É uma suposta verdade contabilistica que alguns economistas elevam a lei. E o manifesto dos 28 pressupõem esta "verdade" quando diz que mais investimento público implica necessariamente menos fundos para o sector privado. Contabilisticamente, isto é verdade. Mas o que os 28 não discutem - porque se limitam a pressupor - é se há assim tantos privados dispostos a investir aquilo que o Estado se prepara para lhes retirar. Que os Insurgentes e semelhantes tropas fandangas tenham uma fé inquebrantável nas forças reprimidas do sector privado, eu ainda compreendo. Não concordo, mas compreendo: é da natureza da sua ideologia e outra coisa não seria de esperar. Mas quando se trata de senadores supostamente respeitáveis, eu espero - e exijo - mais. Nos dias que correm, não consta que haja assim tantos privados ansiosos por injectar dinheiro na economia. Eu posso estar enganado, mas não há nada no manifesto dos 28 que me leve a dizer tal coisa.
Certíssimo. Neste momento, há no mundo um grande excesso de poupança em relação à procura de crédito para investimento.
De
jpo a 23 de Junho de 2009 às 12:16
Se a economia não anda tem que haver alguém a dar um empurrão seja publico ou privado. Como o privado não faz nada terá de ser o publico, isto é todos nós.
De Nuno Gaspar a 23 de Junho de 2009 às 12:18
Aí está a oportunidade para criar a Jugular SA.
De CN a 23 de Junho de 2009 às 13:20
A tese de quem em tempo de crise
( após bolha provocada por sobre-investimento e sub-poupança, o que necessáriamente reduz a produção e o rendimento)...
... é necessário Investimento Forçado
(que vai retirar capacidade de se reconstituir a poupança também necessária para suportar a liquidação de produção que nunca teria dado lugar não fosse... a expansão de moeda e crédito durante a bolha (culpa dos bancos centrais e sistema monetário em geral).
...parte do pressuposto que existe poupança disponível para suportar esse Investimento.
Mas acreditar que possa existir investimento sem poupança prévia (mas apenas por expansão de moeda, criando-a) é o que põe em marcha a bolha (a doença) seguida da crise (a cura).
Não ganhamos nada, nem sequer os valores de esquerda em insitir em crendices que produzem o prolongamento da crise para todos e com o sofrimento de todos.
Em tempo de crise, mais vale tratar estritamente dos que mais sofrem em vez de andar a brincar aos Deuses com variáveis macro-económicas.
De nuvens de fumo a 23 de Junho de 2009 às 12:57
Inteiramente de acordo, agora explicar isto ao Pobão é mais difícil . No fim , o populismo fácil da poupança vai dar os seus frutos, afinal quem não sabe que se se poupar acaba-se por ter mais dinheiro ? LOLLLL
É sempre o mesmo problema, a ignorância é o pior de todos os males.
Caro João Galamba,
Tecnicamente, eu penso que o Insurgente vai mais longe que o documento que eu prefiro chamar dos 27+1 porque tanto quanto sei, o Mira Amaral é Engenheiro, tendo quando muito um MBA. E argumenta que a dívida pública a crescer significa juros mais altos para todos e portanto menos crédito. Eu não encontrei isto no documento explícito. Mas posso estar enganado. Em todo o caso, ainda ontem o Paul Krugman argumentava em sentido contrário no blog dele em texto de que dei nota no meu blogue a propósito de MFL ter dito que "não encontrava economistas credíveis que contestassem a tese de reapreciação dos investimentos públicos". Evidentemente que como diz, a tropa fandanga do insurgente me caiu em cima, mas os argumentos económicos deles eram fracos e desmontei isso em post hoje. Além disso, como o Financial Times argumentava há umas semanas (posso dar-lhe a referência se pesquisar no meu blogue porque escrevi a respeito): não só os países mais endividados têm registado desde Março uma descida dos juros com a dívida pública (e falor de países extremos como a Irlanda, no nosso caso também benefíciamos de uma descida dos juros, mas não eramos tão preocupantes como a Irlanda ou a Grécia), como os juros da dívida Alemão têm vindo a subir (deitando totalmente por terra as mitologias associadas), como ainda a própria União Europeia já contraiu dívida de 75 bn € para ajuda num esquema semelhante aos Eurobonds, o que num caso como o nosso, implicava necessariamente uma taxa mais baixa. Esse dinheiro destinar-se-ia a "apoiar projectos de ínvestimento público destinados à retoma económica".
Isto é, não só o manifesto dos 27+1 é ridículo se for meramente contabilístico, como refere e é contrário à evidência empírica se estiver a argumentar através das taxas de juro.
Desculpe o testamento.
Um abraço,
Carlos
De rb a 23 de Junho de 2009 às 15:24
Não me lembro de ter votado em nenhum desses tão ilustres 28.
De
fcr a 23 de Junho de 2009 às 18:04
"Nos dias que correm, não consta que haja assim tantos privados ansiosos por injectar dinheiro na economia."
A ideia é mesmo esta. Se tantos privados não querem injectar dinheiro na economia, se tantos privados preferem poupar o dinheiro para melhores dias, se tantos privados escolhem não investir pelo receio da ausência de retorno, qual será a fonte de conhecimento divino que dá legitimidade ao Governo para investir milhares de milhões de euros, quando muito pouca gente o faz? Será que a assimetria da informação pende toda para o lado do Engenheiro Sócrates e do Ministro Jamais?
Comentar post