dizem que se chamava neda. no huffington post, juntaram aos dois vídeos da sua morte (um dos quais não disponível para cópia no youtube) este texto, que teria sido enviado com/anexado a um deles:
a autenticidade destes vídeos não é, é claro, verificável. por um motivo simples -- o governo iraniano impede os jornalistas de trabalhar na rua. mas, partindo do princípio de que os vídeos são autênticos e que esta mulher morreu mesmo ontem numa rua do irão, outra questão se coloca, a da brutalidade das imagens. por quem vê e por ela, que é vista. no outro vídeo, o que não se consegue postar, há um grande plano do rosto, um rosto muito bonito riscado de sangue de olhos abertos e serenidade espantada. o mais terrível é isso: que uma imagem assim possa ser bela e que possamos olhá-la como imagem. há uma pessoa que morreu, ali. alguém exactamente como nós, a quem roubaram tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter. uma de nós.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
