Terça-feira, 23 de Junho de 2009
A cada 16 segundos há uma menina em risco de MGF. Vale a pena ler e divulgar esta publicação da APF, elaborada no contexto da iniciativa Countdown Europe 2015
De Catarina Miranda a 23 de Junho de 2009 às 11:38
Está dificil de abrir o link "esta publicação" mas dá para assinar a petição APF "Fim à Mutilação Genital Feminina"
De qualquer modo, achava interessante aguardar pelos detentores da última palavra nestes casos, os homens ainda que em áfrica, aparentemente, sejam as mulheres mais velhas a instigarem a prática.
Homens, a última palavra é deles. Venham eles please?
De Catarina Miranda a 23 de Junho de 2009 às 13:18
Já consegui.
É curioso, ou talvez não, como a Guiné-Bissau, dos PALOP, é a que tem uma maior percentagem de casos de mutilação genital feminina. Penso que os argumentos religiosos e étnicos não esgotam uma explicação para o fenómeno.
Penso mesmo que o fenómeno deve sair das fronteiras culturais africanas e ter uma argumentação mais global, inclusivé, deve constar da Educação Sexual nas escolas.
De Catarina Miranda a 24 de Junho de 2009 às 12:49
Corro sempre o risco de fazer figuras tristes mas avancemos que a tristeza não me causa grandes medos.
O que me causa medo é constatar que um post com uma informação destas é pouco comentado.
As intrigas de quintais merecem centenas de comentários mas saber que há no mundo inteiro miúdas que são excisadas, causa a Indiferença.
Miúdas que podiam ser nossas filhas, passo a demagogia barata:
O que me causa medo é saber que há crenças (islâmicas sobretudo) de que a pureza e a higiéne numa criança e numa mulher se baseiam na mutilação genital, volto a dizer, se baseia na mutilação daquilo que é mais importante para a nossa sobrevivência, o Prazer.
Medo é perceber que as pessoas nem sequer manifestam indignação por uma tortura silenciada.
Aquelas mulheres que são excisadas podíamos ser nós também.
Acusaram-me no meu local de trabalho de só me interessarem os assuntos da Minha agenda. Pois se a minha agenda exclui criancinhas abusadas, marchas de caridadezinhas de estado novo e o bpn, seja.
Aposto que se o post fosse sobre a castração de um pedófilo haveria centenas de comentários de homens ofendidos na sua virilidade e de mulherzinhas chocadas com a integridade da criança. Essa já não é a minha agenda.
E Medo por perceber que nem uma mulher mais se manifestou contra aquilo que é uma perda definitiva da sua feminilidade. O cancro da mama cataliza movimentos massivos. A MGF cataliza o silêncio porque Parece longínquo. Não é.
Medo, também, de perceber que as mulheres não se atrevem a debater e a conversar sobre a sua própria sexualidade sem ser com a piadética do costume, ao menos isso.
A única coisa que as preocupará, por exemplo, é saber como é que hão-de agradar o marido agora que ficaram "com" um seio mutilado? e atenção que sei do que estou a falar. Não há leviandade na minha apreciação daquilo que é a Doença que nos acompanha para todo o lado ainda que não se manifeste.
A Mutilação Genital Feminina é um fenómeno mundial e não toca só aquelas que a sofrem. Podíamos ser todas nós que ao não querer falar sobre este assunto acabamos por estar a mutilar a nossa sexualidade.
Triste é eu estar aqui mais de duas vezes mas com a tristeza posso eu bem. Aquilo com que não sei lidar, é com o medo.
Ajuda talvez se me imaginarem com o cabelo à Grace (will and grace) a viver num casarão com piscina e com uma conta no bpn...indignada e ruiva.
Um tiro no escuro. Pontaria em cheio. É o que sinto neste post.
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