Segunda-feira, 05.10.09
Palmira F. Silva

É isto que Cavaco Silva se enseja dizer - do palácio de Belém, uma «inovação» que espero não ver repetida-,  no dia em que se celebram 99 anos da República???


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Sábado, 03.10.09

Foi com bastante surpresa que li mais uma exegese do discurso presidencial, desta feita debitada por Januário Torgal, o bispo das Forças Armadas. O objectivo do exegeta terá sido certamente o de esclarecer os passos de maior dificuldade de interpretação da recente alocução do seu comandante supremo. Pelo menos a mim, tal como à Joana, a hermeneutica sacra deixou-me ainda mais baralhada, quiçá por me escapar a sua dimensão teológica, e agradecia ajuda na interpretação deste texto interpretativo. Alguma alminha caridosa me explica o que cargas de água quer dizer a prosa do ordinário castrense, em particular os parágrafos que reproduzo, que me parecem totalmente contraditórios (embora no espírito da coisa "exegetada")?

 

Leia e fique totalmente baralhado )

Quarta-feira, 30.09.09

Ainda mal refeita da vergonha que senti ontem, eis se não quando  abro as páginas virtuais do Público e deparo com um editorial tão nonsense (e info-excluído) quanto as declarações à comunicação social do presidente supostamente de todos os portugueses.  Realço a parte que me surpreende, pela total tolice:

 

«E a seguir acrescentou que essa publicação desse e-mail privado lhe suscitou a seguinte dúvida: 'Será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus e-mails? Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida?'»

 

Presumo que o presidente, que não lê jornais e apenas ontem consultou «especialistas» sobre o tema, não saiba que ninguém está livre de ataques de hackers, nem mesmo a Casa Branca ou o Pentágono.

 

Ver mais... )

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Terça-feira, 29.09.09

Better to stay silent and be thought a fool, than to speak and remove all doubt. palavras sábias de Mark Twain.


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Terça-feira, 22.09.09
Palmira F. Silva

Um dos leitores do Público já resumiu, em comentário que transcrevo, o mui esperado editorial de José Manuel Fernandes sobre o não caso das escutas, ou antes, sobre a não notícia plantada por Fernando Lima, aparentemente a mando do presidente - com a clara intenção de prejudicar o PS nas eleições de domingo:

 

«Ao contrário do que JMF pretende fazer crer, Fernando Lima (FL) não é nenhum garganta funda. Que o garganta funda era - sabemo-lo hoje - Mark Felt, um dissidente da liderança do FBI. Daí a relevância das informações que trouxe a público. Ora, FL não mantinha (nem mantém) nenhuma dissidência com Cavaco. Mais, apresentou-se ao Público em nome de Cavaco. Foi ao Público pedir um frete para o PR. E o Público fez o Frete. O DN fez mto bem públicar o mail. O mail não revela nenhuma fonte de nenhuma notícia. Porque não existe nenhuma notícia. Não existe nenhuma investigação do Público (a investigação como se percebe é o próprio mail para o jornalista Tolentino). Existe simplesmente... um Frete. E a notícia é - essa sim! - a de que o Público (o meu diário de sempre) faz fretes ao PR. JMF é desonesto e falacioso. Toma-nos a todos por parvos. Provavelmente por termos andado estes anos todos a comprar o jornal que dirige. Provavelmente, tem razão.»

  

Para além do mais, o editorial é assim um bocadinho para o pífio, como as iniciativas que parece esperar do presidente que devia de ser de todos os portugueses:

 

«Por isso, das duas, uma: ou a seguir a 27 de Setembro fundamenta as suas suspeitas, e age em conformidade, ou se se limitar a iniciativas pífias terá enfraquecido a sua autoridade como Chefe de Estado, porventura de forma irremediável. Sendo que este processo não se resolve com uma simples queixa à Procuradoria-Geral da República ou o rastreamento do Palácio de Belém para descobrir eventuais aparelhos de escuta. E ninguém perdoará se se perceber que as suspeitas ou não existiam, ou não tinham fundamento, ou eram simplesmente paranóicas


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Numa atabalhoada, desesperada e pouco séria estratégia de contenção de danos, há quem insista em tomar-nos por parvos tentando manter viva a suspeita das escutas ao presidente. Pedro Picoito, por exemplo, diz que Cavaconão desmentiu as suspeitas que Fernando Lima fez chegar ao Público. Não percebo. Se Cavaco não desmentiu as suspeitas, porque é que despediu Fernando Lima? E porque é que despediu depois de dizer que estavamos perante uma questão de segurança sobre a qual falaria depois das eleições?E que história era aquela da ingenuidade — a de Cavaco e a da jornalista que lhe fazia perguntas? Tenham pudor. Quem defende a tese de que o presidente ainda irá falar sobre as questões de segurança, esquece-se de uma coisa: o presidente já falou; falou quando demitiu Fernando Lima. É verdade que falou mal, que não disse tudo e que ainda deve explicações aos portugueses. Mas, ao contrário dos que anseiam por mais uma ajudinha para a tese da asfixia democrática, aposto que estas explcações não terão nada a ver com questões de segurança. É preciso dizê-lo: não há qualquer caso de escutas à presidência; estamos, apenas e só, perante uma conspiração contra o PS.

Quem a orquestrou? Cabe a cada um julgar por si. Os factos conhecidos não implicam necessariamente Cavaco Silva. Até agora, sabemos apenas que envolvem o director do Jornal Público, Luciano Alvarez e Fernando Lima. Mas os factos não dizem tudo. Neste caso, como em todos, é inevitável interpretar o sucedido. E aqui, das duas uma: ou Cavaco foi incompetente e não soube gerir uma cabala e uma traição do seu assessor, ou estamos perante uma conspiração contra o PS liderada pelo Presidente da República. A primeira é grave, a segunda é gravíssima. Em qualquer dos casos, a actuação do presidente prejudicou objectivamente o PS, violando aquela que é a sua principal função: assegurar o regular funcionamento das instituições.


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Segunda-feira, 21.09.09
Rogério da Costa Pereira

Embora esteja demasiado aborrecido para escrever um post sobre o assunto do dia e apesar de todas as razões que me ocorrem para a escolha do timing da decisão me deixarem ainda mais zangado, não posso deixar de dizer umas palavras, em forma de exigência.

 

O que eu exijo - de exigir - é que Cavaco se explique, que diga de uma vez (já o devia ter feito) se sabia ou não sabia. E se não sabia qual a desculpa para não saber. Não pode é insinuar à sexta (com aquela da falta de ingenuidade - dele e da jornalista) o que insinuou e despedir à segunda. O que é que aconteceu nestes três dias? Que Cavaco, no seu interesse (coisa que não me interessa), não podia tomar esta atitude depois das eleições é óbvio - seria crucificado -, e até admito que não tivesse elementos para a tomar em Agosto. Eu quero apenas conhecer a razão de Cavaco ter despedido hoje o assessor de 25 anos. Só isso. E, como já perdeu o argumento de não querer imiscuir-se na campanha, terá que o fazer amanhã. É que um Presidente - e este em que votei - não serve para fazer o controlo dos danos do seu umbigo, mas dos do país.

 

Aguardo.


Palmira F. Silva

(...) Um leitura menos romanceada da queda do porta-voz do Presidente da República parece sugerir que Fernando Lima recusou demitir-se no pressuposto de que apenas cumprira a missão de que fora incumbido. (...)

 

A ler no Câmara Corporativa. A ler também «O Presidente Ventilan» por Pedro Marques. Lopes


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Domingo, 20.09.09

Imperdível a crónica de Ferreira Fernandes no Diário de Notícias de hoje, a propósito do nacional-achismo, certamente o responsável para que, em Agosto, o Público decidisse transformar suspeições com "explicações grotescas"  (provedor do Público dixit) em manchetes sensacionalistas. Diz o cronista no seu «Ele acha, logo existe»:

 

«Não venham cá com os vossos factos que eu tenho as minhas suspeitas - eis Portugal cada vez mais assim. Já tínhamos os inspectores da Judiciária que falhavam uma investigação sobre factos e acabavam a vender livros sobre as suas suposições. Isso era a prática corrente - as vitórias morais no futebol eram a expressão mais popular dessa tendência. Há semanas, uma líder partidária, Manuela Ferreira Leite, decidiu dar base programática à coisa: "Eu não quero saber se há escutas ou não, eu não quero saber se há retaliações ou não, o que é grave é que as pessoas acham que há." O nacional-achismo passou a doutrina oficial.»

 

Veja mais achismos ... )

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Palmira F. Silva

Não consigo encontrar a crónica dominical do provedor do Público, estranhamente se pensarmos que as opinações de fim-de-semana de Vasco Pulido Valente, normalmente reservadas a assinantes, nos foram «graciosamente»  oferecidas e destacadas  na primeira página do online.

 

Mas se o Público não a disponibiliza, o DN, embora criticado pelo provedor, tem um resumo da dita crónica que vale a pena ler:

 

«Para Joaquim Vieira, "isto, independentemente da acumulação de graves erros jornalísticos praticados em todo este processo (entre eles (...) permitir que o guião da investigação do PÚBLICO fosse ditado pela fonte da PR) leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar: haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?"

 

O provedor diz na sua crónica que "as explicações" para as suspeições da Presidência da República de que haveria escutas da responsabilidade do Governo "eram grotescas (...) mas aceites como válidas pelos jornalistas do PÚBLICO".

 

Mais adiante na sua análise, Joaquim Vieira sustenta que, depois da primeira manchete do Público - que deu conta das suspeitas da Presidência 17 meses depois da data do e-mail divulgado na sexta-feira passada pelo DN - e face ao silêncio de Cavaco Silva e do primeiro-ministro, "o passo seguinte do PÚBLICO deveria, logicamente, consistir em confrontar o próprio PR com as suas responsabilidades políticas na matéria".

 

Referindo-se ao momento em que o Público finalmente teve uma reacção do PR - que pedia que não houvesse desvios em relação aos "problemas do país" - Joaquim Vieira questiona: "como pode o PR fazer declarações altruístas sobre a situação nacional e ao mesmo tempo caucionar (se não mesmo instigar) ataques abaixo da cintura lançados de Belém sobre São Bento?"


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Sábado, 19.09.09

Então em Agosto, o Público, como confirma o seu provedor, sem qualquer «indício palpável», lança duas manchetes completamente infundadas sobre as alegadas escutas à presidência, e no jamais falam .... em jornalismo tendencioso no DN??? Pior ainda, há pedacinho, Paulo Rangel ululou sobre ... a campanha «chavista» de Sócrates contra o Público, carpindo que «O primeiro-ministro ontem fez um ataque ao director do Público absolutamente inacreditável». Esta gente perdeu toda a noção da realidade?


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Terça-feira, 25.11.08
Rogério da Costa Pereira

Foi com espanto que, no passado fim-de-semana, pude ler o comunicado da Presidência da República sobre o caso BPN. Como a generalidade dos comentadores logo apontou, o comunicado é um perfeito despropósito. Ninguém, no seu perfeito juízo, se lembraria de apontar o dedo a Cavaco Silva - o homem terá alguns defeitos (não sabe comer bolo-rei, por exemplo), mas está acima de toda a suspeita.

 

No país onde não há fumo sem fogo, Cavaco Silva veio levantar uma lebre que estava muito bem na moita de onde foi enxotada. Deu explicações sobre a sua vida pessoal que não tinha que dar, meteu-se num assunto em relação ao qual, pelo menos publicamente, tinha o dever de se manter alheio.

 

O pretexto, então, é completamente ridiculo: "Nos últimos dias, detectou a Presidência da República, face a contactos estabelecidos por jornalistas, tentativas de associar o nome do Presidente da República à situação do Banco Português de Negócios (BPN).

Não podendo o Presidente da República tolerar a continuação de mentiras e insinuações visando pôr em causa o seu bom nome, esclarece-se o seguinte: (...)"

 

Mas agora o Presidente da República organiza a sua agenda política de acordo com o que corre nos mentideros? Ou bastará um jornalista atirar o barro à parede que temos logo o presidente a lançar desmentidos? Tentativas de o associar à situação do BPN? Mas quem, quando, onde, como?

 

Uma última nota para referir que também as declarações de hoje pecam por pouco avisadas - mais uma vez o Presidente devia ter-se limitado a ficar calado.

 


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