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jugular

O estado de negação da direita religiosa strikes again

Depois de Stephen Colbert, é a vez de Jon Stewart se divertir com as reacções da direita religiosa* aos bárbaros ataques terroristas na Noruega.

 

*Mais uma vez, e porque por muito que o repita as reacções pavlovianas parece que são inevitáveis, reitero que não considero a barbárie que aconteceu um atentado do terrorismo cristão. Tal como Susan Jacoby, considero que «What is fair to say about Breivik is not that he is a “Christian terrorist” but that he is a terrorist for whom Christianity, coupled with worship of the white European ubermensch, plays a vital symbolic and ideological role.»

Nuno Rogeiro contra-ataca ou o estado de negação da direita

Dizer que «sem o elemento da imigração, o Breivik podia ser considerado de extrema-esquerda» é mau de mais até para o Rogeiro. Enfim, sempre foi mais dentro da linha das reacções da direita internacional que a história do heavy metal e do sadoterrorismo...

Virgens ofendidas ou o verdadeiro escocês

Não deixa de ser divertido ver um dos maiores pregadores de ódio (cristão) da Faux News reagir, como reagem tantos em tantos lados, ao massacre na Noruega.

Aaahhh, claro, heavy metal e sadoterrorismo*

E eu aqui em análises elaboradas quando me bastaria ter ouvido o Rogeiro para perceber que não há qualquer motivação ideológica para os ataques terroristas em Oslo, só há doenças mentais (associadas ao heavy metal?).

 

* esta designação de sadoterrorismo é simplesmente deliciosa, absolutamente idiota mas deliciosa :)

O manifesto da supremacia cristã

Perante a estupefacção geral, o advogado do terrorista que tentou intimidar a Noruega informa-nos que o seu cliente classificou os seus actos, a que chama execuções de marxistas culturais e traidores multiculturalistas,  como horríveis mas necessários. Talvez por considerar as barbaridades que cometeu uma lição tão necessária que só tardava, os relatos das testemunhas das atrocidades na ilha indiquem que estava  «jubilante e a gritar vitoriosamente» enquanto assassinava crianças e adolescentes. 

 

O manifesto de 1516 páginas, que preparou durante anos e terminou pouco antes dos atentados, assim como o manifesto em vídeo, explica com muito detalhe por que razão considerou necessário matar crianças e adolescentes indiscriminadamente. Ambos são manifestos da supremacia cristã e da islamofobia, algo que é claro ao longo do (repugnante) texto mas também neste wordle de Jarret Brachman e na própria capa do manifesto da suposta declaração de independência.

O terror do fundamentalismo indeed

(imagem roubada ao CC)

Na BBC, ouço que Anders Behring Breivik, um norueguês, louro e de olhos azuis, com ligações de facto a grupos fundamentalistas mas cristãos (e à extrema direita nacionalista), foi acusado de ambos os atentados terroristas que ontem abalaram o país nórdico. Vou esperar para ver as manchetes dos media, de que estes dois são apenas exemplo, que imediatamente e sem qualquer confirmação ulularam terrorismo islâmico. Mas estou certa que nunca irei ler nada parecido com terrorismo cristão**. E, já agora, quero ver se o PM norueguês tem a coragem do seu congénere irlandês* e mantém o recado.

 

* Enda Kenny, sem medo de afrontar a religião dominante do seu país, a propósito de mais um escândalo, muito recente, de abuso sexual de menores, chamou os bois pelos nomes e proferiu no Parlamento «The Cloyne report excavates the dysfunction, the disconnection, the elitism that dominate the culture of the Vatican today. The rape and torture of children were downplayed, and managed to uphold instead the primacy of the institution, its power, its standing and its reputation.»

 

** depois de escrever o post, descobri o Suspeito detido é um “fundamentalista cristão”  no Público. Os comentários são um must :)

 

Adenda: Melhor que eu, o "The omnipotence of Al Qaeda and meaninglessness of "Terrorism""no Salon explica este post, em particular, mas não só, este pequeno excerto"In other words, now that we know the alleged perpetrator is not Muslim, we know -- by definition -- that Terrorists are not responsible; conversely, when we thought Muslims were responsible, that meant -- also by definition -- that it was an act of Terrorism. "

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