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jugular

O Markl chama-lhe abuso, eu chamo-lhe filha-da-putice

«(...) Numa secção da revista dramaticamente intitulada "A Dor..." (assim mesmo, com reticências; não percebo se para efeito poético ou para deixar um espaço em branco para preencher, semanalmente, quem são os diferentes doridos), o texto integral que aqui escrevi sobre a morte do meu pai surge numa coluna toda jeitosa com o título "A Carta Aberta da Semana", com uma fotografia minha e, rematando todo um conjunto de espectacular gosto tendo em conta o assunto do texto, uma outra foto minha e da minha namorada Ana, por coincidência vestidos de preto (conveniente) mas à saída da maternidade, em Junho passado, sorrindo alegremente e segurando o ovo onde estava deitado o Pedro. O mau gosto de tudo aquilo que está impresso é o menos; cada um tem o gosto que tem e nem todos podem nascer com o dom da sensibilidade. O mau gosto profundo e imperdoável está na maneira como, com uma falta de respeito, de consideração, dos mais elementares mecanismos da vida em sociedade; em suma: de decência, pura e simples, a Nova Gente estampa a homenagem que aqui fiz ao meu pai naquela página não se preocupando nem em pedir-me permissão pela publicação do texto integral, nem fazendo a mais pequena referência ou enquadramento sobre de onde o tirou. Quem veja aquela página da Nova Gente pensa o que pensaram algumas pessoas com quem falei e que viram esta edição da revista: que escolhi a Nova Gente como nobre plataforma para a despedida do meu pai. Que, eventualmente, lhes dei ou vendi o exclusivo da minha dor. Não há nada naquela página, naquela coluna, que explique que aquilo foi um texto publicado num blog pessoal. (...)»

Nuno Markl

Errovista de imprensa

Leio no jornali: "Aparece como o salvador do BPP quando ninguém queria o banco. Por um erro, Duarte D'Orey compra com um plano ambicioso, talvez demasido ambicioso, segundo os primeiros sinais."

 

Em entrevista à Sabado, Pinto Monteiro diz que "O ministro da Justiça não tem razões para estar pessimista, nem há motivo para o mapa judiciário ser adiado.". A revista achou por bem dar à peça o título "O novo mapa judiciário vai naufragar".

hoje, à hora dos noticiários, na TVI

ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...que graças a D(d?)eus não conheço [VCG]...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele... ele...ele...

ele...

Jornalismo à seria

 

"Manuela Guedes - ... as próprias câmaras de televisão só podem apanhar de frente as pessoas ... ahhh ... foi tudo estudado não se pode fazer lá dentro os planos que nós queremos...

Correia Guedes - ... que era habitual fazer ... eu reparei ... eu reparei na ausência desses planos ...  ahhh ... não sei se são proibidos.

Manuela Guedes - não não, estamos proibidos de fazer de fazer muitas coisas lá dentro...

Correia Guedes - mas dantes havia planos da assistência, planos do que as pessoas estavam a fazer.

Manuela Guedes - é uma coisa um pouco estranha, mas estamos proibidos!

Correia Guedes - planos da mesa e contra-campos, ou seja, planos na direcção da sala e não na direcção do orador e hoje não vi nada disso ... ehhh ... não sei se...

Manuela Guedes - ó Vasco [é o Correia Guedes], houve um ... houve um dos temas...

Correia Guedes - pra já aquilo está eficientezinho, não é? ehhh ... ehhh ...

Manuela Guedes - Não, não, este Governo é muito eficiente nessa matéria.

Correia Guedes - o produto ...  ehhh ... ehhh ... está muito bem embalado, etcetera."

A febre de sexta à noite

Já não passo sem aquele programa que, enquanto todos os outros canais se dedicam a coisas menores como os noticiários, a senhora de José Moniz apresenta à sexta-feira no número 4 da ordenação licenciada em sinal aberto. Mas que grande amor vocês estão a ver esta querida?, impreco docemente, enquanto me deleito com as apropriadas e imparciais apreciações aos acontecimentos da semana. E a minha mulher: mas muda de estação, porra, só te enervas. Nunca vemos este canal, garante algo envergonhada a quem nos rodeia - às sextas é que lhe dá para isto. Cada um tem o amok que merece - o meu é a sr.a das sextas da TVI. E desde que os Gatos, os Contemporâneos e o Aleixo (as minhas metadonas) hibernaram, a loucura aumentou. Dediquei-me por completo ao vício. Ele agora é só Manela. Manela, Manela. Ao ponto de a minha manic monday só o ser porque dista demasiado da sexta abençoada - my funday. Sem que mo digam, convenço-me que Sócrates é o responsável pelo 11 de Setembro e que foi o seu sopro que gerou o Katrina. Entretanto, acabo de jantar e sirvo-me de um Jameson (ando mal da garganta e a tripla destilação ajuda). Volto da taberna e, ó coincidência, ei-lo chegado. O momento e o homem: Vasco Valente Correia Guedes está na pantalha. A propósito, Guedes ela, Guedes ele: serão manos? Apelidos iguais, sintónicos à mete nojo - tudo indica que sim, se não biológicos, afectivos à sargento é indesmentível. E é o fastígio, medicamente falando. Todos calados, digo; e a minha mulher pede desculpas por mim. Quero ouvir isto! Estas vozes brancas e claras, estas dicções perfeitas, este primor da linguagem. Esta mestria do linguajar. Querida aqui, ó coisa linda acolá e acaba o programa. Regresso à terra. Os seres que me rodeiam, gata e papagaio incluídos, encaram-me a medo. Vão ganhando forma. Agora já distingo perfeitamente o meu sogro da minha gata. Já não confundo o meu filho com o papagaio. Com ar calmo, e excessivamente crónico, a minha mulher questiona-me sobre algo banal - para ver que tal vou. Com ar calmo, acena com a cabeça aos presentes. Está tudo bem. O exorcismo foi bem sucedido.

Leiam só as gordas

"António Morais terá invocado o antigo Código de Processo Penal para se opor à publicidade do processo durante a instrução. O pedido foi aceite, muito embora a data ainda já vigorasse o novo código, curiosamente aprovado por socialistas." [TVI]

Teria imenso prazer em comentar este parágrafo assim entendesse o que lá vai escrito - a falha é por certo minha, pois que me asseveram que é excelentissimo o jornalismo praticado na estação em causa.

 

Mas há uma coisa que posso comentar, e essa é bem ilustrativa da tal excelência de que se fala. A notícia acima linkada é encabeçada pelo seguinte título: "Alegada corrupção - Processo «Cova da Beira» parado há mais de um ano. O caso, com acusação deduzida, remonta a 1999 e implica José Sócrates e António Morais."

O caso, diz o título, já tem acusação deduzida e implica José Sócrates. Ou sou eu que não percebo pevas ou dizer que um caso com acusação deduzida "implica" alguém dá a entender que esse alguém é acusado no dito caso. É que, com acusações deduzidas, não há meios termos - ou os sujeitos são acusados, por estarem implicados, ou o processo é arquivado no que lhes toca, por não estarem implicados. Tudo o resto, cartas anónimas e quejandos, vale nada. Já do que se vai entendendo do  corpo da notícia, parece certo que José Sócrates não foi acusado no dito processo. De excelência, portanto.

Continuemos a fazer de conta

Mário Crespo faz de conta que escreve uma crónica, que é o mesmo que dizer que faz de conta que comenta factos da actualidade.

Comecemos por fazer de conta que Mário Crespo sabe tudo o que se passou no caso Freeport, que não mistura a gosto tios e primos, sobrinhas e sobrinhas. Que não recorre ao folhetineiro estilo “vocês sabem do que é que eu estou a falar”.

Continuando a acompanhar o estilo e a metodologia da mistela feita crónica, façamos de conta que o pregão onde Mário Crespo pretende fazer de conta “que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo” jamais poderia ser proferido numa feira, conjugado num “ó freguesa dois pares de cuecas pelo preço de uma; e a Universidade que licenciou José Sócrates está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo”.

Façamos ainda conta que tirar um curso numa universidade que “está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo” é, também por si, um caso de polícia. E que todo este fazer de conta de Mário Crespo quer dizer alguma coisa, que é afirmação contextualizada, com alguma espécie de substância, que não fica no ar uma espécie de conclusão que não chega a ser retirada. E aqui chegados façamos de conta que o inconclusivo não é propositado.

Façamos de conta que fazer de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês é arrasador para o destinatário. E que não há má fé na piadola e que a piadola ainda não chegou à tasca.

Façamos igualmente de conta que Mário Crespo sabe do que fala quando nos aconselha a fazer de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral. Façamos de conta que ignoramos as demais considerações que o neófito entrevistador de horário nobre tece a propósito da entrevista concedida por Freitas do Amaral. Façamos de conta, para isso, que Mário Crespo foi ao fundo de questão, que analisou quês e porquês, que estudou o assunto - que procurou, encontrou, comparou e concluiu. O que fez de conta que concluiu.

Façamos de conta que os media nada têm a ver com todo este mundo do faz de conta e que alguns jornalistas não escrevem crónicas como a que Mário Crespo deu à estampa, com elas contribuindo para tanto faz de conta. E, porque não?, façamos ainda de conta que uma mentira repetida à exaustão não tende a transformar-se numa verdade.

Agora é esperar não nos inviolem a baliza

"Se o Sporting não sofrer golos na partida de domingo frente ao Paços de Ferreira, Paulo Bento atinge uma nova marca no comando da equipa técnica dos leões. Diante do Rio Ave, o Sporting completou o sexto jogo consecutivo sem ver a sua baliza inviolada, faltando apenas 34 escassos minutos para superar a série conseguida em 2005/06, a primeira época sob a orientação do atual treinador." [Record]

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