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De banhas da cobra e iliteracia química

por Palmira F. Silva, em 01.07.12

Há uns tempos fui contactada por um dos editores do site PouparMelhor, a propósito de um artigo que, em termos muito suaves, explicava não ser verdade que uma determinada banha da cobra, com a acção mística/alquímica nas ligações C-H supracitada, pouparia em média 20% de combustível.

 

Aparentemente, os senhores que vendem a dita cuja banha da cobra não gostaram, como é normal num certo tipo de charlatães, e, depois de atafulharam a caixa de comentários do referido post com obras primas da literatura e pérolas redondinhas de ignorância química, partiram para o que também é a norma neste tipo de gente: as ameaças legais. Neste caso, felizmente sem sucesso, e, espero, com todos os inconvenientes do efeito Streisand.

 

Já desmistifiquei um ror de dispositivos que, "cientificamente" comprovado, permitiriam poupar uma percentagem absurda de combustível, por efeito quântico (todos os charlatães simplesmente adoram a quântica), magnético ou afins, mas é a primeira vez que ouço falar no princípio de Van der Waals para semelhante desiderato.  Aliás, embora o nome do Nobel da Física de 1910 abunde no léxico científico, de equações de estado a forças intermoleculares, é também a primeira vez que ouço falar em tal princípio.  Lendo a propaganda da coisa, qualquer que seja o Tech porque a designam, Super ou Mole, não me admira muito:  quem escreve o número assombroso de dislates sem pés nem cabeça nos 450 caracteres que se seguem nem deve fazer ideia o que seja ciência - embora use e abuse do falacioso (pseudo*)argumento de autoridade científica para impor respeitabilidade à sua banha da cobra.

 

 

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E a seguir o quê, o professor Karamba nas previsões económicas?

por Palmira F. Silva, em 19.09.11

 

Digam-me, please, que aquele "tabled" não quer dizer que foi o único português na comissão de agricultura o co-autor desta proposta totalmente imbecil que propõe um financiamento de 2 milhões de euros para homeopatetices para vacas e demais quadrúpedes.

 

Mas se quiser dizer mesmo isso, digam-no em suaves prestações, a primeira vez que vi a notícia pensei imediatamente que era da Onion ou afins, confirmar que a única "brincadeira" é a que os eurodeputados  pregaram aos contribuintes europeus já foi mau, descobrir que foi mesmo um português a propor este obscurantista desperdício de dinheiro será demasiado mau para uma só vez.

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Campanha 10:23 e ciências ocultas

por Palmira F. Silva, em 06.02.11

Sábado pela manhãzinha esta vossa escriba reuniu-se no jardim do Principe Real com um grupo de gente simpática e empenhada em informar o público sobre o que é de facto a homeopatetice. O lema da campanha, 1023, honra a constante que tem o nome de Lorenzo Romano Amedeo Carlo Avogadro (1776 — 1856), o físico italiano que distinguiu átomos de moléculas e que propôs que  «iguais volumes de todos os gases, nas mesmas condições físicas, contêm o mesmo número de partículas». A constante de Avogadro, 6, 022X1023, é o número de átomos ou moléculas existente num mole de uma determinada espécie química. O seu significado nesta campanha é muito simples: não se pode diluir nada mais vezes que o número de moléculas inicial porque simplesmente não há moléculas que cheguem. Se eu tiver 100 pães para distribuir só posso dar um pão a 100 pessoas, não consigo alimentar os cerca de 7 mil milhões, 7x109, de habitantes da Terra, mesmo que acredite que só o aroma do pão é suficiente para encher a barriga porque nem o cheiro chega a todos. As moléculas são como os pães: a não ser para quem acredite em milagres, não há fenómeno de multiplicação de moléculas.

 

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Os desvarios homeopatetas ou açúcar a 1700* euros o kilo

por Palmira F. Silva, em 02.02.11

No próximo sábado, pelas 10H23, um grupo que se reuniu no Facebook, no qual, como seria expectável, me incluo,  vai juntar-se no jardim do Prícipe Real numa acção de sensibilização da opinião pública sobre a homeopatia, no âmbito de uma campanha internacional. A acção vai ser uma overdose de açúcar ou antes, de «medicamentos» homeopatetas, não recomendada a diabéticos.

 

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E por falar em mau jornalismo, é isto que é suposto ser televisão pública, num país europeu?

por Palmira F. Silva, em 26.01.11

Não, não é em África, acabou de passar na RTP e foi filmado em Portugal... Juro que me ultrapassa como a televisão pública propagandeia estas crendices imbecis e perigosas.

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Oscilo patetices ou o pato de vinte milhões

por Palmira F. Silva, em 15.01.11

Nos últimos tempos e por razões que me ultrapassam os nossos media têm feito propaganda em doses nada homeopatetas ao Oscillococcinum, que, supostamente, seria a panaceia ideal para a vulgar constipação, na realidade uma banha da cobra, perdão, pato, dos laboratórios Boiron, os tais que recentemente quiseram comprar «respeitabilidade» para a sua charlatanice financiando a universidade de Zaragoza.

 

Penso que não seja segredo que se há charlatanice que me maça é a homeopatetice, pelas razões evidentes. E, por muito que se explique o que é de facto a homeopatetice, persistem uma série de lendas urbanas que importa desmistificar sobre a coisa alimentadas pelos que lucram, muito, com as banhas da cobra. Contrariamente ao que pensam os que a apresentam - em conjunto com «medicinas (?) alternativas» com nomes vagamente orientais, como Hado, Johrei ou reiki- como alternativa à depreciativamente denominada medicina ocidental ou convencional, a homeopatetice é um produto genuinamente ocidental e muito pouco «tradicional». De facto, a homeopatetice foi «inventada» em 1796 por um médico alemão, Samuel Hahnemann, e nunca foi tradicional em lado nenhum.

 

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Incapacidades metafísicas

por Palmira F. Silva, em 09.11.10

seminario portugal V.M. Hach Ben Faqui (2) from metafisica cosmica on Vimeo.

Quem leu o livro de Carl Sagan de que falei no post anterior, «O Mundo Infestado de Demónios», está familiarizado com Carlos, o suposto espírito de 2000 anos que «possuía» Jose Luis Alvarez e lhe transmitia a sua «sabedoria» milenar. Na realidade, «Carlos» era uma experiência conduzida por James Randi em conjunto com o programa «60 Minutes» australiano cujo objectivo era demonstrar quão fácil é fabricar um «psiquíco» de sucesso em apenas uma semana.

 

E o resultado da experiência superou as expectativas. Em poucos dias, «Carlos» era sensação em terras australianas, convidado em programas nas estações de maior audiência do país. Alvarez não teve falta de clientes para a tralha que acompanha estes supostos psíquicos, no caso «cristais curativos», as suas lágrimas e livros - incluindo um folheto intitulado «A sabedoria de Carlos», que debitava em péssimo inglês «verdades» profundas como «A gravidade não é difícil de explicar; podem ver que é mais fácil as coisas caírem para baixo que para cima». Centenas de australianos foram assistir à sua apresentação, na Sydney Opera House, da qual saíram convencidos da autenticidade de «Carlos».

 

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Homeopatetices na Universidade pública em Espanha

por Palmira F. Silva, em 01.11.10

Acabei de saber no Facebook que a Universidade (pública) de Zaragoza decidiu oferecer uma cadeira de Homeopatetices no seu curso de Medicina. De acordo com o docente que a leccionará, a cadeira, paga pelo laboratório homeopateta Boirón, servirá, supostamente, para suprir a ignorância em homeopatetices dos médicos (?) formados na Universidade.

 

Como é óbvio, o desiderato da Universidade mereceu fortes protestos por parte de todas as pessoas com dois neurónios funcionais que se mostraram justamente indignadas com a possibilidade de ver «ensinada» numa Universidade pública algo que mais não passa de charlatanice obscurantista. Uma vez que Zaragoza é destino frequente de muitos estudantes portugueses que não conseguem entrar nos cursos de Medicina nacionais, apelo aos nossos leitores para que subscrevam o «Manifiesto por una Universidad libre de pseudociencia y oscurantismo» no Peticionpublica.es.  Os que quiserem confirmar que a homeopatetice é uma banha da cobra potencialmente perniciosa podem consultar alguns posts que escrevi sobre o tema. Aconselho em particular o post Charlatanices e SIDA - Uma história de horror.

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Coisas Estranhas

por Palmira F. Silva, em 16.06.10

Neste vídeo podemos apreciar o fundador e editor da revista Skeptic Magazine em grande forma na conferência TED2010, que decorreu entre 9 e 13 de Fevereiro em Long Beach, Califórnia. Os videos estão disponíveis online na página da TED ou no canal Youtube da TED. Nesta conferência, o historiador e divulgador de ciência norte-americano abordou um tema que já desenvolvera na TED2006 e  num  livro traduzido em português e editado pela Replicação “Por que acreditam as pessoas em coisas estranhas?”.  A resposta é simples: embora, estranhamente,  alguns representantes das humanidades afirmem que a ciência não tem nada a ver com cultura nem com civilização, acredita-se nestes disparates por falta de uma cultura científica enraizada e generalizada.

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A origem de outras espécies

por Palmira F. Silva, em 27.12.09

Imagem: Courtesy of the Wheaton College Special Collections

Já por aqui escrevi uma série de posts sobre o bicentenário do nascimento de  Charles Darwin e os 150 anos da publicação da obra que mudou o mundo, A Origem das Espécies. Mas este ano assinala-se também outro centenário que, embora cada vez na ordem do dia, passou despercebido a muitos. 1909 foi o ano em que dois magnatas do petróleo, Lyman e Milton Stewart, contrataram o teólogo  A.C. Dixon para editar uma série de livros intitulada The Fundamentals: A Testimony To The Truth.

 

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Criacionismo na Agência Italiana de Ciência

por Palmira F. Silva, em 27.12.09

O teólogo Roberto De Mattei ensina História do Cristianismo e da Igreja na Universidade Europeia em Roma e é o presidente da Fundação Lepanto, um grupo católico que pretende defender os princípios e as instituições da civilização cristã ocidental. Entre estes princípios parece estar o criacionismo hard core, versão Terra jovem.

 

De Mattei, infelizmente nomeado pelo governo Berlusconi vice-presidente do CNR, a instituição que financia a investigação em Itália, acabou de publicar, no ano em que se celebra em todo o mundo os 150 anos da publicação d'«A Origem das Espécies»,  um livro pomposamente intitulado «Evolutionism: The Decline of an Hypothesis».

 

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Choprawoo

por Palmira F. Silva, em 05.12.09

Entre as «farmacopeias» tradicionais mais perigosas em termos de metais pesados encontra-se a usada na «medicina» ayurvédica, para cuja toxicidade o número de Dezembro de 2004 do Journal of the American Medical Association alerta. O estudo indicava que 20% dos «medicamentos» ayurvédicos vendidos na zona de Boston continha níveis muito elevados de chumbo, mercúrio e/ou arsénio. Como notam os autores, a tradição ayurvédica atribui um papel terapêutico importante ao mercúrio e ao chumbo e pelo menos um destes metais entra na composição de muitas das suas formulações.
 

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Esta gente passa-se big, big, big time!

por Palmira F. Silva, em 22.11.09

No dia 19, no Público, Mário Cordeiro, Pediatra e professor de Saúde Pública, escreveu um artigo, «Vacina da gripe A - lucidez ou paranóia? A escolha é sua», que vale mesmo a pena ler.  O artigo menciona «um "famoso" vídeo da autoproclamada ex-ministra da Saúde da Finlândia, denunciando várias conspirações e maroscas que, resumidamente, davam a vacina contra a gripe A como um produto feito pelos americanos, destinado a extinguir a população de várias zonas do globo. O vídeo circulou, mas poucos se deram ao trabalho de questionar tamanho disparate. Pois a senhora Rauni Kilde era médica e directora-geral da Saúde quando, em 1986 (há mais de 20 anos), teve um acidente de viação e ficou, digamos, com uma diminuição acentuada da sua lucidez».

 

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Homeopatetices e o efeito Streisand

por Palmira F. Silva, em 11.11.09

 

Larry Moran, o autor do livro onde estudei bioquímica, conta no seu blog que a pessoa que colocou na internet este vídeo, que de facto ilustra a estupidez extrema de quem acredita em homeopatetices, recebeu uma intimidação do advogado da auto-denominada «doutora» (em banhas da cobra, certamente) para retirar imediatamente a coisa do Youtube, ameaça que já surtiu efeito no passado. Claro que o aviso será, como o faço aqui, divulgado por todos os lados da internet e apenas fará despoletar o efeito Streisand.

 

Vale a pena assistar a esta coisa e confirmar como é possível debitar em apenas 8 minutos esta quantidade de dislates!  No caso de os homeopatetas conseguirem de novo retirar esta pérola do YouTube, que explica de facto o que é a homeopatetice, podem ver aqui a transcrição desta sandice e ignorância total de ..., bem tudo.
 

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Banhas da cobra New Age

por Palmira F. Silva, em 01.11.09

As regiões não codificantes do ADN, muitas vezes designadas «junk DNA», são segmentos que não codificam proteínas mas que podem ser muito importantes, por exemplo na regulação de genes, nomeadamente em eucariotas ou eucariontes. Existem algumas zonas de ADN não codificante ultra-conservadas nos vertebrados (isto é, idênticas ou praticamente idênticas em muitas espécies), que parecem estar associadas à evolução e desenvolvimento dos vertebrados. Outras zonas podem ter tido um papel muito importante na evolução do Homem.

Assim, a designação «junk», que se pode traduzir como «lixo», é errónea. Como a maioria da população não segue a literatura científica, uma quantidade assustadora de charlatães dedica-se à tarefa de enriquecer à custa da ignorância alheia com dislates absolutamente arrepiantes que misturam patetadas New Age com uma linguagem pseudo-científica para enganar os mais incautos. Uma das banhas da cobra de eleição nos últimos tempos é uma suposta activação de ADN, normalmente envolvendo o dito "lixo", da qual existe uma enorme variedade de imbecilidades disponível, desde Theta healing (?) a Crystal Healing passando pelas inevitáveis curas psíquicas.

 

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De vacinas da gripe A e alarmismos injustificados

por Palmira F. Silva, em 31.10.09

No post sobre azeitonas que dediquei à nossa Alexandra, referi o esqualeno, o triterpeno de propriedades tão benéficas que quasi levou à extinção do tubarão, em cujos bons fígados se encontra em grande quantidade.

 

Qual foi o meu espanto quando, embora volta e meia com uma grafia errada, descobri que o esqualeno é o responsável por uma onda de alarmismo que varre não só o nosso cantinho mas outras paragens a propósito da vacina da gripe A. De facto, o esqualeno, assim como o α-tocoferol (a forma mais comum da vitamina E antes que o nome desencadeie outra onda de pânico),  faz parte do adjuvante da vacina produzida pela GlaxoSmithKline.

 

Explorando a ignorância química da população em geral, uns vendedores de banhas da cobra "alternativas", um tal de "Dr."  Mercola em particular, resolveram  aproveitar a ocasião para promover as suas charlatanices e lançar boatos, que se espalharam rapidamente, sobre as supostas mazelas que o esqueleno provocaria, de artrite a lupus passando pela encefalomielite auto-imune experimental (EAE) não esquecendo a síndrome da Guerra do Golfo, que, de acordo com os charlatães, seria devida ao esqualeno da vacina contra o antrax (por acaso e apenas por acaso, não utilizado nesta vacina).

 

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De cardos, espinhos e lendas urbanas

por Palmira F. Silva, em 20.10.09

Começo a dar-me conta: a mão
que escreve os versos
envelheceu. Deixou de amar as areias
das dunas, as tardes de chuva
miúda, o orvalho matinal
dos cardos. Prefere agora as sílabas
da sua aflição.


Eugénio de Andrade, Os trabalhos da mão (in Ofício de Paciência)

No post «Lendas urbanas: tamiflu e anis estrelado» referi brevemente o cardo mariano e o cardo coroado e a elevadissima toxicidade deste último, muito popular em algumas «medicinas» tradicionais.

 

No entanto, embora cantados por alguns poetas, os cardos são considerados erva daninha em Portugal. As plantas a que chamamos cardos pertencem, na sua maioria, à tribo Cardueae ou Cynareae cujas características distintivas são os espinhos e a ausência de flores liguladas, substituídas por flores tubulosas. Nem todos os cardos pertencem à mesma família, por exemplo o cardo marítimo recordado por Eugénio de Andrade é uma umbelífera.

 

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Um pouco cedo demais para este pé-de-meia, não?

por Palmira F. Silva, em 25.05.09

Mesmo a corroborar a apresentação de Michael Shermer sobre coisas incompreensíveis em que as pessoas acreditam, ao ler o Pharyngula agorinha mesmo deparei-me com algo absolutamente inacreditével, um banco que se anuncia assim:

Scriptures throughout the ages predict man's reincarnation and rebirth. During the transition period to your next life, 2i Limited is offering safe keeping for any asset you wish to deposit.

There are people who say they can remember their past lives and use that knowledge to help them with their current existence. Some people say they remember without any effort on their part as they simply see previous times. If you leave nothing purposely behind when you die, then what is there here for you when you return?

Begin by believing and just do it. The great end of life is not just knowledge but action so act now and save for your reincarnation.

Surpreendemente, a página em causa tem um link para depósitos mas não tem links para os felizardos que regressaram do «Além» recuperarem as economias de uma vida ... anterior. Tal como em todas as coisas que Shermer aponta, não consigo perceber como há gente que engole disparates destes....

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Guilty pleasures ou com a verdade me enganas

por Palmira F. Silva, em 24.05.09

Há uns tempos recebi por mail uma mensagem que me fez sorrir. A mensagem dizia que «Os perigos do monóxido de di-hidrogênio e seus inúmeros perigos à saúde já são conhecidos da população. Mas a recente morte de Jennifer Lea Strange, envenenada, me faz crer que ainda é necessário disseminar mais informações sobre esta droga fatal. Especialmente porque a natureza do monóxido de di-hidrogênio como porta de entrada para drogas pesadas ainda é subestimada pelas autoridades.
Você sabia que 100% dos adolescentes que usam cocaína, loló, maconha ou heroína usaram monóxido de di-hidrogênio pelo menos um mês antes de experimentar as drogas pesadas?
Você sabia que esta substância é encontrada freqüentemente no corpo de assassinos, estupradores e outros criminosos logo após sua apreensão em flagrante?
Você sabia que esta substância perigosa, além de ser um solvente praticamente universal, também está presente em tumores cancerígenos?  Todos os anos milhares de pessoas morrem em conseqüência da ingestão desenfreada desta substância, e mesmo assim não é feita uma campanha de consciencialização, nada.
De fato, apesar  dos perigos reconhecidos do
monóxido de di-hidrogênio, o governo brasileiro se recusou a banir a produção, distribuição ou uso desse químico prejudicial por causa de sua importância para a economia desta nação. Indústrias despejam MDH nos rios e oceanos, e nada pode ser feito contra essa prática, porque ela é legal!  Organizações militares de vários países conduzem experimentos com MDH, e fazem uso de dispositivos caríssimos para controle e utilização do monóxido durante situações de guerra. O impacto na vida selvagem é extremo, não podemos continuar a ignorar essa situação! O horror deve ser detido!»

 

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Charlatanices e SIDA: uma história de horror

por Palmira F. Silva, em 12.04.09


Li muito recentemente o livro de Ben Goldacre, o médico que mantém semanalmente uma coluna no Guardian intitulada Bad Science e que se devota a desmontar charlatanices sortidas em particular «medicinas alternativas» como homeopatetices e afins.

O livro é uma leitura especialmente recomendada mas, na edição que comprei, deixa em suspenso qualquer coisa negra que impediria a inclusão de mais material. Há uns dias, Goldacre publicou no seu blog o capítulo em falta, que pede seja amplamente divulgado. No prólogo ao The Doctor Will Sue You Now, o autor explica que esta história de horror, que justifica porque é necessário denunciar todos estes charlatães alternativos, só agora pode ser publicada: Matthias Rath, o muito bem sucedido vendedor de banha da cobra em questão, processava Goldacre e o Guardian quando o livro foi publicado.

E esta história de horror, em boa parte responsável pelas dimensões que a epidemia de SIDA atingiu na África do Sul, deve ser amplamente divulgada. Sobretudo, dever-nos-ia fazer reflectir sobre aquilo que temos insistido no De Rerum Natura e resumi no Charlatanices e banhas da cobra: activação de ADN: o ressurgimento destes obscurantismos é uma manifestação de que algo está profundamente errado na nossa sociedade mas para além de sintoma é igualmente uma causa do que está errado. Vivemos tempos em que este tipo de patetices, aparentemente inócuas, na realidade são uma espiral descendente que se não for travada pode ter consequências desastrosas. O pior perigo destas charlatanices é o facto de que «envenenam» a mente, isto é, pretendem passar anti-ciência por ciência e apelam a que as pessoas deixem de pensar. São perigosas porque afirmam que o pensamento mágico é mais importante que o trabalho, a verdade, a razão e o respeito pelas evidências. E a razão e o respeito pelas evidências são a fonte do progresso da Humanidade - e a nossa salvaguarda contra todos os que lucram pela deturpação da verdade.
 

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