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Ainda as leis da blasfémia

por Palmira F. Silva, em 02.03.11

Dois meses depois do bárbaro assassínio de Salman Taseer, governador do Punjab, foi hoje assassinado o ministro paquistanês para as Minorias, o único cristão do executivo. "Os relatos iniciais são de que ele foi morto por três homens, provavelmente com uma Kalashnikov, mas ainda estamos a tentar estabelecer o que aconteceu exactamente", explicou o chefe de polícia da cidade, Wajid Durrani. Shahbaz Bhatti, que foi morto em plena luz do dia na capital Islamabad, era um firme opositor à lei da blasfémia que vigora no país e que, como todas as leis da blasfémia, serve apenas como arma de perseguição de todos os que não comunguem da religião maioritária.

 

Pelo menos desde Janeiro que o ministro, como reconheceu numa entrevista à BBC, recebia ameaças de morte pela "blasfémia": "Disseram-me que se eu continuasse a campanha contra a lei da blasfémia seria assassinado, seria decapitado, mas as forças da violência, as forças do extremismo não me conseguem atingir, não me conseguem ameaçar”, declarou na entrevista.

 

Hoje, os extremistas conseguiram atingi-lo, fatalmente. No local do assassínio a polícia encontrou panfletos do Tehrik-i-Taliban Punjab, um grupo taliban com ligação à Al-Qaeda,que ameaçam de morte todos os que se atreverem a criticar a lei da blasfémia. O terrorismo e violência religiosos continuam a ditar as leis no Paquistão.

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Ainda les beaux esprits

por Palmira F. Silva, em 27.02.11

 Hugo Chávez condecora Khadafi durante um encontro em Porlamar, 2008.

 

Respondendo às angústias dos muitos que se interrogavam sobre a posição de Hugo Chávez em relação aos acontecimentos na Líbia, na sexta feira o ministro venezuelano dos Negócios estrangeiros, Nicolas Maduro, reagiu em apoio do ditador líbio, ecoando a posição de Fidel Castro (e Daniel Ortega), reiterada numa coluna recente. Ou seja, para o governo da Venezuela o massacre da população líbia não passa de uma conspiração ocidental para invadir o país. No Twitter, Chávez deixou bem clara a sua visão dos acontecimentos e o seu apoio a quem apelidou o Simon Bolivar da Líbia: «Viva Libia y su Independencia! Kadafi enfrenta una guerra civil!!»

 

Adenda: Outro beaux esprit, Robert Mugabe, enviou mercenários para a Líbia em auxílio de Khadafi.

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Les beaux esprits se rencontrent

por Palmira F. Silva, em 23.02.11

Enquanto Fidel Castro arma uma teoria da conspiração mirabolante* em defesa de Kadafi e Daniel Ortega expressa toda a sua solidariedade ao valoroso líder líbio que, através do diálogo (?), tenta unificar o país, Berlusconi informa que na Líbia no pasa nada, só uma insurreição que tem como vítimas as forças leais ao regime. Só falta Tony Blair vir a público explicar que os tais insurgentes escondem armas de destruição em massa...

 

*com epicentro nos EUA que, por recurso a uma forte campanha mediática, assente nas americanissimas Al Jazeera e Al Arabiya, pretendem invadir a Líbia através da NATO.

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O homem é louco varrido!!!

por Palmira F. Silva, em 22.02.11

Depois de mandar assassinar centenas de líbios que protestavam as 4 décadas de tirania de um louco, Kadafi fez uma fugaz aparição na televisão estatal, saindo de um calhambeque de chapéu de chuva aberto, disse que estava a chover, que os media estrangeiros, incluindo ou principalmente a Al-Jazeera,  eram uns cães e que continuava no país. Depois destes alucinados 30 22 segundos, retomou-se a programação que mimoseava os espectadores com imagens do louco assassino em poses heróicas com um fundo de música tradicional líbia.  E não há quem páre este louco? Onde está uma posição forte de repúdio da UE, dos EUA ou da ONU?

 

Adenda )

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Leis da blasfémia: Shock & Awe no Punjab

por Palmira F. Silva, em 04.01.11

Salman Taseer, governador do Punjab, foi assassinado hoje por, de acordo com as alegações do assassino transmitidas pelo ministro do Interior paquistanês, ser contra a lei da blasfémia vigente no país. Tasser era uma figura destacada no Partido do Povo do Paquistão, o  partido de Benazir Bhutto, igualmente assassinada por motivos religiosos,  e muito próximo do Presidente Asif Ali Zardari, viúvo de Bhutto. O governador criticou muito veementemente nos últimos dias a lei da blasfémia  e pediu perdão para Asia Bibi, na foto, tirada na prisão uns dias após a sua condenação à morte, com a mulher e filha de Taseer. Os líderes de vários grupos religiosos, que convocaram uma greve a semana passada em apoio da lei da blasfémia,  denunciaram-no estridentemente como apóstata e acirraram multidões ululantes a queimarem efígies de Taseer durante a greve.

 

No dia 30 de Dezembro, Taseer postou no Twitter: «I was under huge pressure sure 2 cow down b4 rightest pressure on blasphemy. Refused. Even if I'm the last man standing.» Taseer não se vergou às barbaridades da religião mas o apelo ao ódio daqueles que não querem perder o poder que detêm nesta parte do globo surtiu o efeito desejado: não só silenciaram para sempre a voz mais corajosa em defesa de um estado de direito no Paquistão como encurralaram o governo numa chantagem ignóbil, com a ameaça de secessão do Punjab.

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Não sei se foi a Dilma que começou mal ou o Lula que acabou pior*

por Palmira F. Silva, em 21.11.10

mas isto é vergonhoso: «A diplomacia brasileira se absteve de apoiar uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que pede o fim do apedrejamento no Irã e o condena como forma de punição. A resolução ainda condena Teerã por "graves violações de direitos humanos" e por silenciar jornalistas, blogueiros e opositores».

 

*copiado da mailing list jugular

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Outro preso por blasfémia

por Palmira F. Silva, em 12.11.10

Depois de Asia Bibi, outro habitante de um país islâmico enfrenta uma pena muito dura pelo «crime» de blasfémia. A autoridade palestiniana prendeu um barbeiro blogger de Qalqilya, uma cidade do West Bank. Walid Husayin, de 26 anos, é acusado de ser o ateísta que nos últimos anos chocou a Palestina e o mundo árabe com posts blasfemos, nomeadamente por ter escrito que o Deus do Islão tem os atributos «dos beduínos primitivos» e ter afirmado que o Islão é uma «fé cega que cresce e, onde há irracionalidade e ignorância, se apodera das mentes das pessoas».

 

Embora muitos exijam a sua execução pública, a sentença quase certa que espera Husayin é a prisão perpétua. O «crime» de que é acusado é «insultar a divina essência», um crime tão inconsubstancial quanto irracional é a religião que exige a morte de quem não acredita e quão bárbaros são os seus crentes literais.

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E uma campanha de apoio a Asia Bibi?

por Palmira F. Silva, em 11.11.10

Asia Bibi é uma cristã paquistanesa que foi condenada à morte por blasfémia na segunda-feira. Tal como em relação a Sakineh Ashtiani, é urgente sensibilizar a opinião pública internacional e fazer barulho por Asia Bibi. Para já, podemos apoiar a paquistanesa no Facebook mas seria conveniente organizar algo mais visível. E, principalmente, manifestarmos o nosso repúdio por todas as leis da blasfémia que são, como escrevi há menos de 15 dias, um convite à intolerância.

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Vamos fazer barulho por Sakineh Ashtiani

por Palmira F. Silva, em 01.11.10

De acordo com informação recebida hoje pelos International Committee against Stoning e International Committee against Execution, o governo iraniano executará Sakineh Ashtiani  na próxima 4ª feira, dia 3 de Novembro. Só temos um dia para tentar impedir a barbárie. E o que podemos fazer? Bem, essencialmente podemos fazer barulho, junto à embaixada do Irão e junto a todos os nossos representantes. Sigam as sugestões indicadas nesta página e comecem a fazer barulho JÁ!

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E continuam as barbáries no Irão

por Palmira F. Silva, em 01.11.10

Não admira que o Irão queira rever os curricula das disciplinas de direito e de direitos humanos: para além das execuções públicas, mantidas ao ritmo «normal»,  são cada vez as execuções secretas, ilegais mesmo à luz do que passa por lei no país. De acordo com Ahmad Ghabel, um erudito religioso preso em Vakilabad no princípio do ano, apenas nesta prisão e apenas durante os 3 meses da sua detenção, foram secretamente executados 50 prisioneiros.

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Olho por olho, medula por medula

por Palmira F. Silva, em 21.08.10

O juiz Saoud bin Suleiman al-Youssef, na província de Tabuk, no nordeste da Arábia Saudita, endereçou uma consulta aos hospitais do país para saber se era possível danificar a medula de um saudita para que este partilhe a condição de Abdul-Aziz al-Mutairi, paralisado há dois anos numa briga. Insatisfeito com a justiça secular do país, «Ele [al-Mutairi] solicitou ao tribunal de Tabuk que o seu agressor sofra uma punição equivalente com base na lei islâmica», explicou um comunicado do tribunal publicado no jornal saudita Okaz.

 

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Enquanto os aliados preparam a retirada, a barbárie talibã retorna em força

por Palmira F. Silva, em 17.08.10

 

No domingo,  a população de Mullah Quli , uma aldeia na província de Kunduz, no norte do Afeganistão, foi convocada pelos altifalantes da mesquita local para a primeira execução pública por apedrejamento desde a queda do regime talibã em 2001. Dois jovens, trazidos de mãos atadas atrás das costas para o mercado, foram barbaramente apedrejados pelos talibãs mas também por populares que estavam a assistir. A jovem, Sadiqa, não resistiu ao apedrejamento; Qayum, coberto de sangue e gravemente ferido, sobreviveu e foi assassinado a tiro por um talibã que avisou a população local do destino que espera todos aqueles que se envolvam em actividades não-islâmicas.

 

 

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Da destruição dos valores e da família

por Palmira F. Silva, em 26.07.10

Em 2003, o Parlamento da Jordânia rejeitou como anti-islâmica uma proposta que pretendia endurecer as penas para assassínios de «honra», cujas penas são reduzidas pelo artigo 98 da Constituição que garante uma pena leve para os assassinos de parentes do sexo feminino que tenham cometido «um acto que é ilícito aos olhos do perpetrador». Segundo informou  a Al-Jazeera, «Islamists and conservatives said the laws violated religious traditions and would destroy families and values», uma reacção mesmo assim  mais moderada que aquela que mereceu a primeira tentativa de abolição do artigo 340 da Constituição, em 2000, logo após a tomada de posse do rei Abdullah II que tenta desde essa altura acabar com a barbárie. No limiar do século XXI, foi entendido que eliminar a licença ilimitada para matar mulheres adúlteras corresponderia a extirpar a humanidade dos homens jordanos, mais concretamente, «destruiria os nossos valores islâmicos, sociais e de família ao extirpar o homem da sua humanidade».

 

E foi certamente em defesa da humanidade - e dos valores da família-  que na semana passada um homem de 43 anos assassinou a sua sobrinha de 16 anos com 30 tiros de metralhadora. O assassino da jovem, certamente «culpada» da violação de que foi alvo, é apenas mais um de entre 15 a 20 assassinos de mulheres e adolescentes que anualmente são ilibados ou condenados a penas muito leves por lavarem a «honra» e os valores da família com sangue.

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O que passa por alternativa a educação sexual nos Camarões

por Palmira F. Silva, em 24.07.10

 

Ou, quiçá, a ES exista e seja parecida com a proposta pelo Opus Dei.

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