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Coisas realmente importantes no combate à corrupção

Com o calor a apertar e a tentar em particular as mais jovens a transgredir a «segurança moral» iraniana,  o líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, decidiu reforçar as hostes da polícia moral. Assim, serão mais de 70 mil os polícias morais que patrulharão as ruas das grandes cidades iranianas para conter a «invasão vulgar do Ocidente» manifesta no colar masculino, na unha pintada ou no hijab mais arrojado. Tudo em nome do combate à corrupção porque, como explicou Khamenei,  «Se um país parece avançado, mas sofre de uma cultura imoral e aspectos espirituais (imorais) é uma nação corrupta».

Andar nas nuvens

Os halos, solares e lunares, são um fenómeno óptico bastante vulgar que ocorre em determinadas condições atmosféricas, mais concretamente, a formação de halos deve-se à difracção (e reflexão) de luz nos minúsculos cristais de gelo existentes nas nuvens que dão pelo nome cirros-estratos.

 

Os cirros-estratos, nuvens que lembram um véu transparente, formam-se entre 5 e 11 km e portanto o fenómeno pode ocorrer em qualquer ponto do globo, dos pólos ao equador, como confirmaram há uns anos os gaúchos de Rio Grande do Sul.

 

Por vezes, em latitudes que permitem temperaturas suficientemente baixas, ocorre um fenómeno conhecido como «Pó de diamante», em que os halos são formados por difracção da luz em cristais de gelo formados próximo do solo, tão próximo que o fotógrafo pode «tocar» os raios de luz com as mãos.

 

Ainda as leis da blasfémia

Dois meses depois do bárbaro assassínio de Salman Taseer, governador do Punjab, foi hoje assassinado o ministro paquistanês para as Minorias, o único cristão do executivo. "Os relatos iniciais são de que ele foi morto por três homens, provavelmente com uma Kalashnikov, mas ainda estamos a tentar estabelecer o que aconteceu exactamente", explicou o chefe de polícia da cidade, Wajid Durrani. Shahbaz Bhatti, que foi morto em plena luz do dia na capital Islamabad, era um firme opositor à lei da blasfémia que vigora no país e que, como todas as leis da blasfémia, serve apenas como arma de perseguição de todos os que não comunguem da religião maioritária.

 

Pelo menos desde Janeiro que o ministro, como reconheceu numa entrevista à BBC, recebia ameaças de morte pela "blasfémia": "Disseram-me que se eu continuasse a campanha contra a lei da blasfémia seria assassinado, seria decapitado, mas as forças da violência, as forças do extremismo não me conseguem atingir, não me conseguem ameaçar”, declarou na entrevista.

 

Hoje, os extremistas conseguiram atingi-lo, fatalmente. No local do assassínio a polícia encontrou panfletos do Tehrik-i-Taliban Punjab, um grupo taliban com ligação à Al-Qaeda,que ameaçam de morte todos os que se atreverem a criticar a lei da blasfémia. O terrorismo e violência religiosos continuam a ditar as leis no Paquistão.

De relativismos morais

Na sua mui contestada visita ao reino Unido, Bento XVI debitou umas ainda mais contestadas palavras para explicar as causas do Holocausto:«Enquanto reflectimos sobre as advertências do extremismo ateu do século XX, não podemos nunca esquecer como a exclusão de Deus, da religião e da virtude da vida pública, conduz em última análise a uma visão truncada do homem e da sociedade.»

 

Uns meses depois destas afirmações e escassos dias depois de se saber que o Vaticano enviou (mais) um padre abusador de menores para um retiro de oração e penitência, certamente para confirmar que sem fé em deuses não há moralidade possível, o Vaticano confirmou o que há muito se sabia mas era veeementemente negado:

 

«Confidential Vatican reports obtained by the National Catholic Reporter, a weekly magazine in the US, have revealed that members of the Catholic clergy have been exploiting their financial and spiritual authority to gain sexual favours from nuns, particularly those from the Third World who are more likely to be culturally conditioned to be subservient to men.

 

The reports, some of which are recent and some of which have been in circulation for at least seven years, said that such priests had demanded sex in exchange for favours, such as certification to work in a given diocese.

 

In extreme instances, the priests had made nuns pregnant and then encouraged them to have abortions.»

 

Claro que todos sabemos que para o Vaticano os únicos maus da História são os ateus, os relativistas morais que conduzem a uma visão truncada do homem e da sociedade, responsáveis por todos os males do mundo, em particular, responsáveis por denunciar a muita roupa suja moral escondida pelo Vaticano.

Leis da blasfémia: Shock & Awe no Punjab

Salman Taseer, governador do Punjab, foi assassinado hoje por, de acordo com as alegações do assassino transmitidas pelo ministro do Interior paquistanês, ser contra a lei da blasfémia vigente no país. Tasser era uma figura destacada no Partido do Povo do Paquistão, o  partido de Benazir Bhutto, igualmente assassinada por motivos religiosos,  e muito próximo do Presidente Asif Ali Zardari, viúvo de Bhutto. O governador criticou muito veementemente nos últimos dias a lei da blasfémia  e pediu perdão para Asia Bibi, na foto, tirada na prisão uns dias após a sua condenação à morte, com a mulher e filha de Taseer. Os líderes de vários grupos religiosos, que convocaram uma greve a semana passada em apoio da lei da blasfémia,  denunciaram-no estridentemente como apóstata e acirraram multidões ululantes a queimarem efígies de Taseer durante a greve.

 

No dia 30 de Dezembro, Taseer postou no Twitter: «I was under huge pressure sure 2 cow down b4 rightest pressure on blasphemy. Refused. Even if I'm the last man standing.» Taseer não se vergou às barbaridades da religião mas o apelo ao ódio daqueles que não querem perder o poder que detêm nesta parte do globo surtiu o efeito desejado: não só silenciaram para sempre a voz mais corajosa em defesa de um estado de direito no Paquistão como encurralaram o governo numa chantagem ignóbil, com a ameaça de secessão do Punjab.

Da positividade da laicidade

Nas homilias de ano novo dos dignitários da delegação nacional da ICAR a laicidade figurou proeminente. José Policarpo, pela enésima vez,  explicou-nos o que deveria ser a laicidade segundo a ICAR, aquela que é adjectivada, a sã, a positiva, que passa por favorecer a religião, a católica, claro, e transpor para a política «as dimensões éticas da religião», mais uma vez a católica.

 

No Porto, Manuel Clemente foi ainda mais longe e explicou que não favorecer a religião católica nem a transpor para o «âmbito político» é a laicidade má, igualzinha ao fundamentalismo religioso que se atira contra torres, gémeas ou não, e se faz explodir em carruagens sortidas. De facto, de acordo com o bispo do Porto, «Não se pode esquecer que o fundamentalismo religioso e o laicismo são formas reverberadas e extremas da rejeição do legítimo pluralismo e do princípio da laicidade. Ambas absolutizam a visão redutiva e parcial da pessoa humana, por isso mesmo as leis e as instituições de uma sociedade não podem ser configuradas ignorando a dimensão religiosa dos cidadãos».

 

Santa Ignorância - I

Este ano, ironica e serendipidicamente, uma das minhas prendas de Natal foi o livro «Holy Ignorance. When Religion and Culture Diverge», que já folheei e do qual li já alguns bocadinhos, um dos quais trata, mais alargadamente, do que escrevi no Eclipse do Solstício.

 

Olivier Roy apresenta no livro uma teoria muito original para a origem do fundamentalismo que é exemplificada na perfeição com a necessidade que os mais fundamentalistas sentem de inventar a ridícula guerra ao Natal. De facto, quando apresentam quasi como o expoente máximo do cristianismo o que Roy chama uma construção social que a globalização tornou universal, esses fundamentalistas carpideiros manifestam um caso agudo de «santa ignorância».

 

Ou seja, o Natal que hoje quase todos celebramos da mesma forma, com uma lauta refeição que reune a família e onde se trocam presentes, eu, ateia, os meus vizinhos hindus e muçulmanos, que decoram as umbreiras da porta com grinaldas,  e até os judeus que incluiram a «tradição» no Hanukkah, assenta numa herança cultural mais velha que as religiões actuais e tem muito pouco ou mesmo nada a ver com a «pureza» da fé que supostamente defendem os que carpem perseguição por se venderem perus halal ou por um ateu se juntar a um desfile de Natal com a faixa «Reason Greetings».

 

Total Eclipse do solstício

Ao longo de toda a história, no hemisfério Norte, berço da civilização, se celebrou o solstício de Inverno em festividades e festivais sortidos.  As antigas culturas agrícolas concederam significado sagrado ao retorno da luz, ao nascimento de novas plantas e animais, a um novo ciclo de abundância. As suas festas tinham nomes, como Saturnália, Yule ou Lúcia, algumas delas celebradas até hoje.

 

Foi o significado especial que o solstício de Inverno desde sempre assumiu que levou a igreja cristã a designá-lo como o aniversário do seu deus incarnado. Com esta medida não só aculturou festividades profundamente enraizadas como aculturou ciclos divinos já muito bem estabelecidos nas religiões que a antecederam na sua esfera de influência: o nascimento do deus no solstício de Inverno, a sua morte, na cruz em muitos casos*, e ressurreição no equinócio da Primavera.

O Drama, o Horror, a Tragédia -III

Fort Worth Transportation Authority Board Meeting from Zachary Moore on Vimeo.

O singelo anúncio de que se pode ser bom sem deuses continua a causar estragos em Fort Worth no Texas. Tantos estragos que, como verberou um dos membros do conselho de administração da autoridade de transportes locais, a possibilidade dos autocarros poderem publicitar mensagens tão obviamente anti-cristãs e tão ofensivas a Deus, levou ao banimento de todos os anúncios relacionados com religião ou falta dela.

 

É de facto extraordinário o que os crentes estão dispostos a fazer por causa da constatação de um facto banal. Assim como são extraordinárias as coisas que os crentes consideram ofensivas, anti-cristãs ou mesmo incitadoras de ódio, nomeadamente morrer de cancro e na mensagem de despedida não mencionar nem deuses nem seres mitológicos, apenas as graças salvadoras da família, dos amigos e do poder da esperança e da resiliência, essas coisas neo-comunistas e nihilistas. E depois há quem considere que pedir a esses crentes justificações das suas afirmações extraordinárias é, para além de um incitamento ao ódio,  intolerância, falácia, contar espingardas, querer acabar com a religião por referendo...

O Drama, o Horror, a Tragédia -II

Em Fort Worth no Texas, continua a causar alarido o singelo anúncio de que se pode ser bom sem deuses, uma afirmação tão chocante que levou os bons cristãos (porque cristãos bons para esta gente é um pleonasmo) a alugar uns camiões para seguirem os insultuosos autocarros com grandes cartazes dizendo «I still love you - God» e «2.1 billion people are good with God».

 

«Faz uma pergunta impertinente, e estarás no caminho de uma resposta pertinente», por muito que considerem que essa pergunta seja falaciosa, insultuosa, intolerante, contar espingardas ou afins, acrescento eu, é o conselho que nos legou Jacob Bronowski, matemático, pintor, poeta, escritor, historiador, filósofo e divulgador de ciência. O mesmo Bronowski que nos explicou que questionar impertinentemente verdades consideradas inquestionáveis, procurar continuamente o erro e rejeitar dogmas, é o único antídoto para a desumanização que advém da arrogância nascida de verdades absolutas. Como a desumanização subjacente à afirmação da senhora do vídeo que afirma muito indignada que sugerir que um ateu pode ser boa pessoa é um insulto inaceitável ao cristianismo.

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