Domingo, 21 de Junho de 2009
Quem olha para o Irão e decide discorrer sobre o conceito de norma e exclusão; quem acha que o que o Irão apenas serve para recordar que toda a lei é um acto de violência e que o estado é sempre repressivo; e quem acha que todo o poder é fascismo e que a resistência é sempre legítima e que, portanto, o Daniel Oliveira entra em contradição quando critica os arruaceiros na grécia e elogia os manifestantes Iranianos, é um niilista e abandonou todos os horizontes éticos. Perdendo toda e qualquer noção de valor, e sem qualquer tipo de narrativa emancipadora que dê sentido — ético — à sua visão política, o niilista preenche o vazio com uma glorificação vitalista e irracional da violência. E a contestação política fica reduzida a uma estética formalista, sem qualquer dimensão ética. Este é um caminho escolhido por alguns (felizmente poucos) que se dizem de esquerda, que substituiram Marx por interpretações juvenis de Nietzsche, Foucault e companhia. Quem, perante a distinção entre poder democrático e não democrático, referida pela Daniel Oliveira, escreve "na verdade, parece-me que o teu problema não é com a violência e sim com a sua legitimidade democrática. parece-me que não pões em causa a existência de violência mas sim a questão de saber se a fonte dessa violência é politicamente legitimada por todos", deixou de ser de esquerda.
Comparar os Iranianos com os gregos é obsceno. Não há aqui qualquer afinidade conceptual entre as duas realidades que importe explorar. Alguém que diz que a democracia é um mero conceito quantitativo; que revela não saber distinguir entre poder legítimo e ilegítimo; e que usa o Irão para estabelecer uma tese sobre o conceito de Contestação Política, é um filho da puta. Ponto. Deviam ter vergonha na cara.
De Nuno Cruz a 21 de Junho de 2009 às 10:10
Esse mesmo niilismo é o de toda a extrema-esquerda ao longo do processo das eleições iranianas.
Nunca, nem com o discurso eurocéptico do 'não' francês à constituição europeia e com os delírios de certos grupúsculos franceses, tinha encontrado uma tal inequação à complexidade do real. é, esperemos, o canto do cisne da derrocada de uma forma redutora de ver o mundo - antiamericana e antiliberal no que isso pode ter de pior, e fascinada com líderes e fanatismos de pacotilha.
não precisavas ir ao spectrum... tens um comentador aqui mesmo na jugular que delira na mesma linha de (ir)raciocínio...
De Nuno Palha a 21 de Junho de 2009 às 11:56
Aquele blog do spectrum já me tinha dado a ler pérolas de uma qualidade tal, que na minha cabeça a ideia "os extremos tocam-se", passou a fazer muito mais sentido. Os argumentos que naquele blogue alguns usaram para legitimar a violência aquando dos protestos estudantis na Grécia eram dignos de nazis que apenas substituiram o ódio de morte aos judeus por um ódio, igualmente mortal, ao "burguês captalista". O resto não passa de danos colaterais para atingir um fim "glorioso".
Carlos Vidal também escreve no Spectrum?
De zé neves a 21 de Junho de 2009 às 18:58
senhor joão galamba,
eu estava a tentar intervir numa discussão entre duas pessoas com quem gosto de discutir, o rick dangerous e o daniel oliveira, e nesse quadro tentei estabelecer uma ideia: o daniel não é simplesmente contra o uso da violência em circunstâncias políticas mas sim contra o uso da violência em circunstâncias políticas em que exista um poder democrático. Penso que o João Galamba, na medida em que não seja contra a existência da polícia ou que admita um dia como o 25 de Abril de 1974, concordará com esta ideia.
Segundo o Daniel, a questão da natureza democrática do regime diferenciava o caso da Grécia do caso do Irão. Em seguida, eu disse que não confundia viver em ditadura ou em democracia, mas que o problema da violência policial é bem mais complexo do que isso e que a mim, politicamente, aquela simples demarcação não me satisfaz. Pode dizer que, por isto, eu sou um esquerdista maluco ou pode apenas dizer que sou pago pela Amnistia Interancional para andar a dizer baboseiras destas.
Se me permite ainda, por fim, três notas quanto ao restante do seu post:
a) eu não sou anti-comunista (e se você não tivesse descoberto que eu sou niilista até lhe poderia dizer que pretendo ser justamente o contrário de anti-comunista); mas o facto de não ser anti-comunista não impede que lhe peça para abandonar argumentos daquele tipo de autoridade que mandou não sei quantos para o gulag. Com efeito, o que é uma estética não formalista? E por que uma leitura juvenil é por si tratada como uma patologia? Deixe lá o zdanovism e, se quiser dar uma de leninista e cunhalista, digo-lhe que há muito melhores coisas para ler do que os textos anti-esquerdistas dos ditos.
b) deixe lá isso dos cromos filosóficos. Já reparou que pode ler Marx e Foucault sem ter que escolher entre um e outro? E quiçá até Nietzsche?
c ) quanto aos insultos, não percebo, sinceramente, a necessidade: que sou maluquinho e filho da puta? pergunto se lhe fiz algum mal numa outra encarnação? roubei-lhe um lugar no parque de estacionamento? fica assim mais seguro da sua abundante normalidade e da pureza moral dos seus progenitores?
saudações,
zé neves
De filho da puta a 21 de Junho de 2009 às 21:20
Filho da puta és tu que vens para aqui chamar nomes aos outros.
Discute as merdas e deixa-te de parvoíces!
Não percebeste um boi da frase que citaste no teu post mas nada disso te impediu de te portares como um merdas.
Eu acho que o João Galamba diz tudo: Deviam ter vergonha na cara!
O J. Galamba não diz nem disse nada.
É um toca e foge.
É um praticante AUTODIDACTA de uma coisa que eu não reconheço como filosofia (nem política), e fraco.
Com pouca solidez e criatividade, provoca (um pouco apenas) e foge. Pouco mais.
Farinha maizena e etc. e tal...
De
João a 22 de Junho de 2009 às 18:28
Muito bem, Galamba.
O José Neves é "um filho da puta",
"comparar os iranianos com os gregos", "é obsceno"
quem, "perante a distinção entre poder democrático e ditatorial ... " "deixou de ser de esquerda"
quem "decide discorrer ..." é um niilista e abandonou todos os horizontes ético"
etc.
E quem se escusa de contra-argumentar, preferindo fazer correr insultos e ataques ad hominem? Como o classificas?
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