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The Scarlet Letter ou como Darwin contribuiu para perpetuar lendas urbanas de género

Durante mais de um século, foram aceites sem pestanejar nem contraditório as apreciações que Darwin inscreveu no seu livro de 1871, The Descent of Man, sobre o comportamento feminino. Darwin, supostamente assente na observação de pássaros que o tornou famoso, explicava que, tal como nos pássaros, em que «A fêmea, embora comparativamente passiva, normalmente exerce alguma escolha e aceita um macho em detrimento de outros», as mulheres eram geneticamente monógamas enquanto os homens, tal como os seus congéneres de género alados, frequentemente promíscuos.  

 

Esta ideia, totalmente errada, da placidez sexual feminina foi aceite sem pestanejar porque era conforme aos ditames "morais" da época. Aliás, os que, como Flaubert, se atreviam a sugerir que as mulheres podiam acalentar dúvidas em relação ao casamento monogâmico acabavam a ter de explicar em tribunal que "Emma Bovary c'est moi". Quiçá também por isso, Darwin, que não podia deixar de saber que o que escrevia era falso, optou por usar as fêmeas dos pássaros como uma elegia da monogamia.

 

Contra o nacional pessimismo: Mamografia por emissão de positrões (PEM)

A tomografia por emissão de positrões, PET, é um exame imagiológico que se baseia no decaimento dos núcleos que emitem positrões, a anti-partícula do electrão ou anti-electrão. No PET, detectam-se os raios γ que resultam da aniquilação positrão-electrão. A parte do corpo a ser examinada é marcada com uma substância contendo átomos que emitem positrões, por exemplo o fluor 18 ou oxigénio 15, injectada por via intravenosa. Um detector capta os fotões gama e regista as zonas com maior actividade numa imagem tridimensional processada por computador. A aplicação desta técnica à mamografia foi o objectivo de um projecto nacional, PETmamografia, promovido pela Taguspark e co-financiado pela Agência de Inovação (ADI), que entretanto evoluiu para o Consórcio Clear-PEM,  um consórcio português, em colaboração com o CERN e laboratórios participantes no «Crystal Clear Collaboration», liderado por um professor do Técnico, João Varela*, director do projecto PET Mamografia desde 2002.

 

Acendamos velas de Sagan

«O cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá. A mais insignificante contemplação do cosmos emociona-nos – provoca-nos um arrepio, embarga-nos a voz, causa-nos a sensação suave de uma recordação distante. Sabemos que nos estamos a aproximar do maior de todos os mistérios» (início do 1º capítulo, «As costas do oceano cósmico», do livro Cosmos, de Carl Sagan)

 

Amanhã, dia 9 de Novembro, Carl Sagan (1934-1996) faria 76 anos, ou antes, 76 voltas ao Sol. Embora este ano alguns tenham celebrado o dia de Sagan um pouco mais cedo, é amanhã que um pouco por todo o globo se recordará o fantástico comunicador de ciência que nos transmitia o seu maravilhamento com o Universo e nos incutia vontade de saber mais a respeito «de onde vimos e para onde vamos». No Cosmos, Sagan mostrou pela primeira vez a muitos milhões de pessoas em todo o mundo a nossa dimensão cósmica. Depois de Sagan e por causa de Sagan, o Universo mudou: o mundo tornou-se maior e todos nós ficámos, por isso, também maiores. Porque descobrimos, como Sagan nos explicou, que somos filhos das estrelas.

 

Porque é importante não ceder ao nacional pessimismo

Vitor Cardoso e Luís Oliveira e Silva, do Departamento de Física do IST, foram reconhecidos pelo European Research Council como cientistas excepcionais. Ao primeiro foi atribuída uma ERC Starting Grant no valor de cerca de um milhão de euros e ao Luís foi concedida uma distinção normalmente referida como o Nobel europeu: uma ERC Advanced Grant, no valor de 1.6 milhões de euros. Estas bolsas reconhecem explicitamente o trabalho de excepção realizado por ambos os docentes do IST mas reconhecem implicitamente que Portugal, após alguns anos de investimento em I&D, começa a afirmar-se internacionalmente pela qualidade dos seus investigadores (e docentes universitários).

 

Esta qualidade reflecte-se nos profissionais que formamos, muito requisitados lá fora mas com a bizarra pouca saída nacional que comentei há pouco mais de um ano. Hoje, como nessa altura, e em particular quando o país soçobra ao pessimismo e desânimo colectivos, importa recordar o que, em minha opinião, é o nosso passaporte para o futuro: os profissionais de excepção que andamos a formar há já uns anos.

Nature or nurture?

Re­search­ers have for the first time iden­ti­fied a gene that they say can in­flu­ence po­lit­i­cal out­look.

Past stud­ies had found that po­lit­i­cal views have a genetic comp­o­nent, but had­n’t point­ed out ac­tu­al genes in­volved. The new re­search from the Uni­vers­ity of Cal­i­for­nia and Har­vard Uni­vers­ity in­di­cates that a var­i­ant of a gene called DRD4 makes peo­ple more likely to be lib­er­al, if they al­so had many friends as tene­nagers.

Publicidade institucional

É já na quarta-feira, dia 27 de Outubro, que o INESC-ID (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores- Investigação e Desenvolvimento do Instituto Superior Técnico, começa o ciclo de debates comemorativo do seu 10º aniversário. O primeiro debate, «Investigação, Inovação e Criação de Valor», contará com as presenças de Rogério Carapuça da NovaBase, Joaquim Sérvulo Rodrigues, da Espírito Santo Ventures, e Nicolau Santos, do Jornal Expresso, que, sob moderação de Luís Caldas de Oliveira (IST/INESC-ID), irão falar sobre criação de riqueza com base no conhecimento.

O programa completo e mais informação sobre os debates podem ser encontrados na página do Técnico.

A peste negra

Pieter Brueghel, o Velho, «Triunfo da Morte», óleo s/madeira, não datado, Museu do Prado, Madrid.

 

«A peste, atirada sobre os homens por justa cólera divina e para nossa exemplificação, tivera início nas regiões orientais. Incansável fora de um lugar para outro, e estendera-se de forma miserável para o Ocidente».  Prólogo do Decameron de Giovanni Bocaccio.

 

Ironia suprema?

Edward J. Wegman, autor do famoso relatório Wegman «the key prop of climate anti-science ever since» e um dos principais críticos das alterações climáticas, está a ser investigado por plágio e má conduta pela Universidade George Mason.

 

De acordo com o Usa Today, «GMU spokesman Daniel Walsch confirms that the university, located in Fairfax, Va., is now investigating allegations that the Wegman report was partly plagiarized and contains fabrications. Last month, a 250-page report on the Deep Climate website written by computer scientist John Mashey of Portola Valley, Calif., raised some of these concerns. Mashey says his analysis shows that 35 of the 91 pages in the 2006 Wegman report are plagiarized (with some of the text taken from a book, Paleoclimatology: Reconstructing Climates of the Quaternary, by Raymond Bradley of the University of Massachusetts) and contain erroneous citations of data, as well.»

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