo de poético em dar ao povo o poder de vazar parlamentos.
Eu acho que deviam, sim, Dr. Mento, sem piadinhas, como bem explica o João Gaspar.
Inês, quem se aproveita é quem nos garante que os 70% de abstencionistas são todos politicamente muito conscientes e estão todos sintonizados num mesmo propósito (repudiar a política deste Governo, por exemplo)! Isto é não só ilegítimo, como ridículo e, em última análise, desonesto (mas foi afirmado ontem por vários palradores).
Quanto aos votos brancos, penso que representam precisamente o oposto da rejeição, isto é, traduzem a opção "eu sei que devo votar, mas não tenho preferência, logo, o meu dever de Cidadão consciente é não interferir na escolha de quem a tem" (equivale a abstermo-nos numa votação do nosso Condomínio, por exemplo, nada mais). São votos conscientes, legítimos, honestos, mas sem qualquer significado político (e não é por Marinho Pinto e o Saramago, ou o MFA em 75, os terem defendido que passarão agora a tê-lo...).
Os votos nulos, pelo contrário, embora possam englobar os enganos involuntários (mas será, assim tão difícil marcar um x num quadradinho, caramba?), representam fielmente quem está CONTRA TUDO e todos. Esses sim, parece-me serem passíveis de leitura política. Pouco relevante, porém...
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