De j a 16 de Junho de 2009 às 12:12
Nem mais a propósito, pelo transporto para aqui um comentário lá de baixo, mas ainda não publicado (seguramente que não censurado, acredito):
«...
Mais um para fazer número
Mas e quem lhe disse que Rui Tavares não merece respeito?
Merece, pelo menos, o mesmo respeito que uma co-autora deste blog quando pergunta «quem é fulano...», quando quer minimizar certas pessoas por quem não simpatiza.
Faça uma pesquisa no blog, se lhe apetecer, e percebe o que eu digo. E, se reparar, eu comentei entre aspas.
Mas, sem aspas, afinal, quem é Rui Tavares?
Ao que sei, escreve umas colunas de opinião e, acho eu, que é um académico com algum mérito. E, segundo a própria, é amigo da Fernanda Câncio, como se isso nos interesse muito!
E, enquanto político, pergunto, novamente, afinal, quem é Rui Tavares?
Que se engasgou várias vezes com perguntas muito directas e simples, as simples são as mais difíceis de responder, porque são assertivas, que lhe foram feitas por Fátima Campos Ferreira, num Prós e Contras recente. Onde esteve presente depois de ter estado a jantar com uma co-autora deste blog, segundo disse a própria, «como se isso nos interesse muito!». E onde também esteve uma ave-de-arribação que ali caiu sabe-se lá por que diabo!
Pessoalmente, não percebo tanta festa pela sua eleição, nem lhe reconheço especiais méritos para ser eurodeputado. Mas também quanto a méritos de muitos deputados estamos conversados. O que justifica que o país não consegue sair do atoleiro em que cada vez mais está metido.
A eleição de Rui Tavares faz lembrar aqueles deputados que são eleitos sem que tal lhes tenha passado pela cabeça, em resultado do protesto à postura de um governo que tem tido algumas políticas muito positivas mas que estraga tudo com uma arrogância que lhe pode vir a sair cara nas próximas legislativas. Espero que não. Porque muitos que não votaram, como eu, ou que votaram no BE, como eu também já fiz em anteriores eleições, vão votar PS nas legislativas.
E para que serve a eleição de mais um ou menos um deputado? Apenas para fazer número.
Afinal, quem é Rui Tavares?
É apenas mais um, a somar a tantos outros, que nós temos que pagar por uma classe política que se fosse reduzida a metade talvez fosse mais útil ao país.
E agora, como diz o tipo dos Contemporâneos, "vai (vou) mas é trabalhar". Que tenho aqui muito que fazer.
...»
Ora essa, esta entrevista de Louçã de "miserável" não tem rigorosamente nada! É simplesmente espantosa a falta de lucidez que conduz a uma afirmação tão destrambelhada e desprovida de bom-senso e humildade.
Pois eu digo: não aprenda a tempo o P. S. as lições de FRONTALIDADE e COERÊNCIA que todos os dias lhe dá de borla o Francisco Louçã e depois de Outubro não se venha queixar.
Aos pedantes sempre faltam os espelhos...
Acho que confunde "frontalidade" com "irresponsabilidade" e "coerência" com "demagogia". Não se duvida que muitos eleitores dão o seu voto ao BE por causa do Louçã, mas devia haver a mesma lucidez na altura de reconhecer que muitos eleitores dão o seu voto ao BE apesar do Louçã, que têm como um demagogo, facilmente apanhado em incoerências graves, muitas vezes com o tal tom "frontal" que só existe pela inconsequência própria de quem não está no poder.
Pode-se ainda lembrar que a imagem de luta pela igualdade e tolerância que muitos votos dá ao BE pode ser justamente associada a dirigentes como o Miguel Portas ou até a independentes como o Rui Tavares mas é, em contrapartida, constantemente dinamitada pelo Francisco Louçã, que tem sempre inscrito no seu discurso a velha máxima "somos todos iguais, mas alguns são mais iguais que outros". A desigualdade no seu discurso pode não ser a clássica, mas é igualmente desprezível. E a sua intolerância para com os que pensam de modo diferente é demasiado óbvio. A entrevista ao i não traz a esse respeito qualquer novidade. Só não se esperava tanta ingenuidade. Mas isso é outra história.
Rui Tavares não é bloquista e, como esclareceu na sua entrevista à Fernanda Câncio aqui postada, sempre desejou ser eurodeputado e é por isso, mais do que por uma adesão ao Bloco, que vai para Estrasburgo. Por isso ele nada tem que pensar sobre esta entrevista de Louçã - ele está noutra onda, está na onda do Parlamento Europeu.
De Ana Paula a 16 de Junho de 2009 às 15:00
Caro João Galamba,
Obrigado pela gratificante referência ao meu post...
Um abraço,
Ana Paula Fitas
De Sérgio Pinto a 16 de Junho de 2009 às 15:25
João Galamba,
Para alguém que, habitualmente, sustenta bem as suas afirmações, limitar-se ao rótulo fácil de 'miserável' está bastante longe do que é capaz.
Já agora explicava (com argumentos, como costuma e sabe fazer, não com rótulos) o porquê de tal 'miséria', não?
De viana a 16 de Junho de 2009 às 15:33
O post em questão é confuso e repetitivo. Resume-se a umas "dúvidas" incoerentes, e que em parte podem ser esclarecidas pela leitura do programa eleitoral provisório do BE (coisa que a Ana Paula Fitas muito provavelmente não fez...), e à estafada e manipuladora estratégia do Papão: ou engolem o PS ou vem aí "A Direita". Mas julgam que as pessoas são estúpidas ou quê?! O sistema parlamentar português é (felizmente!) aproximadamente proporcional. E por isso, numa primeira aproximação (a menos de distorções resultantes da aplicação do método de Hondt e da existência de pequenos círculos eleitorais), votar BE em vez de votar PS contribui para eleger um deputado do BE em vez de um do PS, e não faz com que o PSD tenha mais deputados. É irrelevante que o PSD tenha mais votos, e deputados, que o PS. O que é relevante é se consegue maioria parlamentar juntamente com o CDS-PP. Quem quiser uma verdadeira política de Esquerda vota BE ou PCP para aumentar a influência destes partidos nas votações parlamentares que são o que interessa.
É risível a acusação de que ao BE não interessa coligar-se para o PS para que possa continuar a crescer eleitoralmente. É risível porque não é nada claro que quem vota e pensa votar BE fique contente por o BE tomar essa decisão. Nada claro. Há imensos riscos eleitorais qualquer que seja a decisão tomada no que se refere a essa questão.
Há gente, como a Ana Paula Fitas, que ainda está convencida que o BE surgiu para sugar votos ao PCP e pelo caminho tornar-se a muleta do PS à esquerda, o CDS-do-PS. E depois acham o Francisco Louçã arrogante... há quem não se enxergue.
Caro "viana", lamento corrigi-lo em relação ao método eleitoral (estamos de acordo quanto ao essencial do seu comentário), porque ao contrário do que afirma e é uma ideia muito comum, apesar de errónea, O MÉTODO DE HONDT NÃO DISTORCE RIGOROSAMENTE NADA, por um lado (limita-se a ajustar, tão fielmente quanto possível, as percentagens de votos e de mandatos), O QUE DISTORCE MUITO É A EXISTÊNCIA DE PEQUENOS CÍRCULOS ELEITORAIS.
Estima-se que, por via destes, se percam em cada eleição legislativa cerca de 500 000 votos, naqueles Partidos que não elegem qualquer Deputado num dado Distrito.
Por este motivo, ao contrário do que afirma, votar no B. E. pode ser completamente irrelevante, para o número dos seus Deputados, NA MAIOR PARTE DOS DISTRITOS, já que, tirando aqueles em que são eleitos mais de cinco Deputados, mesmo ficando em terceiro lugar isso não chega para eleger qualquer Deputado!
Claro que o mesmo raciocínio se aplica aos restantes Partidos "pequenos". Ou seja, votar no B. E. na maior parte dos Distritos pode ser igual a deitar o voto "para o lixo", o que força os eleitores a votarem útil (ou terem qualquer outra opção), contra a sua vontade.
Isto é que não é nada realçado pela comunicação social, porque só terá solução com a extinção dos círculos eleitorais e a adopção do CÍRCULO ÚNICO NACIONAL, à semelhança do que acontece nas restantes eleições de âmbito nacional (europeias e presidenciais).
Mas os Partidos "grandes" nem querem ouvir falar de semelhante mudança, pois perderiam toda a vantagem (imoral) de que dispõem face aos restantes e isso, repito, NADA TEM A VER COM O MÉTODO DE HONDT, que é apenas a melhor forma de ajustar as percentagens (para não cortar Deputados em pedaços, não é?).
Cumprimentos.
De viana a 16 de Junho de 2009 às 18:20
Tem razão genericamente no que respeita aos círculos pequenos. Mas não a tem no que se refere ao método de Hondt. Peguemos no caso das eleições europeias. Se o método de Hondt respeitasse inteiramente a proporcionalidade, o PSD, com 31.71% dos votos nunca poderia ter 8 deputados contra 2 deputados (4 vezes menos) para o PCP-PEV que teve mais de 1/3 dos votos do PSD (10.66%). Se a proporcionalidade fosse rigorosamente seguida na atribuição dos votos, por cada 100%/22 (deputados) = 4.55 % de votos num partido/coligação a este seria atribuído 1 deputado. Ou seja, teríamos: CDS-PP 1; PCP-PEV 2; BE 2; PS 5; PSD 7. O total dá 17. Faltam atribuir 5 deputados. Para isso vai-se ver a percentagem remanescente. O resultado é simples. Todos os 5 partidos ganham mais um deputado. Torna-se então claro que há uma diferença relativamente aos resultados oficiais, apurados pelo método de Hondt. O PCP-PEV tem 3 deputados em vez de 2, e o PS tem 6 deputados em vez de 7. Relativamente à comparação inicial, PSD/PCP-PEV torna-se claro que foi o PCP-PEV o prejudicado e não o PSD o beneficiado. Quem foi o beneficiado foi o PS. Os resultados seriam rigorosamente os mesmos se por exemplo todos os outros votos, que não nestes 5 partidos, não contassem para a atribuição dos deputados.
Posso compreender que o método de Hondt seja utilizado nas eleições legislativas e autárquicas, pois favorece a constituição de maiorias de um só partido/coligação. Mas acho um verdadeiro escândalo que seja aplicado nas eleições europeias, onde não está em causa a constituição de qualquer governo dependente apenas do voto dos representantes portugueses. Estranhamente, ou talvez não, nunca vi qualquer menção ao facto nos media ou blogues. Caramba, basta fazer umas contas simples com as percentagens de voto...
De viana a 16 de Junho de 2009 às 21:43
Uma correcção ao meu comentário anterior. O resultado final é o mesmo, mas em rigor o PS obtém o sexto deputado logo com a primeira distribuição (tal como o PSD obtém o sétimo, erradamente atribuído em cima logo na primeira distribuição). Isto porque a distribuição de deputados deve ser feita com base nas percentagens dos partidos obtidas em função do número de votos úteis (os que podem servir para eleger deputados), isto é todos menos os votos nulos e brancos. Assim após a primeira distribuição de deputados, ficam a sobrar apenas 4, que vão para CDS-PP , BE , PCP-PEV e PSD por ordem decrescente da percentagem/votos remanescente. O método que usei é um tipo de largest reminder ", claramente mais justo que o método de Hondt.
Ver http :/ en.wikipedia.org wiki /Party-list_proportional_representation
Mas o sistema eleitoral mais justo, que melhor reflecte o desejo dos eleitores é claramente, como defende o Marcelo, um que tenha apenas um círculo (nacional), e, adiciono, permita a listagem de votos opcionais caso o voto prioritário não "sirva" para eleger um deputado (a la singe-transferable vote).
De Ana Paula a 17 de Junho de 2009 às 17:49
VIANA,
Já ouviu dizer que "mais cego é aquele que não quer ver"?... além da gratuidade argumentativa em que incorre o seu comentário, não considero que possa deduzir das minhas palavras que integro esse grupo que, ostensivamente evoca (vá lá saber-se porquê mas, de facto não revela na expressão grande espírito cívico!!), como "Há gente... convencida" (poder-se-á suspeitar de algum "síndroma de superioridade" nesta formulação linguística que a interpretação psicanalítica aí não deixaria de reconhecer?!)... afinal, a arrogância tem muitas faces, não concorda? ...
De Nuno Sousa a 18 de Junho de 2009 às 11:03
É tão confortável saber que nunca se vai passar de 10, 15, vá lá, 20% dos votos, o que nunca dará para formar governo - o que seria um pesadelo - e ficar calmamente sentado mandando umas patacoadas irrisórias sobre tudo e mais alguma coisa, sobretudo desde que seja o que algumas pessoas queiram circunstancialmente ouvir, colocar um jovem zangado em cada manifestaçãozita onde apareçam uns descontentes, independentemente dos méritos da manifestação, enfim, capitalizar com a desgraça alheia.
Para o BE, uma vitória do PSD nas legislativas é ouro sobre azul. Quanto mais miséria melhor.
De nuvens de fumo a 18 de Junho de 2009 às 11:52
No fundo isto da democracia é uma chatice
Caro viana,
está profundamente mal informado. Repito, o método de Hondt NÃO favorece coisa nenhuma, nem mais facilidade de maiorias, nada de NADA, repito (diga-me, até onde chegou nos seus estudos de Matemática?).
Não é aqui que deveríamos estar a discutir este assunto, mas já que foi aqui que começou, talvez os donos do blogue nos deixem abusar um pouco mais, até porque a desinformação sobre este assunto IMPORTANTE é realmente muito grande, como diz.
Esclareçamos ideias, de uma vez por todas: não é possível retalhar Deputados, certo? Por isso é inviável fazer corresponder exactamente as percentagens de votos e de mandatos, quando se trata de eleições para cargos pluri-pessoais (sim, porque este problema obviamente não se coloca nas presidenciais).
Assim, é preciso "adoçar" a proporcionalidade, do modo mais aproximado e isento possível, certo? Ora bem, o método de Hondt é apenas uma das maneiras (talvez a mais usada) de atingir este objectivo, o de APROXIMAR O MAIS POSSÍVEL as percentagens de votos e de mandatos (sem amputar nem decapitar nenhum candidato...).
Ora bem, a aplicação do método de Hondt (ou de qualquer outro similar) apenas opera sobre NÚMEROS, sendo absolutamente cego e neutro face à dimensão dos mesmos. Ou seja, feitas as contas, haverá sempre quem fique "beneficiado" e "prejudicado" pela aplicação do algoritmo (de Hondt ou outro), mas não necessáriamente nem sistemáticamente por ser maior ou menor. Ou seja, é uma questão aleatória (digamos, como é neutra, é apenas uma regra técnica, conhecida e aceite por todos).
Exemplifico: caso os votos de 7 de Junho tivessem sido diferentes, embora muito semelhantes, poderia ter sido a CDU a beneficiada e não a prejudicada (pelas suas contas, que não tive ainda tempo para confirmar). Mas é tudo uma questão de "sorte": hoje por acaso saímos a perder (mas sempre na aproximação, claro), amanhã poderemos saír a ganhar. Ninguém pode queixar-se, faz parte das regras do sistema.
Muitíssimo diferente disto, como já vi que concorda, é a questão da divisão do universo eleitoral em círculos distintos e de dimensões variáveis, como no caso das Legislativas (mais uma vez, está a ver mal o problema, pois nas autárquicas isto não acontece, já que o universo eleitoral de cada candidatura é o todo concelhio, não havendo qualquer sub-divisão em círculos eleitorais, como por Freguesias, por exemplo, logo NÃO HÁ qualquer distroção à proporcionalidade!).
Só mesmo nas Legislativas (logo por azar as mais importantes...) é que se dá este fenómeno da distorção GROSSEIRA da proporcionalidade, não por força do método de Hondt (nunca é demais repeti-lo), mas pela sub-divisão em círculos eleitorais! Sobretudo porque grande parte deles são de dimensão demasiado pequena, não elegendo sequer um Deputado para cada uma das principais forças políticas!
Imagine, por exemplo, Portalegre, Distrito que apenas elege dois Deputados: todos os portalegrenses, elvenses, campo-maiorenses, estremozenses, etc., que não se inclinem para um dos, no máximo, dois Partidos que arrebanharão os dois únicos Deputados eleitos por este círculo, estão condenados a, das duas uma, ou votam "útil" (contrariados, portanto), ou, ao votarem, estão a deitar o seu boletim de voto "para o lixo", dado que não irá de todo interferir no resultado das eleições!
E o problema desta distorção é, para além da sua dimensão grosseira e exagerada (já lhe darei os dados da actual Legislatura), é uma distorção injusta, porque, ao contrário do inocente método de Hondt, NÃO É NEUTRA relativamente às diversas candidaturas, antes penalizando SEMPRE as menos votadas, em benefício SEMPRE das mais votadas! Ou seja, o sistema eleitoral, à partida, dá "bónus" a quem for mais votado e impõe penalizações aos menos votados! E é isto, e não o método de Hondt, que tem de ser mudado, a meu ver, no nosso sistema eleitoral para a Assembleia da República. Para o tornar mais JUSTO, porque mais PROPORCIONAL.
Veja ENTÃO um exemplo: qual a percentagem nacional do P. S. últimas legislativas? 45% (acho que nem chegou)? Pois isso daria apenas, em 230 lugares, 104 ou 105 Deputados (mesmo que arredondando para cima, por força do método de acerto). Vê?
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