Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Há quem ainda não tenha percebido que a questão que se coloca não é escolher entre Mousavi e Ahmadinejad. Não faço a menor ideia se um é não é o outro ao espelho, se houve ou não chapelada nas eleições. A verdadeira questão, e única - e que está bem patente em tudo o que a Palmira tem escrito nos últimos tempos, é que estamos por estes dias a assistir ao fim de uma era - e não será só à de Ahmadinejad. É bem mais que isso. Quem quer que venha a seguir, depois dos acontecimentos dos últimos dias, virá sob novas condições, com novas regras. E não há Líder Supremo ou Conselho de Anciãos que contra isso possa lutar. Este é o acontecimento, este é o motivo de tanta exaltação, este pode ser o princípio de um novo mundo, porque o Irão dos tempos que correm não tem fronteiras. Ou isto pode ser simplesmente um exagero da minha parte. A ver vamos. E claro que a ascensão de Obama e do seu discurso nada têm a ver com o que está a acontecer, dirão alguns. Afinal, há mesmo coincidências, dizem os mesmos.
Se eu fosse o Vidal falaria de fidelidade ao evento, de Badiou e da negatividade de Zizek...
Se tu fosses o Vidal e me falasses assim eu não te saberia responder.
De viana a 19 de Junho de 2009 às 11:21
Concordo. Mas vou mais longe. O que é mais novo no mundo que se desdobra perante nós não se restringe ao Irão, nem tem (directamente) a ver com a exigência de democracia ou liberdade de expressão (no Médio Oriente). O que é mais novo são as consequências da conectividade, da velocidade a que informação e desinformação hoje se propaga. A coincidência temporal da ascensão de Obama e dos protestos no Irão, na minha opinião, têm mais a ver com isto do que com uma possível influência do seu discurso (que de qualquer maneira é importante, porque permitiu quebrar a mentalidade de cerco que as autoridades iranianas promoveram no país sob o pretexto da ameaça externa). Não é claro quais vão ser as consequências do aumento exponencial de conectividade ocorrido nos últimos anos. Para já são os resultados parecem positivos (derrube de Aznar , eleição de Obama , contestação ao regime iraniano), mas talvez não devamos esquecer que a forte recessão económica por que passamos resulta em parte da rapidez com que perturbações se propagam na economia mundial. E isso é consequência directa da conectividade entre os agentes económicos. Temo acima de tudo a capacidade de geração de instabilidade que a conectividade permite: desinformação e rumores podem chegar a tal número de pessoas em pouco tempo, que passam a podem ser suficientes para gerar conflitos dos quais geralmente sai a ganhar não quem tem "razão" mas sim quem tem poder. Mais do que nunca torna-se importante promover o cepticismo construtivo, pois nunca a credulidade foi tão perigosa nas suas consequências.
amém - ao post e a esta advertência do viana. Também acho que, goste-se ou não, estas são as circunstâncias actuais, ou nos adaptamos a elas ou "morremos" delas.
Pois eu diria que o futuro a Deus pertence e que há por aqui exaltação revolucionária a mais, fé a mais, e "princípio de um novo mundo" a mais.
Parece-me que quem diz "que o futuro a Deus pertence" acrescentando logo a seguir que que "há por aqui exaltação revolucionária" não podia ser mais coerente - mas na perspectiva errada. De resto, a questão Deus vs Revolução até se aplica bem ao caso vertente, mas não era a isso que V. se referia.
E que se saiba, Deus não tem mudado assim lá muito o mundo, os homens, para o bem e para o mal, sim.
De
jorge c. a 19 de Junho de 2009 às 11:37
Este palerma agora também percebe de política internacional?
Ah, não! Vem só armado em Guarda Abel, o protector das senhoras da casa! Que coisa tão paternalista e deprimente! Nem sei como as feministas desta casa aceitam... O mundo é espantoso!
Como dizer isto de forma a perceberes? Talvez a culpa deste teu comentário seja minha.
De
jorge c. a 19 de Junho de 2009 às 11:42
De facto, é.
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