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os despojos do dia

Durante dias andei a dizer, a quem me perguntava e a quem o não fazia, que António Costa ia ter uma vitória fulgurante. Até gracejei que António Seguro iria passar à clandestinidade no dia seguinte. Era, evidentemente, um palpite, um bitaite, uma expectativa. Em bom português, uma fezada. E ontem, 20 minutos antes das 20 horas, vaticinei no Facebook que o Costa ganharia com "70%, no mínimo". Nunca fui militante e a minha simpatia pelo PS teve altos e baixos. Nem votei PS nas últimas eleições. Nunca fui a um comício ou a outra iniciativa do partido (a minha participação em atividades partidárias limitou-se a umas quantas idas à Festa do Avante, na década de 80 - sim, precisamente, quando não era confortável fazê-lo, sobretudo para quem militava numa associação de estudantes da JC -). Mas desta vez inscrevi-me e hoje fui votar, porque me causou profunda irritação a forma como o ex-líder lidou com a situação. Mas, apesar dos bitaites à forcado, não esperava tal arrombo. Que, consumado, só me faz pensar: como foi possível chegar-se a tal ponto? Os militantes, os estrategas e os indefectíveis, mas também os politólogos e os comentadores, dirão que é bom sinal, que tal expressividade eleitoral concede autoridade, força e capacidade de ação ao novo líder, potencia a polarização da "alternativa" política à maioria existente, aumenta a probabilidade de uma maioria PS nas próximas eleições, etc. E virão dizer que Costa terá que saber sarar as feridas, provar a sua capacidade política de agregar grupos e fações desavindas, não deixar esmorecer a "dinâmica de vitória", aproveitar o indisfarçável descrédito que rodeia Passos Coelho, mostrar o que vale, and so on.

Tudo bem. Estaremos cá para ver. Mas a mim, há uma que não me sairá tão depressa da cabeça: como foi possível um tal exercício de mistificação, um líder partidário que faz um festim com migalhas eleitorais, que tenta escapar às pingas da chuva, que há 2 anos era ferozmente "anti-primárias" e que subitamente tira tal coelho da cartola, numa evidente manobra dilatória? que não percebe que o seu partido caminhava para a apatia geral e que descreve um desafio, inevitável e necessário, como uma traição? e afinal o traidor-mor vence com mais de 70% de apoio? somos todos traidores? a quem e a quê?

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